O Sul do Líbano resiste às garras do sionismo
- Coletivo Revolução Cultural - São Paulo
- há 17 horas
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Por Jorge Hannah

Que a entidade sionista ocupa ilegalmente o sul do Líbano, não é novidade. “Israel” nunca respeitou uma única resolução da ONU que o obrigasse a retirar suas tropas de território alheio. O que é novidade é a escala da destruição em curso desde março de 2026: mais de 130 cidades e vilarejos formalmente ocupados ou sob ameaça direta, 55 localidades dentro da chamada 'linha amarela' — o novo eufemismo sionista para colonização militar permanente — e ao menos 84 locais sob ordens de deslocamento forçado. Mais de 667 mil pessoas foram deslocadas numa semana, os da entidade sionista já mataram mais de 2.600 libaneses e feriram muitos mais desde o recomeço das hostilidades em março.
A “linha amarela” é a Gaza do Líbano, Benjamin Netanyahu anunciou que “Israel” manterá uma “zona de segurança” de dez quilômetros a partir da fronteira libanesa — terminologia que não engana ninguém familiarizado com o vocabulário colonial. É o mesmo mecanismo usado em Gaza, onde a “zona de amortecimento” tornou-se ferramenta de expulsão permanente de populações inteiras. Avaliações das próprias forças sionistas admitem que cerca de 70% das casas nas aldeias fronteiriças — aproximadamente 10.000 das 15.000 estruturas existentes — foram destruídas, identificadas cinicamente como “infraestrutura do Hezbollah”. Uma investigação da Al-Jazeera com imagens de satélite confirmou a destruição completa de Bint Jbeil: bairros residenciais inteiros obliterados, infraestrutura demolida, a Grande Mesquita que data de mais de 400 anos reduzida a escombros. O New York Times, publicação dificilmente suspeita de simpatia pela resistência, chamou o processo de “modelo de Gaza".
Em 3 de março de 2026, a artilharia israelense disparou munições de fósforo branco sobre residências em Yohmor, no sul do Líbano. A Human Rights Watch por meio de geolocalização, verificou sete imagens mostrando as munições explodindo sobre área residencial, com trabalhadores da defesa civil respondendo a incêndios em casas e veículos. O fósforo branco queima a mais de 800 graus Celsius ao contato com o oxigênio, atravessa pele, músculo e osso, e continua queimando enquanto houver tecido vivo ou oxigênio disponível. Seu uso em zonas habitadas é proibido pelo Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais. Dois meses depois, em fins de maio, novas denúncias documentaram fósforo branco sendo lançado sobre terras agrícolas em Arnun — desta vez durante o cessar-fogo que Israel anunciara aceitar. O acordo começou a ser violado nas primeiras horas de sua vigência.
“Israel” mata jornalistas e mata-os sistematicamente e deliberadamente. Em 22 de abril de 2026, a repórter Amal Khalil, do jornal Al-Akhbar, foi assassinada por um ataque aéreo israelense em Al-Tayri enquanto cobria o morticínio sionista. Ela e a fotojornalista Zeinab Faraj — claramente identificáveis, usando coletes à prova de balas com a inscrição “press” (Imprensa) — buscaram abrigo em uma casa próxima após o primeiro ataque, “Israel” bombardeou a casa em seguida. A Cruz Vermelha libanesa, ao tentar resgatar as jornalistas, foi impedida por granadas de atordoamento e disparos israelenses. As equipes de resgate conseguiram chegar ao local apenas quatro horas depois e levaram mais três horas para encontrar o corpo de Khalil nos escombros. Era a nona jornalista morta no Líbano em 2026. Desde 2023, são 29 profissionais de imprensa assassinados no país pelos sionistas. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas registra que Israel foi responsável por dois terços dos jornalistas mortos no mundo nos últimos dois anos.
A resistência libanesa em sua máxima expressão, o Hezbollah, e as organizações que combatem ao lado do povo do sul, retomou operações em resposta direta ao assassinato do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, e às violações sistemáticas do cessar-fogo de novembro de 2024 por Israel. Ondas de foguetes atingiram Khiam, posições sionistas na fronteira e bases de operações do exército sionista. A legitimidade da resistência deriva de um único princípio, reconhecido pelo direito internacional e pela história dos povos colonizados: o direito inalienável à autodefesa e à resistência contra a ocupação estrangeira.
Os que se escandalizarão com essa afirmação são os mesmos que guardam silêncio diante das 2.600 mortes libanesas, do fósforo branco em Yohmor, dos 29 jornalistas assassinados, de Bint Jbeil varrida do mapa. O escândalo seletivo é a marca registrada do humanitarismo ocidental e sua indignação calibrada conforme a utilidade geopolítica, nunca conforme o sofrimento real. A resistência palestina e a resistência libanesa são expressões concretas da luta dos povos oprimidos contra o colonialismo sionista sustentado pelo imperialismo norte-americano. A entidade sionista sobrevive apenas porque os Estados Unidos a financiam, a armam, a protegem no Conselho de Segurança da ONU com o veto e a cobrem diplomaticamente perante o mundo. Sem os 3,8 bilhões de dólares anuais em ajuda militar norte-americana, sem os F-35 e as bombas de 2 toneladas fabricadas em Ohio e Colorado, sem o veto sistemático a cada resolução de cessar-fogo, Israel seria incapaz de sustentar seu projeto colonial.
O sul do Líbano arde, Bint Jbeil foi apagada do mapa. Amal Khalil foi assassinada nos escombros de uma casa, o fósforo branco queima os campos e os corpos. E o povo libanês — como o povo palestino, como todos os povos que enfrentaram o colonialismo ao longo da história — resiste. A solidariedade da classe trabalhadora internacional com essa resistência é o dever de todo internacionalista, é o dever de toda a humanidade.






