Enquanto a Rússia encurrala Zelensky, UE se prepara para a guerra
- Miguel Pereira
- há 1 dia
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Não é uma novidade afirmar que a situação política internacional nos últimos anos está em uma franca direção a uma guerra inter-imperialista. Em todo o mundo, os interesses das potências estão se chocando de forma intensa. Diversos conflitos estão surgindo, ressurgindo ou se acirrando. Dentre estes, a invasão da Rússia à Ucrânia em 2022 foi um marco, tendo sido o início desse período de grandes conflitos, demonstrando de forma clara que não há mais um domínio imperialista hegemônico dos EUA, sem contestação ou disputas. As divisões e lutas entre as potencias imperialistas agora e cada vez mais estão podendo serem vistas a ‘’olho nu’’.
Desde o início do conflito, a chamada ‘’Guerra da Ucrânia’’ teve uma rápida anexação russa do leste ucraniano: a região de Donetsk, Donbass e o território entre a Rússia e a Criméia. Porém, após essa rápida inserção russa, o conflito se estagnou. A Rússia pouco avançou e a Ucrânia conseguiu, muito por conta da resistência popular do seu povo, segurar o ímpeto do exército russo em um primeiro momento, algo que agora tem se enfraquecido e colocado os russos em uma posição muito favorável.
Na Guerra da Ucrânia temos diversos interesses distintos: 1) A Rússia, que busca um ‘’tampão’’ de isolamento frente a OTAN, mas também demarcar um novo momento do seu poderio militar. 2) Os EUA que não podem aceitar um crescimento russo ou então uma contestação russa a hegemonia militar ianque (algo que efetivamente já vem ocorrendo), 3) A União Europeia (UE) que busca se afastar do domínio ianque e voltar a desenvolver sua própria força imperialista na região. 4) O governo fantoche ucraniano buscando vender seu povo a preço de banana, subserviente aos ianques e europeus.
Vlodimir Zelensky, atual presidente ucraniano, desde o início do conflito tem tido uma postura completamente capacho às potências europeias, aceitando liquidar o povo ucraniano a fim de se colocar como um ‘’cachorro de briga’’ da UE, com o objetivo claro de não deixar Putin se fortalecer na região. Essa postura vende-pátria tem conduzido seu povo a grandes baixas, principalmente por não se apoiar na resistência popular, o que restringe as forças ucranianas oficiais a mercenários estrangeiros e ao exército reacionário ucraniano, que possui até mesmo batalhões inteiros de nazistas. Diversos grupos armados de resistência popular tem se organizado a parte do governo por este motivo, e há uma rejeição crescente a figura de Zelensky.
Um fato que demonstra claramente isso, é que nos últimos meses, ataques ucranianos a infraestrutura energética e áreas civis de Moscou têm intensificado o conflito. Esses ataques não tem nenhuma justificativa do ponto de vista da resistência ucraniana, pois ao invés de focar no reabastecimento das tropas, intensificação da mobilização das forças populares da ucranianas ou o fortalecimento dos principais fronts que estão em uma situação dramática, a tática de priorizar ataques a infraestruturas energéticas russas não muda o poderio militar russo tampouco restringe sua capacidade de atuação nas frentes de batalha, o resultado dessa tática somente dá vantagem a União Europeia, que tem interesse que o conflito de prolongue, a fim de desgastar a capacidade econômica, energética e militar russa, além de tentar reduzir o poder de Putin no leste europeu. Enquanto os drones e mísseis voam sobre Moscou e matam civis, cada vez mais o povo ucraniano morre de fome e pelas mãos do exército russo, sem terem mantimentos, armamentos e apoio para sua justa resistência.
Desde 2022, tem havido momentos de maior ou menor escalada, ameaças de Putin à OTAN e respostas da mesma, inclusão da Finlândia na OTAN e ameaças principalmente francesas de participação de tropas europeias no conflito. Mesmo com tudo isso, até agora não havia acontecido uma generalização regional do conflito. Porém devido aos recentes ataques às infraestruturas russas e bombardeios a Moscou, Putin quis demonstrar força e desde a última quinta-feira (27) vem fazendo ataques a todos os centros logísticos ucranianos, o que está causando desabastecimento de alimentos e insumos básicos na capital ucraniana, Kiev. Esses bombardeios intensos, que agora a Rússia tem feito em larga escala, tem gerado reações até mesmo de Zelensky que nesta semana afirmou que ‘’Os nossos termos estão alinhados com os termos dos EUA’’. Isso significa, na prática, que ele estaria disposto a ceder territórios para a Rússia em troca do fim do conflito, algo defendido por Trump e que até agora Zelensky vinha rejeitando.
Uma possível capitulação vergonhosa de Zelensky, que nunca se propôs a de fato defender a Ucrânia, desagrada a União Europeia, que busca rifar o povo ucraniano até que a última pessoa viva naquela terra caia no chão em nome das suas intenções de enfraquecer os russos. Por isso, em movimentações recentes, forças da França e Alemanha têm se juntado à Polônia em exercícios militares que cada vez aumentam mais na fronteira polonesa com Belarus e Kaliningrado, que é um enclave russo entre Polônia e Lituânia. Nesta semana, o primeiro ministro alemão Olaf Scholz afirmou que há indícios que um ataque de drone a um aeroporto de Leipezig foi um ataque russo em represália ao financiamento europeu a Ucrânia. Tal fato da a prerrogativa para uma possibilidade de retaliação contra a Rússia.
Essas movimentações tem provocado tensões e receios de uma guerra aberta entre as potências da Europa e a Rússia, algo que provavelmente implicaria nas relações destes com a OTAN, que se veria obrigada a embarcar neste conflito. No último dia 26 de agosto, Jonh Ratcliff, chefe da CIA, visitou o presidente Vladimir Putin em uma viagem que não havia sido anunciada previamente. O motivo desta visita não foi divulgado, mas há dezenas de especulações que vão desde uma tentativa de impedir Putin de realizar um ataque nuclear com armas táticas, até mesmo a oficialização do acordo de partilha da Ucrânia, o que poderia até fazer mais sentido. Porém, para além de suposições, o mais importante é vermos efetivamente que o que acontece na Guerra da Ucrânia é um sintoma dos tempos que estamos vivendo. Onde as disputas imperialistas pela re-partilha das colônias e semi colônias têm se intensificado, e aumentado suas intensidades e ficado cada vez mais nítidos.
É necessário que o movimento popular esteja atento a isso, para que possamos nos organizar e nos preparar para que não fiquemos nas mãos de ‘’Zelenksys’’. A resistência iraniana nos mostrou como se deve resistir ao imperialismo, devemos entender que a organização popular, a pressão sobre os governos, e principalmente a luta popular que fará a diferença nas lutas vindouras que estão por vir.






