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Resistência iraniana na guerra de desgaste

Foto: Agência Reuters
Foto: Agência Reuters

O Irã saiu em defesa do Líbano. Após dezenas de bombardeios sionistas, e a invasão de parte do norte do país pelos terroristas israelenses mesmo sob cessar-fogo, o Irã retaliou e atacou Israel. Enquanto Israel perpetua seu genocídio sobre o sul do Líbano, ocupando ilegalmente mais de 130 cidades e vilarejos, demolindo Bint Jbeil, lançando fósforo branco sobre Yohmor e Arnun com o cessar-fogo tecnicamente em vigor, o Hezbollah e as forças de resistência libanesa responderam. O genocídio sionista produz resistência, a resistência produz represália sionista e o imperialismo chama essa resistência de "terrorismo" enquanto abastece os bombardeiros. 


Bombardeio da Resistência iraniana a Palestina ocupada pelos sionistas.

Após os ataques, Donald Trump, desesperado, tratou de afirmar em sua rede social “Truth Social”: "ISRAEL. NÃO LANCEM ESSAS BOMBAS. SE O FIZEREM, SERÁ UMA VIOLAÇÃO GRAVE", e Israel ignorou, bombardeou mesmo assim, porque sabe que possuí imunidade perante à “comunidade internacional” para fazer o que bem entender. O próprio Trump confirmou: "Eles violaram, mas Israel também violou" o cessar-fogo, demonstrando publicamente que Washington não controla Tel Aviv com a autoridade que seu investimento de 3,8 bilhões de dólares anuais sugeriria. Netanyahu governa sua própria guerra enquanto Trump governa a retórica. 


Durante a manhã de ontem (10), um helicóptero Apache dos EUA foi abatido pelo Irã no Estreito de Ormuz, ao sobrevoar território iraniano. Esse ato, obviamente calculado pelos imperialistas, serviu de desculpa para Donald Trump voltar aos ataques contra o Irã, mostrando claramente que perdeu a queda de braço com Netanyahu e cedeu a pressão. Esses ataques, que foram a infraestruturas de dessalinização de água iraniana, foi respondido pelo Irã de forma contundente, com ataques a diversas bases militares ianques na região. A retomada do conflito, passa, pela pressão e lobby sionista, que precisa continuar a cisma para que Netanyahu mantenha-se no poder. Já Trump, encurralado devido aos arquivos Epstein que Israel tem acesso, busca um meio de amansar os sionistas. 


Porém, o quadro constitucional nos EUA chegou agora ao ponto de ruptura: de acordo com a Lei dos Poderes de Guerra (War Powers Act) de 1973, o presidente está proibido de manter tropas americanas em hostilidades ativas por mais de 60 dias sem aprovação do Congresso. O governo nunca buscou essa aprovação para a “Operação Fúria Épica”, nome dado pelos EUA à campanha militar contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Pete Hegseth, secretário de guerra dos EUA, tentou a manobra de afirmar que o prazo "reiniciou" com o cessar-fogo de abril — argumento que os inspetores-gerais do Pentágono, do Departamento de Estado e da USAID rejeitaram ao abrir revisão conjunta da guerra, declarando-se "legalmente obrigados a investigar operações militares no exterior que excedam 60 dias". Em 3 de junho, a Câmara dos Representantes aprovou, por 215 a 208, resolução para encerrar as hostilidades, com quatro republicanos votando contra seu próprio partido. A medida ainda pode ser vetada por Trump, e derrubá-lo exigiria dois terços das duas câmaras. O deputado republicano Brian Fitzpatrick explicou seu voto dizendo "temos que seguir a lei" e que, passados os 60 dias, "há duas escolhas" e uma delas é declarar que o presidente age ilegalmente. 

 

Com os 60 dias já expirados, Trump não pode retomar hostilidades em escala total sem enfrentar, simultaneamente, uma crise constitucional com o Congresso, uma queda de popularidade em pleno período eleitoral, pressão inflacionária já deteriorada pelas tarifas e pelos choques no mercado de energia e a exposição pública de uma guerra que custou vidas estadunidenses sem aprovação parlamentar, o que poderia até mesmo iniciar um processo de Impeachment. O Irã não precisa vencer militarmente no campo, precisa apenas não perder e deixar o tempo trabalhar contra a agressão ianque. 


Os Houthis do Yemen controlam a saída do Mar Vermelho pelo Estreito de Bab elMandeb, rota obrigatória entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden para navios que seguem ao Canal de Suez. O efeito combinado do fechamento de Bab el-Mandeb e do Estreito de Ormuz, já sob pressão iraniana, seria devastador para o comércio global. Um alto funcionário iraniano advertiu que um ataque a centrais elétricas iranianas deixaria "toda a região e a Arábia Saudita em completa escuridão", ameaça endereçada diretamente aos Estados do Golfo que hospedam bases ianques e se beneficiam da tutela estadunidense, sem legitimidade popular e sempre à beira de insurreições populares. O fechamento do Estreito de Ormuz já reduziu a fluidez logística de cerca de 20% do petróleo global, Bab el-Mandeb responde por outros 12% do petróleo transportado por via marítima, fechar os dois ao mesmo tempo é fechar a torneira do mercado de energia mundial. Trump sabe disso e é exatamente por isso que quer acabar com essa guerra o quanto antes.   


As negociações mediadas pelo Paquistão tropeçam porque os dois lados querem coisas incompatíveis. Enquanto o Irã denuncia que os EUA buscam rendição, não acordo, Trump pressiona internamente, buscando algo que possa vender como vitória antes das eleições de novembro. O Irã não tem pressa, tem mísseis, aliados, os estreitos e tem a Lei dos Poderes de Guerra como aliada involuntária. A correlação de forças neste momento favorece Teerã. Não porque seja mais poderosa militarmente, mas porque o imperialismo, como sempre, é um tigre de papel.  

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