RJ: Ana Clara, de Niterói, não será esquecida

A cidade de Niterói amanheceu neste sábado (24) com denúncias ao miliciano Flávio Bolsonaro sobre caso Ana Clara e outros ataques aos trabalhadores.
O Núcleo de Niterói da Revista Revolução Cultural realizou uma atividade de colaço na noite do dia 23 de outubro. O objetivo foi preencher a cidade com (ainda mais) cartazes contra o avanço fascismo no país, o manifesto de 10 pontos povo brasileiro da RRC e denúncias aos crimes do atual candidato à presidência e miliciano Flávio Bolsonaro. Aquele mesmo, o filho do golpista Jair Messias Bolsonaro e irmão do fujão e traidor da pátria Eduardo Bolsonaro. Antes que os cartazes sejam retirados da parede com dificuldade, conforme a tática mesquinha dos cúmplices de seus crimes, a população será confrontada e convidada a ler linha por linha a história do assassinato de Ana Clara.
Ana Clara Gomes Machado, de apenas 5 anos, era moradora de Niterói, da comunidade Monan Pequeno, em Pendotiba. A criança brincava no portão de sua casa com sua boneca quando foi atingida por dois tiros de fuzil no peito, disparados pelo policial militar Bruno Dias Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O PM já havia sido condenado em primeira instância pelo homicídio doloso, isto é, quando há a intenção de matar, de um motociclista baleado com três tiros nas costas em 2014. Bruno Dias Delaroli respondia em liberdade por esse crime, um assassinato pelas costas por motivo fútil, conforme documentos do Ministério Público, quando tirou a vida de uma criança. Nesse último caso, em frente ao filho de 2 anos, a mãe implorou para que Ana Clara fosse socorrida, sendo inicialmente ignorada pelos policiais. A criança foi levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, mas não resistiu. O policial, preso em flagrante em 2 de fevereiro, dia do assassinato, foi solto meses depois sob medidas cautelares e autorizado a responder em liberdade, mesmo acumulando denúncias pelo Ministério Público. Em 2024, o miliciano e senador Flávio Bolsonaro atuou como advogado, de forma voluntária e não remunerada, na defesa do policial, assinando um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que o crime não fosse julgado por um júri popular. Felizmente, o pedido da máfia foi rejeitado. Após doze anos do primeiro assassinato, repetimos: Bruno Dias Delaroli segue em liberdade, com seu julgamento, após adiamento graças a Bolsonaro e companhia, marcado para 5 de maio de 2027.
No último debate presidencial, ocorrido no dia 23 de outubro, o candidato que defende um projeto que busca eliminar a identificação de munições adquiridas por órgãos de segurança pública (numerações que, por exemplo, foram responsáveis por identificar seu cliente Delaroli no caso da morte de Ana Clara), ao ser questionado sobre o ocorrido, respondeu:
"Ana Clara, eu quero falar pra senhora: está, de verdade, a minha solidariedade. Foi uma tragédia o que aconteceu. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos de idade. Eu tenho uma filha de 14 e uma filha de 12. Era uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada…".
Com essa fala, revela sua indiferença e perversidade: chama uma mãe pelo nome de sua filha morta. Além disso, mente e tenta enganar o povo, visto que as perícias atestam que não houve troca de tiros. Em seguida, as palavras da mãe, Cristiane Gomes da Silva:
"Por que ele defendia o assassino da minha filha? Ele inventou um confronto ali, como o policial inventou no dia. Ele nem sabe da história".
Flávio Bolsonaro e seu clã tentam transformar a história de Ana Clara em um caso isolado, mais um dado estatístico, um resultado infeliz de territórios dominados pelo crime. Posição semelhante à de Renan Santos, que, quando questionado, em sabatina da Globo no primeiro turno das eleições, sobre como evitar a morte de pessoas inocentes, possíveis resultados de sua proposta de combate ao crime organizado e “desfavelização” das comunidades brasileiras, disse: “É obvio que uma pessoa que vive na favela já não tem direitos. Ela não está abdicando de nada que não tenha”.
Enquanto isso, afirmamos: a trajetória única de Ana Clara e sua família é atravessada, pelo contrário, pela repetição da lógica assassina, que é o modus operandi da Polícia Militar contra o povo brasileiro dentro das favelas. Uma instituição que demonstra sistematicamente a violência como método. São o braço armado das forças burguesas que, afinal, não tem interesse real em combater o andar de cima do crime organizado, seu verdadeiro sustentáculo, pois controlam e se beneficiam com ele.
Pelo fim da Polícia Militar! Pela memória de Ana Clara! Justiça por Ana Clara e sua família!
Confira as fotos:






