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A única política de Estado do Rio, é o genocídio do povo preto e pobre

Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ e governador em exercício do Rio de Janeiro.
Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ e governador em exercício do Rio de Janeiro.

Desde meados de março de 2026 não há uma resposta simples quando alguém faz o questionamento de quem é o atual governador do estado do Rio de Janeiro. No momento em que o corpo já falecido de Andressa Nascimento tombou no chão, no dia 26 de março, o estado não tinha governador. Assassinada pelo BOPE, a mãe de cinco filhos e moradora do Complexo do Salgueiro em São Gonçalo, foi deixada para morrer ali mesmo na calçada, mesmo em meio aos berros dos vizinhos implorando para os policiais a levarem para o hospital.


A grande operação, que ocorreu naquele mesmo dia e assim como diversas outras que vem ocorrendo de forma desenfreada em várias regiões do estado, era das três polícias (civil, militar e federal), contou com grande aparato e dinheiro. Teve duração de mais de 3 dias e se desenvolveu mesmo sem a Polícia Civil ter um comandante (mesmo após quase um mês, ainda não se escolheu um). Deixou como saldo a morte de mais uma mulher do nosso povo e a constatação evidente de que a única “política de Estado” que existe aqui, é a política do genocídio sistemático contra o povo preto e pobre.


Com o governador eleito na última eleição (Cláudio Castro) em vias de ter o mandato cassado, ser preso, o vice estando afastado e o presidente da ALERJ preso por ligações com o Comando Vermelho, o poder em determinado momento estava nas mãos do secretário adjunto da Casa Civil do estado, através de uma canetada de Cláudio Castro e que foi derrubada pela justiça em questão de horas. No dia seguinte, a figura do então presidente do Tribunal Judicial Regional, Ricardo Couto, foi alçado a governador e após mais de duas semanas de indefinição, o STF concordou em deixá-lo no cargo até o final deste ano.


Essa ação foi reforçada após a última sexta-feira, onde foi escolhido um novo presidente da ALERJ. Douglas Ruas, filho do atual prefeito de São Gonçalo, torturador e membro do esquadrão da morte de São Gonçalo, Nelson Ruas. O PL, seu partido, se movimentou de todas as formas para que Douglas se tornasse novo governador em exercício, para que isso o colocasse em uma melhor posição na corrida eleitoral no fim do ano.


Ricardo Couto vem acabando com cargos comissionados do governo do estado e tomando medidas que estão enxugando a máquina pública. Já vem sendo alçado pelos monopólios de mídia e até pela “esquerda Eduardo Paes”, como um “apaziguador”, “moderado”, “a político”, mesmo sendo o responsável por gastos exorbitantes com penduricalhos durante seu período à frente do TJ, que são os maiores números de toda a história do tribunal. Sua função nesse momento é trazer um ar mínimo de legalidade, de legitimação de um Estado que agoniza e não inspira em seus cidadãos um pingo de confiança pelas claras ingerência que se multiplicam a luz do dia.


Para além disso, vem dando prosseguimento a mesma política de genocídio contra o povo preto e pobre nas favelas, tendo havido sobre seu mandato de pouco mais de um mês, dezenas de operações e assassinatos como o de Andressa. Algo que deixa claro, que a única política de Estado desse sistema é a matança e o terror contra o povo.


O que o governador em exercício vem fazendo, é a promessa que Eduardo Paes vem fazendo para as pessoas se assumir o governo: embelezar e perfumar essa máquina de matar trabalhador, que arrancar toda dignidade e dinheiro do povo. Não devemos nunca analisar uma situação ou uma política somente em sua essência, precisamos observar sob qual base de fato essa se sustenta.


É necessário tomar o exemplo de todos que se levantaram em repúdio ao assassinato de Andressa e que fecharam a BR dois dia seguidos após sua morte, mesmo sob as balas "de verdade" do BOPE que foi mandado para desmobilizar o protesto. Somente o povo organizado, na rua, pegando seus destinos em suas mãos, que poderá realmente edificar uma nova sociedade, e não canetadas dos velhos assassinos de colarinho branco.




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