Sumiço de linhas, calote de empresas e prefeito fanfarrão: o que está acontecendo com os ônibus no Rio?
- Miguel Pereira
- há 1 hora
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Na última segunda-feira (02), o prefeito Eduardo Paes postou em suas redes sociais um vídeo em frente a garagem de duas empresas de ônibus, a Viação Vila Isabel e a Real Auto Ônibus, anunciando que foram “lacradas” por não cumprirem com a vistoria obrigatória de seus ônibus, operando somente 20 de um total de 250 veículos (segundo a própria prefeitura).
O que o prefeito esconde é que ele quer isso aconteça: substituir o que restou dessas empresas por monopólios próximos dele, ou por empresas de fora do estado, como é a SOU Rio (do grupo paulista Sancetur), a ponto de realizar um ”contrato emergencial” que permite que elas operem sem ganhar licitação. Ou seja, para o futuro ex-prefeito, o problema não é a má qualidade do transporte, voltado para cumprir com o lucro dos consórcios, mas quem dentro das “Máfias dos Ônibus” vai geri-lo.
As duas empresas se juntam a outras 18 empresas (!) que fecharam as portas desde 2010, ano em que Paes conduziu o processo de licitação dos ônibus, em favor dos grandes conglomerados (como o Grupo Guanabara da família Barata e o Grupo Redentor, que até hoje são próximos do prefeito). A própria Vila Isabel teve suas duas principais linhas descontinuadas (157 e 438) pela prefeitura, em favorecimento de outras do Grupo Guanabara, assim como a Real, que teve quase 10 linhas extintas.
Além disso, não há, até a redação desta matéria, quaisquer planos concretos de operação para todas as linhas dessas empresas. Assim como foi feito em todos os outros 18 fechamentos, somente as linhas mais ‘’rentáveis’’ estão sendo preenchidas por outras empresas (que, olha que coisa: são do Grupo Guanabara ou Redentor), e as demais são escanteadas ou divididas em várias outras linhas. Ambas as empresas transportavam por mês cerca de dois milhões de pessoas.
No meio de tudo isso, os trabalhadores, motoristas da Real e Vila Isabel, estão desempregados, há dois meses sem receber e sem perspectiva para receber suas rescisões, enquanto esperam a efetivação do bloqueio de contas expedido pela justiça seja efetivado e o pagamento seja realizado. A MOBI-Rio, empresa (pública) do município do Rio de Janeiro responsável pela operação do BRT, deve assumir parte das operações e, caso as demais concessionárias não realizem a operação do restante da frota, pode até assumir integralmente.
Este é mais um exemplo do resultado das concessões, licitações e privatizações que entregam o serviço, que deveria servir ao povo, ao lucro de grandes capitais que fazem superlucros a partir de tarifas e subsídios, extorquindo mais uma parte do salário do povo trabalhador. A solução do problema? Passa necessariamente pela tomada de todos os meios de transporte pelas operários e demais massas trabalhadoras, na perspectiva de derrubada do poder, mas deve, de imediato, passar pela revogação destas entregas por meio da luta popular, exigindo que a operação passe inteiramente para as empresas públicas de transporte, tal como a MOBI-Rio, a SPTrans e a CPTM em São Paulo, e a CBTU em todo o Brasil, que hoje são ameaçadas com a entrega direta de todo seu “patrimônio” para os grandes capitais monopolísticos do setor de transporte.






