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Rechaçar a agressão norte-americana-sionista ao Irã é uma obrigação de todos os internacionalistas

Massas se mobilizaram aos milhões contra a provocação imperialista
Massas se mobilizaram aos milhões contra a provocação imperialista

O Irã viveu no princípio de janeiro grandes comoções sociais. Devido à inflação e ao desemprego, em grande medida provocados pelas sanções impostas pelos Estados Unidos, mas naturalmente descarregados sobre a população mais pobre pelo caráter atrasado do regime iraniano (que nada tem de socialista), eclodiram protestos de massa em Teerã, logo alastrados por todo o país. Estes protestos chegaram a reunir milhares de pessoas, porque repousam, naturalmente, em descontentamentos existentes no interior daquela sociedade. Negá-lo e tachar todo o movimento social como mero produto de uma conspiração da CIA e do Mossad seria incorrer na defesa da “causa externa” e aderir a uma teoria idealista da história. 


Contudo, logo o governo de Donald Trump, bem como seus lacaios e agentes internos no país persa, buscaram capitalizar as reivindicações populares para seus fins de chantagem e agressão. A fim de provocar um banho de sangue que justificasse perante a opinião pública mundial a intervenção militar das suas tropas, os serviços secretos israelo-norte-americanos puseram em ação suas milícias armadas dentro do Irã, que alvejaram não apenas policiais iranianos, mas também cidadãos que se recusaram a fechar lojas, por exemplo. Não se pode confiar que não tenha partido destes mercenários o assassinato a sangue frio de manifestantes, expediente usado tantas vezes na história, inclusive nos protestos que antecederam o golpe contra Chavez, na Venezuela, em fevereiro de 2002, como bem registrado no documentário “A revolução não será televisionada”.


O próprio Donald Trump, Elon Musk e todos os cabecilhas da reação mundial – os mesmos genocidas que bombardeiam de modo inclemente populações civis nos quatro cantos do mundo e apoiam o genocídio em Gaza – se puseram a  publicar inflamados discursos em defesa da “paz” e dos “direitos humanos”. O neto do xá Reza Pahleva, que vive exilado nos Estados Unidos, disse que estava pronto a assumir o governo e declarou que sua primeira medida seria o estabelecimento de relações “normais” com Israel. 


Diante da clara tentativa de manipular manifestações espontâneas em favor de seus próprios objetivos espúrios, os imperialistas criaram um problema para si mesmos: ao contrário do que diziam os monopólios de comunicação ocidentais, segundo os quais a queda da República Islâmica era iminente, os protestos no interior do país retrocederam, pois as massas populares perceberam o uso das suas reivindicações como justificativa da agressão dos seus maiores inimigos. Embora minoritários, os protestos, na sua segunda etapa, se tornaram mais violentos, chegando ao ponto de incendiar mesquitas, o que por si só já revela a ausência de qualquer direção proletária consequente no seu interior. Ao contrário, era sob a bandeira do antigo regime monarquista que estes protestos, já francamente pró-imperialistas, se agrupavam. De outro lado, milhões de pessoas se mobilizaram contra os atentados e provocações imperialistas, como visto na gigantesca demonstração durante o funeral de agentes públicos assassinados nos protestos, no último dia 15. 


Neste cenário, é preciso ter muito claro que adotar uma atitude “Nem Aiatolá, nem Intervenção” é uma palavra-de-ordem vazia de conteúdo. Não há hoje no Irã nenhuma força revolucionária capaz de disputar a direção de um novo governo que eventualmente saísse dos referidos protestos. Na prática, a queda do regime de Khamenei seria sucedida por um governo pró-Estados Unidos, que mergulharia o país em uma situação semelhante à verificada na Síria sob o HTS. Com uma diferença essencial: por seus próprios interesses de sobrevivência, o regime iraniano, ao contrário de Assad, tem apoiado de modo decidido a luta do povo palestino e demais movimentos de libertação nacional na região, além de adotar uma postura de resistência militar ativa contra os próprios Israel e Estados Unidos –Assad, como sabemos, e esta é uma diferença essencial, fugiu para a Rússia. Portanto, a questão que se coloca é: lutar pela revolução de nova democracia sob um regime islâmico, com contradições importantes com o imperialismo ianque, ou lutar pela revolução de nova democracia sob um regime ainda mais retrógrado, vassalo dos inimigos históricos do povo persa? A resposta a esta questão deve ser inequívoca: os revolucionários devem defender a unidade nacional para rechaçar a agressão imperialista, enquanto reivindicam, no interior do país, o alargamento das liberdades democráticas e dos direitos básicos da população. Naturalmente, que se deve condenar o recurso às execuções de manifestantes, exigindo que se distinga o que são cidadãos que levantaram reivindicações legítimas dos agentes à soldo das potências estrangeiras, merecedores estes últimos de punição exemplar.


Atuar objetivamente ao lado dos monarquistas e de Donald Trump por uma derrubada do regime islâmico neste momento seria entregar pela via política um objetivo estratégico que o imperialismo norte-americano não logrou alcançar por meio das armas. Adotar uma atitude puramente negativa, do tipo “nem-nem”, é uma posição trotskysta que na prática flerta com a capitulação ao imperialismo, assim caracterizada e repudiada pelo Presidente Mao durante o período da guerra antijaponesa1. Como advertia Lênin, “uma palavra-de-ordem ‘negativa’ não ligada a uma solução política definida não ‘agudiza’, antes embota, a consciência, porque tal palavra-de-ordem é uma frase vazia, um grito oco, uma declamação sem conteúdo”2. Esta não seria uma posição marxista, mas uma caricatura de marxismo.


Lançar-se a proclamações sem conteúdo e a gritos ocos; ver apenas o aspecto exterior dos processos sociais, desligados das suas mediações histórico-mundiais e desenvolvimentos práticos, não é manter uma posição de independência, mas, ao contrário, tornar-se um escravo das aparências e condenar-se a si próprio à marginalização política, na deplorável figura de “ingênuo útil”. Nesse momento de ofensiva militar do imperialismo ianque contra os povos oprimidos (buscando com isso criar uma coesão interna na sua base para aplicar seus planos golpistas no seio dos próprios Estados Unidos), ofensiva militar que também tem como contrapartida a proliferação de uma ideologia da decadência, do pessimismo e da capitulação, é intolerável que se tenha qualquer ambiguidade na condenação dos seus planos de arrastar os povos a uma nova guerra mundial, planos que teriam na assunção de um regime vassalo em Teerã uma condição extraordinária para a sua realização. Na verdade, o manejo sagaz do problema da frente única nacional e da luta pela hegemonia proletária no seu seio, é uma das questões mais complexas e mais candentes da revolução socialista em nossa época. Nesse caso, saber contra qual alvo se atira primeiro é a premissa para a elaboração de qualquer tática séria.


Abaixo a agressão imperialista ao Irã!


Fora Estados Unidos da Ásia, África e América Latina!


O governo iraniano é problema do povo iraniano! 


Notas:


1 “Somos partidários da teoria da transformação da revolução e não da teoria trotskysta da ‘revolução permanente’. Pronunciamo-nos por chegar ao socialismo passando por todas as etapas necessárias do desenvolvimento da república democrática. Opomo-nos ao seguidismo, mas também ao aventureirismo e à precipitação. Rechaçar, com o pretexto de que só seja temporária, a participação da burguesia na revolução, e qualificar de capitulação a aliança com os setores antijaponeses da burguesia (em um país semicolonial) é um ponto de vista trotskysta, com o qual não podemos estar de acordo. Atualmente, esta aliança constitui, na realidade, uma ponte que se deve atravessar em nossa marcha para o socialismo”. (Mao Tsetung, “Lutemos por incorporar a milhões de integrantes das massas à frente única nacional antijaponesa”, maio de 1937, Obras escolhidas, Tomo I).


2 V.I. Lênin, “Sobre uma caricatura do marxismo e sobre o ‘economismo imperialista’”, outubro de 1916.

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