top of page

Camarada Ganesh, até sempre na luta revolucionária!

Em memória do camarada Ganesh publicamos tradução do texto de Harsh Thakor sobre sua vida entre a luta do povo indiank. Foi militante de quatro décadas do Partido Comunista da Índia (Maoista) assassinado em encontro forjado na região de Gumma no dia 25 de dezembro.


ABAIXO A OPERAÇÃO KAGAAR!


O camarada Paka Hanumanthu, ou Ganesh, parte após iluminar a chama da Revolução enfrentando os mais duros perigos por quatro décadas — Harsh Thakor


O camarada Paka Hanumanthu, conhecido carinhosamente como Ganesh e mais tarde como Roopa Dada, faleceu. Ele foi morto em um encontro forjado e encenado (bootakapu encounter) na região florestal de Gumma, em Ni Kandhamal, no dia 25 de dezembro de 2025, domingo, por volta das 12h, em sua aldeia natal Pullemla, Chandur Mandal, distrito de Nalgonda, estado de Telangana.


Por mais de quatro décadas, o camarada Hanumanthu iluminou a luz do movimento revolucionário. No contexto das perdas fatais que o movimento sofreu nos últimos dois anos, seu martírio assume um significado especial. Ele conquista um lugar permanente entre os revolucionários maoístas martirizados.


O camarada Ganesh permaneceu firme no serviço ao movimento revolucionário desde a juventude até o fim de sua vida, aos 67 anos (1985–2025), personificando a verdadeira essência de um revolucionário.


A vida revolucionária do camarada Ganesh concentrou-se na reorganização política e organizativa. Ele transformou os adivasis em uma força coesa de guerreiros militantes na luta por seus direitos e, como CCM, orientou os massivos protestos tribais de 2021 a 2024. Seus escritos foram publicados por amigos revolucionários em 2023. Seu martírio ressuscitará uma nova centelha revolucionária para que novos lótus floresçam.


A trajetória de Ganesh foi marcada pela capacidade de ressurgir dos mares mais tempestuosos, recolocando o movimento nos trilhos diante dos perigos mais severos. Foi um testemunho de como um movimento revolucionário forja um novo tipo de ser humano — aquele que, ao perecer, planta sementes para que novas rosas floresçam. Com elevada diligência, ele revelou a impressionante capacidade das massas de realizar ações retaliatórias contra as classes dominantes.


Fundamentos e ativismo inicial


Quando pensamos no camarada Ganesh, a região de Gangaloor (Oeste de Bastar) surge imediatamente como sinônimo de sua atuação.

Hanumanthu teve seu batismo no movimento como estudante radical. Nascido e criado em Nalgonda — terra intimamente ligada à Luta Armada de Telangana —, desempenhou um papel ativo como líder estudantil radical durante o ensino intermediário. Atendendo ao chamado do Partido, mudou-se posteriormente para Dandakaranya como revolucionário em tempo integral.


Reconhecendo seu potencial, o Partido inicialmente o designou para a frente urbana. Naquele período, vários ativistas foram enviados a diferentes cidades da Índia Central para construir uma base organizativa de apoio ao movimento florestal. Como parte desse esforço, o camarada Ganesh foi designado para Jagdalpur, onde estabeleceu fortes vínculos com a juventude local e dedicou-se prioritariamente ao estudo da língua hindi.


Um pilar da unidade organizativa


Em Jagdalpur, o camarada Ganesh esteve envolvido em diversas funções durante as negociações de unidade entre o MCC e o People’s War Party. Embora essas discussões tenham sido temporariamente interrompidas por razões políticas, elas foram concluídas com sucesso em 2004. Destaca-se sua participação como delegado no Congresso de Unidade de 2007.

Em 2017, foi incorporado ao Comitê Central (CC) e, até seu último suspiro, serviu como CCM (Membro do Comitê Central), dedicando literalmente a última gota de sangue ao movimento.


O arquiteto do Oeste de Bastar


Respondendo às necessidades do movimento florestal, Ganesh integrou-se à luta em Bastar em 1990. Serviu oficialmente ao movimento de Dandakaranya (DK) em diversas funções até 2018, e de forma não oficial até junho de 2023.

Em 2019, foi nomeado membro do Bureau Regional Sul (SRB), que cobre a tríplice fronteira entre Tamil Nadu, Karnataka e Kerala. Contudo, devido a graves problemas de coordenação interna, não conseguiu chegar à região. Com prisões e martírios atingindo a liderança local, o movimento lutava para se manter ativo.


Consequentemente, na 8ª reunião, o Comitê Central foi obrigado a enviá-lo para Odisha. Enfrentando inúmeros perigos com fervor revolucionário, ele chegou a Odisha em julho de 2023 e integrou a equipe de CCMs. Foi ali que selou sua obra de vida, deixando lições indeléveis para o Partido por meio de seu sacrifício supremo.


Um líder das massas


Ganesh atuou por décadas no Oeste de Bastar, especialmente na região de Gangaloor. Estava tão profundamente integrado à comunidade que conhecia cada aldeia, cada casa e cada criança pelo nome. O povo, em retribuição, o acolhia com afeto.


Durante o período da Salwa Judum, quando Ganesh convocou a comunidade Koya a se proteger enviando um membro de cada casa para o PLGA (Exército Guerrilheiro Popular de Libertação), a resposta foi espontânea: centenas de jovens foram dedicados ao movimento. Esse sacrifício não apenas desferiu um golpe mortal contra a Salwa Judum, como também lançou as bases para a formação de companhias do PLGA e, posteriormente, de um batalhão.


Após tornar-se membro do Comitê Zonal Estadual (SZCM) em 2000, trabalhou incansavelmente para impulsionar o movimento em DK. Durante a década da Operação Green Hunt (iniciada em meados de 2009), enquanto ataques militares devastavam Dandakaranya, Ganesh garantiu que os Janatana Sarkars (Governos Populares) avançassem do nível de aldeia para o nível divisional no Oeste de Bastar.


Campanhas de repressão e resistência popular


As regiões onde atuou — Gangaloor, Bhairamgarh, Bijapur e Kutru — tornaram-se centros de intensa luta de classes em Bastar. Nessas áreas, o conflito entre antigos chefes tribais feudais, que perderam terras e domínio devido à expansão do movimento revolucionário, e os adivasis oprimidos atingiu um ponto de ebulição.


Foi ali que começaram as campanhas de repressão contrarrevolucionária: primeiro o Jan Jagaran Abhiyan-1 no início dos anos 1990, seguido pelo Jan Jagaran Abhiyan-2 no final da mesma década, concentrado sobretudo em Gangaloor e Bhairamgarh. Em 2005, iniciou-se a campanha extremamente bárbara conhecida como Salwa Judum, na área de Kutru, distrito de Bijapur.

Todas essas regiões integravam a Divisão Oeste de Bastar, liderada diretamente por Hanumanthu durante várias décadas.


Apesar disso, todas as campanhas de repressão foram superadas pela resistência heroica do povo. As próprias massas tomaram a iniciativa e mostraram ao Partido o caminho da resistência. Um episódio emblemático ocorreu na aldeia de Kotrapal, nos primeiros dias da Salwa Judum, em 2005.


Após capturar e espancar brutalmente membros de associações em Tadimendri, capangas da Judum atacaram Kotrapal em 18 de junho. Policiais ameaçaram abertamente os moradores, instaurando um clima de terror: “Juntem-se à Salwa Judum ou queimaremos suas aldeias.” Ainda assim, os aldeões e membros da Milícia Popular retaliaram com arcos, flechas e ferramentas transformadas em armas contra centenas de capangas e forças armadas que os apoiavam.


Eles capturaram dez pessoas, realizaram um Panchayat (conselho da aldeia) e puniram duas figuras-chave. O camarada Hanumanthu atuou como catalisador desse espírito de resistência em Bastar, elevando a capacidade combativa dos adivasis. Foi realmente notável como ele restaurou o moral do povo para que se erguesse a partir de situações extremas.


Capacidade militar, administrativa e legado literário


Ganesh empenhou-se em aplicar a “Linha de Massas” na resolução dos problemas populares e dedicou especial atenção ao desenvolvimento agrícola dos adivasis na região de Gangaloor.

Entre 2018 e 2023, impedido de se deslocar por problemas de coordenação, concentrou-se em estudos e literatura em Dandakaranya. Adotou o nome “Roopa” (nome de um pássaro na língua Gondi) e explorou de forma profunda e precisa a história revolucionária de cada mártir do Oeste de Bastar até dezembro de 2024. Escrevendo sob o pseudônimo Ganesh Lahar, expressou de forma consistente a posição do Partido sobre diversas questões sociais.


A luta final em Odisha


Apesar do corpo envelhecido, da hipertensão e de problemas neurológicos que comprometiam sua mobilidade, mudou-se para Odisha em junho de 2023. Sua experiência anterior na região de Malkangiri (1991–1995), bem como seu conhecimento das línguas odia e bengali, revelaram-se inestimáveis.

Diante das condições perigosas em Odisha — informantes da polícia e falta de suprimentos médicos —, suportou cada dificuldade sem vacilar. Em dezembro de 2024, foi transferido da Subzona Ocidental para a Subzona Oriental para cumprir suas responsabilidades.


Funeral


Um funeral multitudinário foi realizado em sua memória no dia 28 de dezembro, em sua aldeia natal Pullemla, Chandur Mandal, distrito de Nalgonda, estado de Telangana. O evento ecoou as vibrações de seu espírito ainda vivo, comovendo e despertando as almas de milhares.



Assine nossa newsletter

Receba em primeira mão as notícias em seu e-mail

Seu e-mail
Assinar
bottom of page