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Em pé de guerra para derrotar a destruição das leis trabalhistas, os proletários argentinos enfrentam a inexorável tendência tirânica do capital


Crédito da foto: Luís Robayo/AFP
Crédito da foto: Luís Robayo/AFP

            Uma das ironias mais comuns que vimos ao longo da história é que consignas e instrumentos forjados por certas classes para atingir seus objetivos possam adquirir, na etapa seguinte, significados opostos aos pretendidos por seus idealizadores. Assim, na sua sátira anticomunista 1984, George Orwell, este pensador da Guerra Fria (do ponto de vista dos conservadores), falava de uma sociedade baseada no hipervigilantismo, na qual as palavras eram mobilizadas para produzir a antítese da sua origem. Esta a sua “novilíngua”, na qual liberdade é escravidão.

“Liberdade é escravidão” parece ser realmente o slogan preciso da extrema-direita que ascende em todo o mundo, no esteio da crise geral do sistema imperialista.  Javier Milei, este rebento do pior enxurro político argentino, cujo partido se chama La Libertad Avanza, se elegeu tendo uma motossera como símbolo. O alvo desta motosserra? Os “privilégios”, na novilíngua da reação; os trabalhadores, na prática, como se vê na sua “reforma” que faz a legislação laboral do país vizinho retroceder para o alvorecer do século XX. Com efeito, dentre as principais medidas aprovadas na semana passada pelo Senado, que começam a tramitar nesta quinta-feira 19 na Câmara dos Deputados, estão o fim das férias remuneradas, a extensão da jornada de trabalho para doze horas diárias, o aumento do tempo de “experiência” para novos contratados, a redução das indenizações aos trabalhadores demitidos e uma série de outras medidas que fazem a dilapidação do governo Temer parecer quase inofensiva.

Contra esta selvageria anti-proletária –que os ideólogos da reação insistem em chamar de “flexibilização” e “modernização” –, milhares de trabalhadores e jovens tomaram as ruas de Buenos Aires nos últimos dias, em protestos fortemente reprimidos pelas forças policiais e que resultaram em dezenas de detidos. As principais centrais sindicais chamaram à greve geral contra o desmonte das leis trabalhistas e o governo Milei disse sem meias palavras que irá escalar a repressão, ao ponto de recomendar à imprensa que “evite posicionar-se entre eventuais focos de violência e o efetivo das forças de segurança destacado para a operação”. Ou seja, a “liberdade” dos fascistas é a liberdade de os patrões explorarem até a última gota de suor dos trabalhadores, e a liberdade dos seus cães de fila agirem sem qualquer freio legal ou moral. A liberdade dos fachos é a escravidão da imensa maioria dos trabalhadores; sua igualdade é um nivelamento por baixo, no rés-do-chão da ausência de quaisquer direitos, de todos os semicidadãos; seu discurso antissistema é a subversão das garantias formais para defender sem amarras o núcleo do sistema capitalista, que é a busca pelo lucro máximo, pela exploração máxima da força de trabalho. Já em seu seminal trabalho “Salário, preço e lucro”, de 1865, Marx descrevia a “tendência tirânica do capital” para apropriar-se do máximo possível de trabalho excedente:   

“O homem que não dispõe de nenhum tempo livre, cuja vida, afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições etc., está toda ela absorvida para o trabalho para o capitalista, é menos que uma besta de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e espiritualmente animalizada, para produzir riqueza alheia. E, no entanto, toda a história da moderna indústria demonstra que o capital, se não se lhe põe um freio, lutará sempre, implacavelmente e sem contemplações, para conduzir toda a classe operária a este nível de extrema degradação”[i].

            Supor, como querem os reformistas, social-liberais e afins, que a extensão dos direitos trabalhistas e das liberdades democráticas de modo geral é inerente ao desenvolvimento capitalista é partilhar do seu idealismo filosófico e miopia política. Se, na segunda metade do século XX, houve conquistas populares formidáveis neste terreno, elas se deveram unicamente à mobilização dos próprios trabalhadores e à modificação na correlação de forças a nível mundial, com o campo dos países socialistas e das lutas de libertação nacional forçando o imperialismo a fazer certas concessões. Alterado este cenário, o que se vê é aflorar, com intensidade redobrada, a tendência à reação e à violência em toda a linha, não só na base mas também na superestrutura da sociedade. Este é o cenário contemporâneo da uberização das relações de trabalho a nível mundial. No caso brasileiro, podemos dar como exemplo a persistência da escala 6x1, que não cairá sem efetiva mobilização popular, apesar do seu flagrante anacronismo.

Aliás, não deixa de ser sintomático que, por aqui, caminhando para o fim do mandato, o governo de Lula nem como farsa acene mais com a revogação das “reformas” trabalhista e sindical de Temer e de Bolsonaro, bandeira de campanha sacrificada já no segundo turno de 22 em nome da sacrossanta governabilidade. No capitalismo, afinal, como se diz, seja qual seja a sigla governante, a voz do banco é a voz de Deus. 


[i] Marx e Engels, “Textos –Volume III”, editora Edições Sociais, p.371.

Publicamos tradução do chamado para dia internacional pelo fim da Operação Kagaar a acontecer no próximo dia 28 de março de 2026, o CIAGPI convoca todas as organizações mundialmente a fazerem demonstrações em apoio a Guerra Popular na Índia.


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Todos em luta em 28 de março de 2026!


A campanha mundial contra a Operação Kagaar denunciou que os imperialistas e o governo de Modi estabeleceram como objetivo eliminar o movimento revolucionário indiano e o CPI (Maoísta), que são a verdadeira alternativa política para os proletários e as massas populares da Índia.

Modi afirma que eliminará a guerra popular, o movimento revolucionário e o CPI(M) até 2026.


O Comitê Internacional de Apoio à Guerra Popular na Índia (CIAGPI) convocou todos os partidos e forças revolucionárias, os amigos e camaradas da revolução indiana, a enfrentar o desafio lançado pelo governo de Modi com uma campanha de um ano, de março de 2025 a março de 2026. Uma mobilização nas ruas, nos locais de trabalho, nas praças.


O CPI(M) e as massas na Índia estão resistindo e repelindo a Operação Kagaar, com base na defesa dos interesses materiais e das condições de vida e de trabalho dos proletários, camponeses e massas da Índia.


Em qualquer setor da economia, o regime de Modi está descarregando sobre as massas a crise provocada pelo imperialismo, seus lacaios e as políticas a serviço dos grandes capitalistas indianos, como Adani, Ambani e outros.


No entanto, não há chance de o sistema capitalista sair de sua profunda crise; ao contrário, ele produz uma nova onda de lutas e levantes de massa.


O regime indiano apoia a campanha genocida na Palestina porque ele próprio, com a operação Kagaar, comete massacres, deportações forçadas, assassinatos de aldeões e líderes das massas tribais, ativistas sociais e líderes revolucionários, além de perseguir jornalistas e ativistas de direitos humanos que se opõem a ele.

Apoiar a guerra popular na Índia e o Partido Comunista da Índia (Maoísta) é uma das tarefas fundamentais dos movimentos comunistas revolucionários, antifascistas e anti-imperialistas do mundo.


O Partido Comunista da Índia Maoísta lidera uma guerra popular para fazer a revolução democrática nova, para libertar o país e as massas trabalhadoras da exploração e da opressão e, unido aos proletários e às massas populares do mundo, marchar para a revolução proletária e socialista no mundo.


Por esta razão, cabe a todos nós deter o imperialismo, o regime de Modi e sua mão genocida, como parte da luta global contra o imperialismo, que leva a guerras, fascismo, pobreza e opressão dos povos.


Todos em luta, 28 de março de 2026!


PARE A OPERAÇÃO KAGAAR! LIBERTE TODOS OS PRISIONEIROS POLÍTICOS NA


ÍNDIA/ PARE O GENOCÍDIO DOS ADIVASI!


APOIE A GUERRA POPULAR NA ÍNDIA - APOIE O PCI (MAOÍSTA) ATÉ A VITÓRIA!


Viva o internacionalismo proletário!


ICSPWI/CIAGPI

Comitê de Apoio a Guerra Popular na Índia


Informação pública [email protected]

Foto: Agência AFP
Foto: Agência AFP
Publicamos a seguir um artigo do Coletivo de Educação na Cultura de Resistência pela Palestina, escrito por Tânia Abdallah e Walid Rasselen sobre a confirmação do uso de armas termobáricas pela entidade sionista contra o povo palestino, algo que configura crime de guerra e mais uma vez demonstra de forma clara o caráter nazista de Israel e a sua sanha genocida.

Introdução 


Durante o genocídio em Gaza, a partir de 7 de outubro de 2023, acompanhei diariamente, por horas, transmissões ao vivo. Muitas e muitas vezes ouvi relatos de pessoas e de jornalistas afirmando que corpos haviam sido “pulverizados” ou “evaporados”. Ainda que a Defesa Civil de Gaza também utilizasse esses termos, durante muito tempo me recusei a escrever sobre isso, pois faltavam dados técnicos que sustentassem tais descrições. Em 10 de fevereiro de 2026, a Al Jazeera publicou uma reportagem investigativa sobre o tema, ouvindo a Defesa Civil e o Diretor-Geral do Ministério da Saúde em Gaza. A partir dessa reportagem, de estudos técnicos sobre esse tipo de armamento, do meu próprio testemunho visual de uma dessas explosões e de relatos diretos de palestinos em Gaza, decidi escrever este artigo.


Bombas Termobaricas


Bombas termobáricas, também conhecidas como bombas de vácuo, bombas de aerossol ou bombas de combustível-ar, utilizam tritonal, uma mistura de trinitrotolueno (TNT) com pó de alumínio, magnésio ou titânio, metais que prolongam o tempo de combustão e elevam drasticamente a temperatura da explosão. Esses metais potencializam a explosão, aumentando calor, energia e duração do efeito. Essas bombas dispersam uma nuvem de combustível na forma de aerossóis, que entram em combustão utilizando o oxigênio do ar ambiente. A combustão é extremamente rápida e intensa, consumindo grande parte do oxigênio presente naquela nuvem. Diferentemente das explosões convencionais, que são breves, as bombas termobáricas produzem uma onda de pressão prolongada e temperaturas extremamente elevadas, que podem atingir até 3.500 graus centígrados.


O funcionamento dessas bombas ocorre em duas fases distintas. Na fase positiva, inicialmente há uma onda de sobrepressão, que empurra tudo violentamente para fora. Na fase negativa, como grande parte do oxigênio é consumido naquela nuvem e os gases extremamente quentes se expandem e sobem, forma-se uma região de baixa pressão. O ar ao redor é então puxado de volta com violência, gerando uma sucção intensa para dentro, conhecida como subpressão, popularmente descrita como “vácuo”. Essa segunda fase é particularmente devastadora, sobretudo em ambientes fechados ou densamente construídos.


Impactos no corpo humano


A onda de pressão gerada por essas explosões rompe órgãos internos, especialmente os pulmões, enquanto a onda térmica incinera os corpos. Isso explica os inúmeros relatos de palestinos afirmando que corpos “evaporavam”, não deixando vestígios além de respingos de sangue e pequenos fragmentos, como couro cabeludo. Conforme relatado na reportagem da Al Jazeera, o corpo humano é composto por cerca de 80% de água, que evapora a 100 graus centígrados. Quando um corpo é exposto a temperaturas da ordem de 3.500 graus centígrados, combinadas com pressão extrema e oxigenação massiva, os fluidos corporais entram em ebulição instantânea, os tecidos vaporizam e se transformam em cinzas.


Segundo a Al Jazeera, a Defesa Civil de Gaza documentou 2.852 palestinos que “evaporaram”. Essa contabilização foi realizada a partir do cruzamento entre o número estimado de pessoas presentes no local atingido e o número de corpos efetivamente recuperados após os ataques. Diversos armamentos utilizados por Israel em Gaza estão associados a esse padrão de destruição e desaparecimento de corpos.


As bombas usadas pelos sionistas:


MK-84


A MK-84 é uma bomba norte-americana não guiada, com peso aproximado de 900 kg (2.000 lb), que utiliza tritonal como explosivo e pode gerar temperaturas em torno de 3.500 graus centígrados.


GBU-39


A GBU-39 é uma bomba planadora de precisão projetada para manter a estrutura externa dos prédios relativamente intacta, enquanto destrói tudo em seu interior, matando principalmente por meio da onda de choque, que rompe tecidos internos, e da onda térmica, que incinera tecidos moles. Segundo a Al Jazeera, foi utilizada no ataque à Escola Al-Tabieen, na cidade de Gaza.


BLU-109 "Anti-Bunker"


BLU-109 é de fabricação norte-americana, com cerca de 900 kg (2.000 lb), projetada para penetrar estruturas fortificadas antes de explodir. Possui um invólucro de aço extremamente espesso, capaz de atravessar concreto armado e abrigos subterrâneos. Após a penetração, sua carga explosiva à base de tritonal detona no interior da estrutura, gerando uma onda de choque intensa e calor extremo. Em ambientes confinados, seus efeitos se amplificam, causando colapso estrutural, ruptura de órgãos internos e incineração de corpos, sem necessariamente provocar destruição proporcional visível na superfície externa. Segundo relatos, foi utilizada em Al-Mawasi em setembro de 2024, onde 22 pessoas evaporaram.


Conclusão


Os relatos de corpos “evaporados”, repetidos por civis, jornalistas e equipes de resgate, deixam de ser metáforas quando confrontados com os efeitos físicos de bombas termobáricas. Nesse contexto, o desaparecimento de corpos não é ausência de evidência, mas consequência direta do tipo de armamento empregado. Em áreas densamente povoadas, o uso de armamentos com efeitos térmicos e de pressão prolongados levanta questões graves à luz do direito internacional humanitário, especialmente no que se refere aos princípios da distinção e da proporcionalidade. A documentação desses efeitos é parte essencial para qualquer avaliação futura dos crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza.


Referências:


Al Jazeera. Investigative report on the use of thermobaric weapons and unexplained disappearances of bodies in Gaza. Entrevistas com a Defesa Civil de Gaza e o Diretor-Geral do Ministério da Saúde em Gaza. Fevereiro de 2026. 


Defesa Civil de Gaza. Registros de vítimas e desaparecimentos após ataques aéreos. Dados internos citados por Al Jazeera, no período de 07/10/2023 até 10/10/2025.  


Global Security.org. BLU-109 / I-2000 / HAVE VOID. Available online: 


Global Security.org. Thermobaric Explosive. Volumetric weapons thermobaric include and fuel-air. Available online: https://www.globalsecurity.org/military/systems/munitions/thermobaric.htm Acessed on 02 December 2025. 


Human Rights Watch. Explosive Weapons in Populated Areas. February 26, 2025. Available online: https://www.hrw.org/news/2025/02/26/explosiveweapons-populated-areas-questions-and-answers Acessed on 05 December 2025. 


International Committee of the Red Cross (ICRC). International Humanitarian Law and the challenges of contemporary armed conflicts. Explosive Weapons With Wide Area Effects: A Deadly Choice in Populated Areas, ICRC, Geneva, 

January 2022. Available online: 

https://www.icrc.org/sites/default/files/document_new/file_list/ewipa_explosiv e_weapons_with_wide_area_effect_final.pdf Acessed on 05 December 2025. - International Committee of the Red Cross (ICRC). Reports and documents.


International humanitarian law and the challenges of contemporary armed conflicts. ICRC report. International Review of the Red Cross 2024, 106(927), 1357-450. Ministério da Saúde de Gaza. Relatórios sobre vítimas fatais e corpos não recuperados. Declarações oficiais.  


Technical Notes for Mine Action. Fuel Air Explosive (FAE) Systems. Technical  Note 09.30/04. Available online: https://www.mineactionstandards.org/fileadmin/uploads/imas/Standards/English/TNMA_09.30.04_Ed.1_Am.1.pdf Acessed on 08 December 2025. 


Van Coller, A. Detonating the air: The legality of the use of thermobaric weapons under international humanitarian law. International Review of the Red Cross 2023, 105(923), 1125-51. doi:10.1017/S1816383123000115  

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