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SP: Trem em chamas, povo abandonado: a privatização mata o transporte público!


Na manhã desta quinta-feira, 23 de julho de 2026, a população da capital paulista vivenciou e assistiu horrorizada às falhas das linhas recém-privatizadas pela Trívia Trens (Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade). Em especial na Linha 12-Safira, a população foi novamente vítima de um modelo que coloca o lucro acima da vida: um vagão do trem pegou fogo após uma descarga elétrica, obrigando passageiros a abandonarem a composição e caminharem pelos trilhos no escuro, sob o frio, sem qualquer segurança e usando a lanterna do próprio celular para enxergar o caminho em meio ao desespero.


Momento em que o Trem começa a pegar fogo com os passageiros dentro. Vídeo: G1

Milhares de trabalhadores, estudantes e usuários ficaram sem transporte, enfrentando horas de atraso, superlotação e insegurança. Enquanto a população arriscava a vida, o Presidente do grupo Trívia Trens declarou em entrevista com tom de deboche: "O correto seria ficar dentro do trem, mas a gente entende os passageiros".


Felizmente, desta vez não houve mortes nem registro oficial de feridos. Mas fica a pergunta: será preciso esperar uma tragédia maior para admitir que a privatização do transporte é um fracasso? Este grave acidente ocorreu apenas três dias após a Trívia Trens — que venceu o leilão em março de 2025 — assumir efetivamente a operação concedida pelo governo estadual. A empresa e o governo prometiam eficiência, inovação e melhoria dos serviços. Entregaram caos, interrupção da circulação e uma população inteira pagando a conta. Diante do desgaste gigantesco, a ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) comunicou que o processo de privatização foi suspenso por 90 dias, período em que as linhas retornam temporariamente à operação da CPTM.


O governador Tarcísio de Freitas é o principal responsável político pelo avanço e aceleração da entrega do patrimônio público e de serviços essenciais à iniciativa privada, defendendo a falsa premissa de que o mercado faria melhor — melhor para favorecer os negócios de seus aliados. A Trívia Trens, por sua vez, tem a obrigação de responder pelo serviço que assumiu. Transporte público não pode ser tratado como oportunidade de negócio ou fonte de dividendos para acionistas enquanto o povo enfrenta plataformas lotadas, falhas operacionais e risco de morte.


É preciso expor também o oportunismo eleitoral da falsa oposição. Figuras como Erika Hilton e Fernando Haddad esbravejam contra o governo estadual, mas ocultam que o Governo Federal do PT caminha lado a lado com a mesma lógica privatista por meio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Haddad, hoje pré-candidato ao governo de SP, ostenta o cinismo de prometer a reestatização das linhas do metrô paulista, esquecendo-se do próprio histórico.


De um lado, a gestão do atual governador, explicitamente voltada aos interesses da elite; do outro, o cinismo eleitoreiro daqueles que prometem soluções enquanto aplicam a mesma política econômica no âmbito federal. A privatização segue a lógica de reduzir custos, aumentar a rentabilidade e transformar direitos sociais em mercadoria. Por isso, este não é o momento de apenas lamentar ou confiar em saídas eleitorais ilusórias. É o momento de organizar a indignação popular.


Conclamamos os trabalhadores, estudantes, sindicatos, movimentos populares e associações de bairro a se levantarem contra a privatização, o sucateamento do serviço público e a farsa eleitoral. Exigimos investimentos massivos, fiscalização severa, transparência e a reversão definitiva das privatizações. Que boicotemos as ilusões das urnas e organizemos a resistência real nas ruas e nos locais de trabalho e estudo!



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