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Uma vitória inegável da resistência iraniana!


Base militar dos EUA no Iraque. Foto: Portal Al Jazeera
Base militar dos EUA no Iraque. Foto: Portal Al Jazeera

Pouco havia a ser feito por Donald Trump, após o mesmo dar um prazo de 48h para a “destruição total de toda uma civilização (do Irã)”, além de aceitar goela abaixo todas as exigências do país persa para um cessar-fogo. Seu ultimato, que não poderia ser cumprido nem que jogasse uma bomba atômica no país persa, que possui 93 milhões de habitantes e uma história milenar de resistência, demonstrou somente como a guerra até aqui tem sido uma derrota inequívoca dos imperialistas ianques. 


Essa derrota se reflete, claro, nas centenas de aeronaves destruídas, nos dois F-35 abatidos, nos porta-aviões tirados de combate de forma desmoralizante, as dezenas de bases militares no Oriente Médio que agora estão inutilizáveis, no valor do petróleo e gás explodindo, mas também, pelo saldo negativo político sem precedentes recentes com os outras aliados ianques naquela região. As chamadas “monarquias do golfo” sofreram danos em suas infraestruturas petrolíferas, que não serão reparadas tão cedo. O Catar, por exemplo, retomou relações diplomáticas a décadas rompidas com o Irã, a Arabia Saudita foi pelo mesmo caminho e nenhum desses países retalhou o país persa. 


Diante deste cenário catastrófico, Trump tinha duas opções: a capitulação vergonhosa ou a escalada nuclear que teria consequências pesadas para Trump e também para os EUA como um todo. Faltando uma hora para o limite de seu ultimato, o presidente pedófilo dos EUA afirmou que havia tido um acordo para um cessar-fogo de duas semanas. Tratou de chamar de vitória a reabertura do Estreito de Ormuz (que já estava aberto e sem pedágio antes da agressão) e anunciou haveriam negociações para pôr fim aos bombardeios. O Irã, após algumas horas, confirmou a informação e disse que os EUA concordaram com os 10 pontos que o regime já havia colocado desde as primeiras tentativas ianques para um cessar-fogo. São eles: 


  1. Cessação completa de qualquer agressão contra o Irã e grupos de resistência aliados, retirada das forças de combate dos EUA da região 

  2. Proibição de qualquer ataque ao Irã a partir de bases e abstenção de adoção de formações de combate

  3. Passagem diária limitada de navios pelo Estreito de Ormuz por duas semanas, sob o Protocolo de Passagem Segura, sob a supervisão e regras específicas deste país.

  4. Abolição de todas as sanções primárias, secundárias e da ONU.

  5. Compensação das perdas do Irã por meio da criação de um fundo financeiro e de investimentos.

  6. Compromisso do Irã em não desenvolver armas nucleares.

  7. Reconhecimento, pelos EUA, do direito do Irã de enriquecer urânio e negociações sobre o nível de enriquecimento.

  8. Concordância do Irã em negociar tratados de paz bilaterais e multilaterais com países da região, de acordo com seus interesses.

  9. Extensão do princípio da não agressão a todos os agressores contra todos os grupos de resistência.

  10. Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores e do Conselho de Segurança e ratificação de todos os compromissos na resolução oficial da ONU. 


Após tal anúncio, a entidade sionista de Israel afirmou que não havia participado das negociações pelo cessar-fogo e que o mesmo não incluía nenhum acordo para o fim das hostilidades contra o Líbano, e empreendeu o maior ataque até aqui contra o país árabe. Em 10 minutos, cerca de 300 civis morreram em ataques dos nazistas do Século XXI em Beirute, capital libanesa. Esses ataques, que são parte da lógica genocida sionista de limpeza étnica e terror, foram respondidos imediatamente pelo Irã, que afirmou que o acordo previa o fim dos ataques do Líbano e fechou novamente o Estreito de Ormuz. 


É de suma importância a defesa da soberania libanesa frente a tentativa sionista de anexação de seu território, das formas mais hediondas possíveis, sem escrúpulos. O Hezbollah tem imposto baixas importantes ao exército sionista que tenta invadir o território libanês ao norte, e deve ter sua resistência apoiada por todos as organizações minimamente democratas. 


A porta-voz da Casa Branca afirmou que os EUA não haviam concordado com os termos iranianos, e que os ataques de Israel ao Líbano nada tinham haver com o acordo. Algo que foi desmentido pelo Paquistão, país que mediou o cessar-fogo, declarando que todos os 10 pontos propostos pelo Irã haviam sido acordados com os ianques. O que parece evidente, é que essas duas semanas são uma tentativa de reorganização da máquina de guerra ianque, e uma oportunidade para que mais tropas cheguem ao Oriente Médio para uma tentativa de invasão. Trump, nas mãos de Netanyahu e com sua megalomania, não aceita o resultado até aqui de sua empreitada e deve dobrar a aposta, mesmo com a desaprovação de boa parte do Pentágono. 


Essa semana, a equipe de Trump aposentou compulsoriamente o então chefe do estado maior do exército estadunidense, Randy George, que se opôs a uma tentativa de invasão terrestre do Irã. George falou que é um dos objetivos de Trump a invasão, e afirmou que os sionistas estão pressionando para que isto de fato ocorra, o que causaria perdas significativas para os ianques. Ao longo dos dias após o anúncio de cessar-fogo, pelo menos 3 pelotões com milhares de fuzileiros navais estadunidenses estão chegando ao Oriente Médio, antes mesmo da primeira reunião para discutir o fim do conflito que ocorreu neste sábado (11) em Islamabad, no Paquistão.


Foto do local da Cúpula para o cessar-fogo em Islamabad, capital do Paquistão. Foto: Agência Fars News
Foto do local da Cúpula para o cessar-fogo em Islamabad, capital do Paquistão. Foto: Agência Fars News

Do ponto de vista do Irã, essa “pausa”, também é importante pois mesmo tendo bastante êxito até aqui nos bombardeios em locais chave para desarticular o poder de resposta tanto dos EUA, quanto da entidade sionista, é obvio que existe um limite de até onde as suas capacidades podem ir. Esse tempo para reorganizar as forças e estabelecer melhor suas defesas, além de preparar mais o país para uma possível tentativa de invasão, que pode acontecer, também é valioso. No mais, o fim do conflito para o regime agora seria uma vitória esmagadora da resistência iraniana. Pois os EUA não conseguiram seu objetivo (fim do regime, e substituição por um regime títere ou partilha do país tal como Síria, Líbia e outros) e o que ocorreu foi uma reunificação e renovação do governo iraniano, além da manutenção do seu programa nuclear. 


Foto: Agência Fars News
Foto: Agência Fars News

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