Manifesto ao povo brasileiro
Não vote: organize-se e lute por pão, terra, trabalho e dignidade!
Mais uma vez a enxurrada de partidos oficiais e candidatos lotam as ruas e as telas com suas promessas de campanha. Novamente, aos trabalhadores é dada a nobre opção de escolher quais representantes das classes dominantes irão enganá-los e roubá-los no parlamento e nos palácios nos próximos anos. Desde o retorno do voto direto para a presidência da república, em 1989, diferentes siglas se revezaram no cargo, da esquerda institucional e comportada do PT até a extrema-direita golpista de Bolsonaro. Em essência, o que mudou na vida do povo? Nada!
É claro que o princípio do sufrágio universal – uma cabeça, um voto – é uma conquista democrática importante, como são a jornada de oito horas, o direito de greve ou o divórcio para as mulheres. Ainda pior seria um regime como o dos militares, que vigorou entre 1964-1985, que restringia a escolha do presidente a uma votação indireta, entre uma lista apresentada pelos generais; ou, retrocedendo no tempo, a odiosa Monarquia que acabou em 1889, que governou apoiada no chicote e na senzala que mantinha sobre a população negra e escravizada. Ocorre que o direito de voto pode ser usado para muitas coisas, como, por exemplo, plebiscitos sobre aspectos da vida cotidiana ou direitos de minorias. A sua existência pura e simples não significa que o sistema político é democrático, pois a democracia popular não é apenas a possibilidade de escolher, mas de fiscalizar e remover os representantes eleitos.
Na prática, quem decide o resultado das eleições no Brasil não são os eleitores individualmente, mas sim o poder do dinheiro e cada vez mais das máfias organizadas e instaladas dentro do Estado. A cada quatro anos, os brasileiros são chamados a comparecerem a um jogo de cartas marcadas, em que os candidatos considerados competitivos já deram provas suficientes aos seus verdadeiros chefes – os banqueiros, industriais, latifundiários, donos das empresas de comunicação e outros grupos poderosos – que não farão nada para alterar os seus privilégios, ou ampliar os direitos e a participação política dos trabalhadores.
Por isso, nós da Revista Revolução Cultural conclamamos o BOICOTE ÀS ELEIÇÕES! Ao votar nulo ou se abster, a juventude e os trabalhadores não deixam de se manifestar politicamente, ao contrário: expressam com isso o seu rechaço cada vez mais consciente a um sistema político que não representa os interesses da imensa maioria do povo brasileiro. Na verdade, é o seu maior inimigo!
Lula x Bolsonaro: uma falsa escolha
Lula chegou ao seu primeiro mandato como presidente em 2003. Disse que faria a reforma agrária, a reforma urbana, erradicaria o analfabetismo e a pobreza no Brasil. Hoje, estamos em 2026, e após três mandatos seus e mais um e meio de Dilma, os brasileiros ainda amargam os serviços públicos precários de saúde e educação, filas intermináveis no INSS, juros extorsivos nas mãos dos bancos e aluguéis cada vez mais caros. O governo do PT sabotou o quanto pôde a mobilização contra a escala 6x1, que só foi pautada neste ano visando interesses eleitoreiros. Ainda assim, não foi aprovada.Esse governo, por exemplo, manteve o teto de gastos sob o nome pomposo de arcabouço fiscal. No campo, Lula assentou menos camponeses do que os governos abertamente de direita como FHC.
E o que dizer de Bolsonaro? Durante seu governo, o povo mais pobre teve que se amontoar diante das filas de ossos para se alimentar, e o seu descaso e mentira deliberada levaram a que mais de 700 mil brasileiras e brasileiros morressem durante a pandemia de Covid-19. O homem que se elegeu prometendo acabar com a roubalheira, governou em conluio com figuras corruptas como Ciro Nogueira e Arthur Lira, queimou bilhões do Orçamento em emendas secretas e tentou dar um golpe militar quando perdeu nas urnas. Seus filhos são da mesma laia, e Flávio Bolsonaro já foi flagrado chamando o mafioso Daniel Vorcaro de “irmão” no escurinho do zap. Isso prova que eles são todos farinha do mesmo saco, defensores de que tudo mude para continuar exatamente como está.
Aos trabalhadores, interessa lutar pelas liberdades democráticas e liberdades políticas – os direitos de reunião, associação, manifestação –, pois nos valemos dessas conquistas históricas para nos organizarmos por melhores condições de vida no presente e pela completa emancipação social no futuro. Isso inclui rechaçar a ofensiva reacionária contra os direitos da população LGBT+ e qualquer discriminação baseada na cor da pele, credo e local de origem que só servem a dividir o nosso povo. No entanto, nessas eleições de 2026 ambos os candidatos principais representam a preservação da mesma ordem corrupta, em que o governo é partilhado pelo Executivo com as oligarquias que comandam a cúpula do Congresso e do Judiciário. Nem no programa de Lula e muito menos no de Flávio Bolsonaro, aparecem garantias de extensão de direitos aos trabalhadores ou de um projeto de verdadeira libertação nacional do Brasil, que é cada vez mais cobiçado na disputa entre as duas principais potências imperialistas do século XXI: os Estados Unidos e a China.
Libertação Nacional se conquista na ponta do fuzil!
Por falar em disputa imperialista, é uma ilusão acreditar que a eleição de um ou de outro candidato é capaz de resolver o problema da independência nacional do Brasil. Nem Lula e nem Bolsonaro foram capazes de reverter a situação semicolonial do nosso país, que se mantém como um servo dos interesses norte-americanos na América Latina. Ora, por acaso as agências de espionagem ianques não atuam impunemente no país desde sempre? As petrolíferas estadunidenses não são as maiores beneficiárias da exportação e comercialização de combustíveis oriundos do nosso do país? Por acaso nós temos alguma soberania nos setores estratégicos de tecnologia aérea e espacial, nuclear ou cibernética?
A origem desta submissão econômica, militar e cultural a uma potência estrangeira é encontrada na própria história do Brasil: nem a Independência formal de Portugal, em 1822, nem o fim da Monarquia, em 1889 e nem os movimentos políticos do século passado – como o Golpe de Vargas em 1930 ou a redemocratização dos anos 1980 – contaram com ampla participação popular. Na verdade, eles se constituíram em meros rearranjos das classes dominantes, em tentativas de fazer a mudanças de fachada antes que o povo as fizesse efetivamente. Esta realidade se mantém até hoje. Enquanto Flávio Bolsonaro pretende converter o Brasil em uma colônia aberta de Trump e sua tropa de pedófilos, Lula busca uma dominação mais negociada, mas sem tocar nas questões decisivas da soberania, como, por exemplo: a nacionalização de todas as terras, o fim da sua exploração por donos estrangeiros, o monopólio estatal da exploração de minerais críticos e terras raras e o encerramento de contratos para instalar data centers em território brasileiro.
Como as heroicas resistências dos povos palestino, libanês e iraniano comprovam, soberania não se esmola, mas se conquista no campo de batalha! No nosso caso, a defesa da soberania nacional não se restringe a defender mais verbas para as forças armadas, como querem setores do PT, até porque os currículos e mentalidade daquelas as tornam tropas de ocupação à serviço dos Estados Unidos, e não uma salvaguarda dos interesses nacionais brasileiros. Não há soberania nacional sem emancipação social dos trabalhadores, pois o povo é o cerne da nacionalidade. Se os Estados Unidos ou qualquer país estrangeiro ousarem atacar nosso território, deveremos exigir e realizar na prática o armamento geral do povo para defendê-lo!
10 pontos para emancipar os trabalhadores e libertar o Brasil
Qualquer que seja o candidato eleito ou a correlação de forças no Congresso, devemos lutar para fazer valer os interesses daqueles que vivem apenas do próprio trabalho, que constituem a imensa maioria da Nação. Reivindicamos:
Terra para quem nela vive e trabalha.Desapropriação dos latifúndios e nacionalização de todas as terras.
Monopólio estatal da extração, processamento e comercialização das terras raras, minerais críticos e outros recursos estratégicos, como a água. Abaixo as mineradoras estrangeiras e suas associadas internas!
Reconhecimento da autodeterminação e dos territórios ocupados pelas populações indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
Nacionalização dos bancos e anulação de todas as dívidas contraídas com juros abusivos.
Fim imediato da escala 6x1 e redução da jornada semanal para 36h.
Criança não é mãe, estuprador não é pai! Pelo direito das mulheres à vida e ao próprio corpo.
Elevação geral dos salários e congelamento dos preços dos itens da cesta básica.
Educação pública integral e universal de qualidade para todos os brasileiros, desde a pré-escola.
Que o SUS funcione de verdade, tenha verbas e pessoal para zerar as filas.
Substituição das forças armadas corruptas e entreguistas pela autodefesa popular armamento geral do povo como pilar da defesa nacional. Fim do genocídio da juventude nas favelas.






