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  • 24 de mar.
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Atualizado: 24 de mar.

Foto: Agência Fars News
Foto: Agência Fars News

Após mais de 20 dias do início do que se tem chamado de ‘’Guerra do Ramadã’’, Donald Trump declarou uma trégua unilateral de cinco dias, dizendo que ordenaria a suspensão de qualquer ataque às estruturas energéticas do Irã neste prazo. A resposta de Teerã foi uma inabalável recusa a aceitar qualquer cessar-fogo parcial e a reafirmação dos seus termos, cujo cerne é a garantia da inviolabilidade da sua soberania, e também do Líbano e da Faixa de Gaza, no futuro. Com efeito, o que se assistiu foi muito mais do que o abate dos considerados caças “invisíveis” F-35 dos Estados Unidos, ou a neutralização dos seus porta-aviões e obliteração das suas bases no Oriente Médio; foi mesmo mais do que a justa vingança se desabando sobre Tel-Aviv e toda a área da palestina ilegalmente ocupada pela entidade sionista: o que se percebe é a reafirmação de que o imperialismo ianque caminha a passos largos para seu fim, não meramente pela sua decadência econômica, mas sob o peso dos mísseis e da disposição inquebrantável de luta dos povos oprimidos, destacadamente aqueles da Ásia Ocidental. Cada golpe assestado pelo povo iraniano contra os seus inimigos se configura ao mesmo tempo uma cadeia a menos sobre os povos oprimidos do mundo.


Donald Trump, o fascista e pedófilo que é hoje o presidente dos EUA, empreendeu essa agressão precipitada contra o Irã devido à pressão do lobby sionista (que somente consegue manter Netanyahu no poder por meio de guerra), à pressão interna contra sua política anti-migrante e por conta da divulgação dos arquivos do caso Epstein. Isso é fato. A tentativa de derrubar o regime iraniano cumpriria o papel de reverter a sua provável derrota nas eleições para o parlamento ao final do ano. 


À moda de Hitler, Trump recusou a advertência de seus aliados da OTAN e dos generais do Pentágono – tão reacionários quanto ele, mas talvez um pouco mais pragmáticos – e insistiu na possibilidade de uma guerra relâmpago que derrubasse a república iraniana como quem apanha um fruto maduro. Ao assassinar o líder político iraniano e espiritual de duzentos milhões de muçulmanos xiitas em todo o mundo, ele uniu a totalidade do povo persa – excetuado o punhado inevitável de traidores – como um só na defesa da nação ultrajada e, para efeito prático, rejuvenesceu a liderança iraniana. Desde então, esta cumpriu seu propósito de alastrar imediatamente a guerra por toda a região, castigar duramente a infraestrutura israelense e implodir a economia norte-americana, lastreada nos petrodólares acumulados no Golfo Pérsico.  


A verdade é que o regime instaurado em 1979 sentou profundas raízes no país, da base à superestrutura, incluindo o peso da religião como fator de coesão social. A autoimolação de Ali Khamenei – o qual, na verdade, se mostrou talvez exageradamente propenso a negociar com as administrações ianques nos últimos anos, colhendo sempre em contrapartida a traição – cumpriu um papel na mobilização da resistência, assim como o bárbaro e criminoso bombardeamento de uma escola infantil feminina nos primeiros dias da agressão estadunidense-sionista. No Iraque e no Bahrein, principalmente, as maiorias xiitas se sublevaram contra os governos lacaios do imperialismo. Sob o peso dos mísseis balísticos iranianos, se curvaram os déspotas sunitas que oprimem implacavelmente o seu próprio povo. No Líbano, onde Israel avança para empreender anexações tal qual fez em Gaza – e a tentativa de despovoar e depois ocupar toda a área ao Sul do Rio Litani revela toda o colonialismo inerente ao projeto chamado de “Grande Israel” –, os bandidos sionistas se deparam com a inaudita resistência imposta pelo Hezbollah.   


Se é claro que nenhuma força consequentemente comunista pode se iludir sobre a capacidade de o regime dos aiatolás satisfazer as reivindicações democráticas das amplas massas iranianas, devemos ressaltar, em primeiro lugar, que este é um problema que cabe única e exclusivamente ao povo do país solucionar; em segundo lugar, a continuada agressão imperialista é na verdade o maior impeditivo para o florescimento de uma autêntica democracia popular no país, pois o submete à contínua ameaça de fragmentação ou mesmo desaparecimento, como ocorreu com a Iugoslávia há três décadas ou a Líbia e a Síria recentemente. Quem, neste momento, titubeia sobre a necessidade de se unir a totalidade da nação contra o imperialismo ianque, trai não só o povo iraniano, trai também a luta pelo socialismo. Do ponto de vista das tarefas, deve-se ter claro: Primeiro, derrotar o agressor! As massas fustigadas pelos bombardeios carecem de palavras-de-ordem claras e de alvos precisos, não de receitas doutrinárias válidas para qualquer época, e por isso inúteis, com cheiro de mofo e praticamente capitulacionistas.


Enquanto acumula derrotas e enormes prejuízos no campo de batalha, a entidade sionista de Israel e os EUA desde o início do conflito buscaram atacar áreas civis de Teerã, fazendo jus ao seu epíteto de Eixo do Genocídio. Por conta dessa estratégia neonazista, os números de civis mortos no Irã ultrapassam mais de 1300 indivíduos. Diante disso, o Irã tem alvejado prioritariamente instalações militares e infraestruturas dos seus inimigos. Mesmo nos casos em que ocorram bombardeios em áreas civis de Israel, lembremos que todo o seu território se estende sobre a Palestina histórica, naquele que é o maior empreendimento colonial do nosso tempo. A rigor, todo e qualquer ocupante de Israel é um colono que usurpa ilegalmente as terras alheias. A maior confirmação disso, é o êxodo em massa dos judeus israelenses de uma terra que sabem não ser a sua. 


Mural com fotos de meninas mortas em um ataque dos EUA a uma escola, que martirizou mais de 180 pessoas. Foto: Agência Fars News
Mural com fotos de meninas mortas em um ataque dos EUA a uma escola, que martirizou mais de 180 pessoas. Foto: Agência Fars News

Por outro lado, desde o início do conflito, o Irã abateu cerca de 20 aeronaves militares, incluindo dois caças F-35, outros caças F-16 e pelo menos quatro F-15 também foram perdidos pelo eixo nazi-ianque-sionista. Inúmeros radares militares de última geração, mantidos pelos Estados Unidos na região, que chegam a valer mais de bilhão de dólares, foram dizimados. O porta-aviões USS Gerard Ford foi atingido por mísseis que provocaram um incêndio generalizado, tendo que recuar e voltar aos EUA para reparos que irão durar mais de dois anos. Além do aspecto militar, as perdas econômicas dos Estados Unidos são também exorbitantes. Com o fechamento de fato do Estreito de Ormuz para os Estados Unidos e seus cúmplices, o preço do petróleo se aproximou dos 120US$, além de causar prejuízos elevados para empresas principalmente do EUA, Europa, Coreia do Sul e Japão que já enfrentam problemas de falta de abastecimento. 

 

Após a usina nuclear de Isaphan no Irã e um campo de gás natural utilizado por Catar e Irã terem sido atacados por Israel na última sexta-feira (20), o Irã promoveu seu mais intenso ataque com mísseis desde o início da agressão ianque. Centenas de mísseis foram utilizados e destruíram o principal campo de gás natural liquefeito do Catar (no qual era responsável por 17% de todo gás da Europa), além de promover ataques muito pesados ao complexo nuclear sionista (sem acertar o reator) de Dimona, impondo mais de 100 mortes e a destruição do complexo. Em paralelo ao ataque em Dimona, usinas termoelétricas e campos de petróleo sionista em Haifa também foram muito atacados. 


Vídeo do ataque ao complexo nuclear de Dimona. Imagens: Mídia sionista

Por tudo isso, Trump ensaia uma saída honrosa, embora esta seja hoje praticamente impossível, ainda mais porque a isto se opõe o celerado Netanyahu. Diante da surra estratégica imposta pelo Irã aos seus inimigos, há quem avente a hipótese do uso de armas nucleares por parte de Estados Unidos ou Israel. Sobre esse aspecto, devemos dizer, em primeiro lugar, que tal utilização jogaria imediatamente milhões de massas às ruas em todo o mundo, e principalmente dentro dos próprios Estados Unidos; em segundo lugar, nenhuma bomba dita “tática” seria capaz de riscar do mapa um país montanhoso e com uma população de mais de 90 milhões de seres humanos. Finalmente, seria improvável que Rússia e sobretudo China (e mesmo uma potência regional como o Paquistão) simplesmente aceitassem semelhante agressão em sua esfera de influência, não por qualquer imperativo moral, mas pela sua própria projeção de poder local e mundial. Mesmo na atual fase do conflito, é quase unânime entre analistas sérios que o Irã tem contado com assistência, sobretudo tecnológica e de insumos, dos inimigos dos seus inimigos, embora o esforço principal da guerra e a decisão de leva-la às últimas consequências seja um mérito do próprio povo iraniano.


Seria imprudente arriscar qualquer projeção, mas estamos diante de uma derrota inequívoca do imperialismo ianque. Este pode sair do Irã com o rabo entre as pernas e se concentrar ainda mais no seu quintal próximo, sobretudo a América Latina, buscando uma composição temporária com Rússia e China; neste caso, ainda restaria como uma incógnita a variável Israel. Ou pode dobrar a aposta agressiva, lançar tropas e mais tropas sobre o Irã ou mesmo arrastar o mundo para uma terceira guerra mundial, que seria a primeira guerra mundial atômica. Isto, no fim das contas, apenas aceleraria o seu próprio e inevitável desaparecimento. 








Atualizado: 24 de mar.



"Regulamentação”, conglomerados financeiros e a ubercracia:


Os trabalhadores brasileiros, particularmente os que desenvolvem suas atividades por meio do controle de aplicativos, devem estar em alerta total e acionar o breque para barrar os efeitos das articulações espúrias que acontecem em Brasília e também em governos estaduais e prefeituras. 


Articulações estão em curso para estabelecer o não reconhecimento da relação de emprego e dar forma legal à “uberização”: uma categoria de autônomos sem direitos trabalhistas.  Isso pode gerar um efeito cascata negativo rebaixando as condições de vida de toda a classe trabalhadora. Os patrões das plataformas digitais ficariam isentos de ter que cumprir qualquer direito trabalhista, apesar de exercerem controle direto sobre a prestação dos serviços de transporte de passageiros ou de entregas. Em recente giro pelo país, o presidente global da Uber, Dara Khosrowshahi, o presidente global da Uber, somou-se as pressões para transformar o trabalho em uma mercadoria totalmente desregulada.


 

Na quinta-feira passada, dia 19 de março, ocorreu uma reunião reservada na Câmara dos Deputados, entre o presidente global da Uber, Dara Khosrowshahi, com o presidente dessa Casa de Tolerância, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na pauta, o PL 152/25, a nova face da chamada "regulamentação" do trabalho por aplicativos, que sob o verniz da modernidade e do “empreendedorismo”, esconde a institucionalização da precarização e a total eliminação de direitos trabalhistas para os empregados do setor. Esse encontro, digo “lobby”, foi denunciado somente em algumas redes sociais, mas é de praxe nos bastidores de Brasília. 


Em maio de 2024, o presidente global da Uber, Dara Khosrowshahi, em meio a mesma discussão sobre o chamado "PL dos Aplicativos", se reunia com o presidente Luiz Inácio Lula e o ministro do trabalho do Trabalho, Luiz Marinho. (1) 


Já em São Paulo, a “visita” de Khosrowshahi e executivos da Uber no Brasil ocorreu no início de julho de 2025, pouco mais de uma semana da sanção da lei que daria às prefeituras poder de regulamentar o serviço.  Na ocasião, foi recebido pelo vice-governador, Felicio Ramuth (PSD), (2) de plantão à frente do estado durante viagem de Tarcísio de Freitas (Republicanos) que participava em Lisboa, Portugal, do “Gilmarpalooza” (lobby jurídico envolvendo magistrados, políticos e empresários, organizado pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, em Lisboa).



A "uberização" foi intensificada durante o governo do fascista Bolsonaro (2019-2022), com aumento da informalidade, recordes de trabalhadores sem carteira assinada e queda na renda média. Políticas como a “Carteira Verde e Amarela”, medidas provisórias de suspensão de contratos e de outros direitos trabalhistas durante a pandemia e o reajuste no salário mínimo apenas seguindo o arrochado INPC, reduziram direitos trabalhistas. 


A primeira vinda de Dara Khosrowshahi ao Brasil ocorreu no final de outubro de 2017, com o foco central de costurar a “regulamentação”. Khosrowshahi reuniu-se em Brasília com senadores e com o então ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do governo de Michel Temer, em Brasília para defender uma regulamentação mais favorável a Uber. O objetivo central, na época, foi interferir em um projeto de lei que tramitava no Senado Federal, que poderia equiparar os serviços de aplicativo aos táxis, e impor o uso de placas vermelhas e autorização das prefeituras. Com esse “lobby” o projeto foi aprovado de acordo com as determinações da Uber e outras empresas exploradoras de serviço através de aplicativos.


Uber e Meirelles
Uber e Meirelles

Os grupos de pressão e a sucessão de escândalos: 

Do Banco Master à Uber


A movimentação de Khosrowshahi/Uber não é isolada. Ela segue a mesma cartilha da promiscuidade entre o grande capital, o Legislativo, Executivo e o Judiciário, uma dinâmica posta de novo a nu, pelo Escândalo do Banco Master. Assim como no setor financeiro, onde decisões são moldadas em reuniões no balcão de negócios de Brasília, jantares, viagens, “presentes”, e espúrias relações de influência e corrupção, as transnacionais de tecnologia operacionalizam o Estado. O objetivo é garantir que qualquer lei aprovada blinde as empresas contra o reconhecimento do vínculo empregatício, transformando o trabalhador em um "empreendedor de si mesmo" sem direitos básicos.


O teatro das propostas: Oportunistas versus Direita


O debate parlamentar e do governo sobre o tema do PL 152/25 se divide em duas frentes que, embora pareçam divergir, convergem na mesma imposição de superexploração e sacrifícios aos trabalhadores do setor de serviços acionados por meio digital:


  • A proposta do Governo: Objetiva criar uma categoria intermediária ("trabalhador autônomo com direitos"), que na prática ofereceria uma proteção previdenciária pífia e legalizaria a jornada exaustiva e ausência de direitos trabalhistas.

  • A proposta da Direita (PL 152/25 e similares): Defendida por setores ligados ao empresariado e agora turbinada pelo lobby da Uber, objetiva continuar a desregulamentação total, mantendo os motociclistas, ciclistas e motoristas como meros "usuários das plataformas", sem qualquer seguridade social, limite de jornada e direitos como limitação da jornada de trabalho, férias, 13°, descanso semanal, previdência, etc.


O sociólogo Ricardo Antunes ironiza, diz que vivemos o "privilégio da servidão" (3), e alerta “nós vamos ter que lutar. Porque se a gente não fizer isso, os nossos filhos e os nossos netos, se tiver mundo para eles viverem, serão escravos digitais. ” “A exploração é evidente: trabalho de 12, 13 horas por dia, quando não mais. A expropriação é a retirada de todos os direitos. E a espoliação é que, para entrar nessas empresas, endividam-se com o capital financeiro, para pagar a prestação da moto, carro ou bicicleta, etc.”, assinala.



Já o jurista Jorge Luiz Souto Maior destaca que a propalada filiação dos trabalhadores à Previdência Social, “contribuinte individual”, contida no PL 152/25, “lhes retira toda proteção pertinente ao acidente de trabalho, contrariando, inclusive, a (falaciosa) preocupação com a sua saúde, constante do mesmo”. Adenda, “o que se extrai dessa regulação, portanto, é um enorme rebaixamento jurídico da condição de trabalhador, servindo, inclusive, de patamar para uma regulação, sem direitos, de todas as demais relações de trabalho. ” E afirma que, “trágico, também, será ouvir eventuais defesas do PLP, sob o argumento de que essa é a regulação possível, dada a conjuntura política existente, porque essa postura tende a sedimentar o caminho para uma exploração sem limites e com “segurança jurídica” na realidade do mundo do trabalho no Brasil. ” (4)


Anatomia dos Monopólios capitalistas: Conglomerados Financeiros por trás das Empresas de Transporte (Uber, 99, iFood, Zé Delivey, etc.)


As empresas de serviços, Uber (Estados Unidos), 99 (da chinesa Didi Chuxing), iFood (capital holandês e sul-africano) e Zé Delivery (braço da gigante Ambev de capital suíço/brasileiro) não são meras plataformas de tecnologia e aplicativos. São monopólios transnacionais e conglomerados financeiros. Seus donos são bilionários e fundos de investimento globais como BlackRock, Vanguard e SoftBank. 


BlackRock e Vanguard gerenciam fundos financeiros e possuem participações em quase todas as grandes empresas de capital aberto: - Apple, Amazon, Microsoft, Meta (Facebook), NVIDIA, Tesla, Alphabet (Google), PayPal, Visa, Mastercard, Pfizer, Moderna, Johnson & Johnson, Netflix, Disney, Coca-Cola, McDonald's, Boeing, entre outras.


Já o SoftBank atua em empresas de tecnologia, IA, telecomunicações e aplicativos de pagamentos, como a PayPay, Arm Holdings, LY Corporation, OpenAI (criadora do ChatGPT), NVIDIA, Skild AI, entre outras.


No caso da Uber, além do Vanguard Group e da BlackRock, que são os dois maiores investidores institucionais, têm como outros principais acionistas, o Capital Research Global InvestorsState Street CorporationMorgan Stanley (também vinculadas aos Estados Unidos e, o Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita. (5)


“Caminhoneiros” já sofreram a mesma precarização


O modelo que as bilionárias empresas que controlam os apps, parlamentares e governo querem impor aos denominados “motoristas de app” é o mesmo que no governo Dilma atingiu a categoria dos caminhoneiros, “profissionais e autônomos”, motoristas frentistas ou empregados das empresas de transporte coletivo de passageiros e de carga. Na ocasião, foi também denominada “regulamentação da profissão”, contida na lei 12.619, de 30/04/2012, e posteriormente na lei nº 13.103, de 02/03/2015, ambas sancionadas pela gerente Dilma Rousseff. Chamada de “Lei dos Caminhoneiros”, continua a impor verdadeira escravidão ao volante com suas abusivas “regras para o exercício da profissão” e foi feita atendendo ao lobby da patronal Confederação Nacional do Transporte (CNT), proprietários de grandes empresas de carga e de transporte de passageiros em conluio com o governo, parlamento e a pelegada das centrais sindicais.


Sob a anuência também do judiciário, retirou direitos históricos, transformando o motorista de carga em um autônomo asfixiado por fretes baixos e dívidas de manutenção. As alterações atuais repetem o erro: retiram a responsabilidade das empresas por acidentes, eliminam o pagamento de horas extras e ignoram o tempo de espera (o trabalhador só ganha se estiver em movimento).


Resistência e Luta: A Resposta vem das Ruas


Apesar do “lobby” de milhões de dólares, a resistência cresce. Greves de entregadores ("Breque dos Apps") e paralisações de motoristas têm exposto as vísceras do sistema. 


Enquanto Dara Khosrowshahi/Uber aperta as mãos de Hugo Motta (também já esteve com Lula e outros direitistas em Brasília), milhares de brasileiros seguem nas ruas, sob sol e chuva, financiando com seu suor e risco de vida os lucros bilionários que enchem os cofres dos grandes capitalistas e atravessam fronteiras. A regulamentação proposta não é para o trabalhador; é um salvo-conduto para a exploração sem limites. 


Nas ruas, cresce a ira dos trabalhadores precarizados. Os motoristas empregados dos aplicativos denunciam que são obrigados a cumprir extenuantes jornadas de 14 a 16 horas para conseguir pagar o aluguel dos veículos e o combustível, ficando com uma fatia cada vez menor da tarifa, enquanto as empresas aplicam taxas variáveis e arbitrárias. Os motociclistas e ciclistas também denunciam a baixa remuneração, a ausência de espaços cobertos para abrigo em dias de chuva e sol intenso, falta de banheiros, inexistência de áreas de apoio para descanso e os preconceitos e violências a que estão expostos. E através do algoritmo punitivo, o trabalhador ainda está sujeito a ser "bloqueado" sem direito a defesa, uma forma moderna de demissão sumária sem verbas rescisórias.


Em meio ao predomínio dos gananciosos e precarizadores conglomerados financeiros e guerras de agressão imperialistas; a luta pelos direitos imediatos do proletariado e por uma sociedade socialista, livre da exploração do homem pelo homem, seja diretamente ou através do chicote digital, está no horizonte e na ordem do dia!




Notas: 



  1. Livro: ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018




Delcy Rodrigues e membros do parlamento venezuelano junto em anuncio de novo acordo para extração de ouro com os EUA. Foto: Agência AFP
Delcy Rodrigues e membros do parlamento venezuelano junto em anuncio de novo acordo para extração de ouro com os EUA. Foto: Agência AFP

No dia 03 de Fevereiro deste ano, causou consternação o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA. Após meses de preparação, com envio de diversos navios, caças, suprimento militar para o entorno da Venezuela e diversos ataques a pequenas embarcações venezuelanas, o ataque de fato foi realizado em plena madrugada em uma emboscada seguida de bombardeios. Foram centenas de mortos, e dentre estes, 32 soldados cubanos da guarda pessoal de Maduro (o que já indicava o fato de que o regime chavista enfrentava uma grave crise de legitimidade até mesmo no seu interior, pois sua segurança estava basicamente completamente organizada pelos soldados cubanos). Após o sequestro, Donald Trump tratou de dar a cisma como encerrada, afirmando que agora controlariam o petróleo venezulano, e que haveria uma “paz e estabilidade na Venezuela”.


Logo após o sequestro, Delcy Rodrigues (então vice -presidente), foi empossada como presidente e ao se dirigir às chamadas ‘’milícias bolivarianas’’ afirmou que não iria aceitar as demandas impostas por Washington. Essa reação, em contrapartida, foi abafada devido a uma declaração posterior na qual afirmava querer ‘’negociar’’ com Donald Trump, que naquela altura, era algo plenamente plausível, devido a situação vulnerável ao qual Delcy estava exposta. A redação da RRC no "Que Fazer?" após o sequestro, afirmou: "Nada até este momento indica a capitulação ou a queda do governo, cuja defesa se confunde, desde que foi desatada a agressão ianque aberta em meados do ano passado, brutalmente intensificada hoje, com a própria defesa da nação venezuelana."


O que era acertado, devido às declarações de Delcy e seus aliados que vinham em tom de resistência e por conta da postura firme da mesma durante aquele momento. Além disso, também não tínhamos base concreta para fazer quaisquer afirmações sobre a subserviência ou não do novo governo aos EUA. Toda e qualquer movimentação naquela altura, estaria condicionada diretamente ao fato de que o país ainda estava sob um cerco do inimigo e se naquele momento, as autoridades venezuelanas clamavam pela resistência, esta deveria ser apoiada, tudo para fora disso seria trair o internacionalismo proletário e a resistência anti imperialista dos povos de todos os países.


No entanto, com o passar dos meses, a Venezuela foi retomando aos poucos o comércio com os ianques, que mantiveram sua Marinha mobilizada no Caribe. Delcy esqueceu-se de Maduro e os discursos passaram a ser de agradecimentos e afagos ao presidente Donald Trump. Vários tratados lesa-pátria foram criados, como repasses de ouro e facilidades para as petroliferas estadunidenses funcionarem no país. Para além disso, recentes declarações contra a retaliação iraniana e apoio à agressão ianque ao Irã demonstram a traição da atual gestão. A capitulação parece algo que foi consumado no país.


Todo esse processo que ocorreu na Venezuela em direção ao completo domínio do pedófilo Donald Trump, de forma tão dramática, é fruto do próprio desenvolvimento do chavismo no país, que não conseguiu de forma alguma criar uma base ideológica sólida entre as massas populares. Para além da mera unificação pela figura de Hugo Chávez ou posteriormente de Maduro, não há unificação anti-imperialsita no país, tampouco conseguiram industrializar o país a fim de criar uma estrutura independente do petróleo, que pudesse dar respostas às sabotagens e embargos impostos pelos Estados Unidos. Pelo contrário, ao longo dos anos sempre se demonstraram abertos ao comércio petroleiro com os ianques, e hoje pagam o preço, pois hoje o imperialismo não aceita menos do que a subserviência completa e cabal.


Cabe ao povo venezuelano agora, organizar a luta por uma nova independência.

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