EUA-Israel seguem forçando o desarmamento do Hezbollah, com anuência do Estado libanês
- Redação
- há 3 dias
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Atualizado: há 11 horas

As agressões da entidade terrorista de Israel aos seus vizinhos não começou com o seu ‘’revide’’ aos eventos do ‘’Dilúvio Al-Aqsa’’. Durante toda sua existência foram centenas de invasões, bombardeios, assassinatos, genocídios e tantas outras agressões. Entre os seus vizinhos está o Líbano, que desde os anos 1980 tem sido um alvo constante dos sionistas e resiste a sucessivas tentativas de invasão por parte dos sionistas.
A principal força de resistência nacional libanesa, o Hezbollah (Partido de Deus, em árabe), empreende uma luta encarniçada há muito tempo contra os sionistas e desde o 7 de outubro tem enfrentado, assim como todo o Líbano, bombardeios diários de Israel. O grupo islâmico xiita de resistência, que é apoiado pelo Irã, foi formado logo após a primeira invasão de Israel ao país em 1982 e tem se colocado na defesa do Líbano durante todo esse período. Ganhou bastante notoriedade em meio a população durante diversos enfrentamentos com os sionistas durante os anos 1990, e passou a ocupar de forma permanente o sul do país.
Nesse período também passou a integrar a política do Líbano, constituindo-se como um dos maiores partidos políticos do país e, desde uma mudança nas suas relações externas no início da década de 2000, vem fazendo frentes até mesmo com partidos católicos e minorias étnicas nômades. Após a realização do dilúvio Al-Aqsa, pelo Hamas, o Hezbollah logo saiu em defesa da legitima resistência do povo palestino, se colocando em apoio e concordância com o ataque, também desferindo golpes contundentes contra os sionistas ao bombardear suas instalações militares. Não foi a primeira vez que o Hezbollah interviu em lutas nos países vizinhos, tendo tido participação no conflito entre a Síria, do então Bashar Al-Assad, contra o Estado Islâmico. Na época, o grupo afirmou que o temor era o avanço do EI chegar ao território libanês, mas ficou nítido que o apoio a Assad ocorreu devido a pedido do Irã.
O contra-ataque sionista pós Dilúvio Al-Aqsa
Os ataques sionistas que vem ocorrendo desde 2023 têm causado perdas muito significativas tanto para o Hezbollah, quanto para o Líbano como um todo. Além de estarem danificando as redes de insumos básicos das principais cidades e levando centenas de civis a morte (só esse ano foram 566 civis mortos por ataques de Israel, segundo a rede de notícias Al-Jazeera), teve seu principal líder, Hassan Nasrallah, assassinado em 2024, além de diversos outros ataques que impuseram baixas importantes. Ainda em 2024, houve uma explosão de milhares de walk-talkies utilizados pelo grupo, ataque orquestrado por Israel, que provocou diversas mortes e feriu milhares de combatentes. Essas baixas limitam bastante a atuação do grupo e os ataques sionistas vem se intensificando de tal modo que as mortes de civis vem aumentando de forma exponencial.
O velho Estado libanês é fraco, e por sua vez não tem forças militares comparáveis ao Hezbollah, nem mesmo à legitimidade que o grupo possui em meio a população, mesmo o Hezbollah não sendo bem quisto pelos muçulmanos sunitas que representam 27% da população libanesa. Por sua vez, os xiitas, grupo que mais apoia o Hezbollah, são somente 31% da população e os católicos 34%, algo que demonstra a complexidade da situação política do país. Em dezembro de 2024, foi assinado um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel, porém, mesmo após o cumprimento de todas as exigências, a besta sionista continua com os ataques, descumprindo diariamente os termos do acordo.
EUA busca Guerra Civil
Recentemente, os EUA enviou um representante ao Líbano, Tom Barrack, com a intenção ‘’lidar com a situação Líbano’’ e desde então vem negociando com o governo libanês uma forma de desarmar o Hezbollah e favorecer Israel em um novo tratado de cessar-fogo. Os enviados de Trump têm pressionado o governo capacho do Líbano a tentar fazer com que o Hezbollah entregue suas armas, em ‘’nome da paz’’, que, como bem sabemos, seria só uma ótima oportunidade de Israel continuar massacrando o povo sem nenhuma resistência.
Essa tentativa dos EUA de obrigar o velho Estado Libanês a fazer o Hezbollah entregar as armas por meio da força, que é o que os EUA têm colocado ao Líbano, busca amplificar as tensões religiosas dentro do país, que possui divisões grandes, e jogar o mesmo para uma Guerra Civil, desestabilizando o país de tal forma que os sionistas e ianques iriam poder saquear com facilidade todas as suas riquezas. Assim como já houve precedentes na Síria, Líbia e outros países da região.
Foi aprovada pelo velho Estado libanês a proposta dos EUA e Israel de cessar-fogo com a condição que o Hezbollah entregasse suas armas, algo que o próprio presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que seria responsabilidade do país e que vem colocando em prática nos campos de refugiados palestinos. Durante a última semana, centenas de armas nesses acampamentos foram recolhidos, como parte do trato e com a promessa de que ‘’só o Estado libanês tem que estar armado’’. Ainda não houve tentativas de se apreender as armas do Hezbollah. Nesta segunda (25), o atual líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse que o grupo "não se submeterá a Israel" e não se desarmará. Ele foi além, também, ao afirmar que tratará essa decisão ‘’como se não existisse’’.