RJ: Fórum debate os riscos ambientais, sociais e econômicos da implantação da monocultura do eucalipto na região Noroeste Fluminense
- Núcleo Noroeste Fluminense
- há 22 horas
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O Noroeste Fluminense realizou um importante debate sobre os riscos ambientais, sociais e econômicos da monocultura do eucalipto para a região, durante a 4ª edição do Fórum Regional Nosso Rio Muriaé realizado no Instituto Federal Fluminense Campus Itaperuna.
Na 3ª Feira (25/08) foi realizado Cine Debate com a exibição do documentário “Cruzando o Deserto Verde” que retrata os crimes cometidos pela multinacional do setor de papel e celulose Aracruz (atual Suzano) contra os povos originários, comunidades quilombolas e camponeses no estado do Espírito Santo e sul da Bahia. Após a exibição do documentário, a pesquisadora e ativista Rosa Roldan da Rede Alerta contra Desertos Verdes, que mediou o debate, destacou os projetos em curso no Norte e Noroeste do estado do Rio de Janeiro capitaneados pelo chamado Fórum Florestal Fluminense que visam implantar distritos florestais (leia-se plantações de eucalipto) nessas regiões. Essa articulação vem sendo realizada por empresas do setor, entidades de empresários em conluio com a casta política alterando legislações estaduais e municipais de forma a viabilizar a monocultura do eucalipto. O ponto alto do debate foi o depoimento de uma estudante do Curso de Pós-Graduação em Educação em Direitos Humanos do IFF Itaperuna, cuja família plantou no ano de 2007 mais de 20.000 mudas de eucalipto em sua propriedade com a promessa da empresa de altos lucros. O que a família colheu foi a degradação ambiental com a perda de mananciais de água e degradação do solo.
No segundo dia do evento (4ª Feira – 26/08/2026), ocorreu o Painel 1 – Plantações de Eucalipto na região Noroeste Fluminense e seus impactos ambientais, sociais e econômicos que além da pesquisadora Rosa Roldan contou com a participação do Prof. Arthur Soffiati, historiador ambiental que tem um trabalho de longa data com extensa produção bibliográfica e ação na defesa do meio natural na região. Esse foi um momento especial com grande troca de saberes e experiências com a juventude que lotou o Cine Teatro Maestro José Carlos Ligiero. Um dos participantes do público perguntou o que motivava a ativista Rosa Roldan a continuar lutando, a resposta foi direta: honrar as companheiras e os companheiros que tombaram na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores, camponeses e povos originários da floresta. Ela fez um destaque especial à memória de Chico Mendes com quem conviveu no Acre nos anos oitenta e que foi assassinado pelo latifúndio.
Um registro muito especial do evento foi a gravação de um podcast pelo Projeto de Divulgação Científica IFF Cast, que pode ser acessado no link a seguir: https://open.spotify.com/episode/3VJJmW9DrxExKxvn2DFS9f?si=RBfbdiAmQz-AsfUdB3SFOA&utm_source=whatsapp&nd=1&dlsi=72b899a9562f414b
O evento seguiu com o Painel 2 que apresentou os Projetos de Ensino, Pesquisa e Extensão na temática ambiental desenvolvidos por professoras e professores do IFF Itaperuna e o Painel 3 com seminários apresentados pelos estudantes da Pós-Graduação em Educação em Direitos Humanos abordando a segurança hídrica, energética e alimentar.
Como a vida só não basta, o evento contou com a apresentação da Banda Filarmônica “Lira da Esperança” do município de Laje do Muriaé que apresentou peças compostas pelo Maestro José Carlos Ligiero, grande ícone da cultura regional e nacional. A apresentação cultural da Lira foi um respiro de arte e cultura e um alento para a alma dos participantes.
Além do debate profícuo, o evento também cumpriu a tarefa de mobilizar a comunidade da região pela defesa dos recursos hídricos e o meio natural que devem atender às necessidades vitais do povo e não à sanha por lucros da classe dominante e de sua casta política serviçal. O terreno foi preparado e a semente da resistência às ameaças do grande capital plantada. O evento terminou com uma efusiva salva de palmas da comunidade do Noroeste Fluminense com a certeza de que outros encontros como esse virão.






