SP: Os antifascistas estremecem o Largo da Batata

No domingo, 18, milhares de pessoas ocuparam o Largo da Batata, em Pinheiros, a uma semana do segundo turno, para dizer não ao fascismo. A convocação sobreviveu a um cancelamento duplo. O grande ato marcado para o Vale do Anhangabaú foi desmarcado, a mudança para o Largo da Batata foi anunciada e logo retirada pelos movimentos, que alegaram segurança e entraves burocráticos. A UNE chegou a reservar o largo e o deixou vazio, trocando a rua por panfletagem em Grajaú, Cachoeirinha e Itaquera, e uma pessoa próxima à campanha informou que o ato não era iniciativa do PT nem da campanha. A manutenção da convocação coube a outros movimentos independentes e a juventude respondeu ao chamado que a direção do oportunismo recusou.
Milhares de estudantes e trabalhadores estiveram presentes com faixas antifascistas, cartazes pela soberania, bandeiras do Brasil, Palestina e simbologia comunista – como a bandeira da União Soviética - homenageando às lutas desses povos contra o colonialismo e a guerra imperialista. Lambes foram colados por toda a extensão do Largo, denunciando a barbárie fascista e clamando pela organização do povo. Militantes da Revista Revolução Cultural e do Novo MEPR proferiram palavras de ordem contra o fascismo e fizeram intervenções pela radicalização do protesto.
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro fazia ato na Avenida Paulista, ligada ao Largo da Batata pela Linha 4-Amarela do metrô. A Polícia Militar montou operação especial após reuniões com Metrô, CET, GCM e organizadores, e o encontro entre os dois campos, previsível desde o início, aconteceu no fim do dia. Bolsonaristas que deixavam a Paulista aos gritos de “Fora PT” cruzaram com militantes de esquerda nas estações e houve brigas, inclusive na Trianon-Masp, de onde um militante foi retirado à força de cima da cobertura de uma entrada.

A Polícia Militar encerrou o ato com repressão. Tropas avançaram sobre os manifestantes no Largo da Batata ao fim da tarde, com bombas de gás e disparos de bala de borracha, segundo relatos e vídeos feitos no local, contra uma multidão que permanecia na praça. A corporação havia anunciado uma operação para garantir o direito de manifestação dos dois grupos, e o resultado do dia foi a Paulista bolsonarista policiada à distância e o ato antifascista dispersado a gás.
Apesar da traição, mais uma vez, da UNE e demais organizações e partidos pelegos, a juventude antifascista saiu de cabeça erguida de mais este ato antifascista, que dessa vez tendo ocorrido até mesmo achincalhes da polícia ao final, em uma vã tentativa de desmobilizar as massas em luta.







