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Atualizado: 3 de abr.

Atualizado em 01/04/26


Em ocasião ao dia do martírio de Bhagat Singh, Sukhdev e Rajguru, em 23 de março, tendo em mente sua resistência histórica contra o imperialismo, a FACAM - India (Fórum Contra a Corporativização e Militarização) divulgou a semana anti-imperialista de 23 a 31 de março de 2026. Esse apelo se junta a data mundial para o Fim da Operação Kagaar, definida pelo Comitê Internacional de Apoio a Guerra Popular na Índia (do inglês: ICSPWI) em 2025 como 28 de março de 2026, data a qual Modi prometeu eliminar completamente o Partido Comunista da Índia (Maoista) e falhou.


Aqui no Brasil, dedicamos essa semana a diversas ações de propaganda em defesa da Revolução Indiana, seja intervindo em manifestações e levantando a bandeira internacional pelo fim da operação genocida, seja propagandeando a luta naxalita e adivasi contra o sistema de castas, contra a rapina das terras raras e pela defesa do Novo Poder nas áreas vermelhas. Ou também divulgando a literatura rica em experiências da Guerra Popular e da Revolução de Nova Democracia.


O que aplicamos nestes 2 últimos anos foi a defesa aberta e popular da Revolução na Índia. Defendemos a máxima de que trair a defesa da Revolução Indiana hoje seria tal qual trair a Revolução Russa ou Chinesa em sua época. É por isso que nossos materiais têm chegado a novas gerações de lutadores e reunido solidariedade também de diversos companheiros que desconheciam até então a história da Guerra Popular e do seu Partido de mil batalhas. A Revolução Indiana é possível porque ela acontece há 57 anos ininterruptamente, em uma sociedade extremamente estratificada pelo sistema de castas e de bilhões de pessoas.



Rio de Janeiro


Maracanã



Panfletagem e Agitação no dia 27/03 de 12h às 14h no centro comercial do Rio de Janeiro, a primeira parada foi no Consulado Indiano onde foram distribuídos 500 panfletos com o conteúdo "Naxalbari vencerá! Palestina vencerá!" explicando o que é a Operação Kagaar, seus principais interessados, quem são os advasis, quem são os chamados naxalitas e como funcionam as áreas vermelhas tomadas pelo Partido Comunista da Índia (Maoista). Depois, foi feita uma panfletagem na Cinelândia e Carioca, importantes áreas de comércio e trânsito do centro do Rio de Janeiro.


Consulado Indiano - Centro
Consulado Indiano - Centro



Colaço na Universidade do Estado do Rio de Janeiro durante ato da greve dos professores






Niterói



Colaço na Universidade Federal Fluminense



Colaço na Universidade Federal do Rio de Janeiro




Alagoas


Colaço de fundação do Novo MEPR em Alagoas em função da campanha internacional do ICSPWI. Os cartazes foram colados na Universidade Federal de Alagoas.





Minas Gerais


Em Belo Horizonte, capital do estado, uma faixa de 10 metros foi estendida em um dos principais viadutos da cidade.


"Abaixo a Operação Kagaar no Estado Indiano! Viva o PCI (Maoista) - Novo MEPR - CIAGPI"
"Abaixo a Operação Kagaar no Estado Indiano! Viva o PCI (Maoista) - Novo MEPR - CIAGPI"

No dia 28 de março, dia internacional contra a Operação Kagaar convocada pela reunião do CIAGPI de 2025, o companheiro Gerson Lima, ativista operárop desde o final do regime militar, que também é editor da nossa revista participou da mesa em debate contra a agressão do Eixo do Genocídio contra o Irã e sua resistência. Em BH, na sua intervenção, condenou a "Operação Kagaar" do genocida Modi e conclamou ao apoio ao Povo Adivasi, aos Naxalitas, e à Revolução na Índia, dirigida pelo PCI(maoista).



Também foi feita uma fala pelo editor Gerson Lima durante o evento de homenagem a Arnaldo Cardoso Rocha, assassinado pelo regime militar, de denúncia a Operação Kagaar.


Exibição do documentário "Arnaldo, Combatente Guerrilheiro"
Exibição do documentário "Arnaldo, Combatente Guerrilheiro"

Colaço na Universidade Federal de Minas Gerais



São Paulo


Em São Paulo, participamos da Conferência Masar Badil onde saudamos a Resistência Palestina, Iraniana e Libanesa. Além de se somar a denúncia da prisão de Lucas Passos, nós também intervimos pelo fim da Operação Kagaar.


Leia a intervenção na íntegra:


Traduções e materiais de divulgação


A equipe da nossa revista irá publicar pela primeira vez a tradução em português do documentário "Blazing Trail" ou "Abrindo Caminho" do Movimento Revolucionário Comunista da Índia, iniciado pela histórica revolta de Naxalbari, em maio de 1967, que rompeu as correntes do revisionismo que envolveram o movimento por décadas. O documentário mostra o segundo congresso do Partido Comunista da India (Marxista-Leninista), realizado mais de três décadas depois do primeiro, só em 2001, sob o nome de Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Guerra Popular). Uma história sobre a Nova Democracia na Índia.



O Novo MEPR traduziu um texto da Revista Nazariya "como parte da Semana de Solidariedade a Guerra Popular na Índia, chamada pelo CIAGPI, publicamos a tradução deste riquíssimo artigo da Revista Nazariya, apresentando os Janathana Sarkars (Governos Populares), criados na Índia Central pelo PCI (Maoista). Estes Governos Populares são um embrião da nova sociedade indiana, protótipos do Socialismo na Índia, e estão sendo construídos neste exato momento pelos Adivasi. Estamos falando de uma Revolução em curso, com uma extensa gama de ensinamentos e experiências as quais sequer conhecemos a superfície e, esta tradução faz parte do nosso esforço para difundir a Revolução Indiana no Brasil." A tradução pode ser lida aqui.



Atualizado: 1 de abr.

 

 

 Cartaz do documentário - Arnaldo, Combatente Guerrilheiro
 Cartaz do documentário - Arnaldo, Combatente Guerrilheiro

 

Vídeo (Instagram @ocupememorial) - trechos do documentário - Arnaldo, Combatente Guerrilheiro 


Com grande emoção, foi assistido o documentário "ARNALDO, COMBATENTE GUERRILHEIRO", exibido, no último dia 26 de março, nas dependências do hoje Memorial dos Direitos Humanos Ocupado (prédio onde durante a ditadura militar funcionava os infames "Doi-Codi" (ligado ao Exército) e o "Departamento (estadual) de Ordem Política e Social" (DOPS), antigo centro de torturas e assassinatos, localizado no centro da capital mineira, à avenida Afonso Pena, 2.351.


O filme retrata o período da ditadura militar e foca na vida e luta de um jovem, ARNALDO CARDOSO ROCHA, estudante secundarista do Cefet-MG que, como vários outros jovens, assumiu a resistência armada contra a ditadura fascista. Militando na Ação Libertadora Nacional - ALN, Arnaldo se deslocou para várias regiões do Brasil, lutou por liberdade, justiça e igualdade; desempenhou e comandou diversas ações de combate ao regime antipovo. Aos 23 anos de idade, foi preso, barbaramente torturado e assassinado.


Sua companheira de vida e militância, a carioca Iara Xavier Pereira, é a principal organizadora do filme. Ela começou a militância aos 16 anos, em 1967, na ALN. Foi secundarista no Colégio Pedro II e a voz por trás das transmissões da clandestina "Rádio Libertadora, que divulgava as mensagens de Carlos Marighela, líder da ALN, contra a ditadura militar e o imperialismo norte-americano.


O documentário mostra a saga de Iara por levantar as circunstâncias da morte de Arnaldo e outros dois companheiros da ALN, ocorrida no dia 15 de março de 1973, na capital paulista. Seu corpo autopsiado, anos depois, traz comprovações que Arnaldo foi ferido e depois assassinado sob tortura; traz as marcas de disparos simétricos, em pontos não letais, efetuados com objetivo de causar grande sofrimento, o que demonstra a covardia dos assassinos do regime militar, e disparos fatais no crânio.

 

Cartaz – laudo pericial comprovou tortura com a constatação de disparos simétricos nos ossos
Cartaz – laudo pericial comprovou tortura com a constatação de disparos simétricos nos ossos

 

As atrozes torturas, desaparecimentos e assassinatos de militantes políticos, como o de Arnaldo Cardoso Rocha, perpetradas pelo regime militar fascista e seus mentores, grandes empresários e o imperialismo ianque, seguem pendentes de punição e justiça. Como também todos outros crimes de repressão aos pobres, operários, estudantes, camponeses, etc., arrocho salarial, a entrega do país aos conglomerados estrangeiros, principalmente o Estados Unidos, etc.

 

 

Auditório da exibição do documentário
Auditório da exibição do documentário

 

Coordenando a exibição, além de Iara Xavier, estiveram Gilney Viana, ex-preso político, também roteirista do filme, Ricardo Apgaua, ex-exilado e companheiro de militância, e uma irmã de Arnaldo. Na plateia, outro irmão de Arnaldo, companheiros de militância da ALN e de outras organizações e estudantes do Cefet. Em meio a emocionantes intervenções, o representante da Revista Revolução Cultural, também apresentou homenagem a luta de Arnaldo Cardoso Rocha e todos heroicos combatentes contra a ditadura militar, fez um paralelo dessa resistência com a luta desenvolvida pelo Povo Advasi e os Naxalistas na Índia, o repúdio a genocida Operação "Kagaar" do estado indiano fascista de Narendha Modi, e a perseguição e execuções de militantes do Partido Comunista da Índia (maoísta); apresentou seu respeito e carinho aos familiares e concluiu ressaltando a necessidade de enfrentar as atuais agressões e crimes do imperialismo, e que, Arnaldo vive na luta, que continua!


O ex-preso político, Pedro Teixeira, ressaltou a necessidade da maior divulgação da absurda situação do atual preso político, o jovem brasileiro Lucas Passos Lima, encarcerado há mais de dois anos e 4 meses, no presídio de Guarulhos, em São Paulo. Lucas foi preso pela PF em 07 de novembro de 2023, quando desembarcava no aeroporto de Guarulhos de uma viagem de volta do Líbano, sob as falsas acusações de suposta preparação de atos terroristas no Brasil e vinculação ao Hesbollah, partido político que desenvolve uma decidida resistência contra as agressões criminosas e ocupação colonial da entidade sionista “israel” e Estados Unidos, esses sim, terroristas. A prisão e posterior condenação de Lucas Passos aconteceu devido a uma conspiração do Mossad e FBI e a total submissão da Polícia Federal, judiciário e governo brasileiro aos ditames sionistas/imperialistas. A campanha pela liberdade de Lucas Passos tem de ser abraçada por todo movimento social e desenvolvida com vigor, afirmou Pedro 

 

Dia 1° de abril – “ATO EM REPÚDIO AO GOLPE DE 1964, COMEMORAÇÃO DE 1 ANO DE REABERTURA e        FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DO MEMORIAL OCUPADO”

 

No próximo dia 1º de abril, em Belo Horizonte, o Memorial dos Direitos Humanos Ocupado convida para o grande “ato em repúdio ao Golpe de 1964 e em comemoração ao primeiro ano de ocupação e reabertura do edifício”. No mesmo dia, será também fundada a Associação do Memorial Ocupado.


Ocupado pelos movimentos sociais, no dia 1º de abril de 2025, e reaberto para a população, o prédio já recebeu mais de 8 mil pessoas em visitas mediadas e cerca de 20 mil nas atividades como um todo, informa a coordenação do Memorial. Na página https://www.instagram.com/ocupeomemorial pode ser acessado formulário para inscrição de visitas ao Memorial e também a forma de se solidarizar com a Ocupação com contribuições e/ou a doação de alimentos e itens de higiene e limpeza. A Ocupação é mantida através da escala de revezamento de ativistas. “A luta por memória é coletiva. A solidariedade mantém o Memorial aberto para todos! ”


Os 62 anos do golpe militar-fascista de 1964 e a tentativa frustrada de reedição o golpe em 2022 pelos fascistas Jair Bolsonaro, generais Braga Netto, Augusto Heleno, Mario Fernandes e outros, denominada de “Punhal Verde Amarelo”, mostra que as bestas nazistas continuam atuando e precisam ser definitivamente derrotadas. Escandalosamente, o fascista Bolsonaro, que gozava de todas benesses no Presídio da Papudinha, foi agora premiado com prisão domiciliar enquanto milhares de brasileiros, doentes, gente simples do povo, continuam amargando as terríveis condições carcerárias. É necessário a conquista de uma democracia de verdade no país e não essa falsa democracia do capital financeiro, dos bilionários, dos políticos degenerados e do dólar.

 

 

Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em 1968
Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, em 1968

Foto: Carolina Fioretti
Foto: Carolina Fioretti

Passado um mês em que quase uma centena de pessoas morreram em Minas Gerais [1] devido à deslizamentos de terra e inundações causados por fortes chuvas, pela falta de estrutura urbana adequada e implementação de planos de prevenção, a pauta já não é destaque nos grandes monopólios de mídia. As perdas humanas ocorreram principalmente nos municípios de Juiz de Fora (70 mortes) e Ubá (8 mortes), distantes entre si cerca de 100 km, ambos localizados na mesorregião da Zona da Mata mineira.


Juiz de Fora com cerca de 550 mil habitantes está localizada no vale do Rio Paraibuna e é cercada por morros. De acordo com o Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), entre as 17h de 23/02/2026 e as 5h da manhã do dia seguinte, intervalo de 12 horas, o município recebeu 220 milímetros (mm) de chuva [2]. Juiz de Fora foi uma das 10 cidades brasileiras com mais alertas emitidos sobre riscos de desastres naturais no ano de 2025. O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) já havia alertado autoridades municipal, estadual e federal sobre essa “tragédia” anunciada, como alguns gostam de denominar esses episódios. 

O Cemaden produziu, em 2023, um levantamento para identificar os municípios brasileiros em que a ocorrência de deslizamentos, enxurradas e inundações são mais suscetíveis com o objetivo de orientar ações prioritárias do governo federal no chamado Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), para investimentos em obras de mitigação, prevenção e preparação das cidades. O estudo identificou 1.942 municípios com pessoas vivendo em áreas de risco para problemas ocasionados pela chuva. Um total de 8,9 milhões de pessoas, 6% do povo brasileiro, vivem nessas condições. Juiz de Fora é o município do interior do país com mais pessoas vivendo em situação de risco, 129 mil que corresponde a 23,45% de sua população.

Recursos públicos para a gestão de riscos e desastres naturais


Enquanto se caminha em direção a uma catástrofe ambiental cujas  proporções são inimagináveis, o velho Estado brasileiro representado pelos governos federal e estaduais realiza cortes no orçamento que deveria ser empregado na gestão de riscos e desastres naturais.  A prioridade não é a vida do povo, mas sim conseguir apoio político para se manter no poder, por meio das famigeradas emendas PIX, moeda de troca entre o poder executivo e o congresso nacional de corruptos. 


Em 2025, ano em que a Conferência das Partes (COP 30) organizada pela ONU foi realizada no Brasil, foram cortados R$ 580 milhões para a adaptação climática e prevenção de desastres em relação à Lei Orçamentária Anual (LOA) do ano anterior (em 2024 a dotação foi de R$ 1,9 bilhão). A tática do governo federal é lidar com os desastres naturais com créditos extraordinários. Dessa forma, em 2024 gastou-se R$ 5 bilhões para o atendimento das emergências climáticas. Esse expediente surge como forma de contornar as limitações do Arcabouço Fiscal de Lula/Haddad, fazendo com que as políticas de prevenção a desastres e adaptação climática disputem dinheiro com áreas como saúde e educação. O controle social sobre os créditos extraordinários fica totalmente comprometido, de forma que o uso desses recursos se tornam uma verdadeira caixa preta. É de conhecimento de todos a farra que a casta política faz com o dinheiro do povo toda vez que se decreta estados de emergência ou calamidade pública.


No caso da gerência do estado de Minas Gerais, sob o comando do escroque fascista Romeu Zema, a situação assume contornos de maior vileza: entre 2023 e 2025 os recursos destinados ao programa de combate aos impactos das chuvas caíram de R$ 135 milhões para R$ 5,8 milhões, um corte superior a 95%. A respeito disso, o “gestor” mineiro disse que “as verbas podem ter sido reclassificadas e agrupadas sob outra lógica contábil para facilitar a tomada de decisão e o gerenciamento dos recursos” [3], uma resposta mequetrefe típica de uma escória como Zema. Em visita ao município de Ubá, logo após os eventos do dia 23 de fevereiro, uma moradora enquadrou o almofadinha manifestando a indignação de toda a gente ao dizer que não adiantava chegar ali limpinho para fazer política e de que o povo precisava era de estrutura, como por exemplo, caminhões pipa para limpar a lama [4]. 


As Mudanças Climáticas e os Eventos Extremos: uma questão de classe


A engenharia é o que determina porque os barracos desmoronam nas favelas, mas mansões permanecem incólumes em condomínios de luxo localizados em morros (sempre nomeados como Vila da Serra isso ou aquilo, tal e qual). A questão técnica define a qualidade da moradia. 


Por mais que a ciência já tenha documentado a dinâmica dos eventos extremos, como as chuvas concentradas e severas, os governos da burguesia demonstram toda sua ineficiência política para a resolução dos problemas que afligem as massas trabalhadoras. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, possui vários documentos publicados que apontam que as  mudanças climáticas são, possivelmente, a maior crise existencial já enfrentada pela humanidade. Seus efeitos catastróficos estão sendo sentidos principalmente no chamado sul global, leia-se, os países historicamente espoliados pelo imperialismo. 

As COPs, que deveriam servir à estabilização do clima no planeta, se tornaram um circo onde impera o lobby dos conglomerados empresariais do mundo [5]. O fato é que dentro do capitalismo não há solução para a crise climática. Capitalismo e crise climática são irmãos siameses. Os responsáveis pela alteração do clima no mundo são os bilionários de sempre, donos de bancos, empresas de petróleo, big techs e seus lacaios nas esferas executiva, legislativa e judiciária dos podres poderes dos Estados, bem como seus tentáculos nos monopólios de mídia.


História que se repete todo ano


No Brasil, a cada estação chuvosa acontece algum fenômeno parecido como o de Juiz de Fora, que castigam o nosso povo com a força de um vulcão ou de um terremoto.


Na Bahia, entre o fim de 2021 e o início de 2022, foram registradas 30 mortes e quase 100 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas devido às fortes chuvas que assolaram o estado. Em fevereiro e março de 2022 foi a vez do município de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, viver seu maior desastre natural que vitimou 242 pessoas. No final de maio de 2022, a chuva caiu no estado de Pernambuco, principalmente na região metropolitana do Recife, matando mais de 120 pessoas. Em 19 de fevereiro de 2023, um domingo de Carnaval, foram registrados no litoral norte do estado de São Paulo, 683 mm de chuva em poucas horas. A precipitação extrema aliada ao pesado jogo dos interesses imobiliários onipresentes na região, que inviabiliza o direito à moradia segura e digna para o povo, foram responsáveis pela morte de 65 pessoas em São Sebastião. Em março de 2024, o município de Mimoso do Sul, Espírito Santo, com pouco mais de 26 mil habitantes, foi atingido pela maior enchente de sua história. O volume de chuvas chegou a 600 mm em um intervalo de tempo de 6 horas. O Rio Muqui do Sul subiu 9 metros. O saldo dessa hecatombe: 18 vidas perdidas e uma pessoa que segue desaparecida. No final de abril e início de maio de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou enchentes devastadoras que afetaram 478 das 497 cidades do estado, causando alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Morreram 185 pessoas e 23 continuam desaparecidas.


A questão não é se o lugar em que vivemos será episódio de um evento climático extremo, mas sim quando isso vai se passar. Esse quando é imprevisível, por isso a necessidade do povo se preparar. 


Somente o povo defende o povo


A formação de Comitês Populares de Enfrentamento às Mudanças Climáticas é um caminho para a conscientização, mobilização e organização com vistas a cobrar medidas de prevenção junto às instituições do velho Estado. Essa ação é indissociável da luta por moradia digna para o povo, contra a especulação imobiliária e a canalhice da casta política. 


É preciso transformar a dor e a tristeza em revolta. Rebelar-se contra esse velho mundo é a condição para que mais cedo do que tarde ele seja rachado dando lugar a uma nova sociedade, em que as mães trabalhadoras não chorem por seus filhos que foram soterrados. A mudança está em curso, pois como diz o poeta: 


Nos barracos da cidade

Ninguém mais tem ilusão

No poder da autoridade

De tomar a decisão

E o poder da autoridade

Se pode, não faz questão

Se faz questão, não consegue

Enfrentar o tubarão

O governador promete

Mas o sistema diz não

Os lucros são muito grandes

Mas ninguém quer abrir mão [6].


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



[2] Milímetro de chuva é uma unidade que mede a pluviosidade (volume de chove sobre área). Um milímetro de chuva equivale ao volume de 1 litro (1 L) de água de chuva sobre uma área igual a 1 metro quadrado (1 m2). Logo, 1 litro por metro quadrado = 1 milímetro. No caso da chuva que caiu em Juiz de Fora entre a tarde de 23/02/2025 e 24/02/2026, choveu 220 litros por metro quadrado. Considerando que somente a área urbana de Juiz de Fora é de cerca de 441 km2 é possível concluir que o volume de água sobre Juiz de Fora foi descomunal.




[5] Documentário “A COP dos Lobbies - Como empresas e interesses privados capturam as negociações climáticas na COP 30”, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ma7_ebdhXtQ&t=3s 


[6] GIL, Gilberto; LIMINHA. Nos barracos da cidade. In: Dia Dorim Noite Neon. Rio de Janeiro, 1985.

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