top of page

Todas as publicações

  • 22 de jan.
  • 2 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

No dia 21 de Novembro, um dia após o 50° aniversário de morte do ditador

fascista Francisco Franco, que faleceu no ano de 1975, aconteceu nas ruas de Madri uma marcha liderada pelo conhecido grupo Falange, que se outorgam os herdeiros legítimos do franquismo na Espanha, a marcha saiu da sede principal do Partido Popular, e foi até a sede dos Socialistas.


Entre os presentes estava a bisneta do ditador italiano Mussolini, Orsola Mussolini, figura conhecida no campo da extrema direita na Europa. O episódio foi fortemente criticado pela grande mídia oficial, que recorreu ao fato do parlamento espanhol, em 2007, ter proibido qualquer ato de apoio aos anos franquistas e, claro, ao próprio ditador.


Segundo o grupo do Centro de Investigação Sociológica (CIS), apenas 18% dos espanhóis classificam os anos ditadura franquista como “muito bom” e “bom” sendo 4,5%. Além disso, 17,3 % das mais de 4.000 pessoas aferidas para a amostragem consideram o sistema democrático atual pior, o CSI ainda não tinha o registro oficial de números como esses entre os jovens.


Os anos do Terror Branco (1936 - 1979), além das perseguições e assassinatos políticos, teve como marca a crise econômica que se instaurou no país, e como solução acordou a negociação com os norte-americanos que pagaram alguns milhões de dólares por bases militares espanholas. Os anos de Francisco Franco acabaram com a sua morte, sendo substituído pelo Rei Juan Carlos I.


Todos esses acontecimentos que temos visto na Espanha, não são isolados, pois estão acontecendo na Itália, com uma recente onda crescente anti-imigrante, e vale lembrar que na manifestação do dia 21 e em outras manifestações até mais macabras, acompanhadas de tochas de fogo, roupas e símbolos nazistas, com grandes faixas exigiam a expulsão dos imigrantes, inclusive, alguns grupos franquistas chegaram a marchar em bairros conhecidos pela grande população de imigrantes, chegando a invadir casas e comércios.


Os acontecimentos mostram o peso da questão nacional, e a importância que os revolucionários devem dar a resolução de todas as contradições, e afirmar isso é importante. Ainda mais em momentos políticos tensos como em que dá sinais claros de que a paz social, è apenas relativa, e esta paz construída diante de escombros fascistas, com um povo que não viu seus algozes pagarem pelos seus crimes, como no caso da Espanha que os ditadores franquistas ganharam anistia geral, essa suposta paz, sempre irá demonstrar suas rachaduras, que em momentos de grandes fricções serão escancaradas.

Atualizado: 21 de jan.

Arte: arquivo Revolução Cultural
Arte: arquivo Revolução Cultural

Em janeiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou de forma agressiva sua campanha para anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, com ataques explícitos à soberania do povo groenlandês e pressões contra governos aliados da OTAN. O objetivo declarado por Washington é impor um “controle estratégico” sobre a maior ilha do planeta — sob a lógica expansionista e geoestratégica do imperialismo ianque — e transformar a ilha num posto avançado sob domínio direto dos EUA.


Trump foi além do discurso e anunciou tarifas de 10% a partir de fevereiro de 2026 sobre produtos de oito países europeus (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia) que se opuserem ao plano de anexação. Ele deixou explícito que essas tarifas poderão subir para 25% em junho caso não se alcance um “acordo” para a compra completa do território dinamarquês.


A Casa Branca ainda evitou descartar o uso da força no processo de anexação, com Trump respondendo “sem comentários” quando questionado se recorrerá à violência para tomar a ilha, enquanto segue pressionando diplomaticamente e publicamente por seu objetivo.


A estratégia estadunidense não se limita a palavras, impõe medidas coercitivas contra aliados europeus, usando o aparato econômico dos EUA como instrumento de chantagem. Essa escalada demonstra o clássico modus operandi do imperialismo, que opera com a combinação de força política, pressão econômica e ameaça militar, rompendo com os mais básicos princípios do direito internacional e da soberania dos povos (que para os EUA, nunca existiram).


Ao mesmo tempo, Trump reforça narrativas que suprem seu projeto megalomaníaco, a Groenlândia, segundo ele, é “essencial” para a segurança nacional dos EUA frente a Rússia e China — uma justificativa típica de lógica geopolítica expansionista. A pressão estadunidense ocorre no mesmo contexto de ataques a parceiros tradicionais, projetando um revisão de princípios estratégicos que busca arrastar a já frágil ordem internacional para a completa barbárie das relações de força.


Líderes europeus repudiaram veementemente os planos de Trump. Até mesmo a presidente sionista da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um pacote para reforçar a segurança no Ártico e criticou as ameaças de tarifas como um erro estratégico que pode minar a cooperação transatlântica.


A União Europeia, por meio de seus Estados-membros, reafirmou que a soberania e integridade territorial da Dinamarca e da Groenlândia são inegociáveis, e que quaisquer ameaças tornam necessárias respostas proporcionais em termos de cooperação e investimentos para segurança regional. Ainda assim, a chamada “resposta europeia” permanece predominantemente diplomática e retórica diante de ameaças econômicas e militares concretas. Apesar da mobilização de mecanismos como o instrumento anti-coerção da UE e debates sobre retaliações econômicas, a realidade é que a Europa não dispõe de autonomia estratégica nem de um projeto militar efetivo que possa confrontar os EUA de igual para igual.


Esse quadro evidencia aquilo que a experiência histórica já mostrou: a dependência europeia do “guarda-chuva” estadunidense (político, militar e nuclear) reduz drasticamente a capacidade de resistência real às agressões de Washington, mesmo quando elas violam soberanias e tratados fundadores de organizações como a OTAN.


Nas ruas de Nuuk e outras cidades da Groenlândia, a população saiu as ruas para protestar contra as ambições de anexação. O primeiro-ministro groenlandês reafirmou repetidamente que o território escolhe a Dinamarca em vez dos EUA e rejeita qualquer tentativa de venda ou toma forçada.


É importante destacar que, diferente do discurso oficial, a Groenlândia não é um território neutro ou plenamente soberano, mas sim uma colônia da Dinamarca, incorporada historicamente por meio de ocupação violenta, expropriação territorial e repressão sistemática à população nativa inuit. A dominação dinamarquesa sobre a ilha é parte integrante do legado colonial europeu no Ártico, repetindo a lógica da negação do direito à autodeterminação por meio da imposição cultural e pela exploração econômica. Assim, a ofensiva estadunidense não inaugura a espoliação da Groenlândia, apenas aprofunda uma história colonial já existente, agora disputada pelas potências imperialistas.


A diplomacia russa, por seu lado, reagiu à crise destacando que os eventos expõem uma “crise profunda” na OTAN e na ordem ocidental, sugerindo que a iniciativa americana pode fragilizar alianças e criar linhas de ruptura no bloco transatlântico. Membros do establishment e comentaristas do Kremlin aproveitaram para ridicularizar a Europa e explorar o racha transatlântico, ao mesmo tempo em que o ministro russo Sergey Lavrov chegou a afirmar que a Groenlândia não é “parte natural” da Dinamarca, numa crítica que mistura revisionismo histórico e oportunismo geopolítico diante da cisão entre EUA e Europa.


Essa crise é a cara do imperialismo ianque em sua fase de declínio e agressão descontrolada, em que Washington usa sua hegemonia militar e econômica para forçar mudanças de regime, anexar territórios e subverter normas internacionais em benefício de elites dominantes. A pressão sobre a Groenlândia, um território com menos de 60 mil habitantes, demonstra mais uma vez o caráter predatório dessa política, que despreza o direito dos povos e a soberania de Estados menores.


Ao mesmo tempo a resposta europeia, forte em palavras, mas vazia em ação, expõe a incapacidade estrutural das potências europeias de enfrentar seu principal parceiro imperial com autonomia e coragem histórica. A crise do Ártico assim se torna um espelho da fragmentação imperialista global: alianças frágeis, interesses divergentes e o colapso de uma ordem internacional que supostamente deveria prevenir exatamente esse tipo de agressão.


A política externa dos EUA sob Donald Trump não é mera retórica megalomaníaca ou arrogância política, é um ataque frontal à soberania, ao direito internacional e ao princípio de autodeterminação dos povos. É também um espelho das contradições do sistema imperialista mundial, onde o mais poderoso dita a sua vontade, enquanto a “comunidade internacional” assiste, impotente e muitas vezes cúmplice.


Se os Estados Unidos avançarem para uma invasão direta da Groenlândia, o futuro da OTAN será colocado diante de uma ruptura histórica, o ataque significaria a agressão de um membro fundador contra outro aliado, a Dinamarca, violando o princípio central de defesa coletiva do Artigo 5 e tornando a própria aliança politicamente insustentável. Especialistas alertam que uma ofensiva desse tipo empurraria a OTAN ao limite da fragmentação ou até ao colapso, pois revelaria a contradição fundamental de um bloco militar incapaz de responder quando o agressor é a própria potência hegemônica que o dirige. Líderes europeus já afirmaram que tal cenário representaria “o fim da OTAN”, uma vez que os Estados-membros seriam legalmente obrigados a defender a Dinamarca contra os EUA, inaugurando uma crise interna insolúvel. A consequência provável seria a desintegração da organização, o surgimento de blocos militares alternativos e a consolidação de uma ordem multipolar marcada por rivalidades abertas, confirmando que a tentativa de anexação não seria apenas um ato colonial, mas o estopim do colapso definitivo do sistema de alianças imperialistas construído no pós-guerra.


Este é um momento de inflexão no sistema internacional. Ou as nações e os povos se organizam em defesa de seus direitos e de uma ordem que respeite a soberania e o direito internacional, ou permanecerão à mercê das ambições hegemônicas de uma superpotência em decadência, que tenta reagir à sua perda de domínio pela via da força, da pressão econômica e da intimidação política. A crise no Ártico é, em última instância, um espelho das contradições do imperialismo e um chamado urgente para reconstruir alianças baseadas na solidariedade entre os povos, não na submissão aos interesses das oligarquias dominantes.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em meio à guerra de tarifas entre os países imperialistas, nas idas e vindas do protecionismo norte-americano e das retaliações dos demais países, o Brasil toma partido de um acordo que agrava a espoliação e intensifica a apropriação imperialista da América do Sul por parte do capital europeu.


Hoje, com a assinatura do acordo UE-Mercosul no Paraguai e a criação da maior “zona de livre comércio" do mundo, fecha-se mais um capítulo da política econômica reacionária pintada de vermelho do Governo Lula. Haddad e seus adjacentes “técnicos” sentam-se ao lado de Milei e proclamam o mesmo receituário de Paulo Guedes para o comércio exterior brasileiro e sul-americano: intensificam o caráter primário-exportador da economia e exacerbam a vulnerabilidade da pouca indústria que ainda existe na região e no Brasil. Junta-se a isso a cobiça pelos minerais críticos (as terras raras), que terá tarifas de importação zeradas no mercado europeu, e teremos uma economia semicolonial de maior porte, sem deixar de lado a miséria que a acompanha.


O acordo, que deixou assustado até mesmos seus elaboradores no hemisfério norte que disseram ser equivalente a “ter realizado um assassinato e saído impune” (no inglês, “we got away with murder on this deal”), prevê a inundação dos mercados sul-americanos com produtos dos países da União Europeia, ao levantar as barreiras tarifárias que antes impediam estes produtos de chegarem aqui. A competição com capitais nacionais ou estrangeiros já bem estabelecidos, antes economicamente inviável, se abrirá para a desova do montante das mercadorias que hoje é composto em grande parte de gêneros que deixaram de ir para os EUA desde que Trump levantou barreiras daquele lado.


Em números, 92% das exportações do Mercosul serão isentas no mercado europeu e 91% das exportações da UE serão isentas no mercado sul-americano (IPEA), além da incrementação no volume de comércio por meio cotas de exportação. O acordo será progressivo, e, em 15 anos, grande parte do mercado que conhecemos terá sido transformado e seremos quase completamente dependentes de importação para consumir coisas básicas.


A possível suspensão da isenção tarifária de "produtos agrícolas sensíveis" do Mercosul, como bovinos e aves, é um dos detalhes que representa o acordo de "carros por vacas". Caso as importações da UE cresçam em 5% por 3 anos seguidos, eles lançarão uma investigação de duração de 3 meses para avaliar a "necessidade de medidas protetivas", e, ainda, há a possibilidade deles exigirem "padrões de produção da UE" para os produtos sul-americanos.


Tudo isso será pago com reservas internacionais acumuladas com exportação de soja, milho e petróleo, que auxiliarão a Europa a superar a crise gerada com a invasão na Ucrânia e os embargos sobre a Rússia. O Brasil, como república sob o jugo dos imperialistas, segue o trilhando o mesmo caminho há mais de 100 anos e honrando o título de semicolônia, e sua classe dominante, como boa subserviente, parece, em momentos de crise, procurar novos senhores a quem se ajoelhar, tamanho é seu “nacionalismo”!

bottom of page