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O ''progressismo'' sionista de Ibrahim Traoré

Foto: Agência de Notícias i24
Foto: Agência de Notícias i24

Com um sorriso largo no rosto e um olhar confiante, o atual presidente de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, apertou mão do embaixador sionista em Burkina Faso e Togo, em uma pose para uma foto na reunião bilateral que reuniu a entidade nazista de Israel e o país do Sahel. Esse encontro, que buscou aproximar ambos, foi noticiado de forma efusiva pela mídia sionista.


Após o genocídio que vem sendo perpetrado em Gaza desde 2023 e os constantes crimes de guerra cometidos de forma rotineira no Líbano e Síria, a opinião pública global vem se virando contra a besta sionista, os deixando cada vez mais isolados de seus aliados europeus que para evitar uma rejeição interna, afastando-se publicamente de Israel. Esse isolamento, tem feito a entidade sionista se virar cada vez mais a África. Países onde já tem inserção como Djibouti, Sudão e Somália, nos quais conta com a cumplicidade dos Emirados Árabes Unidos, são alvos óbvios, mas recentemente tem tentado se aproximar dos países do Sahel. A reunião com Traoré representa isso, assim como a notícia de que há negociações há meses com o Mali, que faz parte da Aliança dos Estados do Sahel (AES), para acordos comerciais de armamentos e ouro.


Esse encontro, vem logo após Burkina cortar relações com a França, o que causou alvoroço, mas não representa uma novidade, pois desde o golpe militar em 2024 isso já estava desenhado e hoje no país operam centenas de tropas de mercenários russo do Grupo Wagner. Virou moda em alguns círculos e seitas ‘’progressistas’’ alçar Traoré a um ícone revolucionário anti-imperialista. Mesmo com suas estreitas ligações com o imperialismo russo, os diversos acordos lesa-pátria assinados com Moscou para venda das riquezas naturais de Burkina a preço de banana, como já abordado pela RRC em texto anterior e agora com sua ligação com os nazistas do século XXI.


Bem diferente era a postura do grande Thomas Sankara, ícone anti-imperialista, revolucionário, conhecido como ‘’Che Africano’’, que liderou Burkina Faso por 3 anos. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU de 1984, além das diversas memórias a Grande Revolução de Outubro, e análises sobre a realidade em seu país, Sankara defendeu a suspensão de Israel da ONU, denunciando seus crimes contra o povo palestino em um momento onde eram muito menos divulgados que hoje. Disse Sankara:


‘’Por fim, falo indignado ao pensar nos palestinos, a quem essa humanidade mais desumana substituiu por outro povo, um povo que só ontem estava sendo martirizado no tempo livre. Penso no bravo povo palestino, nas famílias que foram divididas e divididas e estão perambulando pelo mundo em busca de asilo. Corajosos, determinados, estóicos e incansáveis, os palestinos nos lembram de toda a necessidade e obrigação moral de respeitar os direitos de um povo.’’
''Ainda ontem, os judeus foram consignados aos horrores do crematório, mas Israel despreza a história, infligindo a outras pessoas as torturas que sofreu. Mas a busca pela paz também envolve a aplicação estrita do direito dos países à independência. Neste ponto, o mais patético — de fato, o mais chocante — exemplo é encontrado no Oriente Médio, onde, com arrogância, insolência e incrível teimosia, um pequeno país, Israel, tem por mais de 20 anos, com a cumplicidade indescritível de seu poderoso protetor, os Estados Unidos, continuaram a desafiar a comunidade internacional.''
''Se o argumento usado para justificar essa injustiça foi o custo pago durante a Segunda Guerra Mundial, então aquelas nações que arrogaram esses direitos a si mesmas devem saber que cada um de nós tem um tio ou pai que — como milhares de outras pessoas inocentes recrutadas do terceiro mundo para defender os direitos que haviam sido desrespeitados pelas hordas hitleristas — também sofreu e morreu de balas nazistas. Portanto, que aquelas Potências principais, que não perdem a oportunidade de questionar o direito dos povos, não sejam tão arrogantes. A ausência da África do clube daqueles que têm direito de veto é uma injustiça que deve ser encerrada.''
''Por fim, minha delegação estaria falhando em seu dever se não exigisse a suspensão de Israel e a pura e simples exclusão da África do Sul das Nações Unidas.''

Discurso de Thomas Sankara durante Assembleia Geral da ONU em 1984 na íntegra

É notória a diferença de abordagem, de fato. A aproximação de Traoré e de outras nações africanas a Israel é um crime, e deve ser denunciado. Para além disso, essa situação também é um lembrete de algo que a RRC trouxe em texto anterior e o grande Lênin nos ensina com extrema agudeza: ‘’Em política, não podemos partir do possível, mas sim, do real’’. Isso nos resguarda de cairmos em uma armadilha de que algum messias salvará o mundo todo com a alvorada dos povos no fim do dia. É possível ser anti-imperialista sem necessariamente ser marxista, mas isso demanda de fato uma resistência anti-imperialista, simplesmente preferir um senhor ao invés de outro não significa nada.


Já a revolução precisa de massas, pois são elas que fazem a história, mas precisam também de um partido comunista que as guie e uma ideologia coerente, científica, que seja forjado no fogo da materialidade da luta de classes. Devemos trabalhar para produzir tais condições.

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