Bolsonaro preso! A luta continua
- Núcleo de São Paulo
- há 6 dias
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A prisão de Jair Bolsonaro, anunciada hoje, 22 de novembro, marca um capítulo relevante da luta popular no Brasil. Trata-se de um desfecho merecido para quem articulou e conduziu uma tentativa aberta de golpe de Estado, mobilizando os elementos mais reacionários e fascistas da sociedade brasileira contra as massas trabalhadoras. No entanto, seria um erro grave imaginar que a detenção de uma figura, por mais simbólica que seja, encerra a batalha contra o bolsonarismo enquanto fenômeno político e social.
As raízes do bolsonarismo seguem profundamente entranhadas na ordem social brasileira, sustentadas pela estrutura repressiva do Estado e pela hegemonia ideológica das classes dominantes. A prova disso se expressa com mais claramente na recente chacina genocida promovida por Claudio Castro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — verdadeira operação de guerra contra o povo. Da mesma forma, se expressa na diligência com que o Congresso Nacional tenta impor aberrações jurídicas como o chamado “PL da pedofilia” e tantos outros projetos reacionários que buscam ampliar os mecanismos de controle, criminalização e opressão das massas.
Por isso afirmamos: a prisão de Bolsonaro não pode servir como instrumento de desmobilização, nem como narrativa de que o próprio judiciário e o sistema político burguês seriam capazes de “derrotar” o fascismo que ele mesmo alimentou. O judiciário, as casas legislativas e todo o aparato institucional são parte orgânica da engrenagem que mantém o povo trabalhador subjugado. Confiar no seu movimento interno significa permanecer acorrentado às ilusões democráticas que, há décadas, apenas reforçam a reprodução do próprio sistema.
Lembremos da complacência criminosa do judiciário durante os anos de genocídio conduzido por Bolsonaro contra os trabalhadores e os povos indígenas durante a pandemia. Enquanto milhares morriam sem oxigênio, sem vacina e sem acesso a políticas públicas básicas, Bolsonaro manteve-se inerte. Quando questionado sobre as mortes, proferiu a famosa frase: “não sou coveiro, tá?”. Legitimado pela omissão do judiciário, aplicou a política de extermínio contra o povo pobre, negro, periférico e contra comunidades indígenas inteiras que foram deixadas à própria sorte. A justiça que hoje prende Bolsonaro é a mesma que fechou os olhos quando este massacrou o povo em escala nacional.
É tarefa das massas trabalhadoras — nas cidades e no campo — manter a mobilização permanente, independente, organizada e combativa. Somente a ação consciente do povo é capaz de derrotar verdadeiramente o bolsonarismo enquanto expressão de um projeto reacionário mais amplo.
A luta avança, mas depende de nós. Que a prisão de Bolsonaro não nos anestesie, mas sirva de combustível. Que fortaleça a compreensão de que a transformação real virá, não das instituições apodrecidas, mas do movimento orgânico das massas.






