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Donald Trump e Al-Sharaa em reunião bilateral durante uma reunião da OTAN em Ankara, Turquia. Foto: Syrian Arab News
Donald Trump e Al-Sharaa em reunião bilateral durante uma reunião da OTAN em Ankara, Turquia. Foto: Syrian Arab News

A ocupação sionista na Síria, que se itensificou com a ascensão do HTS ao poder, segue a todo vapor, junto de uma dominação quase que aberta do imperialismo ianque do país árabe. Nesta última quarta-feira (15), enquanto uma vasta extensão de terras sírias é tomada por Israel em seu extremo sul próximo às Colinas de Golã, Donald Trump afirmou que gostaria que a Síria iniciasse uma invasão terrestre ao Líbano com o objetivo de derrotar o Hezbollah e que informaria o seu desejo a Ahmed al- Sharaa.


Essa fala não é aleatória, é fruto de diversos encontros bilaterais e até mesmo em reuniões da OTAN recentes entre o pédofilo laranja e Ahmed al-Sharaa, líder do grupo que era um braço do Estado Islâmico na Síria e que agora comanda o Estado após o fim da guerra civil e o abandono do país de Bashar al-Assad. Shaara vem sendo recebido pelos líderes da União Europeia, inclusive ocorrendo uma visita de Emanuell Macron em Damasco, capital da Síria, e participando de reuniões da ONU, mesmo sendo de conhecimento geral e público o seu antigo histórico como militante do Estado Islâmico e Al-Qaeda.


O país que historicamente era muito ligado ao imperialismo russo, viu desde 2025 diversos acordos serem interrompidos com os russos, e em contrapartida, as sanções dos EUA praticamente todas foram retiradas. Esse alinhamento com os ianques, no contexto da Guerra do Ramadã que os EUA vem travando contra o Irã, indica que a Síria com certeza será usada nesta cisma, principalmente por ter uma posição estratégica para a instalação de defesa áreas para Israel (como acontece na Jordânia) e a própria posição de fronteira com o Líbano. Enquanto combate o povo sírio e busca reprimir de forma violenta minorias étnicas, o HTS vem deixando Israel anexar cada vez mais o território da Síria e agora deve lutar ao lado dos sionistas contra a resistência libanesa.


Para o povo sírio, a situação é ainda mais calamitosa. Entre abril e maio, houveram diversos protestos contra o HTS, com a participação de várias tribos nômades que marcharam até a capital Damasco. Shaara ordenou que o exército reprimisse fortemente os protestos, perpetrando dezenas de assassinatos e execuções públicas (que já vinha havendo contra opositores do HTS, mesmo antes dos protestos). Ainda há conflitos principalmente no Norte país, que é uma área que ainda não está totalmente controlada pelo HTS.


Se faz necessário portanto, uma nova frente de libertação do país, que agrupem todos os grupos que estão com armas nas mãos e as massas de todo o país, para a expulsão dos lacaios sionistas que dominaram o país e também dos próprios sionistas que hoje dominam vastas áreas da Síria.

Atualizado: 17 de jul.



O pensamento de extrema-direita deitou raízes na sociedade e, hoje, muito mais do que uma força eleitoral, se tornou um movimento cultural, uma identificação profunda com uma própria noção de verdade – nem sempre, ou quase nunca, compatível com a realidade objetiva. Engana-se, portanto, quem pensa que poderá derrotá-lo com uma ligeira vantagem nas urnas. 


Algumas situações recentes, envolvendo a Copa do Mundo, me alertaram para uma verdadeira incapacidade de comunicação que se instalou entre uma parcela da população, vulnerável ao embutido de teologia da prosperidade, bets e Bolsonaro, e um setor no qual eu me incluo, e que presumo ainda ser maioria na sociedade. Não me refiro apenas os militantes de esquerda, naturalmente, uma minoria, mas às pessoas que mantém alguma crença em coisas como a importância de se checar a fonte das notícias, a educação escolar e o método científico. Entre ambos, forma-se um abismo cognitivo, uma muralha que não se vence com base em argumentos, uma vez que nem sequer se compartilha uma língua comum na qual se possa dialogar. Isto não tem a ver com nível de renda ou escolaridade, pois vimos, na pandemia, como as teses medievais de Bolsonaro tiveram ampla adesão entre as entidades médicas, por exemplo. Eventos de massa como a Copa são esclarecedores dessas dissonâncias, uma vez que milhões de pessoas assistem aos mesmos acontecimentos, mas imagens idênticas podem ser interpretadas de modo irreconciliável, a depender do que se queira ver. Como qualquer pessoa que tenha sido apresentada ao beabá da teoria da comunicação sabe, uma fotografia ou vídeo são umas dentre tantas edições da realidade, e engana-se quem pensa que elas dispensam o esforço de interpretá-las no interior de uma visão de mundo articulada.

Primeiro exemplo. Parei em uma padaria para tomar café. Paguei, sentei na mesa, entreguei a notinha ao atendente, um senhor de meia idade. Na televisão do estabelecimento, passava a partida entre Inglaterra e Bélgica. Distraí-me olhando a peleja, ainda 0 a 0, e quando me dei conta já se haviam passado cinco minutos sem que viesse o cafezinho. Olhei para o senhor que me atendia, que ainda estava fixado, sem nem piscar, na TV, como se jogasse o seu time de coração. Ele prontamente me serviu o café e, se desculpando, emendou: “É que eu apostei um galo na Bélgica”. Eu disse qualquer coisa educada, tomei o café e fui embora, enquanto ele continuava impávido diante da televisão. Setenta minutos depois, o jogo terminava com vitória e classificação para o time britânico, e um prejuízo de cinquenta reais para o atendente da padaria, que não deve ganhar mais do que um salário mínimo. Penso por mim: mesmo trabalhando duro, não me sobram dezenas ou algumas centenas de reais para lançar nesses cassinos virtuais. Certamente, a mim faria falta a perda com semelhante aposta. Para ele, não? É claro que sim, mas ainda assim ele aposta e deve continuar apostando. Talvez o êxito não importe, mas o processo, a busca, a crença. Não tenho dúvidas que, para aquele senhor, a tarde passada ao redor do balcão foi mais colorida e menos entediada, mas isso não anula o fato de que a sua esperança se volta contra seus próprios interesses. A banca e seu séquito de influenciadores – neste caso, seriam mais bem chamados de aliciadores – agradecem. É o suor de gente assim que rega a sua fortuna, que neste caso não é sinônimo de sorte, mas de grana, adquirida com precisão matemática. É uma expropriação consentida em massa.

Alguns dias depois, a seleção da CBF foi eliminada de maneira vexatória para a Noruega. Com todo respeito ao Haaland, mas custo a ver nele muito mais do que um Jardel (ôps, entreguei a idade) melhorado. O primeiro gol foi de um exímio cabeceador, como era aquele Jardel, mas no segundo ele teve tempo de dominar, armar o chute e finalizar sem ser incomodado. Aí, fica fácil. Enfim, nesse dia o eterno menino Ney entrou, correu, ganhou alguns holofotes xingando o goleiro adversário e chorou. A entrada dele, na melhor das hipóteses, não acrescentou nada; na mais realista, desmontou o time. Após a partida, eu peguei um Uber moto, modalidade de aplicativo em que passageiros e motoristas conversam mais do que em qualquer outra. Conversa vai, conversa vem, entre um corredor e outro, comentamos o jogo e o motoqueiro me disse: “O italiano mandou muito mal”. Claro, nisso estamos de acordo, pensei. O técnico mexeu errado no time. O meu amigo desconhecido, para minha surpresa, logo emendou: “Ele tinha que ter colocado o Neymar para bater o pênalti”. Custei a crer no que ouvira. Como o Neymar bateu o segundo pênalti, ele se referia ao primeiro, ainda nos 45 minutos iniciais, batido e desperdiçado por Bruno Guimarães. Todos que comentam, ou apenas torcem por algum time, sabem que uma situação em que um técnico mexa no primeiro tempo é bastante rara numa partida de futebol, a menos que ocorra um desastre em campo. Não era o caso, pois o jogo estava empatado e o Brasil tinha um pênalti a favor. Nenhum técnico (nenhum técnico, de nenhuma equipe) anularia o próprio esquema montado no princípio do jogo para que Neymar batesse o pênalti, havendo vários jogadores renomados em campo. Isto seria algo bizarro. Mas, para aquele motorista, que comentava futebol enquanto fazia curvas e verificava o celular, o bizarro não é só possível, como necessário. Restou-me torcer que ele fosse menos relativista com coisas como a pastilha de freio ou a aderência dos pneus. 

Essa dissonância não atinge apenas os pobres brasileiros. Há alguns meses, durante um evento, eu vestia uma camisa do Fito Paez, o velho roqueiro argentino, o que me levou a bater papo com uma roda de hermanos e hermanas. Eles eram de esquerda, contra Milei, e por eles soube, com grande decepção, que o músico de Rosário tem ficado em cima do muro ultimamente. Bem, lá pelas tantas, não me lembro como, comentei dos sucessivos e avassaladores episódios de racismo envolvendo torcedores argentinos em estádios, sobretudo em jogos contra times brasileiros, e sinceramente eu esperava ouvir como resposta algo como: “são uns babacas”, ou “os estádios estão elitizados”, pontos de vista que eu estava pronto a aceitar. Mas eis que uma mulher formada, adversária declarada de Milei, não explicitou a condenação esperada (e necessária) dos atos odiosos, mas teceu vagas e confusas considerações sobre manifestações culturais, a diferença de como se age dentro de um estádio e em outras situações similares etc. Ou seja, relativizou as manifestações de racismo, mesmo ali, em um ambiente controlado. O que me fez pensar o quão arraigado este preconceito abjeto deve estar em uma sociedade que deu duas votações expressivas a Milei, apesar da inflação, da carne de burro, da memória do regime militar sanguinário e tantas tragédias mais. O espírito do tempo contamina mesmo aqueles que se julgam vacinados dele. 

Qual a solução desta dissonância? Ela não está em fazer uma ampla campanha de convencimento em valores iluministas; nem, tampouco, em desistir da luta de ideias em nome dos estritos interesses mundanos. Entre a cabeça e o estômago, bate o coração, e falar ao coração, agir com o coração, talvez seja a nossa única esperança. Isto, aliás, não é nada inovador, e foi o que fizeram desde sempre as grandes lideranças populares. “Não se pode entender aquilo que não se sente”, diria o romancista Nick Hornby, pela boca de uma das suas personagens. O x da questão, na minha opinião, está em disputar o rumo das crenças que movem as pessoas, não em negar a necessidade dos sonhos no altar do que é possível, aqui e agora, “segundo a atual correlação de forças...”. Não devemos ser pragmáticos: os pragmáticos são escravos das circunstâncias, ou seja, conformistas, enquanto os revolucionários se esforçam por subvertê-las, não a partir de uma força divina, mas das suas próprias contradições internas. “Tudo o que existe merece perecer”, diria o velho Hegel, isto é, toda realidade existente carrega os germes da sua negação. A extrema-direita aprendeu a falar a linguagem do delírio. Nós, devemos ter coragem de propor e realizar o impossível. 

Foto: Daniel Ramalho/AFP
Foto: Daniel Ramalho/AFP

A combalida candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro ganhou mais uma fissura com o vídeo em que a esposa de seu pai, Michele, expõe seu enteado por tê-la “desrespeitado” e “apunhalado”. Embora não tenha havido nenhuma espécie de derretimento da candidatura de Flávio, o fato é que a disputa pública se configura como mais uma barreira para que ele consiga vender a imagem de “moderado” e atrair para sua campanha os eleitores considerados indecisos, decisivos agora como em 2022.

 

Para além da superfície, é preciso olharmos o jogo de forças por trás desta disputa, que se trava em última instância pelos espólios do legado de Bolsonaro: a defesa do golpe militar, os 700 mil mortos da Covid e alguns milhões de votos. Como todo e qualquer caudilhismo, também aquele reunido em torno do capitão do mato tende à divisão com o desaparecimento (neste caso, um sui generis desaparecimento em vida) do seu chefe. Na verdade, a candidatura de Flávio representa uma mal costurada frente reacionária, composta por diversos setores da direita civil e extrema-direita que não depositam no “01” uma confiança estrita ou ponto de unificação.

 

O que se comprova com a atual crise interna deste movimento – que se manifesta praticamente desde o dia em que ele chegou ao governo federal – é que ele não possui uma unidade ideológica unificada, pelo contrário: ao ecletismo ideológico comum a diferentes manifestações do fascismo (eclético na medida em que vocaliza um discurso “antissistema” e que diz representar o “homem comum”, mas age em defesa dos interesses dos setores mais rapaces do capital financeiro e do latifúndio) se soma o arrivismo do velho capitalismo cartorial brasileiro, pois toda uma plêiade de figuras saídas dos estratos mais imundos da sociedade se agarraram ao vagão bolsonarista com o único intuito de abocanhar um mandato ou um quinhão das verbas públicas. Ocorre que este ecletismo, se permitiu ao Bolsonaro e aos seus galvanizarem amplo apoio entre diferentes classes sociais, também limitou a sua ação unificada e a criação de um verdadeiro partido político.

 

Michele Bolsonaro parece ser, neste sentido, mais sagaz que os seus inimigos correligionários, pois estruturou um movimento de massas evangélico e feminino em torno da sua figura. Movimento, aliás, pavorosamente reacionário, pois assentado em uma visão protestante fundamentalista, que buscará estender a toda a sociedade. Seja como for, cabe perguntar: este movimento consegue sobreviver sem a infraestrutura e o aval dado pela liderança do PL? De todo modo, como velha raposa corrupta e pragmática, Valdemar da Costa Neto aposta uma no cravo e outra na ferradura e, se é obrigado a prestar declarações públicas de solidariedade a Flávio, não se pode descartar que a ousadia de Michele não tenha nele um incentivador oculto. Com as eleições presidenciais de 2026 correndo sério risco para este grupo político, ele parece apostar suas fichas em eleger uma grande bancada para o Congresso e construir um nome para 2030 que seja capaz de escapar do tacão de Bolsonaro e seus filhos.

 

Sem o trabalho de embelezamento que seria feito por Michele, Flávio parece ser dirigido cada vez mais pelo “grupo dos Estados Unidos”, leia-se, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que são o núcleo duro da extrema-direita. Até mesmo o voto feminino, conquistado há pouco tempo na maior parte dos países capitalistas, mediante muita luta popular, foi contestado pelo neto desocupado do general Figueiredo. O paradoxo da candidatura de Flávio é que são estes 20%-30% de votos do bolsonarismo raiz os que não deixam sua candidatura derreter, apesar de todos os revezes e escândalos, mas com eles somente ele não ganha. Sem mandato, tanto ele como os irmãos serão presa fácil do séquito de humilhados e dissidentes que eles próprios produziram com a arrogância imperial como tratam os assuntos políticos.

 

Do outro lado do páreo, Lula assiste à disputa com a prudência de quem se beneficia mais do sangramento do adversário que da sua liquidação a curto prazo. Por isso, suas declarações têm sido econômicas a respeito, mesmo porque, o escândalo Master, já colheu um dos seus mais antigos e próximos aliados, o sionista-petista Jaques Wagner. A possibilidade da eclosão de um escândalo nas suas proximidades, a esperada tentativa de ingerência de Trump e sua própria verborragia nem sempre calibrada não permitem ao PT e nem a ninguém dar essa eleição por resolvida. Até porque, a extrema-direita tem raízes orgânicas na sociedade brasileira, que poderiam ser preenchidas até mesmo por algum aventureiro improvisado caso Flávio sucumba antes de outubro.

 

Aos trabalhadores da cidade e do campo, aos estudantes, à juventude das favelas e aos intelectuais progressistas, cabe organizar a luta pelos seus próprios interesses. O fato é que nenhum direito do povo está em jogo nessa disputa, pois ela repete uma suposta polarização entre correntes políticas que nos governam e governaram na última década, sem nenhuma melhoria substancial na vida dos trabalhadores. O PT prometeu revogar a reforma trabalhista em 2022 e chegará em outubro sem nem sequer entregar o fim da escala 6x1, pauta que surgiu nas ruas e foi mantida em segundo plano até a véspera das eleições. A única maneira de fazer valer os nossos interesses é a mobilização, organização e luta desde a base, até que o poder esteja em nossas mãos.

 

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