top of page

Todas as publicações


Foto: Elineuda Meira
Foto: Elineuda Meira

O fim da escala seis por um tem sido assunto em diferentes veículos de mídia, e ganhando apoio massivo da população brasileira. Com a exploração cada vez mais maior da força de trabalho dos trabalhadores brasileiros, principalmente pelo avanço da chamada uberização e desmonte das legislações trabalhistas, não é de se estranhar que a pauta fosse aderida praticamente pela totalidade da população. Em O Capital, Marx diz que há um limite físico para a jornada de trabalho¹. Marx argumenta que o corpo humano possui uma barreira biológica intransponível. O trabalhador precisa de tempo para recuperar a capacidade de trabalhar — sono, alimentação e higiene —. Mais que isso, existe também um limite moral para se considerar no tempo da jornada de trabalho, pois o homem não é uma máquina de produzir valor. É preciso haver tempo para convivência familiar e comunitária, cuidado com a saúde, educação e desenvolvimento intelectual, participação da vida política, desenvolvimento de hobbies pessoais. Mas no momento em que o capitalismo torna-se inviável e se expressa em forma de inúmeras crises que demonstram a impossibilidade de sua valorização contínua, é o trabalhador quem sofre as maiores consequências, quando o grau de exploração nega até suas necessidades mais elementares.  


Segundo a PNAD Contínua realizada em 2025, o setor que mais emprega no Brasil é o de comércio, e o comércio varejista representa 72,7% das contratações, concentrando mais de 7,7 milhões de trabalhadores formais. Os hipermercados e supermercados representam o maior empregador individual do varejo, devido à necessidade de grandes equipes operacionais — caixas, repositores, logística —, seguidos da área de vestuário, artigos farmacêuticos e cosméticos. E nesse setor encontram-se os níveis mais altos de exploração, com salários baixíssimos, muito inferiores ao nível de produtividade dos trabalhadores. Além disso, as principais queixas de quem é do ramo são: saúde mental e esgotamento,  jornada exaustiva em tempo e intensidade de trabalho e alta rotatividade. É muito comum ver esses trabalhadores dizendo que sentem que "vivem para o comércio", sem tempo para lazer, família ou estudos. A cobrança agressiva por vendas, metas e o monitoramento rígido de pausas e produtividade também são apontados como a causa do estresse crônico e a deterioração da saúde mental dessas pessoas. O exemplo clássico é o das caixas de supermercado que encontram dificuldades até mesmo de serem rendidas para ir ao banheiro, para atender a uma urgência de natureza biológica.  


Atualmente no Brasil o limite legal de tempo de trabalho é de 44 horas semanais. Uma das propostas legislativas mais discutidas é a PEC das 36 horas, ou seja, da redução de 44 para 36 horas semanais de trabalho. A lei pretende alterar o Artigo 7º da Constituição Federal, fazendo com que a redução para 36 horas semanais torne inviável a escala 6x1, forçando os empregadores a adotar modelos como os da escala 5x2  — trabalhar cinco dias e folga dois —, e ainda determina a manutenção salarial, ou seja, fica proibido a redução de salários em consequência da redução de horas trabalhadas. Entretanto, na esfera institucional da luta de classes, o ministro do trabalho Luiz Marinho defendeu, ao lado dos empresários contratantes, os textos que elaboram um regime de transição para inicialmente 40 horas semanais e, a cada ano, durante quatro anos, a redução de uma hora de trabalho até chegar na proposta de 36 horas semanais.  Segundo o empresariado, o impacto da suposta transição brusca para 36 horas poderia resultar em pressão de custos e causar um malefício sistêmico dentro da economia. 


Além da escala de 44 horas semanais, ainda existe a faixa horária perdida nos constantes engarrafamentos, dentro do transporte público, a fim de chegar ao local de trabalho, segundo informações disponibilizadas no CENSO 2022, 1,3 milhão de brasileiros leva mais de duas horas no seu deslocamento, podendo chegar em 14 horas semanais perdidas no trânsito, 30 dias em um ano, outro ponto levantado é do trabalho invisível e não remunerado feito em casa, o único dia de descanso é dedicado para atividades de limpeza e alimentação. 


O argumento se desenvolve da seguinte forma: para manter o mesmo ritmo de funcionamento, as empresas precisarão contratar mais trabalhadores para cobrir as folgas adicionais, o que faria aumentar o custo unitário do trabalho e os encargos sociais sem um aumento correspondente na produtividade. Como o planejamento de custos dessas empresas não seriam flexíveis a curto prazo, haveria a necessidade de um tempo para que pudessem incorporar os custos adicionais de contratação sem que houvesse dano a empresa. Mas esse é claramente um argumento da burguesia, pois é sabido que na economia, nada opera de maneira isolada e sim sistêmica, incluindo diversos fatores. Um contra argumento é de que um aumento da contratação de trabalhadores para cobrir o efeito da mudança de escala pagaria mais salários, faria circular mais renda na economia e consequentemente aumentaria o consumo e a demanda desses próprios empresários, gerando um efeito de bem estar social global. Com mais tempo livre os trabalhadores poderiam se dedicar ao lazer, e consequentemente, consumiriam mais. E claro que nenhuma dessas medidas se sustenta de maneira isolada, dependem de um conjunto de políticas que as sustentem, mas servem de exemplo para demonstrar o viés em prol da classe dominante.  


Por fim, a redução da jornada de trabalho não pode estar atrelada a efeitos econômicos como seu principal determinante, mas pela luta por vida com construção de sentido, que considere as múltiplas dimensões humanas como criar, amar, ter direito ao descanso, ao ócio, se dedicar à espiritualidade. Em países onde a redução tem sido implementada, os efeitos positivos na saúde dos trabalhadores são visíveis. Na  Islândia, onde a jornada foi reduzida de 40 para 35 horas semanais, a produtividade se manteve estável ou aumentou. O bem-estar dos funcionários disparou, com redução drástica de burnout e estresse. Hoje, cerca de 86% da força de trabalho islandesa tem direito a jornadas reduzidas. Na experiência do Reino Unido, um estudo que definiu uma semana de “quatro dias”, notou como resultado uma queda de 65% nos dias de licença médica e a receita das empresas cresceu, em média, 1,4% durante o período. O Japão, exemplo histórico da cultura do trabalho excessivo e das consequências psicológicas disso, resolveu fazer um experimento pontual de uma semana com quatro dias trabalhados e relatou um aumento de 40% na produtividade. No entanto, a adesão cultural ainda é lenta. muitos funcionários sentem culpa por trabalhar menos que os colegas ou temem a desaprovação da chefia. 


Desejando que tenha ficado claro com o texto a caracterização dos lados, e que toda luta de classes é uma luta política, pode se concluir que a luta pela redução da jornada não é apenas por descanso, mas uma luta pelo controle do tempo de vida e contra a essência da exploração capitalista, apropriação de trabalho não pago. Em O capital, ao falar da  Lei das dez horas — ten hours act —², aprovada em 1847 na Inglaterra, que limitou o trabalho de mulheres e jovens entre treze e dezoito anos a 10 horas por dia em fábricas têxteis, Marx identificou uma das maiores vitórias da da classe trabalhadora sobre a burguesia no período. A luta pelo reconhecimento dos interesses operários  — a jornada de 10 horas — foi um passo crucial para a organização do proletariado, e uma oportunidade de utilizar os conflitos e divisões internas da burguesia e tensiona-los ainda mais, visando a conquista mais ampla da emancipação. As vitórias não são efêmeras quando conseguem organizar a classe trabalhadora, e fica clara a potência de organização no sentido comum que a pauta sobre o fim da escala 6x1 produz na sociedade brasileira! 

 

Notas: 

1 -  "Por outro lado, o limite máximo da jornada de trabalho é determinado de modo duplo. Primeiro, pelo limite físico da força de trabalho. Um homem só pode despender, durante o dia natural de 24 horas, uma determinada quantidade de força vital. (...) Durante uma parte do dia, a força tem de descansar, dormir; durante outra parte do dia, o homem tem de satisfazer outras necessidades físicas, de se alimentar, de se limpar, de se vestir etc."  - Marx, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 306. 


2 - "De tempos em tempos os operários triunfam, mas é um triunfo efêmero. O verdadeiro resultado de suas lutas não é o êxito imediato, mas a união cada vez mais ampla dos operários. [...] Essa organização dos proletários em classe e, desse modo, em partido político, é rompida a cada momento pela concorrência entre os próprios operários. Mas renasce sempre, mais forte, mais sólida, mais poderosa. Ela obriga o reconhecimento de interesses particulares dos operários em forma de lei, aproveitando-se das divisões internas da burguesia. É assim que surge a lei da jornada de dez horas na Inglaterra." - Marx, Karl; Engels, Friedrich. Manifesto Comunista. São Paulo: Boitempo, 1998, p. 

48. 


Referências: 


Marx, Karl. O Capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 306. 


MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Tradução de Álvaro Pina. 1. ed. rev. São Paulo: Boitempo, 1998. (Coleção Marx-Engels). 

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Tabela 5434: Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por grupos de atividade e posição na ocupação no trabalho principal (PNAD Contínua). Rio de Janeiro: SIDRA, 2026. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/5434. Acesso: 3 fevereiro. 2026. 

 

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2022: Como a população se desloca para estudar e trabalhar?. 

https://educa.ibge.gov.br/jovens/materias-especiais/23064-censo-2022-como-a-popu lacao-se-desloca-para-estudar-e-trabalhar.html#subtitulo-2 

Atualizado: 4 de fev.

Foto: acervo revolução cultural
Foto: acervo revolução cultural

A recente divulgação de novos arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein revela a faceta mais cruel e monstruosa do capitalismo imperialista e de sua classe dominante: trata-se de uma radiografia brutal do funcionamento interno dos membros desta classe, onde crimes hediondos, tráfico sexual e pedofilia são expressões orgânicas de um sistema fundado na exploração absoluta.


Os documentos, revelados após anos de sigilo judicial, expõem com maior nitidez aquilo que já era sabido e sistematicamente abafado, que Epstein não operava sozinho, tampouco à margem do poder. Ele era um operador político-financeiro, um mediador entre banqueiros, magnatas, chefes de Estado, membros da realeza, altos funcionários do imperialismo e serviços de inteligência.


Elon Musk

Nos arquivos judiciais o nome de Elon Musk aparece repetidamente em comunicações e registros que sugerem uma relação social mais próxima do que ele admitiu publicamente. E-mails datados de 2012 a 2014 mostram Musk trocando mensagens com Epstein sobre possíveis planos de visitar sua ilha privada no Caribe, incluindo perguntas sobre quando seriam as “festas mais animadas” no local e logística de datas festivas. Embora os registros também indiquem que a viagem não chegou a ocorrer, o simples fato de constarem nas páginas oficiais contradiz diretamente as repetidas negações públicas de Musk de que tenha participado de festas ou visitado a propriedade de Epstein.


Esses mesmos arquivos incluem referências a almoços e outros encontros planejados entre Epstein e Musk, bem como ao fato de que o seu nome foi listado em calendários e agendas do financista, registros que colocam sua figura no meio do circuito de elites que se moviam na órbita de Epstein, mesmo depois de sua primeira condenação por tráfico sexual em 2008.


Musk tem negado veementemente qualquer envolvimento, afirma que nunca esteve no avião conhecido como “Lolita Express”, na ilha ou em qualquer evento de abuso, e se apresenta como um crítico do encobrimento e defensor da divulgação total dos arquivos, bem como de punição aos verdadeiros criminosos envolvidos com Epstein. No entanto, o conteúdo dos documentos, que incluíram mais de 3,5 milhões de páginas de e-mails, agendas e registros, lança luz sobre uma interação entre Musk e Epstein que vai além de encontros casuais, indicando contato frequente e trocas de mensagens que agora são vistas como parte de um padrão mais amplo de vínculo social entre o financista e figuras poderosas do imperialismo.


Bill Gates


Outra figura que aparece repetidamente nos arquivos é o bilionário Bill Gates. Gates aparece não como um contato lateral, mas como alguém inserido numa relação prolongada com um predador sexual já condenado, relação essa que, segundo os próprios documentos atribuídos a Epstein, evolui para um regime explícito de chantagem. Rascunhos de e-mails e anotações internas de Epstein, datados de 2013, descrevem Gates como tendo mantido encontros íntimos mediados por Epstein e registram a posse, por parte do financista, de informações comprometedoras sobre a vida sexual do cofundador da Microsoft, incluindo alegações sobre doenças sexualmente transmissíveis e tentativas de ocultação desses fatos dentro de seu casamento.


Gates manteve encontros reiterados com Epstein mesmo após sua condenação por tráfico sexual em 2008, inserindo-se conscientemente em um circuito de abuso, segredo e chantagem típico das classes dominantes. O que os arquivos revelam é que Epstein se apresentava como alguém que detinha material suficiente para pressionar um dos homens mais poderosos do planeta, transformando a relação em um vínculo assimétrico de poder e vulnerabilidade.


Donald Trump


O nome de Donald Trump é outro que aparece repetidas vezes nos arquivos, inclusive em spreadsheets e listas internas do FBI em que agentes foram instruídos a “marcar” qualquer menção ao nome de Trump enquanto faziam uma revisão exaustiva dos arquivos relacionados a Epstein, segundo declaração parlamentar e relatos de pessoas envolvidas na verificação dos documentos. Esse sistema de marcação indica que Trump não é apenas um nome esporádico, mas uma figura central nos escândalos ligados ao financista.


Os arquivos incluem muitas “tips” e relatos enviados ao FBI por cidadãos ou fontes anônimas ao longo dos anos que mencionam Trump em contextos ligados a abuso sexual, tráfico de menores e eventos com Epstein e sua esposa, Ghislaine Maxwell, incluindo relatos de festas em que ele, Epstein e outras figuras poderosas estariam presentes. Em pelo menos um desses registros, um tip datado de outubro de 2020, a alegação é extremamente grave: um informante relatou ao FBI, com base em conversa com um motorista de limousine, que Trump teria feito comentários enquanto estava no telefone sobre “abusar de alguma garota”, e outra linha no documento descreve uma acusação de que “Donald J. Trump a estuprou junto com Jeffrey Epstein”.


Além dessas tips, há também menções documentais a Trump em registros de viagem e interações sociais com Epstein em décadas passadas. As versões publicamente disponíveis dos arquivos indicam que ele voou no jato particular de Epstein em pelo menos uma ocasião nos anos 1990, conforme registros de voo citados nos documentos, e que ambos frequentavam círculos sociais similares em Palm Beach e Nova York antes de Epstein se tornar um réu conhecido por tráfico sexual.


Ainda assim, o volume de menções, em milhares de páginas e múltiplos tipos de documentos, revela que o nome de Trump está intrinsecamente presente no material produzido por anos de investigação sobre Epstein e sua rede de contatos. O fato de agentes do FBI terem tido que flagrar propositadamente menções ao nome de Trump enquanto revisavam o material mostra que ele não é uma figura isolada ou casual nos arquivos, mas um referente recorrente, o que por si só alimenta intensa especulação política e mídia em torno de sua relação com Epstein e da possível razão pela qual certos documentos ainda não foram totalmente liberados ou explicados.


Bill Clinton


Nos milhões de páginas de arquivos, Bill Clinton aparece repetidamente em fotografias, registros de viagem e documentos que conectam o ex-presidente à rede de Epstein antes da exposição pública dos crimes do financista. Em várias imagens liberadas pelo Departamento de Justiça, Clinton é visto em momentos de proximidade com Epstein e com outras figuras associadas à rede do predador, incluindo fotos em um avião particular e em ambiente de piscina e banheira de hidromassagem ao lado de pessoas cuja identidade foi ocultada nos registros públicos. Essas imagens lançam luz sobre o grau de interação social entre Clinton e um homem posteriormente condenado por tráfico sexual de menores. Além das fotos, os arquivos incluem registros documentais que confirmam que Clinton viajou a bordo do jato particular de Epstein em múltiplas ocasiões na década de 1990 e início dos anos 2000, inclusive em viagens de missão humanitária à África com membros de sua comitiva. Esses documentos também mostram Clinton em companhia de associados de Epstein, como Ghislaine Maxwell, em contextos sociais descritivos, reforçando que sua relação com Epstein era duradoura e pessoal, e não apenas casual ou de passagem.


Os arquivos deixam claro que a presença de Clinton na órbita de Epstein não se limitava a uma simples legenda em foto, ao contrário de outros figuras públicas cujas aparições nos documentos são esparsas, o ex-presidente tem múltiplas referências e imagens que, no conjunto, desconstroem narrativas oficiais simplistas de distanciamento imediato após as primeiras acusações contra Epstein. Os arquivos confirmam que ele esteve repetidamente inserido no círculo íntimo de Epstein, viajou com ele, participou de eventos sociais e foi fotografado em contextos que a própria justiça burguesa agora considera relevantes o bastante para divulgação pública.


Israel


Embora os vínculos de Epstein com presidentes dos EUA, bilionários e membros da realeza sejam documentados há anos, o novo conjunto de documentos coloca ênfase renovada em suas relações excepcionalmente próximas com a elite política, de inteligência e diplomática de Israel, sobretudo com o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak.


De acordo com documentos citados pela Agência Anadolu e pela CNN, Barak e sua esposa, Nili Priel, hospedaram-se diversas vezes no apartamento de Epstein em Nova York entre 2013 e 2017. Correspondências por e-mail divulgadas pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram coordenação logística rotineira envolvendo a assistente de Epstein, Lesley Groff, incluindo arranjos de limpeza, atualizações tecnológicas e planejamento de viagens. Barak reconheceu conhecer Epstein desde 2003 e confirmou ter mantido contato mesmo após a condenação de Epstein, em 2008, por aliciamento de uma menor para prostituição. O volume e a normalidade dessas trocas, ocorridas anos depois de Epstein se tornar um criminoso sexual registrado, reacenderam o escrutínio público sobre a real natureza dessa relação.


Ainda mais explosivas são as revelações contidas em um memorando desclassificado do FBI de 2020, liberado como parte do mesmo conjunto de documentos. O memorando, redigido durante uma investigação do FBI sobre influência estrangeira nas eleições dos EUA, cita uma fonte humana confidencial que alegou que Epstein “trabalhava com a inteligência israelense” e era considerado um “agente cooptado do Mossad”. O documento afirma ainda que Epstein era “próximo ao ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak”, e sugere que Epstein teria sido treinado durante o período em que Barak ocupava cargos de liderança em Israel.


Embora o memorando não constitua uma conclusão judicial e se baseie em uma fonte confidencial, sua inclusão em um arquivo oficial do FBI demonstra que tais alegações foram levadas a sério o suficiente para serem registradas no âmbito de uma investigação de contrainteligência.


Trocas de e-mails entre Epstein e Barak incluíam referências - às vezes em “tom de brincadeira”, outras defensivas - ao Mossad, incluindo uma mensagem de 2018 em que Epstein pediu que Barak esclarecesse publicamente que ele não trabalhava para a inteligência israelense.


Os arquivos também revisitam o acordo judicial de Epstein na Flórida, em 2008, amplamente descrito por críticos como um “acordo camarada”. Segundo documentos do FBI, o então promotor Alex Acosta teria sido informado de que Epstein “pertencia à inteligência”, uma afirmação que Acosta nunca comprovou publicamente, mas que circula há anos. O memorando também menciona o professor de direito de Harvard Alan Dershowitz, alegando — novamente com base em fonte confidencial — que ele teria atuado de maneira alinhada aos interesses da inteligência israelense.


Trump aparece novamente no memorando do FBI, que afirma que presidente teria sido “comprometido por Israel” e identifica Jared Kushner como figura central no círculo decisório de Trump. O memorando também destaca o papel do movimento ultraortodoxo Chabad-Lubavitch, descrito como politicamente influente e intimamente ligado à ideologia dos colonos israelenses de linha dura. Kushner é identificado como apoiador do grupo.


E-mails divulgados nos arquivos sugerem que Epstein via Israel não apenas como uma conexão pessoal, mas como uma ferramenta geopolítica. Em uma mensagem, Epstein afirmou ter aconselhado o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a visitar Israel para fortalecer laços com Washington. O governo indiano posteriormente classificou essas alegações como “ruminações vulgares”. Outros documentos indicam que Epstein tentou intermediar encontros de alto nível envolvendo autoridades israelenses, elites do Golfo e operadores de poder ocidentais, reforçando retratos dele como um intermediário informal operando fora dos canais diplomáticos convencionais.


Uma das revela­ções mais perturbadoras a emergir da avalanche destes documentos é a dimensão geopolítica que seus métodos assumiram ao longo de décadas, sugerindo que sua operação sexual e de chantagem ultrapassava a mera perversão individual e se convertia em um instrumento de poder estratégico, particularmente em prol destas redes vinculadas ao sionismo. Informações que circulam nos arquivos mostram que Epstein foi introduzido ao círculo de influência global por figuras ligadas à inteligência e ao capital financeiro sionista — incluindo a conexão com Robert Maxwell, um agente tanto do Mossad quanto do MI6, e a parceria de Epstein com Ghislaine Maxwell que durou décadas com implicações operacionais diretas nessa rede. Nos anos 1990, agentes como Ari Ben-Menashe, ex-membro do Mossad, descrevem o esquema de Epstein como uma “honey trap”, uma armadilha de mel em que festas com drogas, menores e elites políticas serviam para gravar, comprometer e coagir decisores em troca de influência política e alinhamento com interesses estratégicos de Tel Aviv. Essa descrição se sobrepõe aos arquivos, que documentam trocas frequentes entre Epstein e figuras israelenses-chave e sugerem que sua proximidade com o sionismo e com a inteligência israelense era uma operação que visava fortalecer o lobby sionista dentro das políticas externas dos Estados Unidos e de aliados, manipulando poderosos através de segredos e chantagens conjugadas com tráfico sexual e exploração, e não apenas uma coleção de relações sociais escusas.


Família Marino e Marinho


Para não dizer que não falei das flores, há também nos arquivos um e-mail datado de março de 2013 enviado pelo empresário Ian Osborne a Jeffrey Epstein no qual ele descreve sua agenda no Brasil e menciona que, naquele momento, estava em conferência de tecnologia e faria reuniões com famílias das elites brasileiras — incluindo “as famílias Marino (Itaú) e Marinho (Globo)”, duas das mais ricas e poderosas do país. Essa mensagem específica está registrada nos documentos oficiais que compõem os arquivos e coloca a família Marinho, vinculada ao Grupo Globo, no mesmo circuito de grandes empresários e instituições financeiras que Epstein relatava ter em vista em suas comunicações.


Esse e-mail não traz contexto explícito sobre o que foi discutido nas reuniões, mas revela que Epstein, em 2013, já conhecido publicamente como predador sexual, estava se conectando com elites brasileiras por meio de interlocutores que o informavam sobre encontros com essas famílias, incluindo os Marinho.


O elemento politicamente relevante aqui é que a rede de Epstein incluía o monitoramento e o planejamento de encontros com as classes dominantes de diferentes países, e ele próprio registrava isso em suas comunicações internas. A menção explícita a “famílias Marino … e Marinho” em uma agenda de viagens que fazia referência a encontros com dirigentes de grandes grupos econômicos e de mídia demonstra que a classe dominante brasileira, ou ao menos suas franjas dirigentes, estava no radar do financista e de seus operadores, compondo o mesmo circuito transnacional em que figuram banqueiros, políticos e magnatas.


Menções (des)honrosas


1. Prince Andrew (Andrew Mountbatten-Windsor)


O antigo príncipe britânico aparece centenas de vezes nos documentos de Epstein, incluindo e-mails trocados e fotos com o financista. Os registros mencionam que Epstein ofereceu a introdução de mulheres a Andrew e há mensagens sugerindo encontros em locais privados, além de fotos em contextos sociais. Virginia Giuffre, uma das vítimas centrais do caso, anteriormente afirmou que foi traficada por Epstein para ter relações com Andrew quando menor.


2. Reid Hoffman


O cofundador do LinkedIn é um dos nomes mais citados nos arquivos (mais de 2.600 menções). E-mails mostram que Hoffman visitou a ilha de Epstein e manteve comunicação com ele após 2008, com interações detalhadas sobre encontros e eventos sociais.


3. Peter Thiel


Thiel, bilionário da tecnologia, aparece em mais de 2.200 documentos relacionados a Epstein. E-mails e registros conectam Thiel a reuniões e encontros com o financista em diferentes momentos. A repetição de seu nome dele nas trocas documentais sugere que Epstein cultivava relações com figuras centrais do setor tecnológico para manter acesso e influência.


4. Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Larry Page e Sergey Brin


Esses nomes de gigantes da tecnologia aparecem em registros liberados. Zuckerberg e Bezos surgem com menos frequência, muitas vezes em contexto de eventos ou jantares nos anos 2010, e Page e Brin aparecem em e-mails discutindo logística de encontros relacionados ao círculo de Epstein.


5. David Copperfield


Registros sugerem que o mágico David Copperfield teve uma relação próxima com Epstein, incluindo visitas à ilha privada e trocas de mensagens. Investigadores na época relataram que havia evidências de que Copperfield poderia ter direcionado jovens a Epstein, e há acusação de múltiplas mulheres contra Copperfield por má conduta. O arquivo contém menções que levantam suspeitas sobre se Copperfield teria se envolvido ou facilitado contatos para Epstein, ou mesmo usado o ambiente para alvos de abuso.


6. Steven Tisch


O co-proprietário do New York Giants foi nomeado em correspondências em que Epstein supostamente oferecia “mulheres” em descrições cruas e sexualizadas a ele, em e-mails trocados nos anos 2010. Registros sugerem que Epstein frequentemente comentava sobre mulheres e possíveis encontros, e o nome de Tisch aparece repetidamente nesses contextos.


7. Sarah Ferguson (ex-duquesa de York)


O nome de Sarah aparece repetidamente em correspondência com Epstein e em fotos/e-mails envolvendo eventos sociais do círculo do financista. Há relatos de mensagens pessoais calorosas trocadas entre ela e Epstein. A presença contínua dela em comunicações com Epstein após sua condenação e a linguagem pessoal dessas trocas sugerem que sua relação com o financista ia muito além de encontros esporádicos em eventos sociais.


8. Outros nomes que aparecem em grande volume nos arquivos:


Com base em múltiplas listas que surgiram com os documentos, incluindo fotos e logs de contatos, também surgem figuras do campo artístico, empresarial ou político que, em muitos casos, estão associados por presença em imagens, fotos, listas de convidados ou documentos de contato. Embora nem todos tenham ligação confirmada com crimes específicos de Epstein, as narrativas que aparecem em documentos ou nas mídias especializadas se referem a:


Kevin Spacey, Mick Jagger, Michael Jackson e Diana Ross — em fotos nos arquivos ao lado de Epstein.


Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Cate Blanchett — nomes que surgem em listas de contatos e imagens em documentos públicos vinculados ao caso.


Naomi Campbell, Bruce Willis, Courtney Love — citados em registros variados que mostram interações sociais.


Robert F. Kennedy Jr., George Lucas — mencionados em trocas ou contextos de eventos relacionados a Epstein.


Tom Pritzker, Ron Eppinger, Marvin Minsky, Doug Band, Vicky Ward e outros — aparecem em algumas listas extensas de arquivos compiladas por jornalistas e pesquisadores.


Exposição das vítimas


Em meio à torrente de documentos e mídias liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA surgiu um dos casos mais chocantes e reveladores sobre a forma como o Estado burguês estadunidense lida com as vítimas dos crimes dos poderosos: fotos e informações extremamente sensíveis de vítimas aparentemente deixaram de ser protegidas antes da divulgação, expondo rostos, corpos e nomes completos de centenas de mulheres e meninas que foram abusadas por Epstein. Uma análise do Wall Street Journal encontrou que, em pelo menos 43 casos, os nomes completos de vítimas (muitas delas que nunca haviam se identificado publicamente e algumas menores no momento dos abusos) foram deixados sem censura, com seus endereços e outros dados pessoais acessíveis nas buscas dos arquivos públicos, obrigando sobreviventes a descobrir que suas identidades estavam expostas e a pedir correções imediatas.


Além disso, revisores descobriram dezenas de imagens não censuradas que mostravam corpos nus e rostos, inclusive em cenários de quartos e na praia da ilha particular de Epstein, cuja publicação violou as normas de proteção às vítimas que deveriam ter sido aplicadas antes da liberação dos arquivos, gerando críticas de advogados e sobreviventes que chamaram o vazamento de “abominável” e “devastador” para quem já sofreu abuso sexual.


Este caso colocou em xeque a narrativa oficial de transparência, mostrando que, mesmo sob promessa de divulgação total, as instituições que deveriam proteger os sobreviventes podem — e muitas vezes o fazem quando estes são ricos e poderosos — proteger mais os seus algozes.


A leitura integral dos arquivos Epstein desmonta a narrativa conveniente do “predador isolado”. O que emerge das milhões de páginas divulgadas é a imagem de um operador central de uma rede internacional que conectava magnatas financeiros, chefes de Estado, acadêmicos prestigiados, bilionários da tecnologia, dirigentes de mídia e figuras do aparato de inteligência. Pedofilia, tráfico sexual, sequestro de menores, coerção psicológica, práticas de tortura, comportamento de seita e relatos de rituais aparecem de forma recorrente nos depoimentos de vítimas e em comunicações internas, sempre acompanhados de um elemento comum: proteção política e impunidade estrutural.


Os documentos revelam que Epstein não apenas abusava, mas arquivava poder. Gravava, documentava, organizava encontros e mantinha registros que funcionavam como instrumentos de chantagem permanente. É nesse contexto que aparecem os nomes de presidentes como Donald Trump e Bill Clinton, bilionários como Bill Gates e Elon Musk, intelectuais celebrados como Noam Chomsky e Stephen Hawking, banqueiros, herdeiros e gestores de fundos e, de forma particularmente perturbadora, figuras centrais da entidade sionista, com dezenas e centenas de menções a políticos, diplomatas e referências diretas ou indiretas ao Mossad. A hipótese de Epstein operar como ativo de inteligência não surge de especulação marginal, mas de memorandos oficiais do FBI, e-mails do próprio Epstein e da anomalia jurídica que marcou sua trajetória penal.


O eixo israelense se destaca nos arquivos não apenas pela frequência com que surge nas menções a Epstein, mas pela profundidade e natureza das relações documentadas, que vão muito além de encontros sociais: estadias prolongadas de figuras como o ex-primeiro-ministro Ehud Barak em propriedades de Epstein, comunicação contínua mesmo após a condenação pública do financista por crimes sexuais, e memorandos internos do FBI circulando no conjunto de documentos nos quais uma fonte confidencial afirma que Epstein era um agente cooptado do Mossad — ou seja, não um operador solitário, mas alguém cuja função era reunir informações e comprometer figuras poderosas em benefício de interesses de inteligência aliados a Tel Aviv. Essa revelação, que emerge de memorandos brutos dentro dos arquivos e que liga Epstein ao Mossad via Barak e outros intermediários, demonstra a existência de um aparato de influência geopolítica no qual chantagem, tráfico sexual e coleta sistemática de material sensível serviram a uma estratégia de fortalecimento do lobby sionista e de interferência em decisões políticas no “ocidente”, moldando relações de Estado, capital e diplomacia em escalas que os próprios e-mails e registros agora públicos deixam escapar como evidencia de um sistema de proteção e mobilização de poder muito além das aparências superficiais.


Na América Latina, as menções a burguesia brasileira, incluindo a referência direta à família Marinho em comunicações ligadas ao circuito de contatos de Epstein, reforçam o caráter global dessa rede. Trata-se de reconhecer que Epstein orbitava deliberadamente os centros de decisão econômica, política e midiática, inclusive no Sul Global. O silêncio quase absoluto da grande imprensa brasileira sobre essas conexões não é acidental, pois reflete o mesmo mecanismo de autoproteção de classe que aparece nos Estados Unidos e na Europa.


Ao final, os arquivos escancaram algo ainda mais perturbador do que os crimes em si, revelam o consenso tácito das elites em preservar seus iguais, mesmo diante de crimes sistemáticos contra crianças, jovens, mulheres indefesas. As vítimas foram descartáveis, os nomes dos poderosos foram blindados. O caso Epstein não é um retrato cru de como o imperialismo contemporâneo, o capital financeiro, o aparato de inteligência e as classes dominantes operam como um ecossistema fechado, onde a violência extrema é tolerada, desde que praticada pelas pessoas certas.


Enquanto os arquivos seguem sendo liberados a conta-gotas, a pergunta central permanece aberta: quantos Epstein foram protegidos, quantos ainda operam, e quantas vítimas seguirão sendo silenciadas em nome da estabilidade do sistema? Para quem se propõe a enfrentar o poder de frente, a resposta não virá dos tribunais da burguesia, nem de “Reformas estruturais” dentro do Estado burguês, mas da exposição implacável dessas redes e da recusa em aceitar a impunidade como regra.

No último dia 27, o Comitê de Apoio a Guerra Popular na Índia realizou um ato na porta da embaixada da Índia em Bruxelas exigindo o fim da matança de advasis e camponeses nas áreas afetadas pela Operação Kagaar.


Bruxelas
Bruxelas

Além do ato concentrado em Bruxelas, outros países manifestaram-se contra a Operação Kagaar em embaixadas ou em atos de rua.


Turquia
Turquia
Viena - Áustria
Viena - Áustria
Alemanha
Alemanha
Istambul - Turquia
Istambul - Turquia
EUA
EUA
India
India
Polônia
Polônia
Grécia
Grécia

Estas iniciativas fazem parte da Campanha de Emergência contra a Operação Kagaar, que promete derrotar os naxalitas até março de 2026. O Comitê Unificado para Parar a Repressão na Índia - do inglês Joint Comittee to Stop Opression in India - também protestou em frente ao Consulado da India em Birminghan, uma das maiores cidades do Reino Unido. O JCSRI publicou a declaração sobre o sucesso do chamado feito pelo Forum Contra Corporativização e Militarização da Índia que traduzimos abaixo.



UM CHAMADO À SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL PROLETÁRIA CONTRA A OPERAÇÃO KAGAAR


JUNTE-SE AO CHAMADO INTERNACIONAL À AÇÃO CONTRA A OPERAÇÃO KAGAAR EM 28 DE MARÇO.

VIVA A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL PROLETÁRIA!


A resistência firme do povo indiano contra a genocida Operação Kagaar, no Centro e no Leste da Índia, ecoa pelo mundo como um chamado de mobilização por justiça para as vítimas de assassinatos em massa, violência sexual, execuções políticas e assassinatos seletivos, tortura e detenções ilegais perpetradas sob a Operação Kagaar. Abalado pelo acúmulo de corpos de ativistas políticos e povos indígenas em Bastar e em outras regiões, o movimento proletário internacional respondeu ao chamado da hora e mobilizou, junto consigo, setores progressistas, democráticos e amantes da justiça para exigir o fim da Operação Kagaar e do genocídio do povo adivasi e de seus ativistas políticos.


Protestos e manifestações foram realizados em 27 de janeiro, em Bruxelas, diante da Embaixada da Índia e do Parlamento Europeu, bem como um grande protesto organizado pelo Comitê Conjunto para Deter a Repressão na Índia (JCSRI) e por diversas outras organizações, em frente ao Consulado-Geral da Índia em Birmingham, Reino Unido, no mesmo dia. No dia 28, houve também um protesto em Viena.

Esses protestos foram convocados no contexto das negociações do Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e a Índia, bem como das discussões do Subcomitê de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, e também para refletir sobre a natureza da “República” do Estado indiano por ocasião da celebração de seu 77º Dia da República, em 26 de janeiro de 2026.

Anteriormente, protestos e atividades também foram realizados na Turquia, Chile, Brasil, Peru, Filipinas, Bangladesh, Itália, Alemanha, Espanha, Polônia, Estados Unidos e Grécia, exigindo o fim da campanha de extermínio levada a cabo sob a Operação Kagaar na Índia, em nome do “desenvolvimento”.


O Fórum Contra a Corporativização e a Militarização envia calorosas saudações revolucionárias proletárias internacionais a todas as organizações que compreenderam sua responsabilidade histórica no Movimento Internacional contra a ofensiva imperialista sobre os povos oprimidos da Índia e que levaram adiante essa campanha.


Enviamos também saudações revolucionárias de solidariedade às organizações da diáspora de outras nacionalidades oprimidas, como os grupos das diásporas caxemira e palestina, que se uniram aos protestos em solidariedade aos seus irmãos e irmãs igualmente oprimidos.


Apreciamos os esforços do JCSRI e de outras organizações no Reino Unido e em Bruxelas, que denunciaram as potências imperialistas europeias que buscam saquear as ricas reservas minerais do povo indiano e explorar sua força de trabalho a preços aviltantes — enquanto realizam reuniões de “avaliação” sobre direitos humanos. Ao convocarem seus governos a suspender o Acordo de Livre Comércio UE–Índia, diante das flagrantes violações de direitos humanos e do deslocamento massivo causado pela corporativização, pela militarização e pela guerra genocida no Centro da Índia, esses camaradas responsabilizaram abertamente os imperialistas europeus perante o mundo, exigindo que não intensifiquem nem se beneficiem dos espólios da guerra desencadeada contra o povo indiano, em particular contra o povo indígena adivasi, sob a Operação Kagaar.


Denunciamos, ainda, de forma clara que o Acordo de Livre Comércio UE–Índia nada mais é do que um instrumento imperialista para fortalecer o estrangulamento imperialista sobre a Índia e seu povo, permitindo o saque aberto dos recursos do país, a exploração da força de trabalho do povo indiano e o escoamento de seu mercado, inundando-o com mercadorias produzidas a partir de nossos próprios recursos e de nosso próprio trabalho árduo, vendidas a preços exorbitantes.


Essa é uma das muitas razões pelas quais o Estado indiano e os lacaios das corporações estrangeiras transformaram o solo de Bastar e Saranda em um vermelho carmesim, manchado com o sangue do povo adivasi e dos rebeldes maoístas.

Em mais de dois anos da Operação Kagaar, quase 700 rebeldes maoístas e pessoas adivasis perderam suas vidas na guerra de pilhagem corporativa desencadeada pelo conluio Estado–corporativo, que ocupa e destrói milhares de hectares de terras, rios e florestas para saciar o poço sem fundo da ganância corporativa.

Dezenas de Memorandos de Entendimento (MoUs) foram assinados entre o Estado indiano e corporações como Jindal, Adani, Ambani, Vedanta e Mittal muito antes do início dos assassinatos cotidianos a sangue-frio. Esses acordos foram firmados quando acampamentos já estrangulavam as florestas de Dandakaranya, em Bastar, e Saranda, em Jharkhand, aguardando em antecipação, como abutres à espera da morte do animal, para saquear os recursos assim que os cadáveres começassem a cair sobre o solo rico em minerais.


Desde a morte de centenas de maoístas, a eliminação de dirigentes de alto escalão e a prisão de ativistas dos movimentos democráticos armados e desarmados, Bastar presenciou investimentos superiores a 50 mil crores de rúpias na mineração de minério de ferro e a abertura de blocos de mineração para leilão. Centenas de milhares de hectares de florestas foram devastados para a mineração em regiões montanhosas como Hasdeo, Niyamgiri, Bailadila, Amdai, Saranda, Rowghat e Surjagarh, além do desmatamento rotineiro destinado a transformar todas as regiões florestais ricas em minerais em uma vasta rede de acampamentos paramilitares, atuando como “segurança de tapete” para proteger os interesses das corporações estrangeiras contra qualquer ameaça, em razão da resistência armada e desarmada do povo.

Diante do aprofundamento das contradições entre o imperialismo e os povos oprimidos do mundo, reconhecemos que uma forte solidariedade anti-imperialista entre todos os povos oprimidos que lutam contra a ofensiva imperialista pela libertação nacional, autodeterminação, democracia e soberania é o chamado do momento e uma necessidade do Movimento Proletário Internacional.


Saudamos a crescente onda de solidariedade de nossos camaradas no Movimento Proletário Internacional, seja nas Filipinas, no Peru, na Turquia, no Brasil, no Chile, nos Estados Unidos, no Reino Unido, em Bruxelas, na Alemanha, entre muitos outros. Apreciamos o fato de identificarem o fio comum nas lutas dos povos da Índia, das Filipinas e da Palestina — um inimigo comum, o imperialismo, e seus regimes fantoches. Convocamos esses camaradas e amigos a intensificarem sua propaganda internacional e suas ações diretas para exigir o fim da Operação Kagaar e da pilhagem imperialista dos recursos do povo indiano.


Por meio desta carta, enviamos também calorosas saudações a todas as organizações da diáspora na Europa que têm sido incansáveis em seus esforços para levar o genocídio em Bastar e no restante da Índia Central ao conhecimento dos diversos mecanismos das Nações Unidas, da União Europeia e de organismos internacionais de direitos humanos. A FACAM trabalhou com muitas dessas organizações e reconhece seus esforços na contribuição para a Campanha Internacional contra a Operação Kagaar. Apreciamos especialmente os esforços das organizações comunistas e progressistas filipinas e do movimento dos povos indígenas, que têm se engajado continuamente na denúncia da Operação Kagaar.


Apreciamos as declarações divulgadas por diversos grupos progressistas e democráticos, como a Liga Internacional das Lutas dos Povos e seus diversos ramos e organizações afiliadas. Acreditamos também que o “Alerta Precoce e Chamado à Ação Urgente” emitido pelo Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (UN CERD), em 17 de janeiro de 2026, referente às flagrantes violações de direitos humanos em Bastar e ao deslocamento do povo adivasi no Centro-Leste da Índia, é resultado do esforço consistente de diversas organizações engajadas nesta Campanha Internacional.


Estamos também muito esperançosos com o Chamado Internacional à Ação contra a Operação Kagaar, marcado para 28 de março de 2026, lançado por diversos comitês e organizações solidárias à causa do povo indiano. Apreciamos a decisão do Comitê Operação Kagaar de Nova York de responder e amplificar o Chamado Internacional à Ação.

Convocamos todas as organizações revolucionárias, progressistas e democráticas, bem como os coletivos da diáspora, a responderem ao Chamado Internacional à Ação contra a Operação Kagaar em 28 de março de 2026.


VIVA A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL PROLETÁRIA! VIVA A SOLIDARIEDADE ANTI-IMPERIALISTA ENTRE OS POVOS OPRIMIDOS! VIVA A CAMPANHA INTERNACIONAL CONTRA A OPERAÇÃO KAGAAR! VIVA A RESISTÊNCIA INABALÁVEL DO POVO INDIANO!

ABAIXO A OPERAÇÃO KAGAAR E O PLANO SURAJKUND! ABAIXO O FASCISMO HINDUTVA BRAHMÂNICO!


Fórum Contra a Corporativização e a Militarização (FACAM)

bottom of page