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Atualizado: 19 de nov. de 2025

"A medicina, como a estamos praticando, é um comércio de luxo. Estamos vendendo pão pelo preço de joias... Vamos tirar o lucro, o lucro econômico privado, da medicina e purificar nossa profissão do individualismo voraz... Vamos dizer ao povo não 'Quanto você tem?' mas 'Como podemos melhor servi-lo?'" – Norman Bethune
"Camarada Bethune", Song Ren (1973). Fonte: chineseposters.net
"Camarada Bethune", Song Ren (1973). Fonte: chineseposters.net

Em decorrência dos 86 anos de imortalização do médico do povo, comunista e internacionalista Norman Bethune, republicamos o texto "À Memória de Norman Bethune" do Presidente Mao, publicado em 21 de Dezembro de 1939.


O doutor Bethune foi um dos primeiros e mais aguerridos propagandistas da medicina social, a posição de pôr a frente o acesso universalizado à saúde, como um direito irreconciliável do povo, que nasce das necessidades coletivas e devem servir a elas. Suas convicções se fortaleceram ainda mais durante seus estudos do sistema de saúde soviético, o que lhe tornou um ferrenho comunista. Esta mesma posição não se fez somente em teorias e fraseologias vazias desconexas de ação: este verdadeiro guerreiro e médico vermelho dedicou sua vida à servir o povo de todo coração, tanto na sua pátria quanto no resto do mundo. Atuou no Canadá, durante a devastadora Crise de 1929, na luta contra a Espanha fascista dirigida por Francisco Franco e, por fim, foi voluntário no Oitavo Exército de Campo do Partido Comunista Chinês, como médico popular em uma das colonizações mais desumanas da história, apoiando o Exército Popular de Libertação e o povo da China vermelha em sua justa guerra de resistência contra os facínoras imperialistas japoneses e, por isso, foi recebido com agitação alegre das massas, do Partido Comunista e todo o povo do mundo.


Em novembro de 1939, o Dr. Bethune sucumbiu aos sintomas de septicemia, causada por um ferimento enquanto operava um soldado do Exército Popular de Libertação. Seus feitios, contribuições e devoção altruísta e inabalável ao povo, à defesa da medicina proletária, à causa comunista e anti-imperialista, tornaram a sua morte mais pesada que o Monte Tài Shān e o elevaram à imortalidade.


VIVA O MARXISMO-LENINISMO-MAOISMO!

VIVA O DOUTOR HENRY NORMAN BETHUNE!

VIVA OS MÁRTIRES DO POVO!


"O espírito altruísta do camarada Bethune, expressa seu sentimento extremo de responsabilidade com seu trabalho e sua extrema generosidade com os camaradas e o povo. Todo membro do Partido Comunista deve aprender com ele." Março de 1968, Autor desconhecido. Fonte: chinesposters.net
"O espírito altruísta do camarada Bethune, expressa seu sentimento extremo de responsabilidade com seu trabalho e sua extrema generosidade com os camaradas e o povo. Todo membro do Partido Comunista deve aprender com ele." Março de 1968, Autor desconhecido. Fonte: chinesposters.net

À Memória de Norman Bethune

Mao Tsetung

21 de Dezembro de 1939


O camarada Bethune, membro do Partido Comunista do Canadá, tinha pouco mais de cinquenta anos quando foi enviado para a China pelo Partido Comunista do Canadá e pelo Partido Comunista dos Estados Unidos. Bethune não hesitou um só momento em transpor milhares de quilômetros para ajudar-nos na Guerra de Resistência contra o Japão. Chegou a Ienan pela Primavera do ano passado, indo depois trabalhar no Vutaixan onde, para grande pesar nosso, veio a encontrar a morte, no seu posto. Aí está um estrangeiro que, sem qualquer interesse pessoal, fez sua a causa da libertação do povo chinês. De que espírito estava ele animado? Do espírito do internacionalismo, do comunismo, o espírito que todo e qualquer comunista chinês deve assimilar. O Leninismo ensina-nos que a revolução mundial só pode triunfar se o proletariado dos países capitalistas apoiar a luta de libertação dos povos das colónias e semicolônias e o proletariado das colónias e semicolônias apoiar a luta de libertação do proletariado dos países capitalistas(1). O camarada Bethune pôs em prática essa linha leninista. Nós, membros do Partido Comunista da China, devemos proceder do mesmo modo. Devemos unir-nos ao proletariado de todos os países capitalistas, ao proletariado do Japão, da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Itália e dos demais países capitalistas; só assim será possível abater o imperialismo, libertar-se a nossa nação e nosso povo e libertarem-se as demais nações e povos do mundo. Tal é o nosso internacionalismo, o internacionalismo que opomos ao nacionalismo e patriotismo estreitos.


O espírito do camarada Bethune, esquecimento total de si próprio e devoção pelos outros, manifestava-se num profundo sentido das responsabilidades em relação ao trabalho e num ilimitado afeto pelos camaradas e pelo povo. Todos os comunistas devem tomá-lo como exemplo. Não são poucas as pessoas a quem falta o sentido da responsabilidade em relação ao trabalho; preferindo as cargas leves as pesadas, escolhem as leves e deixam as pesadas para os outros. Seja para o que for, tais pessoas pensam primeiro em si próprias e só depois nos outros. Assim que fazem um pequeno esforço, incham-se de vaidade e gabam-se, com medo de que os outros não reparem nisso. Não têm o menor carinho pelos camaradas e pelo povo, tratando-os até com frieza, com indiferença e insensibilidade. No fundo, não são comunistas ou, pelos menos, não podem considerar-se como verdadeiros comunistas. Entre os que regressavam da frente não havia quem, ao falar-se de Bethune, não manifestasse admiração por ele e não estivesse sensibilizado pelo seu espírito. Entre os militares e civis da região fronteiriça Xansi-Tchahar-Hopei, de todos aqueles que pessoalmente foram tratados pelo Dr. Bethune ou viram com os próprios olhos o trabalho deste, não há quem não se sinta emocionado com isso. Todos os membros do Partido devem assimilar esse espírito autênticamente comunista do camarada Bethune.


O camarada Bethune era médico, fazia da arte de curar a sua profissão; aperfeiçoando-se constantemente, distinguiu-se pela aptidão em todo o serviço médico do VIII Exército. Isso constitui uma excelente lição para todos aqueles que pensam em mudar de ofício assim que entreveem uma possibilidade de exercer outro, ou desdenham o trabalho técnico considerando-o insignificante, sem futuro.


Estive com o camarada Bethune uma só vez. Depois, ele escreveu-me diversas cartas. Mas, assoberbado pelo trabalho, só lhe respondi uma vez e nem sei mesmo se recebeu a minha carta. A sua morte causou-me profundo pesar. Agora, ao celebrarmos a sua memória, podem ver-se quão profundos são os sentimentos que o seu espírito nos inspira. Todos devemos aprender dele o espírito perfeito de abnegação. Assim cada um poderá vir a ser de grande utilidade para o povo. Seja qual for a capacidade dum indivíduo, basta-lhe que possua esse espírito para ser um homem de nobres sentimentos, um homem íntegro, de alta moral, destituído de interesses vulgares, um homem útil ao povo.


(1) Ver J. V. Stálin “Fundamentos do Leninismo”, VI parte: “A Questão Nacional”.


Faixa contra o aumento da passagem. Foto: Revista Revolução Cultural
Faixa contra o aumento da passagem. Foto: Revista Revolução Cultural

Ontem (12), o Núcleo da Revolução Cultural em São Gonçalo realizou uma agitação e panfletagem contra o aumento da passagem no município e contra as mudanças no trânsito da cidade por conta do desastroso MUVI (Mobilidade Urbana Verde Integrada). Foram distribuídos cerca de 250 panfletos, em Alcântara, com a consigna ‘’5,55 é roubo!’’. Além disso, houve agitação com megafone e uma faixa foi estendida com a mesma frase do panfleto. Diversas pessoas pararam para conversar com os ativistas do Núcleo e demonstraram bastante apoio.


Panfleto feito pelo Núcleo da Revista Revolução Cultural em São Gonçalo
Panfleto feito pelo Núcleo da Revista Revolução Cultural em São Gonçalo

“É um absurdo, aumentaram a passagem mesmo tendo tirado a linha que vai até a minha casa”, disse Fernanda, que agora depende da linha 06, depois de terem retirado a linha direta entre o bairro São José (Zona Rural de São Gonçalo) e Alcântara.


A passagem de ônibus em São Gonçalo saltou de R$3,95 para R$5,55 no último dia 1⁰ de novembro, marcando um aumento extremamente abusivo e arbitrário de R$1,60. Além disso, os ônibus da cidade se encontram em um estado muito sucateados, e a frota total do município reduziu quase em 40% desde a pandemia.


Foto: Revista Revolução Cultural
Foto: Revista Revolução Cultural

Já sobre as mudanças do MUVI, muitos destacaram que mesmo com as mudanças já concluídas em boa parte do percurso, não houve mudança efetiva no trânsito e ainda foram fechadas as saídas de pelo menos 3 escolas.


As mobilizações contra o aumento e contra o MUVI continuarão nas próximas semanas.

Atualizado: 23 de nov. de 2025


Pós Operação Contenção na Penha/Alemão (RJ) vs Pós Operação Carbono Oculto na Faria Lima (SP)
Pós Operação Contenção na Penha/Alemão (RJ) vs Pós Operação Carbono Oculto na Faria Lima (SP)

O triunvirato Guilherme Derrite, Tarcísio de Freitas e Hugo Motta, patrocinador do Projeto de Lei chamado “Antifacção” no Congresso Nacional, viu frustrada sua tentativa de equiparar o crime de tráfico de drogas a terrorismo. Menos pela pressão dos movimentos populares – eles próprios divididos, uma vez que parte da esquerda institucional capitulou totalmente ao punitivismo penal em troca de votos – que de setores das classes dominantes, preocupados com a insegurança jurídica que tal equiparação poderia produzir. No caso de cada jovem pobre e morador de favela, recrutado para o tráfico, ser considerado terrorista, seria de se supor que o Brasil fosse considerado o maior celeiro do tipo no mundo, com consequências funestas para a “credibilidade” do país e possíveis sanções e mesmo intervenção de potências estrangeiras (leia-se: Estados Unidos).


Na prática, as penas para o crime de tráfico e associação ao tráfico se tornam muito mais draconianas, imprescritíveis e com uma virtual obstrução à progressão de regime. Uma vez que o Brasil possui atualmente 800 mil presos e presas em regime fechado, muitos dos quais acusados por delitos relacionados à lei de drogas (entre as mulheres o índice é superior a 50%), trata-se em essência tal PL de uma ampliação do velho veneno de lotar as cadeias e a persecução penal contra os excedentes da produção capitalista. Veneno que tem sido o paradigma do “combate ao crime” no período posterior ao regime militar. Ele criou e alimenta as chamadas facções com uma quantidade crescente de recrutas: aquelas, na sua origem, eram simplesmente associações legítimas de detentos para humanizar os horrores do sistema prisional. Com o tempo, exatamente pela associação com parte do aparato econômico e repressivo do Estado, estas facções se converteram em uma espécie de força auxiliar paramilitar responsável por manter a ordem social nos imensos bolsões de miséria brasileiros, movimentando uma economia multimilionária, cuja lucratividade deriva basicamente da sua proibição. Dizer que penas mais longas dissuadirão os jovens de “entrarem pro crime”, sem tocar em nenhuma das perversas distorções estruturais que desembocam no bilionário negócio da droga, é apenas velho vinho em odres novos, que agravará a já abissal criminalização da pobreza.


Como diz o provérbio, é nos detalhes onde o Diabo mora. Ao recuar da tipificação de associação ao tráfico como terrorismo, o relator Derrite incluiu no PL certos jabutis que limitavam a participação do Ministério Público e da Polícia Federal na investigação das chamadas facções. No caso da PF, ela só poderia intervir se solicitada pelos governadores, que se tornariam desse modo verdadeiros donatários com plenos poderes nas suas províncias. O uso político das polícias civil e militar para perseguir movimentos de oposição e adversários seria intensificado, assim como a proteção aos bandidos de estimação dos palácios. O escárnio era tão evidente, que o cara de pau teve de recuar ainda outra vez. Mas a essa altura já estava claro que o problema do crime, segundo os dignitários palacianos, não é a sua natureza em si –embora astronômicos, os valores movimentados pelo tráfico de drogas e de armas são singelos se comparados às negociatas lícitas ocorridas no Congresso a título de emendas ou dilapidação do Erário sob a rubrica de concessões e renúncias fiscais ao agronegócio, mineradoras etc –, mas sim a que classe social pertence o criminoso. Como bem diz o jurista e magistrado Luis Carlos Valois, em seu trabalho “O direito penal da guerra às drogas”:


“Esse excesso de leis penais, surgido para resolver todos os problemas, cria um leque de possibilidades de repressão à polícia que, paralelamente, fica impossibilitada de fazer cumprir todas as leis: ‘o número e o alcance das leis penais garantem que policiais e promotores não façam valer todas as leis como estão escritas’. Soma-se à inflação de leis penais a existência, entre elas, de leis punindo a simples posse de algo e está formado um espectro de medo generalizado. Um medo que se retroalimenta na medida em que, apesar de a sociedade ter medo da polícia, pede mais polícia, a elaboração de mais leis penais, mais crimes e mais prisões”.  


Portanto, quanto maior o endurecimento penal, maior a abrangência da corrupção e da punição seletiva: ela recairá sobre os marginalizados de sempre e as suas famílias, agravando o ciclo que tem numa cela superlotada seu penúltimo nível, sendo a execução extrajudicial seu termo. Quanto aos criminosos de colarinho branco, se eventualmente processados e condenados, terão respeitadas todas as garantias previstas na Constituição e nos Tratados Internacionais.


Esse projeto de lei não tem efetividade contra o PCC, Comando Vermelho e outros, exatamente porque não busca ampliar o cerco aos que de fato financiam toda sua cadeia de sustentação, que é o capital financeiro, a classe politiqueira mais rasteira e os próprios agentes do Estado reacionário, sem cujo concurso nem a mercadoria nem os fuzis para protegê-la chegariam às favelas das metrópoles brasileiras.


É preciso que façamos uma ampla e permanente campanha de luta política junto aos trabalhadores: nada tem de paradoxal que uma sua parcela adira ao discurso de lei e ordem, pois os pobres são também as maiores vítimas da criminalidade, cujas práticas ordinárias não alcançam os ricos superprotegidos em suas bolhas de segurança. Deve-se dizer que a polícia não é um instrumento isento –como tampouco o Ministério Público ou o Judiciário– mas um aparato de coerção voltado principalmente contra os próprios trabalhadores e seus familiares. São um verdadeiro muro de segregação social. De fato, ninguém imaginaria uma incursão de Caveirões ou a troca indiscriminada de tiros em bairros nobres de qualquer cidade. Foi esse populismo carcerário-assassino e sua abordagem sobre (in)segurança pública que chocou o ovo da serpente bolsonarista no Brasil. Ao mesmo tempo, os movimentos populares devem ficar em guarda, pois foi esta mesma lei de associação criminosa, agora endurecida, que levou para a prisão dezenas de ativistas nas jornadas de 2013 e 2014. Nada pode ser mais fácil para um governo reacionário e seus apaniguados do que dizer que a divisão interna e a organização inerente a qualquer associação política se equipara a uma “organização criminosa”. Basta que a luta de classes se intensifique, para que este entulho punitivo revele e mobilize todos os seus tentáculos, voltados, em última instância, contra a ação e organização popular.



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