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A importância das manifestações antifascistas e o lugar dos revolucionários

há 10 minutos
4 min de leitura
Faixa Novo MEPR "Lutar pelo Poder Popular contra o Fascismo" no ato antifascista dos estudantes convocado por grêmios do CP2 07/10 - Foto: Revolucao Cultural
Faixa Novo MEPR "Lutar pelo Poder Popular contra o Fascismo" no ato antifascista dos estudantes convocado por grêmios do CP2 07/10 - Foto: Revolucao Cultural


Após a vitória da extrema-direita no primeiro turno das eleições gerais, enquanto Flávio Bolsonaro já “governava” — anunciando uma nova Constituição e um corte de 250 bilhões de reais no orçamento federal —, se iniciou uma gigantesca onda de manifestações em todo o País. A iniciativa não foi da cúpula da campanha de Lula, mas da juventude estudantil, que foi às ruas em Niterói logo no dia 5 e, depois, em um gigantesco ato no centro do Rio, dia 7. Desde então, as concentrações se sucederam cidade após cidade, mesmo no interior e em lugares considerados redutos bolsonaristas, e nas maiores metrópoles as concentrações ocorrem por bairros. Essas manifestações romperam na prática anos de apaziguamento e imobilismo do PT e se constituem no fato novo mais relevante da política brasileira em anos. 


É preciso entender que, na sua essência, não se tratam de atos meramente eleitorais, mas de uma legítima mobilização popular contra a extrema-direita. O fato de a juventude protagonizar as manifestações, inclusive muitos jovens secundaristas, indica que uma nova geração se apresenta para a luta, num grave momento da história brasileira. Que estes se agrupem em torno da candidatura de Lula indica a debilidade do campo revolucionário, que não foi capaz de produzir uma liderança mais combativa com lastro nas massas trabalhadoras, mas o móvel destes atos é o rechaço, o sentimento de urgência, em barrar o avanço da extrema-direita. Este rechaço é justo e necessário.


Além disso, é bastante óbvio que, independentemente do resultado do segundo turno, estes protestos criam um cenário mais favorável à luta popular na etapa seguinte. Se Flávio Bolsonaro vencer, eles criam um obstáculo poderoso à sua tentativa de conseguir por via legal aquilo que há apenas quatro anos Jair intentou através dos tanques, ou seja, um regime de corte fascista, incondicionalmente submisso aos ditames do imperialismo estadunidense. A extrema-direita perdeu o monopólio das ruas, e os movimentos populares recobram força e confiança para a mobilização antifascista que virá. Caso Lula vença, haverá, em primeiro lugar, uma série de provocações e contestações do campo bolsonarista ao resultado das urnas, respaldado por Washington; em segundo lugar, restará evidente que este resultado só foi possível pela enorme mobilização nas ruas, tornando muito mais difícil a tarefa dos dirigentes reformistas em fazer o gênio voltar para dentro da garrafa. O pior cenário possível seria uma vitória da extrema-direita, odiosa e petulante, sem que houvesse contraposição, pois isto levaria a um quadro de profunda apatia e desmoralização do campo antifascista. A juventude, os intelectuais progressistas e trabalhadores mais conscientes derrotaram esta possibilidade. 


Também é preciso dizer que, em certas análises, muito se insistiu na base popular da extrema-direita. É verdade, a extrema-direita capturou uma base popular, frustrada com as promessas não cumpridas dos governos petistas. Mas, como qualquer verdade, ela pode se converter em uma falsidade se repetida fora da relação com outros fatores e unilateralmente. Porque também há uma extensa base popular, entre os trabalhadores mais pobres, que são negros e ganham até um salário mínimo, contra a extrema-direita. Essas milhões de pessoas compreendem que a “arminha” de Bolsonaro não é o “armamento geral do povo”, mas a licença de matar concedida às polícias e grupos paramilitares; elas compreendem que o discurso de negociação direta entre patrão e empregado é a sua reescravização em tempos modernos; e que as liberdades democráticas e direitos sociais, ainda que limitados, sucateados e desiguais, são um terreno mais favorável à sua mobilização do que um regime que tem como prioridade a supressão, inclusive formal, destas mesmas garantias. É bastante evidente que, na situação atual, aqueles que se movimentam contra a extrema-direita, são muito mais suscetíveis à proposta revolucionária de prosseguir as mobilizações no futuro próximo e de resistir contra os ataques que se avizinham, ainda que venham de um eventual governo Lula 4, do que os que se mantém indiferentes frente a esta situação. Se o fascismo é uma força política e cultural, com capacidade de mobilização social, o antifascismo também o é. 


O dever de todos os lutadores é estar ao lado das massas, contra os golpistas. É óbvio que se deve prevenir as ilusões reformistas e compreender que na frente antifascista que ganhou forma na prática, nas ruas, há unidade e luta. Devemos manter alta a bandeira da mobilização popular, contra as tentativas de limitá-las a uma agenda eleitoral. O que mais uma vez a história confirmou é que O FASCISMO NÃO PODE SER DERROTADO NAS URNAS. Apenas a luta popular pode colocar focinheira e quebrar a espinha dorsal da extrema-direita. Não se trata, portanto, de campanha eleitoral, mas de empurrar o movimento de massas no rumo do prosseguimento das manifestações depois do dia 25 de outubro. No curso dessas manifestações, devemos forjar novas organizações, livres das amarras e preconceitos dos líderes reformistas, pois foram estes que nos levaram, de traição em traição, de desmobilização em desmobilização, a esta encruzilhada histórica. Estas novas organizações deverão ter como programa a luta pelo poder popular, e não mais a institucionalidade burguesa. A grande notícia é que este processo já está em curso.    

 


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