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Moradores de Angra dos Reis vão a luta contra o ''pedágio turístico'' da prefeitura

Protesto contra a taxa, nos acessos para Ilha Grande. Foto: Revista Revolução Cultural.
Protesto contra a taxa, nos acessos para Ilha Grande. Foto: Revista Revolução Cultural.

No dia primeiro deste mês, a prefeitura de Angra dos Reis (RJ) passou a cobrar a TTS (taxa de turismo sustentável), mais conhecida como ‘’pedágio turístico’’, que foi aprovada e sancionada em outubro de 2025, destinada aos visitantes que queiram frequentar a Ilha Grande. Usando como justificativa o aumento progressivo de turistas que a Ilha recebe, o município de Angra alega que o valor arrecadado através da TTS será revertido para manutenção da infraestrutura e preservação ambiental. Os valores variam de 28 a 50 reais para passar o dia e para quem pernoitar, de 50 a 100 reais por pessoa. 


Desde o final do ano passado, os moradores da Ilha vêm se organizando para revogar a taxa, através de manifestações e denúncias públicas sobre diversas irregularidades do projeto de lei. Vale ressaltar que a PL foi aprovada sem o mínimo de diálogo com a população da Ilha, que tenta há meses marcar uma audiência pública com o governo do município para pedir esclarecimentos sobre tais irregularidades, debater e opinar sobre o impacto da taxa na vida dos trabalhadores locais, que dependem do turismo para sustentar suas famílias.   

 

O movimento organizado pelos moradores denuncia a restrição do livre acesso a Ilha - condicionando a entrada somente aos que podem pagar-, a privatização da gestão do controle de acesso a Ilha pela empresa Cash Pago -que receberá 12% do valor arrecadado pela taxa-, a falta de transparência da licitação -não há esclarecimento sobre como será usado o dinheiro e nem se de fato irá retornar para a manutenção da infraestrutura da Ilha-, a retração do turismo devido a cobrança abusiva e o impacto negativo que causará a economia local e dos municípios vizinhos cuja a principal fonte de renda vem do turismo.


Os moradores culpam a prefeitura de Angra pela má gestão financeira, e dizem que para tratar dos problemas estruturais e ambientais não há a necessidade da implementação da taxa, mas de uma gestão municipal que devolva para a Ilha toda a renda que ela produz as custas do turismo anualmente, visto que a Ilha Grande é um destino altamente procurado por brasileiros e estrangeiros. 


BARQUEATA E OCUPAÇÃO DO CAIS. 


Um dia antes das cobranças começarem, moradores atearam fogo no posto de fiscalização da taxa, em protesto. O dia seguiu com moradores ocupando o cais de desembarque de veículos marítimos com o objetivo de denunciar a PL 4.507/2025 e garantir a entrada gratuita dos turistas na Ilha.



No mar, os barqueiros organizaram uma barqueata -bloqueio feito de lanchas e barcos que tomou controle de todo o espaço aquático em torno do cais-. Apesar de toda a difamação e tentativa de criminalização por parte dos monopólios de mídia e da prefeitura de Angra, os manifestantes não estavam impedindo a entrada de turistas e de serviços essenciais. 



CRIMINALIZAÇÃO E PERSEGUIÇÃO


Desde o primeiro dia de manifestação já ocorreram diversas tentativas de prisões, a primeira delas foi a de um menor de idade por suposto desacato a uma das equipes de policiais militares enviados para reprimir o protesto. O jovem foi arrastado de forma truculenta por policiais até a lancha na tentativa de levá-lo preso, enquanto os moradores se mobilizavam para impedir a detenção irregular, o policial que segurava o jovem, ameaçou puxar a arma diversas vezes na tentativa de intimidar as pessoas. Os turistas que se recusaram a pagar eram levados para a delegacia da vila do Abraão, como resposta a população se reunia para acompanhá-los e garantir que não sofressem nenhuma penalização. A tática por parte dos manifestantes foi exitosa e até o momento ninguém que não quis pagar a taxa abusiva foi penalizado. 


Uma trabalhadora local veio a público denunciar que seu filho teve o contrato de estágio como jovem aprendiz cancelado pela Turisangra (Fundação de turismo de Angra dos Reis) como forma de represália por sua família participar da manifestação. Apesar disso, a manifestante afirma que não irá recuar mediante a perseguição! Confira a denúncia completa abaixo. 



Na manhã de quarta-feira (03), a população da Ilha acordou com um helicóptero da polícia militar sobrevoando a Vila do Abraão com policiais apontando fuzis para as pessoas e turistas que se reuniam para continuar o ato, também enviaram um contingente maior para evitar que os manifestantes ocupassem o cais para seguir garantindo a entrada gratuita a todas as pessoas que chegavam. Apesar de todas as tentativas de repressão, a população da Ilha segue firme em sua luta contra a privatização da Ilha Grande e se preparam para mais um dia de manifestação!



CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA ILHA GRANDE! PELA REVOGAÇÃO IMEDIATA DA PL 4.507/2025.


A ILHA GRANDE RESPONDE A TENTATIVA DE PRIVAÇÃO: TERCEIRO DIA DE MANIFESTAÇÃO CONTRA A TAXA DE TURISMO IMPOSTA PELA PREFEITURA DE ANGRA DOS REIS. 


PRA GRINGO VER E PRA TRABALHADOR NÃO FREQUENTAR: POPULAÇÃO DA ILHA GRANDE PROTESTA PELO TERCEIRO DIA CONSECUTIVO CONTRA A TAXA IMPOSTA PELA PREFEITURA DE ANGRA.


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