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RJ: A Rejeição venceu Ruas e Paes

há 10 minutos
3 min de leitura
Foto: Reprodução
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Os resultados das eleições deste ano, que tiveram seu primeiro turno realizado ontem (04), trouxeram algumas lições que já vêm sendo apontadas há algum tempo. A vitória parcial e apertada de Flávio Bolsonaro sobre Lula (47% a 45% dos votos chamados ‘’válidos’’), não chama tanto mais atenção que os 39 milhões de pessoas que se abstiveram e rechaçaram todos os candidatos. É o maior número desde a Constituição de 1988, que deu início à ‘’Nova República’’. Esse é o retrato da desmoralização completa do Estado brasileiro, que não é capaz de dar respostas para os problemas centrais do povo brasileiro, tampouco melhorar, nem que seja de forma mínima, a situação dos trabalhadores e da infraestrutura nacional.

 

No Rio de Janeiro, a situação é ainda mais gritante, com rechaço de quase 33% entre abstenções, votos nulos e brancos para a disputa de governador e cerca de 28% para presidente. Douglas Ruas, do PL, herdeiro político de Cláudio Castro e sucessor da corja que comanda o Palácio das Laranjeiras desde a ascensão de Wilson Witzel, pode ser declarado vencedor ainda no primeiro turno à provável anulação dos votos de Anthony Garotinho pelo TSE.

 

A vitória de Ruas representa de modo claro como funciona e a quem servem as eleições que nada têm de democráticas. O que de fato faz alguém ganhar são os esquemas, dinheiro e corporativização das massas. Desde que seu pai, o miliciano Capitão Nelson, ganhou a prefeitura de São Gonçalo, aparelhou de maneira descarada o aparato público (escolas, hospitais e demais serviços) a favor de seus cabos eleitorais, instituindo um voto de cabresto oficial e implacável. O próprio Douglas Ruas se beneficiou das emendas do orçamento secreto, algo que o PT prometeu acabar, mas manteve, sempre em nome da “governabilidade”. Durante seu período à frente da Secretaria de Obras do estado, no governo de Cláudio Castro, focou quase todo o orçamento em municípios estratégicos como Duque de Caxias e São Gonçalo, terceiro e segundo maior colégio eleitoral, respectivamente. A presença da sua campanha nas principais favelas do estado também precisa ser mencionada, pois pôde fazê-la livremente, sem ser incomodado pelos traficantes que tanto diz que irá combater.

 

Tudo isso foi potencializado, também, pela participação vergonhosa da esquerda eleitoreira e sua adesão a um candidato como Eduardo Paes que não possui em seu discurso ou plano de governo qualquer proposta minimamente progressista ou identidade com as camadas pobres de trabalhadores da região metropolitana. A esquerda petista apostou em Eduardo Paes para “ampliar a base” e se viu emparedada em um jogo de perde-perde: não elegeu um governador da base e viu este sumir do palanque de Lula à medida que Ruas, colado ao bolsonarismo, subia nas pesquisas. É uma vergonha histórica que um partido dito de esquerda tenha orientado sua base a votar em um candidato ao Senado como Pedro Paulo, relator e maior defensor da reforma administrativa no Congresso.

 

Ruas, se eleito, terá uma grande rejeição, uma vez que a diferença da sua votação para o número de abstenções foi de menos de 98 mil votos. As suas promessas de campanha, de implementação das escolas militares, o apoio às medidas anti-povo de Flávio e sua posição contrária ao fim da escala 6x1, só poderão ser combatidas com mobilização popular e politização. Devemos desde já iniciar a mobilização de nossas bases, nos organizarmos, para barrar todos os ataques vindouros e dizer claramente que Ruas se combate com Rua!

 

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