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O Rio de Janeiro estremece com a greve dos rodoviários  

O núcleo do Rio de Janeiro da Revista Revolução Cultural esteve nos últimos dias acompanhando a greve dos rodoviários que teve início no dia 29, e que se estendeu até o dia de hoje. Na segunda-feira, os rodoviários iniciaram sua greve à meia-noite, após decisão na assembléia da categoria, que ocorreu em Rocha Miranda, na sede do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro. Suas reivindicações são: O fim da escala 6x1; Aumento salarial; Fim dos contratos temporários dos funcionários do BRT; Pagamento do tíquete-alimentação de R$ 1.000; Manutenção  do passe livre da categoria; indenização do horário de almoço; plano de saúde e odontológico; Mudança da data-base para 1º de março;

Desde segunda-feira, e durante todo o período de paralisação, diversos veículos de comunicação da grande mídia, fizeram matérias, reportagens na televisão e em mídias digitais, sobre o impacto da greve na população, culpabilizando a própria greve nos prejuízos aos demais trabalhadores. Fica notável sua falta de compromisso em publicizar os incontáveis problemas com os quais os rodoviários lidam diariamente. Nos relatos que colhemos durante a greve constam: A falta de segurança nas linhas que rodam zonas de confronto, os descontos arbitrários que recaem sob a responsabilidade do motorista, em relação à conduta da população, ameaças de morte, de agressão física, assédios e descumprimentos de leis trabalhistas por parte das empresas de ônibus. 


Diante desta situação de brutal precarização, suas reivindicações ainda são mínimas. Estes veículos de comunicação somente difundem divisão no seio do povo, e mesmo assim, o apoio da população à greve não deixa de ser notado. Mesmo com os pontos de ônibus lotados, o que ouvimos são comentários de pessoas que se identificam com a situação dos rodoviários e apoiam sua luta. 


Na terça-feira, 30/06 às 10h30, houve no Tribunal Regional do Trabalho, uma audiência de conciliação em que se tentou chegar em um acordo entre o sindicato dos rodoviários e o sindicato patronal (Rio Ônibus), mas não houve acordo. Em frente ao tribunal, ocorreu uma manifestação da categoria, seguida de uma assembleia. Este momento foi marcado por tensão por conta de desacordo, por parte de grande parte dos trabalhadores presentes, em sair da greve para entrar novamente em estado de greve, aos gritos de “a greve continua!”. Em meio a confusão, a polícia agiu de maneira truculenta, jogando sua viatura para cima dos manifestantes, usando spray de pimenta e os ameaçando com suas armas. Mesmo diante desta postura virulenta da polícia, os grevistas marcharam em protesto até o Terminal Gentileza, paralisando os ônibus que vinham pelo caminho. 


Em nova audiência de conciliação, realizada nesta quarta-feira, o sindicato patronal apresentou a mesma proposta de reajuste de 4,39%, aquém da reivindicação de aumento de 17%. Diante disso, uma nova assembleia dos rodoviários ocorreu em Rocha Miranda. Com início às 16h, os rodoviários realizaram sua assembleia na sede de seu sindicato. Com a forte presença de seguranças na entrada, o sindicato estava receoso com a presença de movimentos sociais que estavam se utilizando da mobilização para promover seus candidatos. 


Desde o início da assembleia, a proposta de recuar ao estado de greve foi apresentada pelo sindicato diante das determinações judiciais do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Anteriormente, no dia 27/06, o TRT determinou que fosse mantida, no mínimo, 50% da frota operacional ativa por linha e itinerário, durante a paralisação. Mas na noite de terça-feira, o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, do TST, determinou que o percentual acolheu um pedido da Prefeitura do Rio e impôs o percentual de 80%.


O que nos chama atenção é que este percentual de 80% é justamente a frequência mínima que as empresas de ônibus precisam cumprir para que o subsídio da prefeitura não seja descontado. Desta forma, mesmo com a greve, as empresas não perderiam seu lucro. Fica claro o desespero para que se faça cumprir a decisão do TST, à todo custo. Não nos engana o discurso de que a preocupação com o percentual da circulação seja em relação aos trabalhadores que dependem do serviço, é tudo pelas empresas, nada por nós. 


Nosso núcleo tentou coletar entrevistas com os relatos dos trabalhadores presentes, sem sucesso. O que ouvimos de todos com quem pedimos para gravar, é que há muito medo, em toda a categoria, independente de linha ou empresa em que roda, de perseguição política. Um trabalhador cedeu uma conversa com registro, sem o uso de nenhum aparelho de gravação de áudio ou vídeo, e nos contou sobre os absurdos que passa no seu dia-a-dia. Ele nos diz que estão sob muita pressão durante a greve, principalmente vendo o que sai na grande mídia. O trabalhador nos conta que sofre com ameaças de morte diariamente, que teve seu salário descontado por deixar crianças entrarem pela porta de trás sem pagar, que são obrigados a dirigir economizando óleo, freio. Ele diz “Tudo é na conta do motorista, multa por parada em local irregular por conta de terceiros, sinais queimados, e tudo é na conta do motorista, perde ponto na carteira[...] É motorista que bate por conta do plantão de 12h, é motorista que vai trabalhar com atestado médico pois empresa de ônibus não aceita atestado médico. Todas empresas de ônibus recusam atestado médico, eles colocam um monte de empecilhos para ser aceito, um deles é se locomover até o centro da cidade.”. Seu relato demonstra o peso deste trabalho “O veículo é pesado, é muita exigência, muita pressão e eles esquecem que somos pessoas com psicológico, teve colega que abandona ônibus dentro da rua, já conheci colega que abandonou o ônibus tendo crise de pânico, já conheci colega também que infartou no volante do ônibus. Estive no meio de um tiroteio e não recebi nenhum suporte, após faltar no dia seguinte por conta do terror, tomei afastamento de 3 dias.”


Uma nova audiência está marcada para a próxima segunda-feira, dia 06/07. O que foi decidido pelos rodoviários na assembleia desta quarta-feira é que recuam ao estado de greve até segunda. Diante da proposta do sindicato patronal, caso não seja “decente” (em suas palavras) irão aderir à greve por tempo indeterminado novamente. 













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