Donald Trump, o fracassado do ano

As eleições para a câmara, senado e governador nos Estados Unidos, as chamadas ‘’midterms’’ ou eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira (03) representaram uma derrota retumbante para o Partido Republicano de Donald Trump. Esta derrota representa o rechaço à agressão contra o Irã, que impôs uma derrota militar, economica e política categórica aos ianques, a política racista anti-imigrante e também o repúdio ao apoio descarado de Trump ao genocídio palestino que se intensificou desde 2024.
Em estados como Texas, reduto republicano onde governavam e tinham representação no senado de 1988. No Kansas, que tinha o governo republicano desde 1934, o partido adversário de Trump saiu vitorioso, os democratas, que também ganharam em outros estados onde Trump ganhou com larga vantagem em 2024, como o caso de Ohio e Maine. Os republicanos perderam o controle do congresso, saíram de 224 deputados, para 147, enquanto que agora os democratas possuem ampla maioria da casa com um total de 240. No senado, o cenário é parecido, com o partido democrata tendo assumido 90 cadeiras contra 75 dos republicanos, por enquanto (a contagem ainda está sendo feita).
Esse cenário coloca Trump contra a parede e o impede de aprovar suas medidas draconianas a torto e a direito, como vinha acontecendo nos casos da agressão ao Irã e as medidas anti-imigrante com o departamente de polícia de imigração, o ICE, sendo uma verdadeira milícia pessoal de Trump, uma ‘’gestapo’’ moderna a serviço da extrema-direita dos EUA. O pedófilo Trump agora terá que se contentar em ‘’vetar’’, como já vem dizendo, todos os projetos do congresso, o que resultará provavelmente em uma grande estagnação política e econômica do país até a próxima eleição presidencial que acontecerá em dois anos.
Sua atuação como grande ''arauto'' da extrema-direita na América Latina, também será dificultado, pois sem o apoio do congresso será extremamente difícil as ajudas financeiras para a Argentina e o apoio a corja bolsonarista em sua tentativa de Golpe de Estado, tentativa esta que também se enfraquece bastante com o resultado destas eleições.
Pessoas influentes dentro do Partido Republicano, como o vice de Trump, JD Vance, têm culpado exatamente a atuação no Irã como um dos principais fatores que os levou a esta derrota acachapante e tem buscado agora se afastar deste tema. A inflação gerada pelo conflito está galopante, com os combustíveis mais caros que na crise de 2008. O cenário que se apresenta, devido a alta rejeição deste projeto fascista aberto de Trump, é de uma debandada do barco trumpista, como a já anunciada saída do ministro da guerra ianque Pete Hegseth, que será demitido devido a sua atuação desastrosa das ações no Irã. Surgem notícias, desde terça, que diversas outras figuras carimbadas também vão se distanciar do laranjão.
A RRC no Que Fazer? logo início da agressão, no dia 02 de março, que o desencadeamento do conflito traria consequências: ''As perdas militares e econômicas não deixarão de repercutir politicamente no interior dos Estados Unidos, com aumento da inflação e questionamentos às ações ilegais de Trump, que rasga a lei interna tanto quanto a lei internacional, ao declarar sucessivas guerras sem autorização do Congresso. No interior do seu próprio movimento fascista, MAGA, já surgem dissidências, que cobram sua promessa de não envolver os EUA em novas guerras no estrangeiro. Se o presente é de dor e sofrimento para as massas iranianas, palestinas e libanesas, vitimadas pela sanha assassina dos imperialistas, o futuro é de derrota certa para os imperialistas.'' (Acesse: Trump e Netanyahu, os nazistas do século XXI, já têm sua Operação Barbarossa)
E foi exatamente o que ocorreu.
Para Trump, há somente duas saídas: apostar na intensificação da agressão ao Irã, a ponto de buscar uma espécie de estado de sítio para que haja uma suspensão das eleições (isso também beneficiaria a retórica de Netanyahu para de alguma forma se manter no poder da entidade sionista), porém entendendo os custos políticos e economicos de tal ato e sem apoio popular massivo para tal ou buscar ‘’sair de fininho’’, mantendo a pose com alguns vetos estratégicos mas buscando tirar o foco de sua figura para que não acabe na cadeia devido aos seus inúmeros crimes.
Em um momento onde a situação política global tem se estreitado, nas dinâmicas de disputa entre as potências imperialistas por influência e até mesmo território, essa inércia dos Estados Unidos pode fazer os ianques pagarem um preço alto. Veja, aqui não se trata de ver nos democratas qualquer tipo de viés de esquerda, mas de entender que esse racha dentro do seio do capitalismo mundial representa um sintoma da grave crise política e econômica que o sistema capitalista está passando e deixa claro que cada vez mais os seus dias estão contados.






