Polícia atinge criança de cinco anos no rosto, e nas manchetes: mentiras
- Núcleo do Rio de Janeiro
- há 1 dia
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Um menino de cinco anos foi baleado na Mangueira hoje. Nos portais da grande mídia, as reportagens reproduzem a nota da polícia civil, dizendo que os oficiais foram "covardemente atacados por narcotraficantes" durante uma operação contra ferro-velhos. O núcleo do Rio da Revista Revolução Cultural pôde ir ao local conversar com os moradores que presenciaram a operação para apurar as informações que foram noticiadas. Como sempre, os moradores denunciam que as informações divulgadas são covardemente adulteradas.
Nesta quarta-feira, todos no entorno do Maracanã e até dentro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro puderam ouvir tiros sendo disparados no início da tarde. Uma viatura da polícia civil estacionou em frente ao antigo metrô mangueira, local que foi destruído pela prefeitura do Rio em meados de 2016 com remoções e despejos, e começou a atirar indiscriminadamente em direção ao comércio e bares que estão dispostos na saída do metrô. Segundo os moradores, um dos tiros acertou o rosto de uma criança de cinco anos que brincava na varanda de sua casa. Aqueles que estavam nos comércios ou transitando pela região, que dá acesso ao outro lado da linha do trem, foram empurrados pelos agentes para dentro dos bares aos berros. Os moradores relataram que os policiais gritaram e xingaram uma senhora que foi empurrada para o bar.
Com a criança no colo, os familiares procuraram ajuda e só conseguiram apoio dos demais moradores, sem que a polícia sequer socorresse a criança baleada. A família da criança por sorte teve ajuda de um carro que passava que o levou ao Hospital Municipal Menino de Jesus. O menino segue no hospital, após transferência para o Hospital Souza Aguiar. Em resposta à este tratamento de guerra, um grupo de moradores ateou fogo em pneus e caçambas de lixo para impedir o tráfego de carros pela Avenida Rei Pelé. O justo protesto realizado pelos moradores foi reprimido brutalmente pela RECOM junto da Polícia Militar, disparando tiros de bala de borracha e gás lacrimogêneo.
No Rio de Janeiro, toda semana são realizadas operações pela polícia militar em nome do “combate ao tráfico” nas favelas das várias regiões da cidade. Como já afirmamos em razão da chacina realizada na Penha em 28 de outubro do ano passado, em que a polícia executou mais de 130 pessoas, não se trata de uma guerra entre dois lados, o Estado e o tráfico de drogas, pois este também representa uma parte do montante de magnatas que ocupam o poder. O que existe no Brasil é terrorismo de Estado e guerra contra o povo, somente. O pretexto de combate ao tráfico não passa de uma justificativa para cometer contra a população mais vulnerável toda sorte de atrocidade, inclusive a tortura filmada e à céu aberto em meio às operações.
Ao monopólio de imprensa: vergonha! Noticiam mentiras, o que fica cada dia mais claro a população que vivem na pele a realidade das matérias mentirosas que vocês têm a audácia de divulgar em seus jornais de monopólio. Servem como verdadeiros porta-vozes da narrativa farsante das forças de repressão, legitimando toda violência aplicada sistematicamente contra o nosso povo.

foto: reprodução/Record TV






