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  • 10 de ago.
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No dia 3 de agosto, o Clube Militar do Rio de Janeiro, formado pela Marinha, Exército e Aeronáutica, associação que reúne oficiais da reserva e mais de mil oficiais da ativa, divulgou nota intitulada "Os riscos à Nação", convocando os brasileiros à "reação cívica" diante do que descrevem como falência moral, institucional e econômica do país. No dia seguinte, o ministro da Defesa, José Múcio, resumiu numa única frase o conteúdo desta nota. Questionado sobre uma hipotética invasão dos Estados Unidos, respondeu que o mais sensato seria “abrir o portão”, já que o Brasil não tem equipamento para enfrentar o invasor nem dinheiro para consertar o estrago.


Os grandes monopólios de mídia nem sequer comentaram sobre a nota e, ao noticiarem a declaração criminosa e lesa-pátria do ministro, trataram-na como mera fala infeliz, "dita em tom de brincadeira", sobre a insuficiência orçamentária das Forças Armadas. Essa leitura é a que permite às duas declarações circular sem que se entenda sua complementaridade. A mesma corporação que se dá o direito de tutelar a política interna em nome da soberania nacional é, ao mesmo tempo, a que institucionaliza, através de seu ministro civil, a resignação e a covardia diante da soberania externa. O que os clubes chamam de "risco à Nação" nunca inclui a incapacidade estrutural e deliberada de defender o território contra a potência que, nesse mesmo ano, impôs tarifas punitivas ao país e patrocinou abertamente a família Bolsonaro - miliciana, criminosa, golpista e entreguista que disputa o governo de turno nas eleições deste ano.


Em 2021, a mesma entidade lançou a campanha pelo "voto auditável", emprestando peso institucional às alegações de fraude eleitoral do então presidente Jair Bolsonaro. Falava-se em "leniência com a corrupção", "tolerância com o crime", "descaso com a gestão da coisa pública", categorias suficientemente vagas para caber qualquer governo que não seja do agrado da caserna. Não é a primeira vez que oficiais da reserva usam a fachada de clube recreativo para produzir efeito político sobre uma tropa da ativa proibida – pelo menos na teoria - de se manifestar.


O clube afirma que "críticas personalistas" e "desalinhamentos políticos com importantes países" comprometeram relações bilaterais construídas ao longo de dois séculos, e que as retaliações comerciais "poderiam ter sido evitadas por meio de uma condução mais técnica e pragmática". Sem nomear os Estados Unidos, o texto atribui a origem das tarifas não à potência que as impôs – com o apoio declarado dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro -, mas ao governo brasileiro que ousou reagir a elas com algum desconforto verbal. Veja só a inversão dos fatos: a agressão econômica de uma potência imperialista sobre uma semicolônia é apresentada como consequência do mau comportamento diplomático da vítima, e a solução proposta — "condução técnica e pragmática" — é o alinhamento incondicional, subserviência, silêncio diante da chantagem tarifária, tratamento da soberania como obstáculo à normalidade dos negócios.


Não existe coincidência na política e a frase de Múcio é a grande representação disso. Um dia após a nota do clube militar, o ministro da Defesa do país proclamou aos quatro ventos suas intenções de entregar à Nação à tutela ianque, sem maiores cerimônias. O problema não está na frase, que é sincera até o constrangimento, mas no fato de que essa sinceridade nunca é convertida em política de defesa. Um membro do alto escalão do governo reconhece publicamente a incapacidade do Estado de defender o território e, na mesma semana, assiste às tarifas impostas por Washington. Esta declaração abjeta, junto ao fato do ministro não ter sido imediatamente demitido e investigado por colaboração com uma potência estrangeira, reforça o papel do Brasil na divisão internacional do trabalho: fornecedor de matéria-prima, terras raras, excedente agrícola e voto favorável nos fóruns multilaterais, sem jamais reivindicar para si os instrumentos de uma soberania efetiva, concreta. A Escola Superior de Guerra nasceu em 1949 sob inspiração direta da doutrina de guerra estadunidense, o gesto de Múcio atualiza esta genealogia. Por isso soa cínico o apelo dos clubes ao "diálogo" e à "convergência de esforços" como resposta aos riscos que eles próprios descrevem. A postura do clube e do ministro se complementam. À caserna cabe vigiar e, se necessário, disciplinar o campo político interno. Ao ministério cabe administrar a subordinação externa como fato consumado, sem sequer a pretensão de negociá-la a partir de alguma correlação de forças.


O atrito verbal com Washington que o clube classifica como "ruído diplomático desnecessário" nasceu do desconforto de uma fração da burguesia brasileira com os termos específicos da tarifa, não com a subordinação em si. O atrito mais tímido e mais eleitoreiro com o imperialismo, já é suficiente para acionar, do outro lado, a ameaça de tutela militar disfarçada de zelo cívico. Se tal desconforto verbal tão modesto já produz essa reação, fica claro que o sistema político-econômico brasileiro não tolera qualquer tipo de autonomia para si mesmo.


Os riscos à Nação existem, mas não são os que a nota descreve. O risco não está na "polarização", não está na "antecipação do debate eleitoral" e não está no suposto amadorismo diplomático de um governo que, na prática, jamais rompeu com os fundamentos da inserção subalterna do país na economia mundial. O risco está registrado, de um lado, em uma corporação armada que trata a soberania – por menor que seja - como problema a ser corrigido e, do outro, em um Estado que já anunciou publicamente que abrirá os portões. Entre a ameaça externa e a capitulação interna não sobra espaço para a construção de um programa concreto de defesa nacional, sobra apenas a pergunta sobre quem teria interesse real em construí-la.


O Vietnã enfrentou, com fuzis, túneis e uma população mobilizada, o exército mais poderoso do século XX, e expulsou-o do território depois de forçá-lo a um dos recuos mais humilhantes da história militar estadunidense. Não tinha porta-aviões, destroyers, nem equipamento de ponta, tinha uma linha política capaz de transformar cada camponês em combatente e cada aldeia em obstáculo. A Palestina, sob bloqueio, genocídio, limpeza étnica, bombardeio contínuo e com uma disparidade de meios que nenhuma outra resistência do mundo atual enfrenta em grau comparável, segue impondo à entidade sionista e ao seu patrono estadunidense um custo político e diplomático que anos de normalização forçada não conseguiram apagar. As forças de ocupação não venceram, apenas prolongaram um confronto que pretendia encerrar em semanas. Os Houthis, partindo de um dos países mais pobres do mundo, sustentaram por meses o bloqueio de uma das rotas marítimas mais vigiadas do planeta contra a marinha de guerra mais equipada da história, sem que bombardeios repetidos dos Estados Unidos e do Reino Unido conseguissem restabelecer o trânsito nos termos exigidos por Washington. O Irã, sob sanções há décadas e sem paridade tecnológica com seus adversários, respondeu a ataques diretos de Israel com mísseis balísticos e enxames de drones em território israelense e em bases ianque em toda Ásia Ocidental, obrigando os EUA à transferir quantidades exorbitantes de fundos e recursos para a máquina de guerra sionista, custando popularidade e legitimidade ao seu próprio governo. O que essas experiências têm em comum é a recusa a tratar a inferioridade de meios como sentença, Múcio transforma esta lição em um dado técnico. O baixo investimento em Defesa é o veredito político, a resignação antecipada.


A tradição que pensou a soberania nacional como projeto de ruptura, e não como gestão de crise, chegou a conclusões opostas às do clube militar brasileiro. Para Amílcar Cabral, a libertação nacional não era compatível com a permanência das estruturas que produziam a subserviência ao império. Para Thomas Sankara, a dívida e o alinhamento automático ao capital estrangeiro eram a antessala da re-colonização. Para Ho Chi Minh, a defesa do território era inseparável da mobilização popular contra a própria classe dominante interna que se beneficiava da subordinação. Nenhum desses processos tratou a defesa nacional como assunto de gabinete entre generais e ministros, porque nenhum deles via na farda o instrumento de uma soberania popular. A farda que ameaça os direitos do povo em nome da "reação cívica" e a farda que abriria o portão à primeira tropa estrangeira são a mesma farda.

Nota de Introdução


Comemoramos neste dia os 60 anos da Grande Revolução Proletária, o maior movimento de massas dirigidas pelo Estado Socialista e pelo Partido Comunista da China e sua ala de esquerda. O movimento garantiu que a esquerda e o socialismo continuasse governando a China por mais 10 anos. Essa nova estratégia foi desenvolvida brilhantemente pelos quadros comunistas que viram na máxima de "As massas fazem a história" do Presidente Mao e a elevaram ao maior marco do desenvolvimento da prática da revolução, ou seja, a continuação da luta de classes dentro do estado socialista e a luta de duas linhas dentro do Partido no poder.


Humildemente homenageamos este importante dia para os maoístas de todo o mundo com o cartaz da grande dirigente Chiang Ching (ou Chiang Qing), quadro responsável por boa parte da idealização e prática com os camponeses e também os jovens de uma nova forma de viver, produzir e criar enquanto constrói a nova sociedade.





Decisão do Comitê Central do PCCh sobre a

Grande Revolução Cultural Proletária

De 8 de agosto de 1966


1. Uma nova etapa da revolução socialista A Grande Revolução Cultural Proletária em curso é uma grande revolução que toca o povo na sua alma. Ela representa uma nova etapa, marcada por uma maior profundidade e uma maior amplitude de desenvolvimento da revolução socialista do nosso país.


Na décima sessão plenária do Comitê Central resultante do VII Congresso do PCCh, o camarada Mao Tsetung disse: “Para derrubar um poder político, começa-se sempre por preparar a opinião pública epor agir no domínio ideológico”. Isto é tão verdadeiro para uma classe revolucionária como para uma classe contrarrevolucionária. A prática provou que essa tese do camarada Mao Tsetung é totalmente verdadeira.


Embora derrubada, a burguesia tenta corromper as massas e conquistar a sua confiança por meio do pensamento, da cultura, dos usos e dos costumes antigos das classes exploradoras com vistas à sua restauração. O proletariado deve fazer o contrário: opor uma resposta pronta e simultânea a cada provocação lançada pela burguesia no domínio ideológico e transformar a fisionomia moral de toda a sociedade com o pensamento, a cultura e os usos e costumes novos que são próprios do proletariado.


No momento atual, temos por objetivo combater e destruir os responsáveis seguidores do caminho

capitalista, criticar as “autoridades” acadêmicas reacionárias da burguesia, criticar a ideologia da

burguesia e de todas as outras classes exploradoras, e reformar o sistema de ensino, a literatura, a arte e todos os outros ramos da superestrutura que não correspondem à base econômica socialista, a fim de contribuir para a consolidação e desenvolvimento do sistema socialista.


2. Corrente principal e ziguezagues

As grandes massas de operários, camponeses e soldados, de intelectuais revolucionários e de quadros revolucionários formam a força principal desta grande Revolução Cultural. Um grande número de jovens revolucionários há pouco desconhecidos tornaram-se corajosos pioneiros. Eles apresentaram provas de vigor e de sabedoria. Sob a forma de dazibao e de grandes debates, por uma extensa e livre expressão de opiniões, por uma denúncia completa e por uma crítica profunda, lançaram uma ofensiva decidida contra os representantes da burguesia, quer agissem abertamente ou estivessem dissimulados. Num movimento revolucionário de tão grande envergadura, é inevitável que tenham esta ou aquela insuficiência, mas a sua orientação revolucionária geral foi sempre razoável. É a

corrente principal da Grande Revolução Cultural Proletária. É segundo essa orientação geral que se

processa a Grande Revolução Cultural Proletária. A Revolução Cultural, sendo uma revolução, choca fatalmente com uma resistência. Essa resistência vem principalmente daqueles que, após estarem infiltrados no Partido, alcançam postos de direção, mas seguem a via capitalista. Ela vem também da força de antigos hábitos da sociedade.


Atualmente, essa resistência é ainda bastante forte e renitente. Mas a Grande Revolução Cultural Proletária é, todavia, uma tendência geral irresistível. Um grande número de fatos mostrará que tal resistência pode ser rapidamente destruída desde que as massas sejam totalmente mobilizadas.


Pelo fato de a resistência ser bastante forte, a luta conhecerá fluxos e refluxos, até mesmo repetidos.

Esses fluxos e refluxos não têm, portanto, nada de prejudicial. Eles permitirão ao proletariado e às outras camadas trabalhadoras, nomeadamente à jovem geração, temperarem-se e deles tirarem lições e experiências, e ajudá-lo-ão a compreender que a via revolucionária é tortuosa e acidentada.


3. Por a audácia acima de tudo e mobilizar as massas com ousadia. O resultado da atual Grande Revolução Cultural dependerá da audácia da direção do Partido a mobilizar ou não sem restrição as massas. Existem atualmente quatro casos diferentes no que respeita à atitude das organizações do Partido nos diversos níveis na sua maneira de dirigir o movimento da Revolução Cultural.


1– Os dirigentes da organização do Partido estão na vanguarda do movimento e ousam mobilizar as massas sem restrição. Combinando a primazia com a audácia, eles são militantes comunistas intrépidos e bons alunos do presidente Mao: preconizam os dazibao e os grandes debates; encorajam as massas a denunciar os gênios malfeitores de qualquer natureza, e também a criticar as insuficiências e os erros no seu próprio trabalho. Esta justa direção resulta do fato de darem primazia à política proletária e de colocarem em primeiro plano o pensamento de Mao Tsetung.


2 – Em numerosos organismos, os responsáveis compreendem muito mal ainda o seu papel de

dirigente nesta grande luta, e a sua direção está longe de ser séria e eficaz. Desse modo, encontram-se numa posição débil e reconhecem-se incapazes. Para eles, é o medo que prevalece. Agarram-se aos velhos regulamentos, não querem romper com os processos rotineiros nem querem se lançar para a frente. Apanhados de improviso pela nova ordem revolucionária das massas, veem a sua direção ultrapassada pela situação e pelas próprias massas.


3 – Em alguns organismos, os responsáveis cometeram estes ou aqueles erros no seu trabalho

cotidiano. Mais do que aos outros, o medo assedia-os. Na realidade, se fizerem seriamente a sua

autocrítica e aceitarem a crítica das massas, poderão se beneficiar da compreensão do Partido e das massas. Mas se agirem de outro modo, continuarão a cometer erros e tornar-se-ão mesmo obstáculos para o movimento das massas.


4 – Noutros organismos, a direção está controlada por elementos que se infiltraram no Partido, detêm

postos de direção e estão empenhados na via capitalista. Esses elementos no poder têm um medo terrível de serem desmascarados pelas massas; eles procuram, por conseguinte, todos os pretextos para reprimir o movimento das massas. Recorrem a manobras tais como desviar a direção do ataque ou a fazer passar por branco o que é preto, na esperança de conduzir o movimento numa via nociva. E quando se sentem muito isolados e não podem continuar a agir mais da mesma maneira, recorrem a outras intrigas atacando as pessoas pelas costas, espalhando falsos boatos, embaralhando o máximo que podem a distinção entre revolução e contrarrevolução com o objetivo de atacarem os

revolucionários.


O que o Comitê Central pede aos comitês do Partido em todos os níveis é persistir na justa direção, que deem primazia à audácia e mobilizem as massas sem restrições. Acabar completamente com este estado de indulgência e incapacidade, encorajar os camaradas que cometeram erros, mas que os querem corrigir, remover o fardo das suas faltas e juntar-se à luta, demitir de suas funções os responsáveis seguidores do caminho capitalista e lhes tirar a direção para a devolver aos revolucionários proletários.


4. Que as massas se eduquem no movimento

Na Grande Revolução Cultural Proletária, as massas não se podem libertar senão por elas mesmas, e não se pode de modo algum agir no lugar delas. É preciso ter confiança nas massas, apoiar-se nelas e respeitar o seu espírito de iniciativa. É preciso desprezar o medo e não temer a desordem. O presidente Mao ensinou-nos sempre que não se pode realizar uma revolução com tanta elegância e delicadeza, ou com tanta doçura, amabilidade, cortesia, modéstia e generosidade de alma. Que as massas se eduquem neste grande movimento revolucionário, e façam a distinção entre o que é justo e o que não é, entre as maneiras de agir corretas e incorretas! É preciso utilizar plenamente o método dos dazibao e dos grandes debates para permitir amplas e francas exposições de opiniões, a fim de que as massas possam exprimir os seus pontos de vista justos, criticar os pontos de vista errados e denunciar todos os gênios malfeitores. Desse modo, as grandes massas poderão na luta elevar a sua consciência política, desenvolver a sua capacidade e os seus talentos, distinguir o que é justo do que não é e distinguir os inimigos que se ocultam por entre eles.


5. Aplicar com firmeza a linha de classe do Partido.

Quem são os nossos inimigos, quem são os nossos amigos? Aqui está uma questão de uma

importância primordial para a renovação, aqui está igualmente uma questão de importância primordial para a Grande Revolução Cultural Proletária.


A direção do Partido deve distinguir-se e revelar a esquerda, desenvolver e aprofundar as fileiras da

esquerda e apoiar-se resolutamente sobre a esquerda revolucionária. É somente assim que se poderá, no decorrer do movimento, isolar completamente os elementos de direita mais reacionários, conquistar os elementos de centro, unir a grande maioria e finalmente realizar, por este movimento, a unidade de mais de 95% das massas.


É preciso concentrar as forças para fulminar o punhado de direitistas burgueses e de revisionistas contrarrevolucionários ultrarreacionários. Os seus crimes de oposição ao Partido, ao socialismo e ao pensamento de Mao Tsetung devem ser denunciados e criticados profundamente, a fim de que essas

pessoas sejam isoladas por completo.


O movimento em curso visa principalmente os responsáveis do Partido comprometidos com a via

capitalista. É preciso vigiar para que seja feita uma rigorosa distinção entre os elementos de direita anti-partido e antissocialistas e os que, embora apoiando o Partido e o socialismo, mantiveram posições erradas, escreveram maus artigos ou obras cujo conteúdo deixava a desejar.


É preciso vigiar para que seja feita uma rigorosa distinção entre os sábios déspotas reacionários e as “autoridades” reacionárias da burguesia por um lado, e aqueles que têm ideias acadêmicas burguesas vulgares, por outro.


6. Resolver corretamente as contradições no seio do povo. É preciso fazer uma rigorosa distinção entre as duas espécies de contradições, de natureza diferente: as contradições no seio do povo e as contradições entre nós e os nossos inimigos. As contradições no seio do povo não devem ser consideradas da mesma maneira que as que nos opõem aos nossos inimigos, exatamente como as contradições entre os nossos inimigos e nós mesmos não devem ser consideradas como as contradições no seio do povo.


É normal que haja opiniões diferentes entre as massas populares. A confrontação de diferentes

opiniões é inevitável, necessária e benéfica. No decorrer de um debate normal profundamente conduzido, as massas populares saberão afirmar o que está certo e corrigir o que está errado e

chegarão gradualmente à unanimidade.


O método de raciocínio com base na análise dos fatos e o da persuasão deve ser aplicado no decorrer do debate. Não é permitido usar de violência para submeter à minoria que defende pontos de vista diferentes. A minoria deve ser protegida porque, por vezes, a verdade está ao seu lado. Mesmo se ela tenha pontos de vista errados, é-lhe sempre permitido defender-se e salvaguardar as suas opiniões.


Num debate, deve-se recorrer ao raciocínio e não à coação ou à violência. No decorrer do debate, cada revolucionário deve saber refletir independentemente e desenvolver o espírito comunista que consiste em ousar pensar, falar e agir. No quadro de uma mesma orientação geral, os camaradas revolucionários devem, com vistas a reforçar a unidade, evitar as discussões intermináveis sobre questões secundárias.


7. Cuidado com aqueles que taxam as massas de “contrarrevolucionárias”. Responsáveis por alguns estabelecimentos de ensino, organismos ou grupos de trabalho organizaram contra-ataques visando às massas que os criticaram por meio de dazibao. Promoveram mesmo “slogans” segundo os quais opor-se aos responsáveis de um organismo ou de um grupo de trabalho é opor-se ao Comitê Central do Partido, é opor-se ao Partido e ao socialismo, é fazer a contrarrevolução. Agindo deste modo, fulminarão inevitavelmente elementos ativos que são revolucionários autênticos.


Aí está um erro de orientação, um erro de linha, e isso é absolutamente inadmissível. Algumas pessoas, que têm ideias gravemente erradas e, em particular, elementos de direita anti- partido e antissocialistas aproveitam certas insuficiências e erros surgidos no movimento de massas para difundirem rumores e calúnias e provocar agitação; rebaixam deliberadamente uma parte das massas à posição de “contrarrevolucionárias”. É necessário ter cautela com esses indivíduos e

desvendar a tempo seus truques.

Nenhuma medida deve ser tomada contra os estudantes e alunos das universidades, institutos, escolas secundárias e primárias a propósito de problemas que surjam entre eles no decorrer do movimento, com exceção dos contrarrevolucionários ativos contra quem lancem provas evidentes e que são culpados de assassinato, incêndio, corrupção, sabotagem, roubo de segredos de Estado etc., e cujos casos devem ser resolvidos conforme a lei. Para evitar que a luta seja desviada do seu objetivo principal, não é permitido incitar, sob qualquer pretexto que seja, uma parte das massas a lutar contra outra, um grupo de estudantes contra outro grupo de estudantes; mesmo que se trate de verdadeiros elementos de direita, os seus problemas devem ser resolvidos, conforme cada caso, na última etapa do movimento.


8. A propósito dos quadros Os quadros reproduzem-se grosso modo nas quatro categorias seguintes:

1– Bons;

2– Relativamente bons;

3– Os que cometeram graves erros, mas não são direitistas anti-partido e antissocialistas;

4– Um pequeno número de direitistas anti-partido e antissocialistas.

De uma maneira geral, as duas primeiras categorias (aqueles que são bons ou relativamente bons) constituem a grande maioria.


Os direitistas anti-partido e antissocialistas devem ser completamente denunciados, derrubados,

postos fora da posição de prejudicar e de desacreditar, e as suas influências devem ser liquidadas. Ao mesmo tempo, ser-lhes-á indicada uma saída, de modo que possam retornar ao caminho correto.


9. Grupos, comitês e congressos da Revolução Cultural.

Numerosos novos acontecimentos começaram a surgir no movimento da Grande Revolução Cultural Proletária. Os grupos e comitês da Revolução Cultural, assim como outras formas de organizaçãocriadas pelas massas em numerosas escolas e organismos, são algo novo e de uma grande importância

histórica.


Os grupos, comitês e congressos da Revolução Cultural são as melhores novas formas de organizações em que as massas educam a si próprias sob a direção do Partido Comunista. Eles constituem uma excelente ponte que permite ao nosso Partido manter contatos estreitos com as

massas. Eles são os órgãos do poder da Revolução Cultural Proletária.


A luta conduzida pelo proletariado contra o pensamento, a cultura, os usos e os costumes antigos legados por todas as classes exploradoras durante milênios envolverá necessariamente um período extremamente longo. Por conseguinte, os grupos, comitês e congressos da Revolução Cultural não devem ser organizados temporariamente, mas organizações de massas permanentes nomeadas para funcionar durante muito tempo. Eles são convenientes não só aos estabelecimentos de ensino e organismos de Estado, mas também no essencial, às fábricas, minas e empresas, aos quartéis das

cidades e aldeias.


É necessário aplicar um sistema de eleição geral, semelhante ao da Comuna de Paris, para eleger os

membros dos grupos e dos comitês da Revolução Cultural e os representantes ao congresso da

Revolução Cultural. As listas dos candidatos devem ser propostas pelas massas revolucionárias após amplas deliberações, e as eleições só terão lugar depois de repetidas discussões dessas listas pelas massas.


As massas têm a todo o momento o direito de criticar os membros dos grupos e comitês da Revolução Cultural e os representantes eleitos ao congresso da Revolução Cultural. Os ditos membros e representantes podem ser substituídos por eleição ou revogados pelas massas após discussão mostram-se incompetentes.


Os grupos, comitês e congressos da Revolução Cultural nos estabelecimentos de ensino devem ser compostos essencialmente por representantes dos estudantes e alunos revolucionários. Ao mesmo tempo, devem compreender um certo número de representantes revolucionários do corpo docente e do pessoal administrativo.


10. Reforma educacional

Reformar o antigo sistema de educação assim como os antigos princípios e métodos de ensino é uma tarefa extremamente importante da Grande Revolução Cultural Proletária em curso. O fenômeno dos intelectuais burgueses que dominam os nossos estabelecimentos de ensinos deve acabar completamente no decorrer dessa Grande Revolução Cultural.


Em todos os estabelecimentos de ensino é preciso aplicar a fundo a política formulada pelo camarada Mao Tsetung, segundo a qual a educação deve estar a serviço da política do proletariado e combinar-se com o trabalho produtivo, a fim de que todos aqueles que recebem a educação possam desenvolver-se moral, intelectual e fisicamente para se tornarem trabalhadores cultos dotados de uma consciência socialista.


A escolaridade deve ser reduzida. O programa de estudos deve ser reduzido e melhorado. As matérias de ensino devem ser radicalmente reformadas, algumas dentre elas devem ser antes de tudo simplificadas. Mesmo que se consagrem principalmente aos estudos propriamente ditos, os alunos e estudantes devem aprender ainda outra coisa. Por outras palavras, devem não só instruir-se sobre o plano cultural, mas igualmente sobre o da produção industrial e agrícola e da arte militar; e, cada vez que se apresente ocasião, devem tomar parte nas lutas da Revolução Cultural para criticar a burguesia.


11. A propósito da crítica nominal na imprensa.

Ao conduzir o movimento de massas da Revolução Cultural, devemos combinar convenientemente a difusão da concepção proletária do mundo, a do marxismo-leninismo, do pensamento de Mao Tsetung, com a crítica da ideologia burguesa e feudal.


É preciso organizar a crítica dos representantes típicos da burguesia que se infiltraram no Partido e das “autoridades” acadêmicas reacionárias da burguesia nos campos acadêmicos, incluindo todo tipo de pontos de vista reacionários nos domínios da filosofia, da história, da economia política, da

pedagogia, nas obras literárias e artísticas, na teoria literária e artística e nas ciências da natureza.


Toda a crítica a fazer, nomeadamente na impressa, deve ser submetida às discussões do comitê do

Partido ao mesmo nível, e, em certos casos, à aprovação do comitê do Partido a nível superior.


12. Política acerca dos cientistas, dos técnicos e do pessoal comum.

No decorrer do presente movimento é preciso continuar a política de “unidade-crítica-unidade” acerca dos homens de ciência, dos técnicos e do pessoal comum, desde que sejam patriotas, trabalhem ativamente, não se oponham ao Partido e ao socialismo e não sejam coniventes com o estrangeiro. Deve ser dada uma atenção particular aos homens de ciência e aos membros do pessoal científico e técnico que se distinguiram pelo seu trabalho. Quanto à sua concepção do mundo e ao seu estilo de trabalho, podemos ajudá-los a reformar-se gradualmente.


13. Medidas a tomar para a combinação com o movimento de educação socialista nas cidades e no campo.


O esforço principal do movimento da Revolução Cultural Proletária em curso dirige-se às instituições culturais e de educação e aos órgãos dirigentes do Partido nas grandes cidades e meios.

A Grande Revolução Cultural enriqueceu o movimento de educação socialista nas cidades e no campo e levou-a a um nível mais elevado. É preciso conduzir esses dois movimentos, combinando estreitamente um com o outro. Devem ser tomadas medidas para esse efeito pelas diferentes regiões e departamentos, tendo em conta as suas condições específicas.

No campo e nas empresas estabelecidas na cidade onde se desenrola o movimento de educação socialista, não se pode mudar as medidas iniciais e prosseguir o movimento segundo essas medidas se essas são adequadas e aplicadas de maneira satisfatória. Todavia, as questões levantadas pela Grande Revolução Cultural Proletária em curso devem ser submetidas, no momento oportuno, às discussões

das massas, afim de promover ainda mais vigorosamente a ideologia proletária e liquidar por

completo a ideologia burguesa.


Em algumas localidades, toma-se a Grande Revolução Cultural Proletária como eixo para conduzir o movimento de educação socialista, a fim de proceder ao saneamento nos planos políticos, ideológicos, organizacional e econômicos. Isto pode se fazer se o comitê do Partido dessas localidades julgar conveniente essa maneira de agir.


14. Agarrar firme a revolução e estimular a produção.


A Grande Revolução Cultural Proletária tem como objetivo revolucionar do pensamento das pessoas,

a fim de que, em todos os domínios do trabalho, se possa obter resultados melhores quanto à quantidade, rapidez, qualidade e economia. Enquanto as massas são plenamente mobilizadas e são tomadas as medidas adequadas, pode-se assegurar o bom desenvolvimento da Revolução Cultural e da produção e garantir a boa qualidade do trabalho em todos os domínios.

A Grande Revolução Cultural Proletária constitui uma poderosa força motriz no desenvolvimento das forças produtivas da nossa sociedade. É errado opor a Grande Revolução Cultural ao

desenvolvimento da produção.


15. As forças armadas.

Nas forças armadas, a Revolução Cultural e o movimento de educação socialista devem ser

conduzidos conforme as instruções da comissão militar do Comitê Central do Partido e do Departamento Político Geral do Exército Popular de Libertação.


16. O pensamento de Mao Tsetung é o nosso guia de ação na Grande Revolução

Cultural Proletária.


Na Grande Revolução Cultural Proletária é preciso trazer bem levantada a grande bandeira vermelha

do pensamento de Mao Tsetung e pôr a política proletária no posto de comando. O movimento de

estudo e de aplicação expressivos das obras do presidente Mao Tsetung deve ser desenvolvido entre as grandes massas de operários, camponeses e soldados, quadros e intelectuais, e o pensamento de Mao Tsetung deve ser considerado como o nosso guia de ação na Revolução Cultural.


Nesta Grande Revolução Cultural tão complexa, é tanto mais necessário para os comitês do Partido

nos diferentes níveis estudar e aplicar conscienciosamente e de maneira expressiva as obras do presidente Mao. Eles devem, sobretudo, estudar mais de uma vez os escritos do presidente Mao que dizem respeito à Revolução Cultural e aos métodos de direção do Partido, tais como: Sobre a Nova Democracia, Intervenções nos Colóquios de Ienan sobre literatura e arte, Da justa solução das contradições no seio do povo, Intervenções na Conferência nacional do PCCh. sobre o trabalho de propaganda, A propósito dos métodos de direção e Métodos de trabalho dos comitês do Partido.


Os comitês do Partido nos diferentes níveis devem seguir as instruções dadas há muitos anos pelo

presidente Mao, aplicar a linha de massa formulada a “partir das massas para voltar às massas”, e fazerem-se primeiramente alunos das massas antes de se tornarem os seus mestres. É preciso esforçar-se para evitar as opiniões unilaterais e limitadas. É preciso encorajar a dialética materialista e opor-se à metafísica e à escolástica.


Sob a direção do Comitê Central do Partido que tem à sua frente o camarada Mao Tsetung, a Grande Revolução Cultural Proletária alcançará infalivelmente uma grandiosa vitória.

Foto: MIDIA Ninja
Foto: MIDIA Ninja


O marxismo sustenta que o estágio alcançado pelas mulheres é o indicador geral do progresso social. Não é, portanto, um acaso que o período de intensificação da agressão imperialista contra os povos de todo o mundo – marcado pela ascensão de governos proto ou mesmo abertamente fascistas em uma série de países – coincida com ataques raivosos aos direitos alcançados pelas mulheres, buscando fazê-las retroceder mais de um século. Desde a ilha de Epstein até a utilização do estupro como método de guerra na Faixa de Gaza ou nas selvas indianas, as mulheres, sobretudo as pertencentes às classes trabalhadoras, são alvo de um reacionarismo perverso e vingativo. Esta realidade geral não poderia deixar de se manifestar no Brasil.


Com efeito, embora, segundo o IBGE, constituam 52% da população brasileira, as mulheres seguem totalmente alijadas da política institucional do país. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, embora sublinhem a importância da participação feminina na “política”, compõem suas chapas e palanques com predomínio das velhas raposas que dominam o Estado brasileiro há séculos – e esse Estado, além de um caráter de classe, tem também um gênero: é o Estado dos homens das classes dominantes, tanto do vista operacional quanto cultural (porque mesmo mulheres que exerçam funções de chefia ou autoridade, reproduzem nas suas funções os valores e a ideologia dominantes). Ainda que, em termos retóricos, Lula e sua coligação defendam os direitos das mulheres, na prática o que temos neste um quarto de século é a perpetuação da sua marginalização, uma vez que elas são as maiores vítimas da precarização do trabalho e das políticas genocidas implementadas pelas polícias (e não é supérfluo frisar que a polícia mais letal do Brasil é a baiana, comandada há décadas pelo PT). O Brasil enfrenta uma verdadeira epidemia de feminicídios, o que escancara a completa insuficiência, para dizer o mínimo, da Lei Maria da Penha. Em termos estruturais, o que mudou no país ao longo dos sucessivos mandatos petistas? O aborto segue criminalizado, a pré-escola restrita, a rede pública de assistência social e de saúde mental totalmente sucateada, e por aí afora. 


Quanto a Flávio Bolsonaro e a extrema-direita, ela inclui os elementos abertamente misóginos, incentivados pelo fundamentalismo religioso e os bilhões de dólares das big techs, fantasiados de algoritmos impessoais e imprevisíveis. Da sua chapa, participam figuras medonhas como Paulo Figueiredo, que defende que as mulheres não tenham direito a voto (e, naturalmente, anular o voto é uma escolha política consciente, que nada tem a ver com revisão da bandeira democrática do direito ao sufrágio universal), ou Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente que responde processo por estupro de vulnerável. Mais recentemente, Michele Bolsonaro e Damares Alves, duas dirigentes do núcleo bolsonarista, acusaram ter sofrido ataques machistas dos seus correligionários, como se houvesse alguma possibilidade de que fascismo e misoginia andassem separados. Ambas, na verdade, defendem uma visão de mundo assentada no fundamentalismo religioso que seria talvez mais perigoso para os direitos históricos das mulheres do que os quatro anos de governo Bolsonaro, pois se valeriam do argumento do “lugar de fala” para se legitimar. 


O discurso, portanto, de que as mulheres devem buscar maior participação na política, entendida aqui como política eleitoral, ou é hipócrita ou é estúpido: hipócrita, quando professado pelos principais beneficiários do sistema político tal qual ele é, ou seja, estruturalmente patriarcal; estúpido, se defendido por pessoas ingênuas que esperam que o Estado brasileiro se reforme a partir de uma evolução lenta, gradual e pacífica, quando foi justamente a ausência de uma ruptura radical com o antigo regime a nossa desgraça essencial, o pecado original desta república oligárquica em que vivemos. Política é o conjunto das ações das classes em prol dos seus interesses, e, portanto, a defesa de que o sistema atualmente vigente seja abolido por meios revolucionários também é uma ação política, a mais política dentre todas aliás, porque a que inauguraria uma situação em que as verdadeiras maiorias trabalhadoras governariam em favor de si mesmas. Fora desta condição, não importa qual candidato vença em outubro, tudo o que teremos será apenas mais do mesmo. A única certeza do nosso lado é que é preciso lutar e proteger as mulheres a partir das organizações populares de base, desde a sobrevivência econômica até a sua autodefesa. 

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