No Brasil, o terrorismo que existe é o de Estado
- Núcleo de São Gonçalo
- 8 de jun.
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Foram 40 tiros disparados pela polícia civil contra Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis, enquanto ambos estavam em uma moto a caminho da obra onde iriam iniciar seu dia de trabalho, no último dia 27 de maio. Nem mesmo a ‘’régua de obra’’, que carregavam nos braços, foi suficiente para evitar serem fuzilados sem nenhum tipo de justificativa.
O caso que aconteceu no Jardim Catarina, em São Gonçalo, soma-se ao assasinato de Andressa no Complexo do Salgueiro no final de março e ao recente assasinato de Eduardo de Castro Ornelas. O entregador, um rapaz de 26 anos, foi alvejado pela polícia militar após os porcos terem ‘’confundido’’ seu celular com uma arma. O caso aconteceu no último domingo. Na mesma quarta-feira, o entregador Lucas Rodrigues foi fuzilado pela polícia militar enquanto estava conversando com um amigo em uma avenida movimentada na Ilha do Governador. Vídeos mostram que alguns policiais pulando um muro em direção a rua, descaracterizados, e abrindo fogo indiscriminadamente em direção a um grupo de pessoas.
Todos esses trabalhadores, essas pessoas que eram parte do nosso povo, foram mortos sem nenhum motivo e sem terem direito a nenhuma condição de resistência ou ao menos, autodefesa. Não são assassinatos isolados, fazem parte de um sistemático e sofisticado método de segregação e genocídio, que classifica toda área pobre como um território ‘’em disputa’’ e que aceita quaisquer atitude para retomá-los.
As operações militares, que ocorrem em todo o país mas que possuem mais recorrência no Rio, não precisam de motivo. Elas acontecem de modo contínuo, diário, todo dia de manhã os jornais dos monopólios de mídia são basicamente organizados para o acompanhamento dessas incursões que invariavelmente não tem nenhum efeito prático para além dos assassinatos e achincalhes do nosso povo. A desculpa de que são um combate ao tráfico de drogas é tão falsa, que recentemente essa mentira foi escancarada com a prisão do então presidente da ALERJ, André Ceciliano por ligações com o Comando Vermelho (CV), em um esquema que envolvia dezenas de deputados e o então governador Cláudio Castro.
No último ano, foram 6519 pessoas assassinadas pelas polícias de todo o Brasil, somente as mortes notificadas, o que corresponde a uma média de 18 mortes por dia pelas mãos dos chamados ‘’agentes de segurança’’. Para se ter uma noção, em toda a guerra da
Ucrânia que perdura desde 2022, foram 2514 civis mortos, segundo a ONU. Quase três vezes menos que somente em um ano das polícias no Brasil, o que só comprova que a violência policial no Brasil tem como objetivo real o genocídio e controle do povo preto e pobre, que são 94% dos mortos por policiais em todo território nacional.
E aqui, se trata de dizer claramente que tal fato independe de qual governo de turno está no poder. Pois o estado da Bahia é o campeão da letalidade policial mesmo com o PT a
cabeça, assim como no Rio de Janeiro o extermínio continua mesmo sem governador.
A recente classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos EUA, e a confirmação disto por parte do governo brasileiro, além de ser um erro do ponto de vista conceitual: veja, ambas essas organizações têm como principal objetivo, o lucro. São verdadeiros conglomerados gigantescos, com ligações no mercado financeiro e que se estendem a todas as esferas do poder público. São empresas, não organizações políticas, e não tem o objetivo real de destruir o Estado brasileiro, são parte dele.
A caracterização do CV e do PCC como terroristas, além de servir ao imperialismo como já foi abordado em um texto anterior da nossa revista RC, serve ainda mais ao propósito de colocar no imaginário popular comum que todas as mortes e assassinatos de pessoas inocentes nas favelas é relevável pois se está lutando contra o terrorismo.
A nós, cabe dizer: No Brasil, o terrorismo que existe é o de Estado!
Não podemos deixar-se normalizar o genocídio contra o nosso povo, o papel de todos os revolucionários e progressistas é denunciar e se organizar de forma veemente contra as operações policiais e contra esse Estado. Dizer claramente que violência, se combate com violência. Esses porcos vão sair correndo chorando quando o povo se armar e cobrar seus algozes.






