A Copa do Mundo de Donald Trump
- Redação
- há 53 minutos
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A Copa do Mundo de 2026 que ocorre nos Estados Unidos, Canadá e México está em todo canto, não se fala de outra coisa. O futebol, esporte global, tem na copa o seu grande palco e como todo grande negócio transnacional, não poderia escapar da política. A edição deste ano chega principalmente nos EUA, que possui 75% dos jogos, com o país ianque bombardeando outro participante do torneio e deixando claro para todas as semi-colonias que estão participando da competição que: ‘’Não queremos vocês aqui’’.
Para além de ser o maior evento esportivo do mundo, a Copa do Mundo desde a sua retomada após a Segunda Guerra Mundial, se tornou uma grande arma de propaganda, capaz de perfumar regimes fascistas e ‘’limpar’’ a imagem de grandes crises políticas. Como foi o caso da edição de 1978 realizada na Argentina, em plena ditadura militar, com jogos ao lado de onde haviam centros de tortura; a copa da Coreia e Japão, em 2002, logo após um golpe militar na coreia; a do Brasil em 2014 com seus faraônicos estádios que custaram 5x o estimado ou a de 2022 no Catar, na qual mais de 6 mil operários, em sua maioria imigrantes que trabalhavam em condições análogas a escravidão, morreram na construção dos estádios. E mesmo assim, não se vê alarde sobre isso e nem mesmo no período no qual foram realizadas essas edições, pois a copa é um canhão de propaganda e foi costumeiramente é utilizada para ''limpar a imagem'' do país anfitrião. O que chama atenção, é Donald Trump ir em um caminho inverso a estratégia utilizada por esses países, e parece ter um controle sobre a FIFA nunca antes visto. Por que?
Os primeiros escândalos começaram mesmo antes da bola rolar no primeiro jogo: o melhor árbitro africano de 2025 (Escolhido pela Confederação Africana de Futebol - CAF), o somali Omar Artan, teve sua participação vetada na copa devido a negação do seu visto após dias de interrogatório. Omissa, a FIFA nem mesmo questionou a decisão e o árbitro retornou ao seu país, onde foi recebido por uma multidão como um símbolo anti-imperialista. Várias seleções africanas, asiáticas e latina-americanas foram revistadas de forma vexatória logo após descerem do avião, as torcidas de Senegal, República Democrática do Congo, Irã, Iraque e Gana foram proibidas de viajar aos EUA, ainda houveram muitas restrições para países como Escócia, Marrocos, Egito e Jordânia. O artilheiro da seleção do Iraque, Aymen Hussein, foi interrogado por 7 horas e a seleção do Irã foi proibida de dormir em território ianque. Todo dia de jogo, os jogadores viajam do México para os EUA, o que configura uma clara sabotagem a seleção iraniana.

Para entender como deu-se início essa relação de Donald Trump, FIFA e a influência dos EUA, precisamos voltar ao ano de 2015. Uma investigação extensa do FBI descobriu uma rede de corrupção na entidade máxima do futebol, que mudou todas as estruturas do futebol levando a cadeia os presidentes das principais confederações do mundo, como a própria entidade que organiza o futebol na América do Sul (CONMEBOL) e o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin. Essas prisões, que começaram a acontecer em 2016, causaram um vácuo poder na FIFA que foi rapidamente preenchido e alçou Gianni Infantino à presidência. Desde o primeiro mandato de Trump, Infantino sempre parece estar alinhado aos interesses ianques, pois logo em 2018 endossou e apoiou a candidatura dos EUA para sediar a Copa do Mundo de 2026, o que de fato ocorreu nos anos seguintes. Após o retorno de Trump à presidência, os ianques foram escolhidos também para sediar o Super Mundial de Clubes de 2025, além da Copa do Mundo Feminina de 2032.
O calhorda descarado Infantino, criou um “Prêmio FIFA da Paz”, após Trump exigir o Nobel da Paz e ser ignorado e entregou esse ‘’prêmio’’ ao fascista pedófilo em meio a abertura do Super Mundial de Clubes. Isso, mesmo após o governo Trump apoiar efusivamente os crimes de guerra e violações internacionais sionistas em Gaza e meses depois da entrega do prêmio ter atacado sem motivo algum o Irã, e mirado em uma escola de meninas matando 168 crianças. Como se não bastasse esse papelão, Trump foi selecionado para entregar a taça para a seleção campeã, algo nunca antes visto ou feito por qualquer chefe de estado, já que era uma tradição a taça só ser tocada pelos campeões da competição.
Gianni Infantino se submeteu totalmente ao presidente dos EUA com diversas declarações públicas sobre a importância da participação de Trump na organização da competição, o que só expõem o caráter reacionário e sanguinário da atual gestão da FIFA, que ignora a agressão ianque ao Irã, ou mesmo a Venezuela, que também foi bombardeada e teve seu presidente sequestrado em janeiro. A Rússia foi banida de todas as competições devido a sua invasão à Ucrânia com menos de uma semana do início da guerra, mas os EUA ganharam como prêmio a copa mais hipócrita de todas e Israel segue competindo nas competições da FIFA e UEFA (Federação Europeia de Futebol).
Esse estreitamento de laços, claro, cria oportunidades de transformar o espetáculo esportivo em especulação financeira. Pela primeira vez na história, a FIFA lançou o “preço dinâmico” dos ingressos, que varia conforme a demanda. Essa atitude fez o valor disparar no primeiro instante com os ingressos mais baratos para a final saindo por US$2030,00 (cerca de R$10,8 mil) e o mais caro por volta de US$6 mil (cerca de R$32 mil). Os valores mais do que dobraram em comparação a COPA de 2022, porém os valores finais não são o maior problema, a FIFA lançou sua própria plataforma de venda e revenda de ingressos sem valor fixo, o qual gerou uma hiper valorização com valores chegando a cifra milionária. Procuradorias de Nova York e Nova Jersey iniciaram uma investigação por valores abusivos e denúncias de compradores que pagaram por um setor mais caro e receberam ingressos em setores inferiores. Além disso, três estados americanos chegaram a processar a entidade esportiva por manipulação de preços.
Protestos no México

Apesar de receber bem menos jogos, o México também tem sido alvo de polêmicas. Na cidade do México, diversos coletivos e organizações camponesas e de familiares de desaparecidos, lançaram uma série de manifestações desde do início da competição, uma greve nacional também foi organizada pelo sindicato dos professores e se mantém por tempo indeterminado, reivindicando um aumento salarial de 100%.
Foi realizado bloqueio de diversas avenidas da cidade, porém o que marcou foi a invasão e o princípio de incêndio no interior do Ministério de Educação, no mesmo dia a população derrubou estátuas feitas para o evento e invadiram áreas destinadas a estrangeiros, conhecidas como “fan-zones”, ao redor do estádio Azteca que sediou a abertura foi relatado confronto entre manifestantes e polícias, com vítimas de ambos os lados, a população mexicana deixou o recado gravado por onde passou com tintas e spray, “sem solução, a bola não rola.”.
Em um mundo que marcha para uma nova guerra imperialista de partilha, o futebol, esporte mais popular e influente do mundo, não poderia ficar de fora do palco político internacional e tem na FIFA em um ator importante que neste momento, está fortemente ligada ao imperialismo ianque como nunca antes. A Copa do Mundo de 2026, que nem chegou ao fim ainda, entrou para a história como uma das mais hipócritas e polêmicas já realizadas, a Copa do Mundo de Donald Trump.






