Houthis expulsam sauditas do Iêmen e agora controlam o Estreito de Bab el-Mandeb

Ontem (11) as forças Houthis do Iêmen avançaram sobre dezenas de cidades da costa sul do país que estavam sob controle de um governo fantoche da Arábia Saudita que é apoiado por milícias e mercenários sauditas, que controlam parte do território iemenita há décadas. Estes grupos são financiados principalmente pela Arábia Saudita, mas também pelos Emirados Árabes Unidos. São aliados explícitos dos EUA, sendo assim, consequentemente aliados também dos sionistas. Dentre essas cidades, a cidade portuária de Mocha se destaca. Esta cidade era a última cidade às margens do Mar Vermelho que os Houthis não controlavam, algo que os coloca em uma posição muito estratégica para o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, principal rota comercial que liga a Ásia à Europa, seguindo mar acima pelo Canal de Suez. Para além disto, também comandam agora a Ilha Zuqar, que funciona como um posto de regulação do estreito e estava nas mãos dos sauditas.
Esse avanço dos Houthis no Iêmen é um grande avanço não só para a resistência iemenita, que agora só não comanda dentre as cidades mais relevantes, Aden, que está a menos de 150km de Mocha. É também um grande golpe para os EUA e seus aliados na região, que agora vão ter que incluir em seus cálculos o possível fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb de forma muito fácil pelos Houthis, podendo seguir uma cartilha parecida com Ormuz, de um fechamento seletivo, a fim de favorecer os aliados Houthis na região, que são notadamente Irã, Rússia e por tabela, a China. Grandes apoiadores da causa palestina e aliados de longa data do Irã, os Houthis têm atacado Israel com mísseis e impondo um bloqueio naval aos sionistas desde a intensificação de seu genocídio em Gaza a partir de 2024, além terem retaliado Israel após sua invasão ao sul do Líbano no ano passado.
Mapa do Iêmen com a cidade de Mocha destacada. Mapa: Al-Jazeera. Ponto onde está localizada a ilha Zuqar. Mapa: Google Maps.
Trump ainda na encruzilhada
Foram ao menos 5 destróiers destruídos no ainda fechado Estreito de Ormuz nos últimos 7 dias, após ataques a embarcações iranianas em Ormuz, um drone-navio capturado e dezenas de aeronaves completamente destruídas na Jordânia. As bases em todo Oriente Médio foram evacuadas, com o exército ianque deixando para trás somente os destroços. Donald Trump, que vem desferindo bravatas vazias, sendo forçado pelos sionistas a não ceder às exigências iranianas, agora se vê em um cenário incontornável de derrota retumbante. Para pôr fim ao conflito que não tem como ganhar a médio ou curto prazo, precisa aceitar as pesadas imposições iranianas, algo que continua sendo uma impossibilidade por ser uma desmoralização completa e também por ser uma admissão pública de que não possuem mais uma hegemonia militar inconteste.
Já fazem mais de dois meses da assinatura do acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, que já naquela altura demonstrava de forma muito evidente a vitória da resistência iraniana sobre a agressão ianque-sionista. As conversas e negociações para pôr fim ao conflito que ficou conhecido como ‘’Guerra do Ramadã’’, não tem ido a lugar algum e as pequenas tentativas de Trump de baixar o preço do petróleo alegando que o Estreito de Ormuz está aberto foram respondidas de forma arrasadora pelo Irã que afirmou em recente declaração que para cada ataque a seu território ou contingente militar, 20 alvos de aliados dos EUA no Oriente Médio seriam atacados.
Em meio a campanha das eleições de meio de mandato e com a sua aprovação despencando, o preço do petróleo cada vez mais nas alturas e com o Irã cada vez mais ‘’dando as cartas’’ no Oriente Médio, Donald Trump busca uma resposta que não é de forma alguma simples de ser encontrada. Está em uma encruzilhada que todos os caminhos parecem o levar a uma derrota retumbante, pois o que parece é que o mesmo deve seguir numa aposta de escalada cada vez maior do conflito.
A vitória dos Houthis, mesmo com todo dinheiro saudita, emirate e apoio dos ianques contra, é mais uma prova de que um povo pode defender sua terra contra os imperialistas e vencer.






