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Foto: Rodrigo Arangua/AFP
Foto: Rodrigo Arangua/AFP

Representando a repetição de um padrão histórico recente na América Latina, a eleição do fascista José Antonio Kast no Chile é produto da reacionarização intensificada pelas ilusões e decepções com a política eleitoreira e oportunista da esquerda chilena, personificada na figura de Gabriel Boric.


Filho de integrantes do Partido Nazista do terceiro Heich alemão, Kast teve, de modo impressionante, como principal propaganda eleitoral, a “ameaça imigrante”. Ganhou disparadamente em todas as regiões do país. O Admirador de Pinochet contrário a todo tipo de direitos da mulher e da população LGBT ascende ao executivo do país após o mandato da esquerda oportunista representada por Gabriel Boric, que desviou para as urnas o furor dos movimentos de massas de 2019 e 2020, que produziram manifestações e confrontos de ruas combativos contra o Estado e a Polícia chilena, chegar ao cargo e atuar como ponto de apoio da política imperialista “diplomática” dos EUA.


Boric afogou o calor das ruas chilenas e, em troca, deu de presente a insatisfação e desconfiança aproveitadas pela política reacionária, jogando as massas chilenas no colo do Fascismo. Repetiu o exemplo do Brasil, Uruguai, Peru, Argentina e tantos outros países em que a social-democracia representa uma força expressiva no movimento popular e operário e continuadamente vende a ideia de uma “alternativa eleitoral” enquanto, e não poderia ser diferente, assegura os mesmos interesses das classes dominantes neste países por meio do Estado, aplicando a repressão ao povo e o aumento da violência econômica contra as massas populares. Isto é, faz valer a ideia de que a social democracia atua como linha auxiliar dos governos burgueses, abrindo, com isso, as portas ao fascismo.

  • 10 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Congresso antipovo aprova PL da Anistia. Foto: Sergio Lima/AFP
Congresso antipovo aprova PL da Anistia. Foto: Sergio Lima/AFP

Na continuação do episódio golpista, nesta quarta (10), a câmara aprovou o PL que prevê anistia aos mandantes e participantes do 8 de janeiro. Com esta aprovação, por exemplo, Bolsonaro cumpriria, ao invés do mínimo de 7 anos em regime fechado, 2 anos e 4 meses. A realidade social mais uma vez revela que somente o movimento de massas e um programa revolucionário pode derrotar os fascistas e colocar o povo no poder.


Na calada da madrugada desta quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei da Anistia, chamado pelos seus defensores de “PL da Dosimetria”, que prevê alteração no Código Penal brasileiro para benefício dos participantes, mandantes e executores, da tentativa de Golpe de Estado de 8 de janeiro. O projeto muda o texto para que o cumprimento mínimo da pena em regime fechado para os golpistas passe de 30% para 16% da pena total, mudando a “tipificação” do crime.


O congresso tem sido, nas alternâncias de governo entre as frações da classe dominante, o fator constante e imutável, que olhando de perto revela a ditadura disfarçada de “democracia”. O acordão entre estas mesmas frações, com alguns de seus operadores e porta-vozes em celas da Polícia Federal, não muda o balanço de forças do lado de cá, do proletariado e do povo em geral, mas rearranja e organiza o lado de lá, dos exploradores. Esta é a conciliação disfarçada de vitória. Esta só poderia ser de fato uma vitória se o ataque for desatado de fora para dentro, das massas contra os seus algozes, representando uma elevação na organização das classes, na concentração de suas forças e na sua capacidade de atacar o inimigo e dar o golpe final, sua revolução.


Para cada “avanço” parlamentar, e isto poderia ser considerado do ponto de vista dos “direitos” mas não do ponto de vista de classe, do movimento de massas, contam-se 20, 30, 40 reversões de legislações que exacerbam a violência, a exploração e a opressão contra o povo, diminuindo cada vez mais o salário do proletariado, aumentando a exploração e o endividamento do camponês, e progredindo com a matança de mulheres, da população negra, dos povos originários e da população dissidente de gênero.


O momento de embate na ocupação da mesa diretora por Glauber Braga do PSOL, denunciando sua cassação e a anistia aos golpistas, revela a necessidade, negada pelo próprio deputado, da dura crítica ao cretinismo parlamentar e da atitude eleitoreira daqueles que se dizem revolucionários. Daqueles que pregam uma alternativa com táticas de luta que vendem os princípios e o programa do proletariado, no lugar de construir a luta popular que desenvolva a consciência de milhões e coloque na ordem do dia a abolição deste mesmo congresso, que não passa de interesses privados travestidos de interesses coletivos, como é toda e qualquer esfera deste Estado reacionário, de Burgueses e Latifundiários, contendo de fato a contrarrevolução em curso.



Matéria por Marcos Pedlowski. Republicada de blogdopedlowski.com


Governo Lula libera mais agrotóxicos proibidos na Europa para abastecer o latifúndio agro-exportador. Foto: Reprodução
Governo Lula libera mais agrotóxicos proibidos na Europa para abastecer o latifúndio agro-exportador. Foto: Reprodução

Enquanto a região do sul do Brasil se prepara para mais uma situação de evento meteorológico extremo e tem-se a confirmação de que estamos vivendo um período de aquecimento agravado da atmosfera da Terra, o governo Lula continua tocando o barco e liberando mais agrotóxicos para venda e consumo em território nacional. É que hoje o Diário Oficial da União trouxe a publicação do Ato Nº 58, de 3 de dezembro de 2025, liberando mais 22 agrotóxicos do tipo “produto técnico” que são a versão concentrada que antecede a formulação dos produtos que serão vendidos. 


Uma primeira análise da lista de 22 agrotóxicos, um padrão comum em todo o ciclo de autorizações que o Blog do Pedlowski acompanha desde 2019 se confirma: 19 desses produtos são fabricado na China, o que mantém o principal comprador das commodities brasileiras na posição de maior fornecedor de venenos agrícolas.


Outro elemento comum já mostrado em outras publicações neste blog é que a maioria dos produtos liberados (pelo menos 14) são de produtos que foram proibidos ou sequer autorizados para uso pela União Europeia (UE).  No caso do herbicida Clorfenapir, a proibição na UE se deu em 2001 em função dos problemas ambientais e para a saúde humana, sendo que para outro herbicida, o Ciproconazol, a proibição é de 2004.  E não podemos esquecer do Imazetapir, herbicida que foi proibido na UE em 2002 por causa da sua toxicidade para o desenvolvimento ou reprodutiva, carcinogenicidade, etc.), e por sua alta persistência ambiental e periculosidade. Outros dois herbicidas, Diclosulam e Fomesafen, sequer chegaram a ser autorizados para uso na UE, mas estão sendo liberados para venda e consumo no Brasil.


A moral da história é o seguinte: por detrás dos discursos de responsabilidade e de compromisso com a agroecologia, o que temos na prática é uma enxurrada de aprovações que aumentam a exposição dos brasileiros a poderosos venenos agrícolas que adoecem os brasileiros via contato direto, consumo de alimentos e ingestão de água contaminados por um complexo coquetel de substâncias químicas banidas em outras partes do planeta.

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