Após queda de Maduro, Delcy Rodrigues trai seu povo e se ajoelha aos EUA
- Miguel Pereira
- há 23 horas
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Atualizado: há 7 horas

No dia 03 de Fevereiro deste ano, causou consternação o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA. Após meses de preparação, com envio de diversos navios, caças, suprimento militar para o entorno da Venezuela e diversos ataques a pequenas embarcações venezuelanas, o ataque de fato foi realizado em plena madrugada em uma emboscada seguida de bombardeios. Foram centenas de mortos, e dentre estes, 32 soldados cubanos da guarda pessoal de Maduro (o que já indicava o fato de que o regime chavista enfrentava uma grave crise de legitimidade até mesmo no seu interior, pois sua segurança estava basicamente completamente organizada pelos soldados cubanos). Após o sequestro, Donald Trump tratou de dar a cisma como encerrada, afirmando que agora controlariam o petróleo venezulano, e que haveria uma “paz e estabilidade na Venezuela”.
Logo após o sequestro, Delcy Rodrigues (então vice -presidente), foi empossada como presidente e ao se dirigir às chamadas ‘’milícias bolivarianas’’ afirmou que não iria aceitar as demandas impostas por Washington. Essa reação, em contrapartida, foi abafada devido a uma declaração posterior na qual afirmava querer ‘’negociar’’ com Donald Trump, que naquela altura, era algo plenamente plausível, devido a situação vulnerável ao qual Delcy estava exposta. A redação da RRC no "Que Fazer?" após o sequestro, afirmou: "Nada até este momento indica a capitulação ou a queda do governo, cuja defesa se confunde, desde que foi desatada a agressão ianque aberta em meados do ano passado, brutalmente intensificada hoje, com a própria defesa da nação venezuelana."
O que era acertado, devido às declarações de Delcy e seus aliados que vinham em tom de resistência e por conta da postura firme da mesma durante aquele momento. Além disso, também não tínhamos base concreta para fazer quaisquer afirmações sobre a subserviência ou não do novo governo aos EUA. Toda e qualquer movimentação naquela altura, estaria condicionada diretamente ao fato de que o país ainda estava sob um cerco do inimigo e se naquele momento, as autoridades venezuelanas clamavam pela resistência, esta deveria ser apoiada, tudo para fora disso seria trair o internacionalismo proletário e a resistência anti imperialista dos povos de todos os países.
No entanto, com o passar dos meses, a Venezuela foi retomando aos poucos o comércio com os ianques, que mantiveram sua Marinha mobilizada no Caribe. Delcy esqueceu-se de Maduro e os discursos passaram a ser de agradecimentos e afagos ao presidente Donald Trump. Vários tratados lesa-pátria foram criados, como repasses de ouro e facilidades para as petroliferas estadunidenses funcionarem no país. Para além disso, recentes declarações contra a retaliação iraniana e apoio à agressão ianque ao Irã demonstram a traição da atual gestão. A capitulação parece algo que foi consumado no país.
Todo esse processo que ocorreu na Venezuela em direção ao completo domínio do pedófilo Donald Trump, de forma tão dramática, é fruto do próprio desenvolvimento do chavismo no país, que não conseguiu de forma alguma criar uma base ideológica sólida entre as massas populares. Para além da mera unificação pela figura de Hugo Chávez ou posteriormente de Maduro, não há unificação anti-imperialsita no país, tampouco conseguiram industrializar o país a fim de criar uma estrutura independente do petróleo, que pudesse dar respostas às sabotagens e embargos impostos pelos Estados Unidos. Pelo contrário, ao longo dos anos sempre se demonstraram abertos ao comércio petroleiro com os ianques, e hoje pagam o preço, pois hoje o imperialismo não aceita menos do que a subserviência completa e cabal.
Cabe ao povo venezuelano agora, organizar a luta por uma nova independência.






