O Irã será o novo Afeganistão para os Estados Unidos
- Redação
- há 23 horas
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No último domingo (19), enquanto Donald Trump posava pateticamente junto à Espanha na final da Copa do Mundo, as criminosas bombas ianques tornavam a cair sobre Teerã. Era o nono dia consecutivo de bombardeios. Estes, se intensificaram após pesados contra-ataques iranianos, que eliminaram pelo menos três soldados ianques e destruíram diversas instalações militares na região. Em resposta, o terrorista e pedófilo mandatário norte-americano (uma espécie de Johny, o Bravo, senil, flácido e covarde) ordenou o amplo ataque a instalações civis persas. Longe de se encaminhar para um acordo, o conflito parece escalar sem qualquer possibilidade de trégua duradoura à vista.
Trump está em uma encruzilhada, provocada, em grande medida, pela cilada sionista de que bastaria assassinar a liderança suprema da República Islâmica para liquidar o regime erigido após 1979. Netanyahu, neste episódio, agiu como o rabo que balança o cachorro, valendo-se dos meios de guerra ianque para avançar o seu plano de anexar o sul do Líbano e dar passos à frente no seu projeto colonialista de criar uma grande Israel. O que se passou foi o contrário: como temos dito desde o ano passado, a milenar civilização persa se unificou em torno da expulsão e revide ao invasor estrangeiro, arrastando-o para uma guerra de desgaste com um alto custo para a própria economia ianque. Comprova-se, neste conflito, uma vez mais, a primazia dos aspectos políticos e ideológicos sobre os meios de guerra, e de que a dita “guerra moderna” cara e robotizada dos imperialistas não é capaz de quebrar a guerra patriótica, se esta conta de fato com intensa mobilização das massas. Isto obrigou Trump, temendo a proximidade das eleições de meio de mandato, a aceitar os termos iranianos de cessar-fogo e tensionar a unidade, já precária, do seu eixo fascista com Israel. Trata-se de um dilema para o imperialismo ianque: preservar recursos financeiros e humanos em troca de reconhecer a derrota, ou insistir na agressão e arriscar levar a pique a credibilidade que lhe resta como potência hegemônica. Em síntese, são estas as contradições com as quais tem que lidar o imperialismo estadunidense:
1) Não há como vencer o Irã apenas pelo uso maciço dos bombardeios, que tendem a se tornar mais impopulares à medida que centram na população civil. Por outro lado, uma invasão terrestre seria uma catástrofe pelo custo envolvido, pela complexidade logística e sobretudo pelo desgaste para a opinião pública interna de ver seus soldados voltarem em número crescente dentro de sacos pretos;
2) A entidade sionista, Netanyhahu à cabeça, não tem como se sustentar sem guerra: a sua própria economia depende dos conflitos sem fim para operar e obter os recursos de que necessita para reproduzir sua existência artificial. Por outro lado, os Estados Unidos não podem abandonar Israel à própria sorte, pelo simples fato de que isto seria perder sua principal cabeça-de-ponte na região e o tacão com que provoca seus adversários. Admite as agressões sionistas no Líbano e a guerra só irá se encerrar se encerram-se os ataques ao Líbano.
3) Na medida em que as derrotas militares e as perdas econômicas com o Estreito de Ormuz fechado se acumulam, a popularidade de Trump cai. Porém, para o conflito se encerrar, ele teria que aceitar os acordos totalmente favoráveis ao Irã, o que tornaria ainda mais injustificáveis os custos dispendidos na guerra até aqui e deixaria explícito o limite histórico do “poder americano”.
Estes fatores, embora contraditórios, indicam a tendência a que a guerra continue e escale intensidade no próximo período. Isto terá um custo humano enorme para o bravo povo iraniano, mas acelerará igualmente o fim da hegemonia estadunidense. Caso este, no seu estertor, apele para uma medida extrema como o bombardeamento nuclear do país persa, desataria uma crise sem precedentes históricos e que nos levaria para o umbral da terceira guerra mundial. Do ponto de vista de Rússia e China, interesse alimentar a resistência iraniana de modo indireto, tanto para evitar um choque aberto com os Estados Unidos, quanto porque é melhor vê-lo às voltas com um atoleiro, enquanto avançam suas pautas na frente ucraniana ou no Pacífico. Deve-se ainda agregar que, à medida que fique claro para Donald Trump que ele caminha para o ocaso político no fim do seu mandato, levar os Estados Unidos a uma guerra de maior intensidade seria um recurso para justificar o adiamento das eleições e mesmo um autogolpe. De modo que o prosseguimento da guerra é do interesse de todos os atores envolvidos, inclusive do Irã, mas neste caso por um motivo justo: a defesa da honra dos seus mártires – inclusive as crianças assassinadas em Minab, e também naturalmente seu líder supremo – e da sua integridade territorial, incluído a soberania sobre o Estreito de Hormuz.
Tudo indica que aquilo que a agressão ao Afeganistão representou para o social-imperialismo soviético no final dos anos de 1980 – ou seja, o dobre de finados da sua expansão militarista para o Oriente Médio, assim como a desmoralização da sua forma de conduzir a guerra – o Irã representará para os Estados Unidos nesta quadra do século XXI. O papel de todos os anti-imperialistas é apoiar todos os esforços feitos no sentido de chutar para as latas de lixo da História este agressor putrefato, a começar por elevar a luta revolucionária consequente dentro do seu próprio país.






