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Manifestantes queimam boneco de Cláudio Castro em frente ao Palácio Guanabara. Foto: Núcleo de São Gonçalo da RRC
Manifestantes queimam boneco de Cláudio Castro em frente ao Palácio Guanabara. Foto: Núcleo de São Gonçalo da RRC

Um grande ato marcou o dia de paralisação do Funcionalismo Estadual fluminense, entre o fim da manhã e o início da tarde de hoje, 18/3.


E "grande" não é exagero. Após 2 anos de atos importantes, mas não tão massivos, os trabalhadores estaduais foram às ruas mostrar sua indignação e manifestar seu repúdio ao governo corrupto de Cláudio Castro, que mantém salários sem reajuste e recomposição há anos, e reduz o sustento desses trabalhadores enquanto bate recordes de roubo do dinheiro público.


Junto às mais de 30 categorias do funcionalismo, com forte presença da educação, à juventude se somou e mostrou sua solidariedade e disposição para a luta. Um boneco representando Cláudio Castro foi queimado em frente ao Palácio Guanabara (sede do executivo estadual), aos gritos de "Greve Geral do serviço público estadual!"




  • 18 de mar.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 19 de mar.

Canudos não se rendeu, de Luiz Zerbini. Exposta atualmente na Pinacoteca de São Paulo
Canudos não se rendeu, de Luiz Zerbini. Exposta atualmente na Pinacoteca de São Paulo

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Vencido palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados”. (Euclides da Cunha, Os Sertões, 1902)


Esta célebre citação de Euclides da Cunha marcou profundamente o imaginário popular sobre a heroicidade dos integrantes da revolta do Arraial de Canudos, na Bahia. Frequentemente apontada pela historiografia burguesa como um movimento de fanatismo “típico de países pobres”, há tempos os comunistas rejeitam tal interpretação, classificando-a como uma das mais importantes revoltas populares brasileiras.


O povoado de Belo Monte, fundado em 1893 por Antônio Conselheiro, ergueu-se como uma cidade com poder próprio até o início dos ataques do Exército nacional, em 1896.


Ainda que represente formas avançadas de organização, seria anacrônico utilizar conceitos como Bases de Apoio ou Guerra Popular para caracterizá-lo — embora a organização do arraial e sua defesa armada integrem a experiência histórica de luta das classes exploradas no Brasil na construção de formas de poder paralelo ao dominante. Ainda assim, permanece a questão: como categorizar tal fenômeno e como assimilá-lo?


Para isso, é necessário retomar o que os próprios comunistas brasileiros disseram sobre Canudos, sobretudo Nelson Werneck Sodré e Rui Facó, com contribuições importantes de Clóvis Moura.


Na sua obra sobre a história da imprensa no Brasil, Nelson Werneck Sodré questiona a forma como a imprensa foi mobilizada para convencer a população de que Canudos se tratava de uma conspiração monarquista, elevando o fervor popular em defesa da República recém-nascida. Ele analisa o episódio como uma crise interna dessa República, que já nascera comprometida com a manutenção do poder dos grandes proprietários de terra:


"Euclides da Cunha acompanha a marcha das operações, com a expedição militar destinada a liquidar Canudos, tido como reduto monarquista. Repórter de talento, como o Kipling que acompanhou a expedição de Roberts contra os boers, no dizer de Agripino Grieco, Euclides envia telegramas com relatórios coloridos, que constituirão livro póstumo e servirão de rascunho para o monumental painel de Os Sertões. Algo de profundo estava por trás da exaltação que transfigurara o arraial do Conselheiro em base monarquista: a desilusão com o poder, de que as oligarquias se haviam apossado, destruindo as esperanças reformistas dos que acreditavam, com Floriano, que era necessário submeter o país a mudanças profundas. Assim como não se viu, sob o severo disfarce do fanatismo religioso, a rebelião camponesa — protesto trágico contra a multisecular servidão com o atraso do campo — não se viu, também, que o novo regime, sob o tênue disfarce republicano, continuava a manter as velhas estruturas, anquilosadas pelo largo período colonial e pelo artificialismo da estagnação monárquica. Mas o povo teve a intuição do perigo, embora lhe avultasse as dimensões e errasse o alvo. Sentiu, na suspeição que levantou contra as próprias autoridades, a federal como a estadual, que estava sendo traído. O latifúndio não tinha necessidade de restauração monárquica; aquele modelo de República servia perfeitamente aos seus interesses c até os disfarçava com a fachada e o formalismo democrático. No fundo, os senhores de terras continuavam a dominar o poder: o café, agora, fazia os presidentes. As inquietações perduravam, por isso, pontilhadas, aqui e ali, de episódios tristes: ao assistir o regresso da tropa que combatera em Canudos"¹ (grifos nossos)


As contradições dessa República, incapaz de resolver o problema da concentração de terras, geraram diversos movimentos camponeses, mais ou menos organizados. No caso específico de Canudos, o historiador Marco Antônio Villa reconstruiu a organização política, econômica e social do arraial.


Antônio Conselheiro era o chefe do povo e dispunha de uma força própria de segurança, a Guarda Católica, comandada por João Abade. Organizou-se também uma escola com a chegada da professora Maria Francisca de Vasconcelos, de 26 anos, formada na Escola Normal de Salvador — a rua onde morava passou a ser conhecida como “rua da professora”.


A moeda republicana não circulava no arraial, tampouco qualquer resquício monárquico:


“(...) o dinheiro não circulava em Canudos, e o existente era mantido em um cofre sob a responsabilidade de Antônio Vilanova que, para intercâmbio interno, emitia um vale. Com o passar dos anos, esse vale era também aceito nas cidades vizinhas, revelando não só a carência do meio circulante como também a importância da economia local para a região circunvizinha. É uma falácia afirmar que em Canudos só circulava dinheiro monárquico e que Antônio Conselheiro não tocava em dinheiro republicano: ele não pegava em dinheiro de nenhuma espécie"²


O fenômeno expandiu-se para cidades vizinhas, que passaram a aceitar os vales emitidos em Canudos, especialmente nas trocas ligadas à produção de carne e couro. Apesar disso, não há registros de formas assembleares de autogoverno; ao contrário, havia uma estrutura fortemente centralizada, vinculada à liderança religiosa de Antônio Conselheiro.


Ainda assim, o relativo desinteresse inicial das autoridades permitiu o crescimento do arraial como um poder paralelo. Com o tempo, porém, esse crescimento passou a ser visto como ameaça. Não pelo suposto fanatismo, mas pelo risco de expor as contradições da ordem republicana recém-estabelecida.


Nesse ponto, Clóvis Moura critica a ideia de que apenas movimentos com programas formais podem ser considerados políticos. Para ele, Canudos foi excluído da história justamente por não se encaixar nos modelos europeus. Moura sustenta que todo movimento que busca transformação social é, necessariamente, político — ainda que seus participantes não formulem essa consciência teoricamente. Como afirma Karl Marx:


“(...) não haverá jamais movimento político que não seja social ao mesmo tempo. Não será senão numa ordem de coisas na qual não haja mais classes e antagonismo de classes, que as evoluções sociais deixarão de ser revoluções políticas”³


Ou seja, os chamados “fanáticos” de Canudos desafiaram o poder estabelecido — neste caso, o Estado republicano militar, que preservava os interesses dos grandes latifundiários. Como destaca Rui Facó:


"Ante o fenômeno Canudos, os senhores das classes dominantes e seus porta-vozes recusavam-se a acreditar na realidade: milhares de párias do campo armados em defesa da própria sobrevivência, em luta, ainda que espontânea, não consciente, contra a monstruosa e secular opressão latifundiária e semifeudal, violando abertamente o mais sagrado da todos os privilégios secularmente estabelecidos desde os começos da colonização européia no Brasil — o monopólio da terra nas mãos de uma minoria a explorar a imensa maioria. Era este o mais nefando dos crimes contra a ordem dominante..."⁴


Crime que, como demonstra a história, não foi perdoado. O Exército empreendeu quatro expedições militares entre 1896 e 1897 contra cerca de 25 mil habitantes de Belo Monte. A primeira foi derrotada, desmoralizando as tropas e espalhando a fama da resistência sertaneja. Ainda assim, novas expedições foram organizadas, totalizando milhares de soldados e o uso de artilharia pesada contra a população.


A cena final do arraial, descrita por Euclides da Cunha, eternizou na mente a coragem do povo sertanejo, camponês, baiano e brasileiro!


Canudos nunca se rendeu!


Notas:


1 - SODRÉ, Nelson Werneck, História da Imprensa no Brasil, pág 265. Acessado em 14/03 - https://www.marxists.org/portugues/sodre/1966/mes/or404270.pdf


2- VILLA, Marco Antônio. Canudos — o campo em chamas, Ed. Brasiliense, SP, 1992,32.


3- MARX, K. Miséria da Filosofia, Ed. Rama, SP, 1946, pags. 156/57.


4- FACÓ, Rui, Cangaceiros e Fanáticos, pág 82 Fonte: marxismo 21 https://share.google/yUFVBHuwhXyyIZ6sf


Foto: Jornal El Ciudadano
Foto: Jornal El Ciudadano

Protestos se espalharam por Santiago, Valparaíso, Concepción, Temuco e outras regiões do Chile no dia da posse do novo gerenciamento do país, dia 11 de março. O início de governo do fascista José Antonio Kast - esse filho de integrante do partido nazista alemão e admirador de Pinochet - foi marcada por protestos nas ruas, policiamento ostensivo, brutal repressão, prisões e resistência. Em Valparaíso, nas imediações do Congresso Nacional, onde ocorria a cerimônia de troca de mando, foi queimado um grande boneco de Trump, no meio da rua, sob grito de consignas contra o imperialismo dos Estados Unidos, o repúdio aos laços de Kast com o governo Trump e "israel" sionista.


A transição entre o oportunista Gabriel Boric e o fascista Kast, entretanto, não é uma ruptura, mas uma continuidade estratégica. O discurso de segurança e contrainsurgência que estruturou a reta final do governo de Boric continua sendo o eixo dominante do regime político chileno. Para além das diferenças retóricas entre as administrações Boric e Kast, a política de orientação estratégica da burguesia chilena e sua subordinação histórica ao imperialismo estadunidense é a mesma. Se o governo de Boric expressou esse alinhamento na linha liberal do Partido Democrata dos Estados Unidos, a ascensão de Kast representa a mesma política formulada agora na linguagem do trumpismo. Trata-se, em ambos os casos, de variantes de uma mesma estrutura de subordinação que articula a economia chilena com os interesses do capital transnacional.


Kast demonstra sua similaridade com Trump, Javier Milei e outros governos reacionários, ao já ordenar a construção de "barreiras físicas" para "deter imigrantes" na fronteira com a Bolívia e assinar declaração conjunta com os EUA que implicaria a cessão de recursos estratégicos do Chile, como as terras raras, aos ianques. Ele pretende indultar carabineiros e militares presos por crimes hediondos, assassinatos e torturas e quanto à ocupação e repressão no Wallmapu (território ancestral Mapuche), sua política será continuar e intensificar a aplicação da doutrina de ordem pública de estilo fascista, colonialista e racista, também executada pelo governo Boric. 


Mais de 140 lideranças mapuches atualmente cumprem penas nas prisões do Chile, entre elas, Héctor Llaitul Carrillanca, preso desde agosto de 2022, condenado a 23 anos de prisão por cinco crimes de opinião previstos na Lei de Segurança do Estado, em ação movida pelo governo oportunista e repressor de Gabriel Boric. Desde a Penitenciária de Concepción (província de Biobío), Héctor Llaitul, liderança e porta-voz da organização Mapuche, Coordenadora Arauco Malleco (CAM), denuncia a repressão do Estado autoritário, militarização de Wallmapu, contra a qual as comunidades resistem com dignidade: "O estado de emergência, as leis draconianas, os procuradores racistas, a demonização dos Mapuches e seus guerreiros, os drones, os tanques, os veículos blindados e o número exorbitante de militares e policiais apontam para um cenário de guerra contra a causa Mapuche." 1   Para Llaitul, "a Nação Mapuche resiste atualmente a mais uma invasão, desta vez da forma mais selvagem e devastadora do capitalismo. Estamos, portanto, enfrentando as ofensivas neofascistas da extrema-direita chilena, com ideologias coloniais e racistas que se assemelham ao sionismo criminoso contemporâneo." 2


Wallmapu, o território ancestral mapuche que abrange partes das antigas fronteiras coloniais do sul do Chile e da Argentina, encontra-se atualmente sob militarização devido aos interesses do imperialismo estadunidense e seus lacaios internos, incluindo o sionismo israelense, em impor a lógica da acumulação capitalista. A militarização de territórios disputados é o principal modelo adotado pelo Estado chileno para manter a opressão da Nação Mapuche, que nas últimas décadas retomou sua luta política e territorial pela reconstrução nacional. Através da militarização e da criminalização da causa mapuche, o Estado chileno opta por manter os lucros de grandes empresas extrativistas em território ancestral. O Estado chileno protege, assim, grandes empresas florestais e projetos energéticos. "Independentemente do governo no poder, seja de direita, centro ou pseudoesquerda, uma maior repressão e intolerância foram impostas à causa Mapuche, reafirmando a verdadeira natureza do Estado chileno: capitalista e colonial", destacava Llaitul. 3


"Contra o avanço da extrema-direita e o saqueio do Wallmapu, haverá luta"


Destacamos trechos da entrevista, obtida a um mês e pouco da posse do novo governo, por Notícias Werkén 4, com o porta-voz histórico da Coordenadora Arauco-Malleco (CAM), Héctor Llaitul:


(...)


3 – Com a chegada do governo de José Antonio Kast, como a CAM observa o cenário político que se abre para as comunidades em resistência e a relação com o Estado chileno?


“Do ponto de vista da CAM, é evidente que uma ofensiva neofascista está a caminho, como já mencionamos em outras ocasiões, sobretudo considerando as condições sociopolíticas já existentes, proporcionadas pelo atual governo, que pavimentou o caminho para essa ofensiva das forças de extrema-direita no Chile.


Além disso, é preciso considerar que os empresários, muitos dos quais descendentes das potências coloniais que usurparam territórios ancestrais e se enriqueceram à custa do sofrimento do nosso povo, também criaram as condições sociais e culturais baseadas numa economia de livre mercado profundamente capitalista, que atualmente não conhece limites quando se trata da pilhagem e devastação das nossas terras ancestrais. Essas condições permitiram a criação de espaços que salvaguardam os interesses do grande capital, fomentando assim uma industrialização e um extrativismo ferozes e cruéis que continuam com a depredação da natureza (desertificação, incêndios, secas).


No entanto, não se pode omitir que, neste contexto, o "progressismo" se mostrou funcional e cúmplice do sistema de dominação, pois faz já algum tempo seus líderes perderam a conexão com os princípios comunistas e/ou humanistas que dizem pregoar, e somente tem se dedicado a administrar quotas de poder para se enriquecerem e ser parte das corporações políticas subordinadas aos grandes capitalistas.


Hoje haveria que formular a seguinte pergunta: por que a direita contou com o concurso do "progressismo" e a esquerda rasteira para cimentar um governo de extrema-direita?


O certo e sem lugar a dúvidas, a alternância de poder entre o "progressismo" e a direita não é a solução para estabelecer a justiça social, nem menos para dar resposta às demandas da Causa Mapuche por território e autonomia, já que ambas são duas faces da mesma moeda.


Portanto, a extrema-direita, que assumirá o mando do Estado em março, apenas continuará a desenvolver e gerir o que já foi implementado, não só nos aspetos estruturais, mas também nos supraestruturais e ideológicos.


Em áreas muito específicas relacionadas à criminalização: no âmbito penal, no punitivo, na perseguição política, no discurso oficial que demoniza a causa Mapuche, o que acaba por levar à aplicação de políticas de segurança – discurso oficial – que chocam de frente com as históricas demandas de território e autonomia para o nosso povo.


Haverá luta, porque a extrema-direita chilena carrega consigo o DNA do saqueio histórico ao Wallmapu.”


4 – Considera a CAM que este novo governo irá aprofundar a linha repressiva de administrações anteriores ou vê diferenças substanciais na forma de lidar com o conflito territorial?


“Em nossa opinião, como já mencionamos, o novo governo de extrema-direita será a continuidade, não apenas por razões de diretrizes históricas do Estado chileno, que são coloniais e racistas, mas também pela adoção de políticas que têm confrontado a causa Mapuche nos últimos tempos, reinstalando à sangue e fogo o modelo neoliberal e a industrialização de territórios ancestrais, sobretudo no relacionado a atividade criminosa das empresas florestais.


Portanto, não se vislumbra uma mudança radical nas ações do governo entrante. O que deve agora ser denunciado abertamente e esclarecido é que o governo Boric, mais além de administrar muito bem um programa neoliberal, passará para a história como o governo que modernizou o aparato repressivo do Estado para a perseguição das lutas sociais em geral, e a do Povo Nação Mapuche em específico, uma consequência do restabelecimento da doutrina de Segurança Nacional.


Devemos observar que Boric jurou lealdade ao sistema capitalista transnacional dependente do imperialismo norte-americano. O que se vê refletido em ações concretas como a militarização ininterrupta de Wallmapu, novas legislações repressivas (Lei Anti-Tomadas de Terras, a Lei Nain Retamal, etc.), a alocação de recursos materiais e humanos para sitiar comunidades, ademais da modificação e/ou promulgação de outras regulamentações que, obviamente, contrariam o respeito aos direitos humanos — como o devido processo para a perseguição ao movimento autonomista, as montagens e operações de inteligência, bem como a impunidade concedida a agentes do Estado e o tratamento cruel e racista de mais de 100 presos políticos mapuches.


Uma cifra que não se havia visto antes em nenhum governo anterior, e onde as condenações são extensas e injustificadas, principalmente a jovens mapuches. Estas cifras alarmantes estabelecem um padrão elevado para a repressão que nosso povo tem sofrido nos últimos quatro anos, um padrão que devemos observar atentamente em relação ao que pode acontecer sob o novo governo da ultradireita, por se esta essa situação se agrave, já que agudizará as contradições com o Estado e nossa luta de libertação.


Em síntese, para nós, o governo Boric foi o pior de todos, pois não somente se dedicou a aperfeiçoar o modelo econômico brutalmente instaurado pela ditadura de Pinochet, senão porque se dedicou também ao aperfeiçoamento do aparato repressivo do Estado em seu conjunto, estabelecendo uma verdadeira institucionalidade opressora que somente servirá aos nossos inimigos históricos e que fica refletida na continuidade da perseguição e repressão ao Povo Nação Mapuche, que está em Movimento e Resistência.”


(...)


6 – Neste contexto de condenações, mudanças de governo e novas nomeações, que consequências concretas prevê a CAM para as comunidades e para o desenvolvimento do conflito a curto e médio prazo?


“No contexto atual do conflito, existe um novo ordenamento desde o poder de dominação que se traduz em uma perseguição política mais direcionada, e que em seu momento foi dirigida contra a CAM (Coordenadora Arauco-Malleco) e seus porta-vozes, contra seus dirigentes históricos. Também a repressão se estendeu a outras organizações de resistência territorial, visando seus mais destacados weichafe (guerreiros mapuches). Ao que se soma, de forma clara o estabelecimento da militarização do Wallmapu (território mapuche), sitiando comunidades em resistência, buscando assim ampliar o escopo da repressão indiscriminada contra todas as expressões de resistência do nosso povo em suas reivindicações territoriais, principalmente em direção as comunidades que tem processos legítimos de recuperação de terras. Em última análise, o que está emergindo é uma estratégia político-militar para tentar interromper o Controle Territorial sustentado pelas comunidades.


Não cabe dúvida que se gerará uma ofensiva fascista, militarista, contra as comunidades mobilizadas, portanto, resulta necessário realizar um trawun-nutram (encontro) por parte de nossa gente, dos lof (comunidade) dos territórios, para afrontar esse novo embate, onde se possam analisar as possíveis vias que se devem adotar dependendo da capacidade organizativa e as propostas que surgirem da gente, por certo com uma posição mais concreta e valente.


No entanto, esta é uma tarefa que exige convicção e muito newen (força), tendo em conta que as políticas de segurança e repressão já estão claras, visto que, sob o governo de Boric, têm sido muito cruas contra as comunidades e os referentes em luta, portanto propomos que as comunidades devem estar organizadas e preparadas para defender tudo o que foi conquistado em questões territoriais e políticas, porque as expressões de resistência estamos prontos para continuar no caminho da libertação.


Temos clareza, ademais, de que hoje assistimos a uma nova invasão de Wallmapu, se trata de uma ocupação moderna de nosso território ancestral pelo capital transnacional e por um Estado mais fascista, é por isso que as organizações a vanguarda abriremos espaços de reflexão e discussão interna para manter uma disposição permanente de luta pela reivindicação territorial e política, pois ninguém nos sacará da convicção de que a Causa Mapuche é absolutamente legítima, e não baixaremos os braços. A recuperação das terras é o eixo estratégico para a reconstrução de nossa nação originária.


A Nação Mapuche é reconhecida em todo o mundo como um Povo Guerreiro, em permanente resistência, e do qual os chilenos também deveriam sentir-se orgulhosos. Será um tempo de unir forças! 


Weuwaiñ! (Venceremos!)   

H. LL"




Notas:







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