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Manifestação do Sindicato dos Trabalhadores da UFF
Manifestação do Sindicato dos Trabalhadores da UFF

Já são mais de 50 institutos e universidades federais (e  algumas estaduais, como é o caso da UERJ) com algum setor em greve desde o início de fevereiro em todo Brasil. Essas mobilizações são fruto do movimento grevista de 2024, que se alastrou para mais de 300 instituições federais em todo país e que se encerrou com um acordo do ANDES (Sindicato nacional docente) e do governo federal, que até hoje não foi cumprido. Soma-se a isso, cortes elevados nos orçamentos das universidades e institutos, que intensificaram um processo de precarização que já vem em marcha há décadas no país. 


Vamos ao cenário em algumas universidades:


USP 


Em São Paulo, a principal universidade do país encontra-se com uma greve dos estudantes e servidores da universidade. Manifestação histórica na USP e Paralisação em apoio aos funcionários. A greve dos funcionários foi causada por uma bonificação concedida aos docentes (de meio Bilhão de reais) enquanto os funcionários que pediam aumento salarial foram ignorados pela reitoria. Em apoio a greve dos servidores, cerca de 104 cursos paralisaram suas atividades e decretaram a greve estudantil, que conta com manifestações e piquetes. Um dos atos contou com centenas de estudantes.



UERJ 


Já no Rio de Janeiro, a UERJ está atualmente com uma greve dos 3 setores (docentes, servidores e estudantes) e possui a pauta centrada no não cumprimento de acordos tirados nas últimas paralisações e greves de 2024 e 2025, além da falta de reajuste salarial que perdura anos e devido ao constante processo de cortes no orçamento da faculdade, que vem se agravando nos últimos anos com direito a diversos escândalos de corrupção e “cargos fantasmas” que eram rotina durante o governo de Cláudio Castro. O movimento grevista começou com uma mobilizações dos professores da universidade, que acabou também culminando para que todos os outros setores fossem também engrossar esse movimento.


Assembleia que deu início da greve dos docentes. Foto: Revista Revolução Cultural
Assembleia que deu início da greve dos docentes. Foto: Revista Revolução Cultural

UFF


A Universidade Federal Fluminense se encontra novamente com um quadro de paralisação do Restaurante Universitário, devido a greve dos servidores e técnicos da universidade, que também não tiveram os reajustes prometidos após a greve de 2024, pagos. A categoria luta pela readequação salarial, pois durante a pandemia de Covid-19 eles tiveram reduções em seus salários, que nunca voltaram aos patamares anteriores a tal período. O Novo Movimento Estudantil Popular Revolucionário vem pautando a necessidade da ampliação do bandejão para outros campi, e a construção de novos restaurantes universitários nos campus do interior. Confira o vídeo publicado no Instagram do Novo MEPR:



Diversas outras universidades importantes estão em greve, como é o caso da UFRJ, UNIFESP e UNICAMP. Essas mobilizações demonstram que os estudantes, docentes e trabalhadores não vão aceitar calados o desmonte que vem sendo realizado nos últimos anos do ensino público superior. Somente no ano passado, cerca de 10% de todo orçamento para as universidades federais foi cortado. 

  • 21 de abr.
  • 3 min de leitura
Fonte: Portal Bee Saúde
Fonte: Portal Bee Saúde

A saúde mental da juventude brasileira


No último dia 25 de Março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSe), realizada periodicamente desde 2009 visando compreender a saúde e o bem-estar dos adolescentes em todo o Brasil com os objetivos de: (i) identificar fatores de risco e proteção; (ii) compreender a saúde dos adolescentes; e (iii) monitorar tendências [1]. O trabalho entrevistou 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas no ano de 2024, representando o universo de estudantes de todo o país [2]. Os resultados da pesquisa mostram um quadro preocupante sobre a saúde mental dessa população: (a) 30% dos adolescentes sentem tristeza quase o tempo todo; (b) 42,9% se irritam por qualquer coisa; (c) 18,5% pensam frequentemente que a vida não vale a pena ser vivida; (d) 30% já sentiu vontade de se machucar de propósito; (e) 26% sentem constantemente que ninguém se importa com eles; (f) mais de 33% acham que os pais não entendem seus problemas e preocupações; (g) 20% foram agredidos fisicamente em casa nos últimos 12 meses. Em todos os indicadores, os resultados entre meninas são mais alarmantes do que entre meninos.

Em 58,2% das escolas privadas existe suporte psicológico para os estudantes, nas escolas públicas esse suporte é de 45,8%.


O caos em que vivemos


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é uma das principais causas de adoecimento entre jovens entre 10 e 19 anos. A agência UNICEF da Organização das Nações Unidas (ONU) indica que apenas 1 em cada 7 jovens com transtornos mentais recebe tratamento adequado em países de renda média. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirma que a pandemia de COVID-19 agravou o sofrimento psíquico juvenil e que os efeitos sobre a geração escolar ainda não foram enfrentados. O cuidado com essa geração não é uma tarefa isolada da família, de professores sobrecarregados ou de aplicativos de meditação. Essa é uma tarefa que deveria ser realizada pelo Estado. Mas como diz o poeta Renato Russo, para esse carcomido sistema em que vivemos enquanto a juventude está perdida é mais fácil comprá-la, vendê-la, estragá-la e controlá-la [3].

A Agenda Jovem da Fiocruz divulgou o 2º Informe Saúde Mental sobre a situação da juventude brasileira trazendo novos dados sobre transtornos mentais e comportamentais em populações jovens. De acordo com o relatório, entre 2022 e 2024 ocorreram 262.606 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) de jovens por estas razões, representando 579,5 internações para cada 100 mil habitantes. Entre jovens jovens de 20 a 29 anos, esse número sobe para 719,7 casos por 100 mil habitantes. O risco de suicídio entre os mais jovens é de 31,2/100 mil habitantes aumentando para 36,8/100 mil entre aqueles que têm entre 25 e 29 anos. No restante da população esse risco é de 24,7/100 mil habitantes. Entre homens jovens a taxa é de 48,3/100 mil e na faixa dos 25 a 29 anos aumenta para 60,4/100 mil habitantes [4].

Solução para esse desastre de mundo


Uma frase do poeta cubano José Martí resume a tarefa que toda revolucionária e todo revolucionário deve cumprir em relação às crianças e à juventude: “Para as crianças trabalhamos, porque eles são os que sabem querer, porque eles são a esperança do mundo.”


Essa esperança está na construção de um mundo novo, sem a exploração do ser humano por outro ser humano, um futuro em que cada criança possa desenvolver suas capacidades numa sociedade de novo tipo, na sociedade socialista.


Pequenas iniciativas educacionais pensadas para a coletividade, para a pessoa a serviço do bem comum são ações que podem contribuir para a realização deste trabalho. Aulas de reforço escolar, oficinas de modalidades esportivas, científicas e artísticas, gincanas, clubes do livro e de leitura, organização de passeios e excursões são alguns exemplos de atividades.


Mostrar para a juventude que o mais importante é a vida, os amigos e a luta contra esse mundo injusto. E para que isso ocorra é fundamental a sua organização no seu local de estudo, de trabalho e de moradia. Mostrar que cada um de nós é uma estrela, e assim como o Sol, gente é pra brilhar e de que iremos esculpir na áspera pedra do presente um futuro jubiloso.


E que Aloha seja sempre no sentido de um olá e não de um adeus.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




[3] RUSSO, Renato; BONFÁ, Marcelo. Aloha. In: LEGIÃO URBANA. A Tempestade (ou O Livro dos Dias). Rio de Janeiro: EMI Music, 1996. Faixa 12.


[4] REVISTA POLI: saúde, educação e trabalho. Rio de Janeiro: EPSJV/Fiocruz, ano XVIII, n. 103, jan./fev. 2026. Disponível em: https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/poli_103_web_1.pdf. Acesso em: [inserir data do seu acesso, ex: 20 abr. 2026].

Atualizado: 21 de abr.


Chamou atenção de muitos o resultado das últimas pesquisas sobre intenções de voto para as eleições presidenciais deste ano. Os principais institutos de pesquisa (Quaest e Datafolha), que soltaram atualizações nas últimas semanas, mostram pela primeira vez Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno da disputa. Embora seja muito cedo, e praticamente inútil, adivinhar quem conquistará o pleito (deixemos o ofício de futurologia para os picaretas profissionais), já resta evidente como o atual governo fracassou no seu intuito de “pacificar” o país, ao invés de enfrentar para valer a mobilização golpista.


Ao se posicionar como autêntico partido da ordem, Lula e o PT concentram em si todo o descrédito do atual modelo econômico, político e social frente à maioria do povo brasileiro. Com efeito, a defesa da democracia formal, representada nas instituições burocrático-burguesas e suas infames figuras, convive com o esvaziamento crescente de todas as garantias fundamentais aos trabalhadores, num amplo espectro que abarca desde a continuidade do genocídio da juventude nas favelas – embora as ações no Rio e em São Paulo tenham maior visibilidade, a PM da Bahia, dirigida pelo PT, é a mais letal do Brasil – até a manutenção da “reforma” trabalhista de Temer. O caso do Banco Master, embora não relacionado especificamente ao governo, representa aos olhos da população as espúrias relações entre as “autoridades” da república e o sistema financeiro, cujos crimes mais atentatórios contra a nação são os praticados legalmente, como, por exemplo, a brutal taxa de juros sem par no mundo. Política cambial esta, aliás, mantida por Gabriel Galípolo e que representa uma verdadeira sangria do Orçamento da União em favor dos rentistas locais e estrangeiros. Se lançamos vistas à questão agrária, por exemplo, o Lula completa seu terceiro mandato com indicadores quase nulos de desapropriação de terras a favor de camponeses e o avanço das mineradoras contra os territórios indígenas, como na recentemente frustrada tentativa de privatização de hidrovias no Amazonas.

Quanto ao conteúdo da candidatura de Flávio Bolsonaro, é preciso observar a sua colocação de maneira criteriosa. Sem dúvida, a extrema-direita golpista, chefiada por Jair e Eduardo, é uma corrente da sua candidatura, mas ela não é hegemônica até aqui. Na verdade, o “rachadinha”, considerado o representante do “centrão” no seio do clã, renunciou até aqui à pregação mais extremada, como estratégia de atrair os caciques dos partidos direitistas do Congresso, a Faria Lima e os monopólios de imprensa (inclusive a Rede Globo) para o seu palanque. Isto não é apenas manobra, mas o reflexo de uma correlação de forças real, na qual, ao menos por ora, a extrema-direita puro-sangue não é capaz de vencer a eleição presidencial sozinha e muito menos preparar no curto prazo um novo golpe de Estado. Na verdade, a candidatura de Flávio é mais uma reedição na história brasileira de selar um pacto “com Supremo, com tudo”, para estancar a sangria e anistiar o próprio Bolsonaro e alguns outros personagens do seu desgoverno.


Flávio Bolsonaro representa um projeto de tipo Milei para o Brasil, ou seja, um projeto reacionário, antipovo e de corte fascista, mas não o perigo de um golpe iminente. Projetos como o seu se combatem nas ruas, com luta social, e não, mais uma vez, fechando os olhos para não ver o fracasso – a esta altura, mais do que fracasso, a falência enquanto um projeto histórico – do projeto de conciliação nacional representado por Lula. Este, no futuro, será lembrado como um centrista, que, se cumpriu um papel de salvaguarda contra o golpe militar em 2022, também bloqueou por décadas o avanço de qualquer estratégia revolucionária e mesmo minimamente emancipatória no campo popular brasileiro. A verdade é que desde os tempos da disputa com o PSDB, segundo os marqueteiros lulistas, o adversário representa o “fascismo” e a próxima eleição é “a mais importante da história”. Desde então, de vitória eleitoral em vitória eleitoral, a cada pleito os direitos sociais estavam mais dilapidados e as massas trabalhadoras mais descrentes no sistema político. Se subestimar o fascismo é um perigo, banalizar a sua classificação é uma velha artimanha reformista para capturar o movimento popular e fazê-lo um mero apêndice dos setores mais perfumados da burguesia.


Nessa equação ainda há, claro, os interesses externos, notadamente norte-americanos, que pesarão no processo eleitoral. Na verdade, a administração ianque articula junto às duas candidaturas principais, e adota uma política frente ao governo do PT e assoprar em público e morder no privado, com muito dinheiro investido em big techs. O que o Departamento de Estado e demais agências estadunidenses querem, por qualquer meio, é o acesso privilegiado às imensas reservas de recursos naturais que o País possui. Uma possível vitória de Flávio Bolsonaro escancararia este processo de subserviência, que, no entanto, é inerente à própria constituição do Estado Brasileiro. Vejamos, por exemplo, o papel inalterado das forças armadas nacionais como uma tropa de ocupação interna (a ponto de manter uma agenda de exercícios militares conjuntos com as FA ianques no momento em que estas intensificavam sua agressão à Cuba e à Venezuela), ou a atuação de Fernando Haddad como verdadeiro lobista da implantação de data centers no Brasil. Vários dos militares que cumpriram papel de proa no epicentro da tentativa golpista do princípio da década, como Vilas Boas, Heleno e Braga Netto exerceram cargos de confiança por indicação de Lula e Dilma, seja na infame intervenção no Haiti ou durante os megaeventos. Lula não representa uma alternativa à dominação do imperialismo norte-americano, e sim um modelo alternativo, mais negociado, desta mesma dominação.


Por tudo o que se disse, a contradição principal da sociedade brasileira na atualidade segue sendo entre as massas populares de um lado e o Estado burocrático-reacionário de outro. Como diz o Presidente Mao, em “Sobre a Contradição”:


“Quando o imperialismo não recorre à guerra como meio de opressão, mas utiliza formas de opressão mais moderadas, políticas, econômicas e culturais, a classe dominante do país semicolonial capitula diante do imperialismo; então, forma-se uma aliança entre eles para oprimirem em conjunto as massas populares. Nesse momento, as massas populares recorrem frequentemente à guerra civil para lutar contra a aliança dos imperialistas e da classe feudal. Quanto ao imperialismo, em vez de recorrer à ação direta, usa geralmente meios indiretos, para ajudar os reacionários do país semicolonial a oprimirem o povo, donde a acuidade especial das contradições internas”.



É claro que o imperialismo ianque – e não só ele, aliás – intervém na sociedade e nas eleições brasileiras, mas o financiamento de campanha e possíveis declarações de apoio não têm o mesmo peso de uma agressão militar direta. A verdadeira tarefa dos revolucionários brasileiros é construir através da luta direta, isto é, no chão das fábricas, territórios, escolas e áreas rurais, a frente única anti-imperialista, que não é uma frente eleitoral, porquanto o sistema político vigente é sócio do imperialismo na dilapidação das riquezas naturais e sociais da nação; em tempos normais, é mesmo o seu representante imediato. Por isso, os setores mais esclarecidos e politicamente engajados dos movimentos populares devem rejeitar a falsa polarização e levantar com coragem a bandeira do voto nulo ou da abstenção, maneira mais segura, aliás, de se vincularem às dezenas de milhões de descontentes que já se abstém ou escolhem um candidato apenas porque rejeitam mais o seu oponente. De resto, as classes dominantes não perguntam ao povo se a este interessa um golpe militar ou não. Portanto, a questão decisiva será sempre a da sua mobilização permanente e independente, seja qual seja o governo.

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