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Crise Hídrica na Palestina: Água como Arma de Guerra

Crianças palestinas buscam água. Foto: AFP
Crianças palestinas buscam água. Foto: AFP

Sem água, sem vida


A água devido à sua estrutura atômica e tipo de ligações químicas possui propriedades únicas que a tornam um solvente universal, ou seja, é capaz de dissolver outras substâncias. Nenhum processo metabólico ocorre sem a ação direta ou indireta da água. O corpo de um ser humano é formado em média por 70% desse líquido, o cérebro e o coração possuem 75% de água, os pulmões 86%. Uma pessoa não consegue sobreviver três dias sem água. A água é elemento fundamental para a manutenção de todas as formas de vida na natureza [1].


De toda água existente no planeta Terra, 97,5% é água salgada (disponível principalmente nos oceanos) e 2,5% é água doce. Do total de água doce, 68,9% está na forma de gelo nas calotas polares e 31,10% no estado líquido. Da água doce líquida, 96% estão em aquíferos subterrâneos e apenas 9% está na superfície (rios, lagos e lagoas) [2].


De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), para o atendimento das necessidades básicas diárias, cada pessoa necessita de 110 litros de água [3].


A água como arma de guerra no genocídio do povo palestino


Na cobertura dos grandes monopólios de mídia acerca do genocídio patrocinado pela entidade sionista contra o povo palestino, a questão da água não tem tido grande destaque, todavia ela ocupa papel importantíssimo nos planos coloniais do imperialismo/sionismo para a região do Oriente Médio.


Desde a invasão sionista das terras palestinas em 1948 (Nakba), o projeto colonial tem por objetivo privar o povo palestino de seu direito à água, e isso tem sido usado como arma de guerra. Os recursos hídricos e toda a infraestrutura relacionada com a água têm sido utilizados para oprimir o povo palestino. O sionistas detêm o controle das águas superficiais da bacia do Rio Jordão, o “mar” da Galileia, o Rio Jarmuque e o baixo Jordão, além das águas subterrâneas de três aquíferos: (i) Aquífero da Montanha (majoritariamente sob o solo palestino da Cisjordânia); (ii) Aquífero de Basin (Cisjordânia); e (iii) Aquífero Costeiro (toda faixa litorânea israelense até Gaza). Nenhuma nova fonte para a extração de água, como perfuração de poços ou unidades de bombeamento, pode ser instalada pelos palestinos sem a permissão dos militares sionistas. Além disso, existe a proibição de acesso ao Rio Jordão, aos mananciais de água doce, o controle dos sistemas de acumulação de água da chuva, bem como a destruição das cisternas de armazenamento de água nas comunidades palestinas. A diminuição do acesso à água faz parte da estratégia de expulsar o povo palestino de suas terras para a implantação dos infames e ilegais assentamentos sionistas [4].


Figura – Mapa dos recursos hídricos na Palestina [5]
Figura – Mapa dos recursos hídricos na Palestina [5]

Israel sempre teve por objetivo expandir seu território por meio de agressões militares, a luta por mais terra está umbilicalmente ligada à luta por mais água.


De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a crise hídrica na Faixa de Gaza está levando à falência total do sistema de saúde pública. Um morador da região está tendo acesso à somente 7 litros de água por dia (são necessários 110 litros diários para atender às necessidades básicas de uma pessoa). O número de pessoas deslocadas devido ao colapso do sistema de saneamento básico chega a 1,1 milhão. Não existem peças de reposição para reparar as estações e as infraestruturas de distribuição, tampouco combustível para o bombeamento de água. O preço dos produtos de limpeza aumentou 100% [6].


As leis e acordos internacionais reconhecem o acesso à água como direito humano fundamental e indispensável para se viver. Também determinam que águas transfronteiriças, como é o caso da região da Palestina, são recursos naturais que devem ser compartilhados. Mas há que se perguntar se aqueles que assassinam crianças, estupram civis, matam famintos à procura de comida, jornalistas e funcionários de agências internacionais de ajuda humanitária, transformam hospitais e ambulâncias em alvos e constroem arquibancadas para assistirem aos bombardeios em Gaza, irão respeitar acordos internacionais para compartilhamento de água?

 

Palestina resiste e jamais se renderá


O plano do imperialismo e do sionismo é destruir o povo palestino, quebrar seu espírito, varrer do mapa qualquer vestígio dessa civilização. Aqueles que não forem aniquilados se diluiriam nos países árabes vizinhos. Os resultados deste plano são devastadores, mas forjou no povo palestino o espírito de resistência. Se o desastre de 1948 fez com que muitos abandonassem a terra palestina, a diáspora, os campos de refugiados, os massacres, a sede, a fome, o desemprego forjaram nas novas gerações o espírito de luta. O povo palestino deixou para trás o sofrimento passivo para construir com vitórias e derrotas, idas e vindas, um legado que segue adiante, a legítima e nobre causa da libertação nacional.


Cerca de 70 mil pessoas foram aniquiladas de forma direta pela besta-fera sionista, estima-se que outras 300 mil perderam a vida devido à falta de medicamentos, cirurgias, quimioterapia, hemodiálise, alimentos, água potável, etc. Na equação do imperialismo/sionismo esses fatores deveriam levar à fragmentação política, à delação e entrega dos combatentes. Mas o povo palestino foi forjado na luta e hoje, mais experimentado, mais consciente de si mesmo, brada aos quatro cantos do mundo: “NUNCA SAIREMOS DA PALESTINA E CONTINUAREMOS A LUTAR!” [7].

           

Os verdadeiros democratas e revolucionários devem se inspirar e se animar com o espírito de luta desse povo que nunca se rende. É tarefa de todos que tremem de indignação diante dessa injustiça não se calar jamais, denunciar e se solidarizar diuturnamente com o povo palestino. Há ativistas que cruzam os mares em embarcações para levar medicamentos, alimentos e equipamentos para atender às necessidades mais urgentes do povo palestino e sobre os quais os sionistas caem com toda a sua violência reacionária agredindo-os e os trancafiando em suas masmorras. E você o que pode fazer? Quem sabe organizar uma roda de conversa na sua comunidade para discutir algum texto que denuncie o genocídio do povo palestino. Ou talvez promover juntamente com seus amigos, na sua escola ou em outro lugar, um festival com filmes e documentários sobre a luta do povo palestino. Fazer uma oficina de cartazes com frases em defesa da soberania do povo palestino e pregar nos postes e muros da sua cidade. Usar uma camisa ou um broche em que se leia PALESTINA LIVRE!!! GAZA LIVRE!!!

 

Referências:

 

 

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