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Soberania nacional se defende na ponta do fuzil

"Este patriota tem dono" - Dinelli (@1dinelli)
"Este patriota tem dono" - Dinelli (@1dinelli)

Alguns dias após novas juras de amor entre Lula e Trump, eis que os Estados Unidos baixaram duas resoluções altamente lesivas aos interesses brasileiros: a primeira, classifica o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, à revelia do que prevê a própria legislação nacional, o que abre brechas jurídicas para ações – estas sim, terroristas – da CIA ou forças militares ianques em solo pátrio; a segunda, indica tarifas de 25% contra uma série de produtos brasileiros, ao termo de uma “investigação” que concluiu que o governo de Brasília adota uma série de medidas “desleais” contra empresas estadunidenses. Uma das medidas desleais apontadas no referido relatório, é o meio de pagamento PIX.


Neste ínterim, Flávio Bolsonaro, enlameado pelo seu envolvimento, devidamente flagrado e registrado, com Daniel Vorcaro, buscou posar numa foto ao lado de Trump, para mitigar o desastre das suas relações frente à sua própria base eleitoral. Aos assessores do genocida do Norte, o “Rachadinha” reforçou seu projeto de se eleger não presidente do Brasil, mas gerente de uma colônia ianque. 

As conclusões mais importantes destes episódios são estas:

1 – Não há negociação segura ou confiável com o imperialismo. A ideia do governo Lula de apostar todas as fichas na construção de uma “ponte” com o governo genocida de Trump – inclusive ao dizer, em mais de uma ocasião, que conta com a “parceria” dos Estados Unidos para explorar as nossas terras raras ou a fim de combater o “crime organizado” – se revelaram, se não uma completa perda de tempo, uma aposta fundada em premissas falsas. Como a história comprova, quanto mais concessões se faz ao imperialismo, tanto mais ele exige.

2 – O imperialismo é um estágio do capitalismo – em suma, a partilha do mundo em esferas de influência por um punhado de potências – e não uma política que pode se alterar de acordo com o governo de turno. Os Estados Unidos, em fase de decadência da sua hegemonia, não escondem ter na primazia sobre a América Latina a principal salvaguarda da sua projeção de poder em escala global. Por isso, seja sob os democratas, seja sob os republicanos, o seu porrete segue desafiando de modo insolente os nossos povos. Basta citar, como único exemplo, o fato de Dilma ter sido “grampeada” em pleno governo Obama, durante um escândalo de grandes proporções à época.

3 – Em decorrência disto, somente o povo mobilizado e armado pode defender a integridade territorial e a autodeterminação de governo sobre seu território. Os Estados Unidos, como as demais potências nas suas esferas de influência, não precisam de justificativas legais para intervir militarmente em dada nação oprimida. O que há, naturalmente, é uma batalha política, e o Irã acaba de demonstrar que o que conta na luta anti-imperialista são as perdas econômicas e humanas que os povos agredidos podem opor aos agressores. Neste sentido, em última instância, a soberania se defende não em mesas de negociações, mas na ponta do fuzil. As negociações não farão mais do que ratificar aquilo que se ganhou ou se perdeu no campo de batalhas.

4- Neste sentido, se os Bolsonaros representam um projeto de subjugação escancarada aos Estados Unidos, Lula e o PT têm representado um projeto negociado desta mesma subjugação. Em termos econômicos, tecnológicos e militares o país segue ao longo dos sucessivos governos petistas dominado pelo tacão estadunidense. Nem sequer um sistema próprio de satélites, que nos assegurasse o conhecimento do próprio território, deu passos adiante nas últimas décadas. A reforma dos currículos das forças armadas – doutrinadas no anticomunismo e na doutrina do inimigo interno, cara aos militares norte-americanos – nunca foi nem sequer tentada e a quinta coluna age impunemente entre nós. 

5 – Pela legislação vigente, nenhum candidato pode estar vinculado a uma potência estrangeira, assim como é crime praticar atos com o objetivo de submeter o território nacional ao domínio estrangeiro. Portanto, Flávio Bolsonaro deve ter seu registro eleitoral cassado e, dado seu papel ativo e contemporâneo na conspiração entreguista-golpista, merece ter sua prisão decretada. Medidas, e não discursos eleitoreiros, resolvem questões desta natureza. Os que deveriam fazê-lo e se calam, são cúmplices.

6 – A nação não é uma mera extensão de terras ou o conjunto de recursos dispostos sobre o território. O cerne da nação é o seu povo. Sem mobilizar a população, chamá-la a defender seus direitos e elevar a sua consciência política, não é possível derrotar o imperialismo e seus lacaios internos. Por isto, a defesa da soberania nacional desvinculada da emancipação social dos trabalhadores, nesta fase da Revolução de Nova Democracia, não passa de um embuste demagógico. A pátria não é uma ideia vaga, mas as terras, as águas, as fábricas, o lar, as escolas, as praças, enfim, o conjunto de riquezas que foram construídas e devem ser governadas pelo próprio povo. O Estado brasileiro e suas forças armadas, tal como foram historicamente constituídos, são elementos da dominação semicolonial norte-americana, forças de ocupação a serviço dos seus interesses.

Por isso, é preciso mobilizar audazmente as massas populares em defesa dos seus interesses concretos e rechaçar o caminho da conciliação com os galinhas verdes e todos os entreguistas, avançar na luta popular, revolucionária  e anti-imperialista e libertar o Brasil. Este programa só pode ser cumprido pelo proletariado e seu verdadeiro Partido Comunista.  

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