As “antigas” armas de guerra do sionismo em Gaza
- Redação
- há 11 horas
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Na última segunda-feira (25/08), o mundo acordou assistindo mais uma vez (e em tempo real) o ataque covarde e criminoso do sionismo contra as massas palestinas em um dos poucos Hospitais que ainda restam em Gaza. Às 10 horas da manhã1, dois misseis atingem propositalmente um dos últimos complexos hospitalares do sul de Gaza, o hospital Nasser, localizado em Khan Younis.
Foram um total de 21 mortos, só neste ataque da manhã da última segunda-feira. Destes 21 assassinados salta os olhos a continuação de assassinatos seletivos de jornalistas da região. Desta vez foram 6 jornalistas mortos, incluindo um homem da equipe do Al Jazeera, o fotógrafo Mohammad Salama.
Entre os jornalistas mortos estão: Hussam al-Masri, que trabalhava como fotojornalista para o Reuters; Mariam Abu Daqqa, que trabalhava para diversas mídias, incluindo o Independent Arabic, e Moaz AbuTaha que trabalhava para o departamento de mídia oficial de Gaza.
O quinto jornalista assassinado foi Ahmed Abu Aziz, que trabalhou para o The Quds Feed Network e outras mídias. Ele morreu após o ataque no hospital, onde foi atingido com graves ferimentos.
Israel matou também o correspondente Hassan Douhan, um jornalista e acadêmico que trabalhava como correspondente do Al-Hayat al-Jadida, num ataque separado em Khan Younis, depois do ataque no Hospital Nasser.
Veja que os jornalistas mortos nesta segunda-feira são correspondentes de diversos monopólios de mídia, e que representam concepções ideológicas diversas diante da situação de Gaza, indo das mais moderadas até as posições mais pró-palestina.
Os jornalistas de Gaza têm conhecidamente usado os hospitais como locais de trabalho porque os hospitais hoje em Gaza são um dos últimos estabelecimentos que não foram totalmente destruídos, onde se encontra eletricidade e internet. Além disso, os hospitais que restam hoje em Gaza (são 17 hospitais em funcionamento parcial, sendo que antes do 7 de outubro eram 32 hospitais), também se transformaram em fontes de denúncia da mídia pró-palestina que têm reportado milhares de casos de feridos pela guerra e mais recentemente, os palestinos assassinados pela inanição – mais uma arma de guerra dos sionistas.
O hospital Nasser, é o maior hospital público ainda em operação no sul de Gaza, servindo a uma população de aproximadamente 800 mil pessoas. São apenas 17 hospitais em funcionamento em Gaza atualmente2.Em 2025, o hospital operava com 180% acima da sua capacidade de leitos.
Netanyahu declarou que o ataque foi um “trágico acidente”, mas sem explicar como o tal “acidente” ocorreu duas vezes, num intervalo de 10 minutos, em um mesmo Complexo Hospitalar.
O direito humanitário internacional condena a utilização de hospitais como alvos militares como também de médicos e socorristas em condições de guerra. Tal prática covarde é considerava crime de guerra desde 1949 com a Convenção de Genebra.
Segundo fontes oficiais de Gaza, na segunda-feira (25/08) os assassinatos ocorreram, devido a um duplo bombardeio3. Um míssil atingiu o hospital e logo após isso, enquanto as equipes de socorro chegavam, outro míssil atingiu o hospital, assassinando um número ainda desconhecido dessas equipes de resgate que estão entre os 21 mortos.
Mais de 250 trabalhadores da saúde, incluindo socorristas foram assassinados por Israel desde 7 de outubro.4
Mais uma arma de guerra dos sionistas: a fome
“A destruição sistemática de infraestrutura alimentar, o bloqueio de caminhões com ajuda humanitária, o bombardeio de supermercados, o impedimento de acesso à água potável, a recusa na autorização de entrada de combustível para refrigerar alimentos e operar hospitais: tudo isso revela uma política de morte que não mira apenas em soldados ou combatentes, mas em corpos civis famintos, em crianças desnutridas, em mães desesperadas, em idosos esvaziados de forças. A fome, nesse contexto, não é uma consequência colateral do cerco militar, ela é o próprio cerco.” Assim escreve o professor de Filosofia William Costa em seu recente texto na coluna da ANPOF.
Mesmo antes da escalada do Genocídio nos últimos anos, Israel tinha uma política de “dieta da morte” para os Palestinos. Eram diversos mantimentos impedidos de entrar em Gaza, proibições absurdas de atividade de pesca no seu próprio território, precarização da água, e controle de calorias dos mantimentos que passavam pelo bloqueio de Israel em Gaza. Toda essa política apenas se agravou. Hoje, ela é uma regra e tende a se normalizar cada vez mais. Essa estratégia de guerra de usar a fome como cerco, chega ao cúmulo da crueldade com os 78 dias (2 de março á 9 de maio de 2025) em que o povo palestino sofreu com o bloqueio de Israel da entrada de qualquer mantimento vital (comida e água) em Gaza.
A “dieta da morte” de Israel sob a população palestina começa oficialmente em 2007, depois de 1 ano do Hamas ter ganhado as eleições em Gaza e ter tomado controle da região em 2007. Israel estabeleceu um novo regulamento de segurança em Gaza que limitou o acesso a comida na região. A partir disso, o desemprego em Gaza chegou aos 45% e 2/3 da população começaram a precisar de ajuda humanitária para conseguir comida e água potável.5
Em 2012, uma reportagem em conjunto do Save the Children e UK-based Medical Aid for Palestinians concluiu que 58.6% das crianças em fase escolar de Gaza eram anémicas. Entre as crianças de 9 á 12 anos eram 68% em estado anémico e entre mulheres grávidas o número era de 37%.
Além disso, de acordo com a UNICEF, menos de 10% da água em Gaza era segura para consumo devido a restrições de determinados materiais de tratamento de água por Israel6.
Em 2022, 64,3% da população em Gaza foi classificada como tendo uma insegurança alimentar moderada ou severa. 77% da população afirmava que todos os membros de sua família tiveram suas refeições diárias reduzidas7.
Atualmente é comum ouvir relatos da população de Gaza sobre a alimentação diária de apenas uma refeição, quase como um privilégio. Essa situação acontece para a maioria da população palestina, assim como para os jornalistas, médicos, socorristas e diversos outros trabalhadores de Gaza que participam da resistência e denunciam os crimes de Israel seja pelo cuidado da população que vive sob um regime cruel de guerra seja pelas reportagens que noticiam os assassinatos, feridos e mortos por inação.
As mortes por inanição ou desnutrição severa
Segundo os médicos e trabalhadores da saúde em Gaza, os casos mais graves de famintos são de crianças. A população de Gaza chega a uma situação de fome inimaginável e extremamente dolorosa, do qual as condições dos famintos podem ser irreversíveis mesmo com tratamento médico ou com a volta da sua alimentação regular – que não parece ser uma possibilidade. Muitos dos famintos têm sintomas que podem ser irreversíveis e é provável que os que sofrem dessa condição hoje não consigam sobreviver.
A morte por inanição ou privação de alimentação acontece lentamente. Não é fácil que nossos corpos cheguem ao estágio de inanição ou desnutrição severa. Quando isso ocorre, o corpo já usou todas as suas reservas energéticas. Neste estágio são raros os casos de sobreviventes. Um dos primeiros estágios para chegar a inanição ou desnutrição grave é a desnutrição moderada que ainda é reversível. As crianças são as primeiras a morrer e as que mais sofrem de condições de desnutrição de forma mais rápida. Desde o mês de abril até meados de julho desde ano, mais de 20 mil crianças foram hospitalizadas em Gaza por desnutrição ou má nutrição. Segundo o Indian times, são 317 mortes por inanição confirmadas, sendo 121 destes assassinados de crianças.
O ano de 2025, foi marcado pela intensificação desta estratégia de guerra genocida de Israel contra a população em Gaza. Desde de a tempestade Al Aqsa – que foi uma resposta justa ao sistemático genocídio palestino e política de apartheid em Gaza e ignorada por mais de 70 anos por todas as potências imperialistas no globo- foram até agora 62 mill assassinatos em Gaza por Israel. Mais da metade dos assassinados, são mulheres e crianças.
Entretanto, mesmo com o avanço do genocídio o povo em Gaza não aceita a sua retirada de forma pacífica e ordeira. O povo permanece em sua terra, mesmo com a luta diária por alimentação, casa, lazer, e principalmente soberania do seu território. Quase mais nada resta em Gaza, além da luta cotidiana do seu povo por resistir. As ilusões com um cessar fogo que nunca se concretiza já não passam de palavras vazias para o povo palestino, e só serve hoje, como uma narrativa de Israel para cansar a opinião publica da culpabilidade do Hamas pelo fracasso dos acordos, mesmo que este tenha aceitado um cessar-fogo faz uma semana. Toda essa situação de resistência contundente e desmoralização de Israel provoca um desgaste na opnião pública sobre suas ações. Segundo a Folha de São Paulo, o apoio a Israel no Brasil só decai, inclusive dentro da direita. Israel é hoje palco de diversos protestos, sejam dos mais progressistas entre jovens que se recusam a servir no genocídio, seja entre a população que pede o fim da guerra.
1 Horário de Brasília.
2 Fontes do relatório da OCHA – Escritório de Coordenação Humanitária da ONU (Território Palestino Ocupado) de 25 de maio até 7 de junho.
3 A expressão em inglês é “Double tap”. O jornal Al Jazeera fez uma explicação detalhada sobre o ocorrido. Um double-tap é essencialmente um ataque duplo, ou sucessivo em um mesmo alvo. Neste caso foram dois disparos, com pequenos intervalos de tempo, num mesmo alvo. Os dois disparos ocorreram com cerca de 10 minutos de diferença. Quando usado em contextos de guerra, “double-tap” é uma tática militar conhecida para o assassinato covarde de socorristas.