Ferroviários de São Paulo em greve!
- Comitê Revista Revolução Cultural - São Paulo
- há 2 horas
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Por Jorge Hannah
As cabeças levantadas
Máquinas paradas
Dia de pescar
Pois quem toca o trem pra frente
Também de repente
Pode o trem parar
Eu não sei bem o que seja
Mas sei que seja o que será
O que será que será que se veja
Vai passar por lá
Gente que conhece e prensa
A brasa da fornalha
O guincho do esmeril
Gente que carrega a tralha
Ai, essa tralha imensa
Chamada Brasil
Os ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade decidiram, em assembleia realizada na noite de segunda-feira (3), paralisar as atividades a partir da meia-noite desta terça (4). A greve, aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), veio na sequência de uma reunião entre lideranças da categoria e representantes do governo estadual, realizada na Casa Civil, com a presença do presidente da CPTM e do secretário de Transportes Metropolitanos do governo
Tarcísio de Freitas, que terminou sem qualquer proposta capaz de atender às reivindicações dos trabalhadores. Na semana anterior, a categoria já havia aprovado um indicativo de greve. As pautas da paralisação passam pela reestatização das três linhas, hoje concedidas à Trivia Trens; garantia de manutenção de todos os postos de trabalho na CPTM; e aprovação do Projeto de Lei 730/2025, que prevê a absorção dos funcionários da estatal por órgãos da administração pública estadual à medida que as concessões avançam. É, portanto, uma greve defensiva, movida menos pela expectativa de reverter no curto prazo o processo de privatização do que pela necessidade imediata de impedir que ele se traduza em demissões em massa e precarização.
A Trivia Trens assumiu a operação das três linhas, além do Expresso Aeroporto, em 21 de julho, dentro do programa de concessões do Governo do privatista Tarcísio de Freitas, que promete R$ 14,3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos. Bastaram dois dias de operação privada para que o sistema desse sinais de colapso, agravados pela decisão da concessionária de escalar funcionários sem treinamento adequado para operar composições e monitorar estações. Em 23 de julho, como reportado pela Revista Revolução Cultural, um curto-circuito provocou incêndio em um trem da Linha 12-Safira, com explosões, princípio de pânico e passageiros caminhando sobre os trilhos para escapar. A gravidade do episódio levou a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a determinar que a CPTM retomasse emergencialmente a operação das três linhas por até 90 dias — prazo que, não por acaso, cobre o período eleitoral, garantindo um serviço minimamente funcional durante o período de votação, sem alterar o desenho contratual que devolverá as linhas ao setor privado assim que a poeira baixar.
Somente na Linha 11-Coral, a mais movimentada da rede, foram registrados 15 problemas graves ao longo do primeiro semestre de 2026, salto de 275% sobre o mesmo período do ano anterior, dez deles concentrados em junho, no auge da transição para a Trivia. O Ministério Público de São Paulo abriu, em 28 de julho, inquérito civil com prazo inicial de um ano para apurar a atuação da Trivia Trens, da Artesp, da Secretaria de Transportes, e da gestão das linhas no período anterior à privatização, sob controle da própria CPTM. A tarifa segue fixada pelo governo estadual, hoje em R$ 5,40 e a Trivia Trens não pode reajustá-la por conta própria, o que significa que a lucratividade do contrato depende de garantias contratuais e de aportes públicos capazes de blindar o retorno do capital investido, independentemente do desempenho operacional. Quando esse desempenho falha, é a estrutura estatal remanescente (a CPTM esvaziada, reduzida a uma única linha própria, a 10-Turquesa), que é chamada a socorrer o serviço.
A fragmentação da malha ferroviária paulistana entre operadoras distintas (Trivia, TIC Trens, Via Mobilidade e o que resta da CPTM), rompe o planejamento integrado que antes cabia ao Estado e multiplica os pontos de atrito entre sistemas, tarifas e responsabilidades contratuais, ao mesmo tempo em que abre vinte e cinco anos de fluxo de caixa garantido para grupos privados que assumem uma infraestrutura construída com
recursos públicos. Outras privatizações realizadas por este mesmo governo apresentaram o mesmo padrão de entrega dos recursos públicos e sucateamento intencional, como a SABESP.
Sendo assim, a paralisação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nasce de uma manobra entreguista de um governo antipopular e de um serviço que se deteriorou rapidamente sob gestão privada. Sua categoria, responde com a única ferramenta de que efetivamente dispõe. A resistência dos ferroviários é o atestado de que a luta política organizada continua sendo a forma mais efetiva de mobilização contra a perda de direitos.
Que a greve dos ferroviários tire o sono daqueles que atentam contra a soberania e a liberdade do povo brasileiro!






