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27 de janeiro de 1945: Auschwitz é libertado pelo Exército Vermelho

Foto: Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau
Foto: Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau

Há 81 anos, em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho dos Operários e Camponeses da União Soviética libertava o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, revelando ao mundo uma das faces mais brutais do nazifascismo. O que os soldados soviéticos encontraram ao atravessar os portões do complexo nazista foi uma verdadeira fábrica da morte, construída para o extermínio sistemático de povos inteiros.


Auschwitz simboliza o ápice da barbárie hitlerista: mais de 1,1 milhão de pessoas assassinadas, em sua maioria judeus, mas também comunistas, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, poloneses, pessoas com deficiência e outros grupos considerados “indesejáveis” pela ideologia nazista. O campo era parte central de uma engrenagem genocida que unia racismo, eugenia, antissemitismo, anticomunismo e um implacável expansionismo imperialista.


Os relatos dos soldados soviéticos que participaram da libertação são marcados por choque, indignação e compaixão. Eles encontraram homens, mulheres e crianças reduzidos a “esqueletos vivos”, sobreviventes abandonados pelos nazistas em retirada. Muitos prisioneiros não compreendiam que estavam livres, a experiência do terror havia sido tão profunda que a libertação parecia, num primeiro momento, inacreditável. Apenas quando os soldados se aproximaram, falaram em várias línguas e demonstraram que não eram carrascos, mas libertadores, a realidade começou a se impor.


Vasily Gromadsky, um oficial do 60º Exército, ofereceu a seguinte descrição:


Percebi que eles eram prisioneiros e não trabalhadores, então gritei: “Vocês estão livres, saiam!” … Eles começaram a correr em nossa direção, em uma grande multidão. Estavam chorando, nos abraçando e nos beijando. Senti uma indignação em nome da humanidade pelo fato de esses fascistas terem feito uma zombaria tão grande de nós. Isso despertou em mim e em todos os soldados o desejo de ir e rapidamente destruí-los e mandá-los para o inferno.


Georgii Elisavetskii, outro dos primeiros soldados soviéticos a entrar no campo, admitiu em 1980 que: “Meu sangue ainda gela quando menciono Auschwitz”. Ele descreveu a libertação em detalhes dramáticos:


Quando entrei no barracão, vi esqueletos vivos deitados nos beliches de três andares. Como em um nevoeiro, ouço meus soldados dizendo: “Vocês estão livres, camaradas!”. Percebo que eles não nos entendem e começo a falar com eles em russo, polonês, alemão, dialetos ucranianos; desabotoando minha jaqueta de couro, mostro minhas medalhas… Então uso o yiddish. A reação deles é imprevisível. Eles acham que estou provocando-os. Começam a se esconder. E somente quando lhes disse: “Não tenham medo, sou um coronel do Exército Soviético e sou judeu. Viemos para libertá-los” … Finalmente, como se a barreira tivesse desmoronado… eles correram em nossa direção gritando, caíram de joelhos, beijaram as abas de nossos sobretudos e jogaram os braços em torno de nossas pernas. E nós não conseguíamos nos mover, ficamos imóveis enquanto lágrimas inesperadas escorriam por nossas faces.


A libertação de Auschwitz foi possível graças ao avanço militar soviético sobre o nazismo, fruto de uma guerra popular gigantesca travada pela URSS contra a máquina de guerra hitlerista. Foi o povo soviético que pagou o preço mais alto pela derrota do fascismo na Europa, com mais de 27 milhões de mortos. Sem o Exército Vermelho, Auschwitz não teria sido libertado naquele janeiro — e talvez nunca tivesse sido.


Hoje, quando a história é constantemente reescrita para minimizar o papel da União Soviética e relativizar os crimes do fascismo, lembrar quem libertou Auschwitz é mais necessário do que nunca. Não se trata apenas de memória, mas de combate ideológico ferrenho. O fascismo não foi derrotado por discursos vazios ou pela neutralidade liberal, mas pela força organizada dos povos, pela resistência armada e pela luta internacionalista.


Recordar Auschwitz é denunciar o fascismo em todas as suas formas — antigas e novas. É afirmar que a barbárie não nasce do nada, mas de sistemas que naturalizam a opressão, o racismo, a exploração e a barbárie contra todos os que se recusam a se submeter. É reafirmar que, diante da barbárie, a humanidade só sobrevive quando escolhe resistir.

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