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Acordo UE-Mercosul intensifica o caráter semicolonial do Brasil

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em meio à guerra de tarifas entre os países imperialistas, nas idas e vindas do protecionismo norte-americano e das retaliações dos demais países, o Brasil toma partido de um acordo que agrava a espoliação e intensifica a apropriação imperialista da América do Sul por parte do capital europeu.


Hoje, com a assinatura do acordo UE-Mercosul no Paraguai e a criação da maior “zona de livre comércio" do mundo, fecha-se mais um capítulo da política econômica reacionária pintada de vermelho do Governo Lula. Haddad e seus adjacentes “técnicos” sentam-se ao lado de Milei e proclamam o mesmo receituário de Paulo Guedes para o comércio exterior brasileiro e sul-americano: intensificam o caráter primário-exportador da economia e exacerbam a vulnerabilidade da pouca indústria que ainda existe na região e no Brasil. Junta-se a isso a cobiça pelos minerais críticos (as terras raras), que terá tarifas de importação zeradas no mercado europeu, e teremos uma economia semicolonial de maior porte, sem deixar de lado a miséria que a acompanha.


O acordo, que deixou assustado até mesmos seus elaboradores no hemisfério norte que disseram ser equivalente a “ter realizado um assassinato e saído impune” (no inglês, “we got away with murder on this deal”), prevê a inundação dos mercados sul-americanos com produtos dos países da União Europeia, ao levantar as barreiras tarifárias que antes impediam estes produtos de chegarem aqui. A competição com capitais nacionais ou estrangeiros já bem estabelecidos, antes economicamente inviável, se abrirá para a desova do montante das mercadorias que hoje é composto em grande parte de gêneros que deixaram de ir para os EUA desde que Trump levantou barreiras daquele lado.


Em números, 92% das exportações do Mercosul serão isentas no mercado europeu e 91% das exportações da UE serão isentas no mercado sul-americano (IPEA), além da incrementação no volume de comércio por meio cotas de exportação. O acordo será progressivo, e, em 15 anos, grande parte do mercado que conhecemos terá sido transformado e seremos quase completamente dependentes de importação para consumir coisas básicas.


A possível suspensão da isenção tarifária de "produtos agrícolas sensíveis" do Mercosul, como bovinos e aves, é um dos detalhes que representa o acordo de "carros por vacas". Caso as importações da UE cresçam em 5% por 3 anos seguidos, eles lançarão uma investigação de duração de 3 meses para avaliar a "necessidade de medidas protetivas", e, ainda, há a possibilidade deles exigirem "padrões de produção da UE" para os produtos sul-americanos.


Tudo isso será pago com reservas internacionais acumuladas com exportação de soja, milho e petróleo, que auxiliarão a Europa a superar a crise gerada com a invasão na Ucrânia e os embargos sobre a Rússia. O Brasil, como república sob o jugo dos imperialistas, segue o trilhando o mesmo caminho há mais de 100 anos e honrando o título de semicolônia, e sua classe dominante, como boa subserviente, parece, em momentos de crise, procurar novos senhores a quem se ajoelhar, tamanho é seu “nacionalismo”!

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