Fora ICE! - Povo dos EUA se Levanta Contra a Polícia Fascista de Trump
- Ian Barros
- 14 de jan.
- 4 min de leitura

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas por todo os EUA nos últimos 5 dias, desde o assassinato covarde de Renee Good, em Minneapolis, na quarta feira (07). Ao acompanhar uma abordagem do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no bairro onde morava, foi enquadrada em seu carro e, ao manobrar para se afastar do local, foi baleada brutalmente na cabeça com vários tiros. Porta-vozes do governos alegaram que Renee acelerou contra o oficial, o que vídeos divulgados de diversos ângulos deixam claro que não ocorreu.
Renee era voluntária de uma rede comunitária de monitoramento de abordagens do ICE, iniciativa que se generalizou pelo país como resposta aos métodos agressivos e fascistas aplicados por seus agentes. Na terça-feira (6), o governo fascista de Trump começou uma ofensiva em Minneapolis, enviando 2 mil agentes, a maior quantidade de agentes do ICE enviados a uma cidade - com centenas sendo enviados após as manifestações, superando por muito o número de policiais locais.
Este brutal assassinato é mais um degrau na escalada fascista do governo Trump, que espelha internamente sua política de ataques aos povos oprimidos do mundo. A resposta interna para a crise política e econômica de confrontação de sua hegemonia internacional é a agressão brutal aos direitos mais básicos, enquadrando a população imigrante como responsável pela crise que o país enfrenta. Esta velha tática já é conhecida desde os nazistas de Hitler, requentada ao longo das décadas até o século XXI pela extrema-direita, onde para dissimular a crise capitalista na qual se encontra, os governos taxam como principais inimigos grupos discriminados racialmente e considerados estrangeiros.
No dia seguinte a este brutal assassinato, já com dezenas de manifestações se espalhando pelo país, oficiais do ICE balearam dois imigrantes venezuelanos, Yorlenys Contreras e Luís Moncada, em frente a um hospital, na cidade de Portland, no estado de Oregon. A mulher foi baleada no peito e o homem na perna, ambos foram hospitalizados, mas sem informações divulgadas sobre seu estado. Novamente, a alegação dos agentes é de que o casal teria acelerado com seu carro em direção aos oficiais durante uma abordagem, alegação completamente desmoralizada pelo assassinato de Renee. O modus operandi da manipulação fascista neste caso fica evidente: tratar a evasão com um veículo durante uma abordagem como ataque direto a um oficial, prática definida pela secretária de segurança dos EUA como “terrorismo doméstico”.
A brutalidade com que Renee foi morta despertou a fúria popular por todo o país, tal como no caso de George Floyd (morto sufocado a menos de 2 quilômetros de onde Renee foi baleada), Breonna Taylor, Sonya Massey e outras vítimas da polícia fascista dos EUA, revelando que o povo norte americano não irá tolerar ser executado pelo Estado. Logo na noite de seu assassinato, cerca de 400 manifestantes protestaram em frente ao escritório do ICE na região e mais de mil manifestações ocorreram no final de semana, onde manifestantes enfrentaram temperaturas negativas para protestar exigindo o fim das operações do ICE por todo o país, em Nova York, Minneapolis, Austin, Seattle, Portland, Filadelfia, Boston e outros. Na capital Washington, milhares protestaram em frente à sede do ICE e à Casa Branca.
Ofensiva Fascista de Trump
O governo de Trump realiza uma ofensiva contra imigrantes sem precedentes. Em 2025 foram 352 mil imigrantes presos e deportados, tratados desde a abordagem como indivíduos sem direitos, com brutalidade e desumanização, realizando detenções sem processos criminais instaurados, separando crianças de suas famílias, lembrando todo o mundo com seus centros de detenção, os centros de concentração da Alemanha nazista, substituindo a execução em massa, pela deportação em massa.
Desde o início do atual mandato de Trump, o investimento da polícia imigratória triplicou, chegando a U$ 29,9 bilhões de dólares ao ano, de acordo com o Conselho Americano de Imigração. Este valor só não é maior do que o orçamento das Forças Armadas de 16 nações do mundo, segundo o SIPRI Fact Sheet, instituição independente de pesquisa em segurança global, sendo maior, inclusive, do que o das Forças Armadas brasileira. Outros U$ 45 bilhões de dólares foram investidos na construção de centros de detenção para imigrantes, chegando a conter 69 mil pessoas detidas no último ano.
Este investimento colossal, somados aos U$ 997 bilhões de dólares gastos em 2025 com as Forças Armadas norte americanas (o triplo da segunda maior, China), junto ao seu resultado direto na forma de agressão colonial e violação de direitos em seu próprio território, manifestam a fascistização interna dos EUA e a agressividade imperialista crescente com que defende sua hegemonia mundial, rompendo qualquer limite humano, se por um lado demonstrando sua potência, também por outro o seu desespero.

Rebelar-se é Justo!
Pois os frutos do terror que tenta aplicar ao povo em seu território e aos povos do mundo não esperaram, em nenhum dos casos, nem 24 horas, como nas manifestações massivas nos EUA e a mobilização armada do povo venezuelano, nem 1 segundo, como nos gritos furiosos da esposa de Renee, ouvidos após os tiros serem feitos pelo agente do ICE, Jonathan Ross. Seja Trump ou qualquer outro que aplique uma política fascista ao seu povo, só irá colher uma revolta crescente, que tende a se organizar - já foram registrados nos EUA o acompanhamento armado de abordagens políciais, por parte de militantes negros revindicando o histórico Partido dos Panteras Negras.
As massas populares conhecem bem como usar sua força, contrariando o pacifismo que mesmo opositores de Trump fizeram questão de celebrar, ao parabenizar que diante de um assassinato tão brutal, terem havido “manifestações pacíficas”. Estas condenações só servem às classes dominantes, que se dividem em atacar e cinicamente se colocar ao lado do povo, desesperados por acreditar no que afirmam quando repetem que os que se revoltam com violência para se defender do Estado são apenas “alguns casos” ou que são “criminosos disfarçados de manifestantes”. Quando fazem ser o povo as vítimas do desabamento da sociedade burguesa, é preciso decidir qual direção será dada às pedras: se às instituições repressivas do Estado ou se será permitido serem as nossas cabeças.






