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Irã: milhões saem às ruas contra a ameaça imperialista

Nas últimas semanas o Irã tem sido alvo de uma intensa campanha de agitação e protestos anti-governo que, apesar de explorarem legítimas dificuldades econômicas, como o impacto das sanções norte-americanas que devastaram a economia do país persa, não podem ser compreendidos fora do contexto mais amplo de sucessivas tentativas de ofensiva imperialista por parte dos Estados Unidos e “Israel”. Trump e setores da diplomacia estadunidense não só condicionaram qualquer alívio às sanções à submissão política de Teerã, como têm publicamente incentivado protestos e até sugerido apoio direto à derrubada do governo. Recentes declarações do presidente dos EUA apelando aos iranianos para “continuarem protestando” e prometendo que “a ajuda está a caminho” revelam, sem disfarce ou meias palavras, a intenção de capitalizar sobre a instabilidade interna para pressionar por uma mudança de regime que sirva aos interesses estratégicos de Washington na região. 


A narrativa de uma oposição puramente doméstica é reforçada pela mídia ocidental e por forças políticas alinhadas ao capital global, mas ignora deliberadamente que o esfriamento econômico que alimenta tal descontentamento está diretamente ligado à máxima pressão imperialista - sanções, ameaças de intervenção militar, chantagens e a constante tentativa de isolar o Irã internacionalmente. O próprio governo iraniano tem dito repetidamente que conspirações e ordens vindas do exterior infiltraram as manifestações com o objetivo de provocar violência, criar pretextos para intervenção e empurrar o país para uma crise política profunda. Diplomatas de Teerã denunciaram que elementos bem treinados e financiados têm agido com claros objetivos desestabilizadores, com instruções vindas de fora do país para inflar conflitos e pressionar o Ocidente a intervir. 


Ontem, em resposta a essa ofensiva explícita, o governo convocou enormes manifestações contra a ingerência estrangeira, colocando milhões de iranianos em uma mobilização nacional de unidade anti-imperialista. Milhões de pessoas marcharam em Teerã e em outras cidades com bandeiras nacionais, entoando slogans contra os Estados Unidos e Israel, e defendendo a independência e a integridade territorial do país diante de tentativas de desestabilização externa. O líder supremo do Irã, Ayatolá Ali Khamenei, declarou que essas mobilizações representam um aviso solene às potências estrangeiras de que o Irã não sucumbirá às intrigas e conspirações de quem procura dividir o povo iraniano e impor um governo subserviente aos interesses de Washington e Tel Aviv. 


A tentativa de vincular as atuais manifestações a um movimento espontâneo de “liberdade” é uma farsa amplamente promovida pelo capital global e pela mídia hegemônica alinhada ao imperialismo. Quando Trump discute publicamente opções militares ou pressiona economicamente os parceiros comerciais do Irã, fica claro que seu objetivo não é aliviar o “sofrimento do povo iraniano”, mas aproveitar o descontentamento social como pretexto para reconfigurar a ordem geopolítica no Oriente Médio de acordo com os interesses estratégicos dos Estados Unidos e da entidade sionista. 


Isso nos leva a uma personagem central na tentativa de instrumentalização externa: Reza Pahlevi, o autoproclamado “príncipe” herdeiro do antigo regime monárquico iraniano. Pahlevi, vivendo em exílio confortável, cercado por paparazzis e vendilhões da pátria e em estreita sintonia com círculos políticos e midiáticos do Ocidente, tem sido promovido como rosto da oposição, inclusive por Washington. Ele mesmo chegou a afirmar que os protestos “não existiriam sem a pressão de Trump” e a propor um plano de transição política para liquidar a República Islâmica e instaurar um novo regime mais alinhado à agenda ocidental. 


É essencial desmascarar Reza Pahlevi por aquilo que ele realmente representa: não um libertador, mas o rosto restauracionista de um passado monárquico, caduco e subserviente aos interesses colonialistas. A monarquia que ele simboliza no imaginário ocidental nada tem de emancipadora, esta foi historicamente cúmplice das potências estrangeiras, especialmente britânicas e norte-americanas, na exploração dos recursos e na submissão do povo iraniano. Seu reaparecimento no cenário político é um sinal de que o imperialismo busca substituir um regime soberano por outro completamente dependente, preparando o terreno para abrir o país aos capitais globais e às estratégias geopolíticas de Washington e Tel Aviv.


A luta por autodeterminação não pode ser cedida às chantagens e intervenções de potências estrangeiras, nem entregue às mãos de figuras restauracionistas como Pahlevi, um homem que nunca sequer pisou em solo iraniano e é incapaz de compreender as particularidades e minúcias do povo daquele país. Assim como não deve ser entregue aos gerentes do imperialismo, que não representam os interesses populares, mas a continuação de uma lógica de dominação externa disfarçada de “mudança democrática”.

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