Preparemo-nos para a segunda guerra de independência da América Latina!
- Redação
- há 3 dias
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Na madrugada deste sábado (3), os EUA consumaram uma agressão brutal e selvagem contra a Venezuela. Comandos norte-americanos bombardearam alvos militares e civis tanto na capital, Caracas, como nos estados de Aragua, Miranda e La Guaira, deixando cidadãos mortos e feridos. Nicolás Maduro, presidente constitucional da Venezuela, foi sequestrado juntamente com sua esposa Cilia Flores, e, segundo o criminoso de guerra e assassino Donald Trump, está sendo levado para ser apresentado à Justiça norte-americana, onde responderá a um processo-farsa por terrorismo e tráfico de drogas.
Nos primeiros momentos da agressão ianque, antes da sua captura, Nicolás Maduro ordenou a mobilização total das forças armadas e da população venezuelana. A vice-presidente, Delcy Rodrigues, nas primeiras horas do dia fez um firme pronunciamento em que classifica a agressão ianque como um ataque “brutal e selvagem” contra o povo venezuelano. Ela conclamou à resistência nacional, não apenas para defender os recursos energéticos do país, mas sobretudo em nome do seu direito sagrado à independência. “Nunca seremos escravos!”, concluiu. No mesmo tom, se pronunciaram o Ministro da Defesa, Vladimir Padrino e o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Nada até este momento indica a capitulação ou a queda do governo, cuja defesa se confunde, desde que foi desatada a agressão ianque aberta em meados do ano passado, brutalmente intensificada hoje, com a própria defesa da nação venezuelana.
Numa das mais infames peças da história moderna, Donald Trump declarou à emissora Fox News que acompanhou o sequestro de Maduro “ao vivo, como se fosse na TV” e que a Venezuela pagaria pelo petróleo “roubado” dos Estados Unidos – petróleo que está situado no sagrado território venezuelano. Em pronunciamento ao vivo, ao lado do cabecilha da extrema-direita latino-americana, Marco Rubio, Donald reiterou a defesa da anacrônica Doutrina Monroe, disse que ninguém mais disputaria com os Estados Unidos em “seu” hemisfério, declarou que os próprios Estados Unidos governariam a Venezuela e que as empresas petrolíferas ianques explorariam o seu petróleo. Foi um pronunciamento que afirmou de modo explícito a dominação colonial não apenas da Venezuela, como dos povos oprimidos de todo o subcontinente.
Neste momento, é inútil, impraticável e contraproducente nos lançarmos a conjecturas sobre os meandros da operação ilegal e imoral perpetrada pelos seguidores de Hitler contemporâneos. Sim, seguidores de Hitler, pois Trump tenta submeter os povos aos seus ditames pelo uso do terror, de operações relâmpago à margem de qualquer direito (mesmo o de guerra, que pressupõe declaração de hostilidades) e pela imposição de fatos consumados. Os principais cenários futuros (que podem ser combinados em muitas variações, sem que isso altere a sua essência), são estes:
1- O governo venezuelano se une como um só na defesa da pátria e em rechaço à agressão ianque. Isto obrigaria os Estados Unidos a consumarem uma agressão em maior escala, que mergulharia a Venezuela numa poderosa guerra de guerrilhas contra o invasor e toda a América do Sul em uma situação revolucionária.
2– O governo atual se divide, com uma parte aceitando fazer uma transição negociada. Neste cenário, a Venezuela caminharia para uma guerra civil, cujo conteúdo e programa, no entanto, seriam o de uma luta de libertação nacional.
3 – Capitulação incondicional do regime e desmobilização das milícias populares, com a ascensão de um governo títere ou mesmo militar de extrema-direita. Este cenário hoje, o mais desfavorável para a luta anti-imperialista, parece improvável.
É preciso portanto reiterar que por detrás da aparência de força dos Estados Unidos, eles carecem de legitimidade e de qualquer sentido histórico progressista. Se é certo que o imperialismo nunca deixou de praticar atrocidades e de subjugar os povos oprimidos da Ásia, África e América Latina, há uma distância abissal entre praticar e verbalizar com cinismo inédito a intenção de re-colonizar pela força a Estados independentes. Ninguém aceitará viver como escravo em pleno século XXI. Na verdade, Donald Trump é a expressão acabada da senilidade do imperialismo ianque. Ao sequestrar e levar um presidente de um país soberano a julgamento em seu próprio território, ele viola a própria ideia de Estado-Nação contida nos Tratados de Vestfália de 1648. Trata-se, portanto, de uma tentativa de empurrar o sistema internacional quatro séculos para trás!
Isto é naturalmente algo impraticável, que só aumentará o isolamento norte-americano e o ódio dos povos do mundo contra si. Estes, se levantarão parte por parte e crescentemente, como disse acertadamente o Presidente Mao quando da agressão ianque ao Panamá, em janeiro de 1964:
“Atuando despoticamente por toda a parte, o imperialismo norte-americano se colocou numa posição de hostilidade frente aos povos do mundo inteiro e se isola cada vez mais. Aqueles que não aceitam ser escravos jamais se vão deixar amedrontar pelas bombas atômicas e de hidrogênio que possuem os imperialistas norte-americanos. A corrente de cólera dos povos do mundo inteiro contra os agressores norte-americanos é irresistível. A sua luta contra o imperialismo norte-americano e seus lacaios vai conquistar seguramente maiores vitórias". (Mao Tsetung, Declaração em apoio à justa luta patriótica do povo panamenho contra o imperialismo norte-americano, janeiro de 1964).
São palavras proféticas, que já começaram a se cumprir do Irã, passando pelo Iêmen e Somália, até a Venezuela e toda a América Latina. Os ianques e seu exército de drogados e degenerados serão humilhados em nossas terras sagradas como foram na Coreia, em Cuba, no Vietnã, no Afeganistão, no Iraque e onde quer que ousaram pisar as suas botas imundas. No caso específico do nosso subcontinente, seus países, embora tenham degenerado para uma situação semi-colonial, gozam de duzentos anos de independência politica, independência esta conquistada em lutas sangrentas contra os colonialistas europeus, circunstâncias das quais nasceram poderosas culturas nacionais. Se, na primeira rodada, as guerras de independência enfrentaram e venceram o colonialismo, nesta segunda rodada as novas guerras de independência enfrentarão e vencerão o imperialismo, com uma distinção crucial: ao fazê-lo, elas só podem caminhar para o socialismo, ou seja, um regime em que à independência formal se some a emancipação nacional e social verdadeira.
Esmagar o fascismo, esmagar o imperialismo: tarefas inseparáveis
A nota do presidente Lula sobre o mais grave atentado à soberania de um país sul-americano desde as guerras de independência é um capítulo vergonhoso da história nacional. Embora condene a agressão ianque como uma ação que “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, Lula não a classifica como um crime e nem cita o seu autor: Donald Trump e o imperialismo ianque. Este foi o mesmo governo que vetou a entrada da Venezuela nos Brics e não reconheceu a eleição de Maduro no último pleito venezuelano. Com efeito, a tática de Trump de negociar com Lula enquanto estrangulava a soberania venezuelana é o caso clássico de dividir para governar. “Pacificada”, no sentido romano, a “questão venezuelana”, alguém duvida que o próximo alvo da agressão ianque seja o Brasil?
Por isso, acreditar na possibilidade de uma política de apaziguamento a longo prazo seria um erro estratégico, na medida em que desarmaria as massas populares tanto ideológica quanto materialmente para defender a soberania nacional. Na verdade, essa política de apaziguamento tentada por Lula frente a Trump se confunde com sua política de apaziguamento com a extrema-direita brasileira, que é dirigida diretamente, sem qualquer disfarce, desde Washington. Todas as fichas da contenção golpista caíram sobre o STF. Embora algumas cabeças militares tenham sido julgadas, a estrutura das forças armadas e sua doutrina anticomunista obtusa seguem intocadas. As forças armadas brasileiras, na verdade, atuam como forças de ocupação pró-norte-americanas, uma casta privilegiada incapaz de qualquer projeto nacional independente e hostil ao próprio povo brasileiro. No Congresso, pululam os vendilhões da pátria. Portanto, não há como separar unilateralmente a questão nacional da questão democrática e social interna: sem que as massas se mobilizem de modo independente, não pode haver um futuro para a nossa nação; sem esmagar a extrema-direita fascista, quinta-coluna do imperialismo, e aqueles que conciliam com ela, não é possível haver qualquer soberania verdadeira.
Não há meio termo: ou uma independência nacional verdadeira, que implica a derrota dos lacaios internos do imperialismo; ou a exposição permanente aos golpes militares e agressões. Este é o futuro imediato da América Latina. Nem mesmo a roupagem democrática serve mais aos desígnios do imperialismo ianque.
A questão é que, como os séculos XX e XXI demonstram, a agressão desabrida do imperialismo e suas guerras de rapina podem acelerar as condições para que todas estas contradições, nacionais e sociais, convirjam para um mesmo ponto de ruptura. Nesse momento, os ensinamentos do Presidente Mao e da revolução chinesa – que não só não se confundem, como são os antípodas diretos do revisionismo chinês contemporâneo de Xi Jinping – de que o imperialismo ianque e todos os reacionários são tigres de papel, da necessidade de constituir uma poderosa frente única revolucionária contra o agressor e de que a guerra popular é invencível são a pedra de toque para o futuro de toda a humanidade trabalhadora.
Defender a Venezuela é defender a América Latina!
Preparemo-nos para uma segunda guerra de independência!
Morte ao imperialismo ianque!
Punição para Donald Trump, bandido inimigo da humanidade!
O imperialismo é um tigre de papel!
Pátria ou Morte!






