O Irã castiga o Eixo do Genocídio
- Redação
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Após mais de 20 dias do início do que se tem chamado de ‘’Guerra do Ramadã’’, Donald Trump declarou uma trégua unilateral de cinco dias, dizendo que ordenaria a suspensão de qualquer ataque às estruturas energéticas do Irã neste prazo. A resposta de Teerã foi uma inabalável recusa a aceitar qualquer cessar-fogo parcial e a reafirmação dos seus termos, cujo cerne é a garantia da inviolabilidade da sua soberania no futuro. Com efeito, o que se assistiu foi muito mais do que o abate dos considerados caças “invisíveis” F-35 dos Estados Unidos, ou a neutralização dos seus porta-aviões e obliteração das suas bases no Oriente Médio; foi mesmo mais do que a justa vingança se desabando sobre Tel-Aviv e toda a área da palestina ilegalmente ocupada pela entidade sionista: o que se percebe é a reafirmação de que o imperialismo ianque caminha a passos largos para seu fim, não meramente pela sua decadência econômica, mas sob o peso dos mísseis e da disposição inquebrantável de luta dos povos oprimidos, destacadamente aqueles da Ásia Ocidental. Cada golpe assestado pelo povo iraniano contra os seus inimigos era ao mesmo tempo uma cadeia a menos retirada sobre os povos oprimidos do mundo.
Donald Trump, o fascista e pedófilo que é hoje o presidente dos EUA, empreendeu essa agressão precipitada contra o Irã devido à pressão do lobby sionista (que somente consegue manter Netanyahu no poder por meio de guerra), à pressão interna contra sua política anti-migrante e por conta da divulgação dos arquivos do caso Epstein. Isso é fato. A tentativa de derrubar o regime iraniano cumpria um papel de lhe trazer uma boa imagem diante da provável derrota nas eleições para o parlamento ao final do ano.
À moda de Hitler, Trump recusou a advertência de seus aliados da OTAN e dos generais do Pentágono – tão reacionários quanto ele, mas talvez um pouco mais pragmáticos – e insistiu na possibilidade de uma guerra relâmpago que derrubasse a república iraniana como quem apanha um fruto maduro. Ao assassinar o líder político iraniano e espiritual de duzentos milhões de muçulmanos xiitas em todo o mundo, ele uniu a totalidade do povo persa – excetuado o punhado inevitável de traidores – como um só na defesa da nação ultrajada e, para efeito prático, rejuvenesceu a liderança iraniana. Desde então, esta cumpriu seu propósito de alastrar imediatamente a guerra por toda a região, castigar duramente a infraestrutura israelense e implodir a economia norte-americana, lastreada nos petrodólares acumulados no Golfo Pérsico.
A verdade é que o regime instaurado em 1979 sentou profundas bases no país, da base à superestrutura, incluindo o peso da religião como fator de coesão social. A autoimolação de Ali Khamenei – o qual, na verdade, se mostrou talvez exageradamente propenso a negociar com as administrações ianques nos últimos anos, colhendo sempre em contrapartida a traição – cumpriu um papel na mobilização da resistência, assim como o bárbaro e criminoso bombardeamento de uma escola infantil feminina nos primeiros dias da agressão estadunidense-sionista. No Iraque e no Bahrein, principalmente, as maiorias xiitas se sublevaram contra os governos lacaios do imperialismo. Sob o peso dos mísseis balísticos iranianos, se curvaram os déspotas sunitas que oprimem implacavelmente o seu próprio povo. No Líbano, onde Israel avança para empreender anexações tal qual fez em Gaza – e a tentativa de despovoar e depois ocupar toda a área ao Sul do Rio Litani revela toda o colonialismo inerente ao projeto chamado de “Grande Israel” –, os bandidos sionistas se deparam com a inaudita resistência imposta pelo Hezbollah.
Se é claro que nenhuma força consequentemente comunista pode se iludir sobre a capacidade de o regime dos aiatolás satisfazer as reivindicações democráticas das amplas massas iranianas, devemos ressaltar, em primeiro lugar, que este é um problema que cabe única e exclusivamente ao povo do país solucionar; em segundo lugar, a continuada agressão imperialista é na verdade o maior impeditivo para o florescimento de uma autêntica democracia popular no país, pois o submete à contínua ameaça de fragmentação ou mesmo desaparecimento, como ocorreu com a Iugoslávia há três décadas ou a Líbia e a Síria recentemente. Quem, neste momento, titubeia sobre a necessidade de se unir a totalidade da nação contra o imperialismo ianque, trai não só o povo iraniano, trai também a luta pelo socialismo. Do ponto de vista das tarefas, deve-se ter claro: Primeiro, derrotar o agressor! As massas fustigadas pelos bombardeios carecem de palavras-de-ordem claras e de alvos precisos, não de receitas doutrinárias válidas para qualquer época, e por isso inúteis, com cheiro de mofo e praticamente capitulacionistas.
Enquanto acumula derrotas e enormes prejuízos no campo de batalha, a entidade sionista de Israel e os EUA desde o início do conflito buscaram atacar áreas civis de Teerã, fazendo jus ao seu epíteto de Eixo do Genocídio. Por conta dessa estratégia neonazista, os números de civis mortos no Irã ultrapassam mais de 1300 indivíduos. Diante disso, o Irã tem alvejado prioritariamente instalações militares e infraestruturas dos seus inimigos. Mesmo nos casos em que ocorram bombardeios em áreas civis de Israel, lembremos que todo o seu território se estende sobre a Palestina histórica, naquele que é o maior empreendimento colonial do nosso tempo. A rigor, todo e qualquer ocupante de Israel é um colono que usurpa ilegalmente as terras alheias. A maior confirmação disso, é o êxodo em massa dos judeus israelenses de uma terra que sabem não ser a sua.

Por outro lado, desde o início do conflito, o Irã abateu cerca de 20 aeronaves militares, incluindo dois caças F-35, outros caças F-16 e pelo menos quatro F-15 também foram perdidos pelo eixo nazi-ianque-sionista. Inúmeros radares militares de última geração, mantidos pelos Estados Unidos na região, que chegam a valer mais de bilhão de dólares, foram dizimados. O porta-aviões USS Gerard Ford foi atingido por mísseis que infligiram um incêndio generalizado, tendo que recuar e voltar aos EUA para reparos que irão durar mais de dois anos. Além do aspecto militar, as perdas econômicas dos Estados Unidos são também exorbitantes. Com o fechamento de fato do Estreito de Ormuz para os Estados Unidos e seus cúmplices, o preço do petróleo se aproximou dos 120US$, além de causar prejuízos elevados para empresas principalmente do EUA, Europa, Coreia do Sul e Japão que já enfrentam problemas de falta de abastecimento.
Após a usina nuclear de Isaphan no Irã e um campo de gás natural utilizado por Catar e Irã terem sido atacados por Israel na última sexta-feira (20), o Irã promoveu seu mais intenso ataque com mísseis desde o início da agressão ianque. Centenas de mísseis foram utilizados e destruíram o principal campo de gás natural liquefeito do Catar (no qual era responsável por 17% de todo gás da Europa), além de promover ataques muito pesados ao complexo nuclear sionista (sem acertar o reator) de Dimona, impondo mais de 100 mortes e a destruição do complexo. Em paralelo ao ataque em Dimona, usinas termoelétricas e campos de petróleo sionista em Haifa também foram muito atacados.
Por tudo isso, Trump ensaia uma saída honrosa, embora esta seja hoje praticamente impossível, ainda mais porque a isto se opõe o celerado Netanyahu. Diante da surra estratégica imposta pelo Irã aos seus inimigos, há quem avente a hipótese do uso de armas nucleares por parte de Estados Unidos ou Israel. Sobre esse aspecto, devemos dizer, em primeiro lugar, que tal utilização jogaria imediatamente milhões de massas às ruas em todo o mundo, e principalmente dentro dos próprios Unidos; em segundo lugar, nenhuma bomba dita “tática” seria capaz de riscar do mapa um país montanhoso e com uma população de mais de 90 milhões de seres humanos. Finalmente, seria improvável que Rússia e sobretudo China (e mesmo uma potência regional como o Paquistão) simplesmente aceitassem semelhante agressão em sua esfera de influência, não por qualquer imperativo moral, mas pela sua própria projeção de poder local e mundial. Mesmo na atual fase do conflito, é quase unânime entre analistas sérios que o Irã tem contado com assistência, sobretudo tecnológica e de insumos, dos inimigos dos seus inimigos, embora o esforço principal da guerra e a decisão de leva-la às últimas consequências seja um mérito do próprio povo iraniano.
Seria imprudente arriscar qualquer projeção, mas estamos diante de uma derrota inequívoca do imperialismo ianque. Este pode sair do Irã com o rabo entre as pernas e se concentrar ainda mais no seu quintal próximo, sobretudo a América Latina, buscando uma composição temporária com Rússia e China; neste caso, ainda restaria como uma incógnita a variável Israel. Ou pode dobrar a aposta agressiva, lançar tropas e mais tropas sobre o Irã ou mesmo arrastar o mundo para uma terceira guerra mundial, que seria a primeira guerra mundial atômica. Isto, no fim das contas, apenas aceleraria o seu próprio e inevitável desaparecimento.






