O Editor da Revista Revolução Cultural e organizações denunciam sucessivas tentativas frustradas de ameaça por parte do velho movimento ao qual rompemos. A Revista reforça que esse método não é aceitável e se provou ineficaz diversas vezes. Nós sempre seremos um canal de defesa do movimento revolucionário e da luta popular.
Avisamos ao conjunto dos nossos leitores que repudiamos principalmente o papel de polícia dos funcionários do velho movimento que fotografam nossos militantes em atos. Nós, como imprensa revolucionária, entendemos que este é uma deturpação gravíssima do que é o papel do jornalista.
O Irã saiu em defesa do Líbano. Após dezenas de bombardeios sionistas, e a invasão de parte do norte do país pelos terroristas israelenses mesmo sob cessar-fogo, o Irã retaliou e atacou Israel. Enquanto Israel perpetua seu genocídio sobre o sul do Líbano, ocupando ilegalmente mais de 130 cidades e vilarejos, demolindo Bint Jbeil, lançando fósforo branco sobre Yohmor e Arnun com o cessar-fogo tecnicamente em vigor, o Hezbollah e as forças de resistência libanesa responderam. O genocídio sionista produz resistência, a resistência produz represália sionista e o imperialismo chama essa resistência de "terrorismo" enquanto abastece os bombardeiros.
Bombardeio da Resistência iraniana a Palestina ocupada pelos sionistas.
Após os ataques, Donald Trump, desesperado, tratou de afirmar em sua rede social “Truth Social”: "ISRAEL. NÃO LANCEM ESSAS BOMBAS. SE O FIZEREM, SERÁ UMA VIOLAÇÃO GRAVE", e Israel ignorou, bombardeou mesmo assim, porque sabe que possuí imunidade perante à “comunidade internacional” para fazer o que bem entender. O próprio Trump confirmou: "Eles violaram, mas Israel também violou" o cessar-fogo, demonstrando publicamente que Washington não controla Tel Aviv com a autoridade que seu investimento de 3,8 bilhões de dólares anuais sugeriria. Netanyahu governa sua própria guerra enquanto Trump governa a retórica.
Durante a manhã de ontem (10), um helicóptero Apache dos EUA foi abatido pelo Irã no Estreito de Ormuz, ao sobrevoar território iraniano. Esse ato, obviamente calculado pelos imperialistas, serviu de desculpa para Donald Trump voltar aos ataques contra o Irã, mostrando claramente que perdeu a queda de braço com Netanyahu e cedeu a pressão. Esses ataques, que foram a infraestruturas de dessalinização de água iraniana, foi respondido pelo Irã de forma contundente, com ataques a diversas bases militares ianques na região. A retomada do conflito, passa, pela pressão e lobby sionista, que precisa continuar a cisma para que Netanyahu mantenha-se no poder. Já Trump, encurralado devido aos arquivos Epstein que Israel tem acesso, busca um meio de amansar os sionistas.
Porém, o quadro constitucional nos EUA chegou agora ao ponto de ruptura: de acordo com a Lei dos Poderes de Guerra (War Powers Act) de 1973, o presidente está proibido de manter tropas americanas em hostilidades ativas por mais de 60 dias sem aprovação do Congresso. O governo nunca buscou essa aprovação para a “Operação Fúria Épica”, nome dado pelos EUA à campanha militar contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Pete Hegseth, secretário de guerra dos EUA, tentou a manobra de afirmar que o prazo "reiniciou" com o cessar-fogo de abril — argumento que os inspetores-gerais do Pentágono, do Departamento de Estado e da USAID rejeitaram ao abrir revisão conjunta da guerra, declarando-se "legalmente obrigados a investigar operações militares no exterior que excedam 60 dias". Em 3 de junho, a Câmara dos Representantes aprovou, por 215 a 208, resolução para encerrar as hostilidades, com quatro republicanos votando contra seu próprio partido. A medida ainda pode ser vetada por Trump, e derrubá-lo exigiria dois terços das duas câmaras. O deputado republicano Brian Fitzpatrick explicou seu voto dizendo "temos que seguir a lei" e que, passados os 60 dias, "há duas escolhas" e uma delas é declarar que o presidente age ilegalmente.
Com os 60 dias já expirados, Trump não pode retomar hostilidades em escala total sem enfrentar, simultaneamente, uma crise constitucional com o Congresso, uma queda de popularidade em pleno período eleitoral, pressão inflacionária já deteriorada pelas tarifas e pelos choques no mercado de energia e a exposição pública de uma guerra que custou vidas estadunidenses sem aprovação parlamentar, o que poderia até mesmo iniciar um processo de Impeachment. O Irã não precisa vencer militarmente no campo, precisa apenas não perder e deixar o tempo trabalhar contra a agressão ianque.
Os Houthis do Yemen controlam a saída do Mar Vermelho pelo Estreito de Bab elMandeb, rota obrigatória entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden para navios que seguem ao Canal de Suez. O efeito combinado do fechamento de Bab el-Mandeb e do Estreito de Ormuz, já sob pressão iraniana, seria devastador para o comércio global. Um alto funcionário iraniano advertiu que um ataque a centrais elétricas iranianas deixaria "toda a região e a Arábia Saudita em completa escuridão", ameaça endereçada diretamente aos Estados do Golfo que hospedam bases ianques e se beneficiam da tutela estadunidense, sem legitimidade popular e sempre à beira de insurreições populares. O fechamento do Estreito de Ormuz já reduziu a fluidez logística de cerca de 20% do petróleo global, Bab el-Mandeb responde por outros 12% do petróleo transportado por via marítima, fechar os dois ao mesmo tempo é fechar a torneira do mercado de energia mundial. Trump sabe disso e é exatamente por isso que quer acabar com essa guerra o quanto antes.
As negociações mediadas pelo Paquistão tropeçam porque os dois lados querem coisas incompatíveis. Enquanto o Irã denuncia que os EUA buscam rendição, não acordo, Trump pressiona internamente, buscando algo que possa vender como vitória antes das eleições de novembro. O Irã não tem pressa, tem mísseis, aliados, os estreitos e tem a Lei dos Poderes de Guerra como aliada involuntária. A correlação de forças neste momento favorece Teerã. Não porque seja mais poderosa militarmente, mas porque o imperialismo, como sempre, é um tigre de papel.
Policiais tentam roubar corpo de Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis após assassinato. Fonte: Grupo local/São Gonçalo
Foram 40 tiros disparados pela polícia civil contra Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis, enquanto ambos estavam em uma moto a caminho da obra onde iriam iniciar seu dia de trabalho, no último dia 27 de maio. Nem mesmo a ‘’régua de obra’’, que carregavam nos braços, foi suficiente para evitar serem fuzilados sem nenhum tipo de justificativa.
O caso que aconteceu no Jardim Catarina, em São Gonçalo, soma-se ao assasinato de Andressa no Complexo do Salgueiro no final de março e ao recente assasinato de Eduardo de Castro Ornelas. O entregador, um rapaz de 26 anos, foi alvejado pela polícia militar após os porcos terem ‘’confundido’’ seu celular com uma arma. O caso aconteceu no último domingo. Na mesma quarta-feira, o entregador Lucas Rodrigues foi fuzilado pela polícia militar enquanto estava conversando com um amigo em uma avenida movimentada na Ilha do Governador. Vídeos mostram que alguns policiais pulando um muro em direção a rua, descaracterizados, e abrindo fogo indiscriminadamente em direção a um grupo de pessoas.
Todos esses trabalhadores, essas pessoas que eram parte do nosso povo, foram mortos sem nenhum motivo e sem terem direito a nenhuma condição de resistência ou ao menos, autodefesa. Não são assassinatos isolados, fazem parte de um sistemático e sofisticado método de segregação e genocídio, que classifica toda área pobre como um território ‘’em disputa’’ e que aceita quaisquer atitude para retomá-los.
As operações militares, que ocorrem em todo o país mas que possuem mais recorrência no Rio, não precisam de motivo. Elas acontecem de modo contínuo, diário, todo dia de manhã os jornais dos monopólios de mídia são basicamente organizados para o acompanhamento dessas incursões que invariavelmente não tem nenhum efeito prático para além dos assassinatos e achincalhes do nosso povo. A desculpa de que são um combate ao tráfico de drogas é tão falsa, que recentemente essa mentira foi escancarada com a prisão do então presidente da ALERJ, André Ceciliano por ligações com o Comando Vermelho (CV), em um esquema que envolvia dezenas de deputados e o então governador Cláudio Castro.
No último ano, foram 6519 pessoas assassinadas pelas polícias de todo o Brasil, somente as mortes notificadas, o que corresponde a uma média de 18 mortes por dia pelas mãos dos chamados ‘’agentes de segurança’’. Para se ter uma noção, em toda a guerra da
Ucrânia que perdura desde 2022, foram 2514 civis mortos, segundo a ONU. Quase três vezes menos que somente em um ano das polícias no Brasil, o que só comprova que a violência policial no Brasil tem como objetivo real o genocídio e controle do povo preto e pobre, que são 94% dos mortos por policiais em todo território nacional.
E aqui, se trata de dizer claramente que tal fato independe de qual governo de turno está no poder. Pois o estado da Bahia é o campeão da letalidade policial mesmo com o PT a
cabeça, assim como no Rio de Janeiro o extermínio continua mesmo sem governador.
A recente classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos EUA, e a confirmação disto por parte do governo brasileiro, além de ser um erro do ponto de vista conceitual: veja, ambas essas organizações têm como principal objetivo, o lucro. São verdadeiros conglomerados gigantescos, com ligações no mercado financeiro e que se estendem a todas as esferas do poder público. São empresas, não organizações políticas, e não tem o objetivo real de destruir o Estado brasileiro, são parte dele.
A caracterização do CV e do PCC como terroristas, além de servir ao imperialismo como já foi abordado em um texto anterior da nossa revista RC, serve ainda mais ao propósito de colocar no imaginário popular comum que todas as mortes e assassinatos de pessoas inocentes nas favelas é relevável pois se está lutando contra o terrorismo.
A nós, cabe dizer: No Brasil, o terrorismo que existe é o de Estado!
Não podemos deixar-se normalizar o genocídio contra o nosso povo, o papel de todos os revolucionários e progressistas é denunciar e se organizar de forma veemente contra as operações policiais e contra esse Estado. Dizer claramente que violência, se combate com violência. Esses porcos vão sair correndo chorando quando o povo se armar e cobrar seus algozes.