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Atualizado: 7 de fev.


Em meio ao cenário de acirramento das contradições interimperialistas e aprofundamento da intervenção ianque na América Latina, o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, optou pelos afagos a Trump, às portas da sua tentativa de reeleição nas eleições de outubro. Em entrevista concedida a Daniela Lima, do UOL, no último dia 5, falou abertamente em se aliar aos EUA para combater o narcotráfico e o crime organizado e abandonou a defesa de seu antigo aliado Maduro. Neste e em outros pontos, ele revelou escandalosa capitulação, quando não plena identidade, com a agenda do fascista estadunidense.


Com efeito, logo no início da entrevista, Lula disse “não importa mais [fim da prisão após sequestro de Maduro e sua esposa], o que importa agora é tornar a democracia venezuelana forte novamente’’. Como será possível um regime ou governo ser democrático, tendo seu presidente legítimo sequestrado por uma potência estrangeira? Lula foi além e afirmou que o problema central é que a Venezuela aumente sua produção de petróleo e reverta o fluxo migratório, sem mencionar que a crise econômica do país deriva em grande medida pela guerra econômica imposta por Washington, mesmo modus operandi adotada no Irã e, de modo radical, em Cuba. Como sabemos todos, tanto a questão da democracia (leia-se: a eleição de um candidato pró-Estados Unidos) como do petróleo (leia-se: a apropriação do óleo venezuelano pelas petrolíferas norte-americanas) constituem o cerne dos argumentos trumpistas para sua agressão à Venezuela.


Ao falar sobre a relação com Trump, Lula fez questão de o tempo todo contemporizar as sanções impostas a membros do STF e o tarifaço que ocorreu em 2025 e declarou que na ida a Washington marcada para março, a ideia que seu governo tem é levar membros da Polícia Federal, Ministério Público, Exército e outros poderes para ‘’Se ele [Trump] quiser combater o narcotráfico, irá saber que estamos dispostos a ajudar’’. Pedir ajuda aos serviços de informação dos Estados Unidos para apoiar o combate ao chamado crime organizado equivale a solicitar que um ladrão supervisione o próprio patrimônio! Na verdade, a penetração, ideológica e operacional, dos tais serviços estrangeiros no Brasil já é enorme, como vimos durante a Operação Lavajato. Enquanto os ianques bombardeavam embarcações venezuelanas no mar do Caribe, em meados do ano passado, o Comando Sul do Exército dos Estados Unidos fazia exercícios militares conjuntos com o Exército Brasileiro no interior do nosso território. Trata-se de um entreguismo descarado de Lula e do PT.


Estas declarações vêm justamente oito meses antes da eleição presidencial, e são uma tentativa de Lula se cacifar frente aos EUA como um aliado fiel, minimizando a intervenção ianque nas futuras eleições. Lula aplica em política externa o mesmo receituário da política interna: entregar de antemão o produto aos ladrões antes que eles invadam a casa para levá-lo. É uma estratégia que desmobiliza as massas populares e de fato prepara o terreno para a próxima ofensiva da reação. Durante a sua fala, Lula também disse que seu propósito é manter a América Latina como um território de paz, “livre das armas nucleares”, discurso totalmente incompatível com o recrudescimento da rapina imperialista nos quatro cantos do mundo e de escalada da corrida armamentista como reflexo dessa disputa. Se se compara os casos de Irã e Venezuela, por exemplo, salta aos olhos que a capacidade de empreender uma sólida defesa nacional, que, se não impeça, faça os ianques pagarem caro por qualquer intervenção, é a única garantia de soberania no mundo atual. O programa pacifista de Lula significa de fato desarmar o povo brasileiro e facilitar a tarefa da dilapidação dos nossos cobiçados recursos humanos e naturais.


Na verdade, como disse certo historiador, o único princípio de Lula é não ter princípios. A ele pouco importa a soberania nacional ou o povo brasileiro, no final, o decisivo é conservar uma posição de poder que permita a ele e ao seu grupo político negociar os interesses das massas por um bom preço, como já faziam nos tempos de movimento sindical. Durante as eleições, é provável que Lula se apresente como defensor da soberania nacional, enquanto, na prática, cede aos jogos de interesses norte-americanos, assim como se apresente como campeão do antifascismo enquanto por debaixo dos panos negocia acordos com figuras como Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil de Bolsonaro. É importante denunciar estas posições capituladoras, pois a máquina bilionária do governo e seu séquito de ingênuos úteis já trabalham para vender aos trabalhadores que, no próximo pleito, ou vence Lula ou ocorre a hecatombe. Lembremos que o mesmo se disse em todas as eleições deste século e, embora o Brasil tenha vivido um grave e sombrio período sob Bolsonaro, no fim das contas é a mobilização popular o que decide o destino de um país, seja qual seja o governo. Na verdade, apenas quando rompermos com a camisa de força do partido da ordem no seu conjunto (do qual o PT é a ala moderada), de modo a assegurar as mudanças estruturais pendentes há cinco séculos, poderemos falar na conquista de uma verdadeira democracia.

Publicamos abaixo tradução do artigo do jornalista Bill Blum, de 19 de janeiro último, sobre o que está por trás da ação do grupo paramilitar fascista que atende pela sigla ICE, de Donald Trump. Escrito em meados de janeiro, antes, portanto, do assassinato de Alex Pretti, também em Minessota, o texto é muito feliz ao demonstrar, para além da mera agitação, as semelhanças entre a abordagem de Trump e o fascismo clássico. Na verdade, sob muitos aspectos, notadamente pelo viés claramente racial, é o nazismo alemão o verdadeiro precursor da extrema-direita estadunidense, inclusive, porque a brutal segregação racial, constitutiva de sua sociedade, foi, ela própria, inspiradora para os ideólogos do nazismo, como se se tratasse de um macabro jogo de espelhos invertidos.




Bill Blum/ Traduzido do portal Truthdig


06 de fevereiro de 2026


O que destacamos no artigo de mais positivo é a abordagem de que, no seio de um mesmo Estado, convivam paradigmas formalmente antagônicos para grupos e classes sociais distintos. De maneira geral, falar em Estado dual, como fazem os social-democratas, para os quais há uma disputa intratestatal entre “bem estar” e “repressão”, frente a qual cabe aos ditos progressistas apoiarem uma ala contra a outra, não passa de pura fraseologia burguesa, desacreditada por qualquer pessoa séria: com efeito, “mão direita” e “mão esquerda” atuam de modo articulado e combinado na defesa dos interesses das classes dominantes. Não por acaso, o público que passa da estrutura de proteção à rede de privação de liberdade é basicamente o mesmo. Mas o autor chama atenção para outro tipo de dualidade: o fato de que a erosão das liberdades democráticas não se impõe do dia para a noite, numa espécie de golpe de Estado puro em que as garantias são suspensas para todos os dissidentes em todos os lugares e do mesmo jeito. Com efeito, citando um estudioso do nazismo, ele diz que “os nazistas não desmontaram a estrutura legal da República de Weimar de uma só vez ou por completo, mas a substituíram por um sistema bifurcado, no qual as funções do Estado eram divididas entre uma esfera ‘normativa’ — que operava de acordo com regras e regulamentos estabelecidos — e uma esfera ‘discricionária’, na qual a violência era permitida e as restrições legais tradicionais não se aplicavam.”


Ou seja, o estado de exceção não se impõe apenas, e neste sentido nem sequer principalmente, pelo uso de uma violência geral (até porque, todo e qualquer Estado se baseia na violência), mas pela criação de hegemonia em torno da construção dos inimigos internos, contra os quais o soberano age supostamente em defesa da comunidade e dos seus valores. Não por acaso, é importante lembrar que o próprio Hitler ascendeu ao poder por meios relativamente pacíficos, até se converter em imperador de fato do III Reich. Por isso, a denúncia do avanço do fascismo, que começa atacando as periferias do sistema social –os indocumentados nos países imperialistas, os favelados e desterritorializados nos países semicoloniais –, é indissociável da defesa, e também da autodefesa, dos grupos vulneráveis que lhes servem de justificativa para educar a sociedade “culta” na sua ideologia sanguinária. A defesa restrita das liberdades democráticas formais, desvinculada das garantias econômicas e sociais concretas das classes populares e da sua mobilização, é inoperante para deter este processo e ao fim e ao cabo não passa de uma odiosa hipocrisia.


Infelizmente, no final do seu texto, após avançar em reflexões importantes, o autor dá um passo atrás e presta um tributo à visão liberal vulgar, ao dizer que “o destino do país permanece em aberto e depende da ação coletiva não violenta e legal que nós — todos nós — empreendermos”. Sem dúvida, o destino do país permanece nas mãos das massas populares, e também é certo que a luta legal desempenha um papel na mobilização antifascista, uma vez que o fascismo se caracteriza pela violação descarada da própria legalidade burguesa, o que deve ser explorado na unificação de forças para barrar-lhe o caminho. Contudo, restringir por definição a resistência a isto é um erro, tanto histórico –o próprio regime hitlerista surgiu sobre escombros da revolução alemã, e foi esmagado pelos golpes do Exército Vermelho –, quanto lógico, afinal, uma vez que instalado o regime de exceção, a quais tribunais se poderá apelar, senão ao infalível tribunal da insurreição?


***


Jonathan Ross, o agente do Serviço de Imigração e Alfândega (Immigration and Customs Enforcement –ICE) que atirou e matou Renee Nicole Good, não será levado à Justiça. Pense bem nisso. Ross vai sair ileso, porque, na América de Donald Trump, sua agência opera acima da lei. Como afirmou o vice-presidente JD Vance em uma coletiva de imprensa na Casa Branca no dia seguinte ao tiroteio, Ross tem “imunidade absoluta por fazer o seu trabalho”.


Os comentários de Vance lançam luz sobre o desenho jurídico mais amplo por trás do novo poder do ICE. No segundo mandato de Trump, os Estados Unidos estão rapidamente se transformando no que o falecido jurista e cientista político alemão emigrado Ernst Fraenkel chamou de “Estado dual”, no qual atos de violência perpetrados contra inimigos designados do regime não são apenas tolerados, mas frequentemente celebrados como atos de valor e redenção.


Advogado socialista que atuava no direito do trabalho em Berlim, Fraenkel fugiu da Alemanha nazista em 1938, estabelecendo-se mais tarde em Chicago. Lá, escreveria sua obra mais famosa, O Estado Dual: Uma Contribuição à Teoria da Ditadura, um estudo do sistema jurídico implementado pelo Terceiro Reich na década de 1930. A tese central de Fraenkel é que os nazistas não desmontaram a estrutura legal da República de Weimar de uma só vez ou por completo, mas a substituíram por um sistema bifurcado, no qual as funções do Estado eram divididas entre uma esfera “normativa” — que operava de acordo com regras e regulamentos estabelecidos — e uma esfera “discricionária”, na qual a violência era permitida e as restrições legais tradicionais não se aplicavam.


Para manter o capitalismo funcionando, o governo de Hitler precisava preservar a fachada de um sistema jurídico “normativo” estável que permitisse a empresas e a alemães cristãos realizar negócios e resolver, nos tribunais, disputas contratuais, conflitos trabalhistas, questões entre locadores e inquilinos e outros assuntos civis. Como observou o professor de direito da Universidade de Chicago Aziz Huq em um ensaio publicado na revista Atlantic em março de 2025, essa dualidade permitiu que o capitalismo “caminhasse tranquilamente ao lado da brutal supressão da democracia e até do genocídio”.


Mas, à medida que o Judiciário foi abrindo mão de sua independência por meio de uma combinação de cooptação e intimidação, o sistema “discricionário” passou a predominar. “Em qualquer dia”, explicou Huq:


Pessoas ou casos podiam ser arrancados do Estado normativo e lançados no Estado discricionário. Em julho de 1936, por exemplo, Fraenkel venceu uma ação em favor de funcionários de uma associação tomada pelos nazistas. Alguns dias depois, soube que a Gestapo havia confiscado o dinheiro devido a seus clientes e o depositado nos cofres do governo.

O caso foi encerrado sem possibilidade de novos recursos.


Fraenkel atribuiu em grande parte os fundamentos teóricos do Estado dual nazista à obra do filósofo jurídico alemão Carl Schmitt. Frequentemente chamado de “jurista da coroa do nacional-socialismo”, Schmitt ingressou no partido em 1933 e passou a atuar como presidente da Associação Nacional-Socialista de Profissionais do Direito.


Schmitt foi um crítico implacável do liberalismo, denunciando o que via como suas fraquezas por abraçar os direitos humanos universais e o que considerava suas fixações hipócritas e indecisas em discussão, debate, negociação e compromisso. Como contraponto ao universalismo, promoveu um conceito de política baseado na distinção “amigo/inimigo”, insistindo que todos os Estados necessariamente distinguem entre aqueles que acolhem como amigos dignos de proteção e aqueles que são sempre considerados inimigos, forasteiros e invasores merecedores de sua ira, retaliação e punição. Como complemento ao conceito amigo/inimigo, Schmitt defendeu a ideia do “estado de exceção”, argumentando que o soberano, em um Estado que funcione adequadamente, deve ser investido de poderes de emergência para suspender o Estado de Direito a fim de manter a ordem pública e assegurar a sobrevivência da nação. Pouco depois de ingressar no partido, declarou que a Lei de Plenos Poderes, que efetivamente tornou Hitler um ditador, havia se tornado a constituição provisória da Alemanha. Mais tarde, apoiaria com entusiasmo as Leis de Nuremberg de 1935, que retiraram a cidadania de judeus e outros “inimigos”, e defenderia o direito de Hitler, como soberano, de definir o inimigo como bem entendesse. Tudo isso soará assustadoramente familiar para qualquer pessoa que esteja acompanhando as notícias.


Desde que reassumiu a presidência, Trump declarou nove estados de emergência sobre uma série de questões que vão desde a imposição de tarifas infladas sobre produtos estrangeiros até a designação de cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras, além de proclamar uma emergência nacional na fronteira sul. A proclamação da fronteira, emitida em 20 de janeiro, seu primeiro dia de volta ao cargo, citou a agora familiar acusação de uma “invasão alienígena” de “gangues criminosas, terroristas conhecidos, traficantes de pessoas, contrabandistas” e lançou as bases tanto para seu programa de deportações em massa quanto para conceder ao ICE o maior orçamento de qualquer agência policial do país.


O ICE é agora uma força paramilitar formidável, tendo contratado 12 mil novos agentes no último ano — mais que dobrando seu tamanho — e acelerando ainda mais as contratações. Ele foi enviado para cidades americanas por ordens de Trump e da secretária de Segurança Interna Kristi Noem para erradicar os invasores. Tornou-se o rosto violento da transformação do país em um novo Estado dual do século XXI.


Imigrantes indocumentados continuam sendo o principal alvo do ICE, mas cidadãos como Good também estão em perigo. O caso de Good se destaca porque ela era branca e sua morte foi registrada em vídeo. Mas ela não está sozinha. Embora não existam números oficiais que acompanhem especificamente quantos cidadãos foram vitimizados por agentes de imigração, a ProPublica informou, em outubro passado, ter encontrado mais de 170 casos em que cidadãos foram detidos durante operações e protestos. Segundo o relatório:


“Americanos foram arrastados, derrubados, espancados, eletrocutados com taser e baleados por agentes de imigração. Tiveram joelhos pressionados contra seus pescoços. Foram mantidos do lado de fora, sob a chuva, vestindo apenas roupa íntima. Pelo menos três cidadãs estavam grávidas quando agentes as detiveram. Uma dessas mulheres já havia tido a porta de sua casa explodida enquanto a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, observava.”

Até hoje, nenhum agente federal foi processado por esses incidentes. Tampouco é provável que haja processos. Em tempos “normais”, ao menos poderíamos esperar que o agente Ross enfrentasse uma investigação rigorosa do Departamento de Justiça. Não é verdade, retomando os comentários de JD Vance, que Ross desfrute de imunidade absoluta segundo a lei vigente. Sempre foi difícil processar agentes federais de segurança pública, mas tal imunidade não existe.


Mas estes não são tempos normais.


Trump, que agora dirige abertamente o Departamento de Justiça e o FBI, eliminou a possibilidade de qualquer investigação federal séria. Tampouco podemos contar com uma investigação estadual conduzida em conjunto com as autoridades federais. O FBI anunciou que excluirá as autoridades de Minnesota de qualquer investigação fictícia e meramente formal sobre a morte de Good. Talvez o mais lamentável seja que não podemos contar com a Suprema Corte para responsabilizar Ross e outros agentes infratores. A Suprema Corte conferiu a Trump os poderes do executivo unitário, decidindo em Trump v. United States que o presidente pode exercer seu poder de perdão como bem entender para livrar qualquer pessoa de qualquer processo federal.


A luta contra o ICE e contra nosso emergente Estado dual aproxima-se agora de um ponto crítico de inflexão. Podemos nos animar com o fato de que os Estados Unidos não são a Alemanha de 1933, e que Trump, apesar de toda sua fanfarronice e megalomania, não é Hitler. O destino do país permanece em aberto e depende da ação coletiva não violenta e legal que nós — todos nós — empreendermos nas próximas semanas, meses e anos.



Na última segunda-feira (02), o prefeito Eduardo Paes postou em suas redes sociais um vídeo em frente a garagem de duas empresas de ônibus, a Viação Vila Isabel e a Real Auto Ônibus, anunciando que foram “lacradas” por não cumprirem com a vistoria obrigatória de seus ônibus, operando somente 20 de um total de 250 veículos (segundo a própria prefeitura).


O que o prefeito esconde é que ele quer isso aconteça: substituir o que restou dessas empresas por monopólios próximos dele, ou por empresas de fora do estado, como é a SOU Rio (do grupo paulista Sancetur), a ponto de realizar um ”contrato emergencial” que permite que elas operem sem ganhar licitação. Ou seja, para o futuro ex-prefeito, o problema não é a má qualidade do transporte, voltado para cumprir com o lucro dos consórcios, mas quem dentro das “Máfias dos Ônibus” vai geri-lo.


As duas empresas se juntam a outras 18 empresas (!) que fecharam as portas desde 2010, ano em que Paes conduziu o processo de licitação dos ônibus, em favor dos grandes conglomerados (como o Grupo Guanabara da família Barata e o Grupo Redentor, que até hoje são próximos do prefeito). A própria Vila Isabel teve suas duas principais linhas descontinuadas (157 e 438) pela prefeitura, em favorecimento de outras do Grupo Guanabara, assim como a Real, que teve quase 10 linhas extintas.


Além disso, não há, até a redação desta matéria, quaisquer planos concretos de operação para todas as linhas dessas empresas. Assim como foi feito em todos os outros 18 fechamentos, somente as linhas mais ‘’rentáveis’’ estão sendo preenchidas por outras empresas (que, olha que coisa: são do Grupo Guanabara ou Redentor), e as demais são escanteadas ou divididas em várias outras linhas. Ambas as empresas transportavam por mês cerca de dois milhões de pessoas.


No meio de tudo isso, os trabalhadores, motoristas da Real e Vila Isabel, estão desempregados, há dois meses sem receber e sem perspectiva para receber suas rescisões, enquanto esperam a efetivação do bloqueio de contas expedido pela justiça seja efetivado e o pagamento seja realizado. A MOBI-Rio, empresa (pública) do município do Rio de Janeiro responsável pela operação do BRT, deve assumir parte das operações e, caso as demais concessionárias não realizem a operação do restante da frota, pode até assumir integralmente.


Este é mais um exemplo do resultado das concessões, licitações e privatizações que entregam o serviço, que deveria servir ao povo, ao lucro de grandes capitais que fazem superlucros a partir de tarifas e subsídios, extorquindo mais uma parte do salário do povo trabalhador. A solução do problema? Passa necessariamente pela tomada de todos os meios de transporte pelas operários e demais massas trabalhadoras, na perspectiva de derrubada do poder, mas deve, de imediato, passar pela revogação destas entregas por meio da luta popular, exigindo que a operação passe inteiramente para as empresas públicas de transporte, tal como a MOBI-Rio, a SPTrans e a CPTM em São Paulo, e a CBTU em todo o Brasil, que hoje são ameaçadas com a entrega direta de todo seu “patrimônio” para os grandes capitais monopolísticos do setor de transporte.

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