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O lugar das mulheres é na política... revolucionária!

Foto: MIDIA Ninja
Foto: MIDIA Ninja


O marxismo sustenta que o estágio alcançado pelas mulheres é o indicador geral do progresso social. Não é, portanto, um acaso que o período de intensificação da agressão imperialista contra os povos de todo o mundo – marcado pela ascensão de governos proto ou mesmo abertamente fascistas em uma série de países – coincida com ataques raivosos aos direitos alcançados pelas mulheres, buscando fazê-las retroceder mais de um século. Desde a ilha de Epstein até a utilização do estupro como método de guerra na Faixa de Gaza ou nas selvas indianas, as mulheres, sobretudo as pertencentes às classes trabalhadoras, são alvo de um reacionarismo perverso e vingativo. Esta realidade geral não poderia deixar de se manifestar no Brasil.


Com efeito, embora, segundo o IBGE, constituam 52% da população brasileira, as mulheres seguem totalmente alijadas da política institucional do país. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, embora sublinhem a importância da participação feminina na “política”, compõem suas chapas e palanques com predomínio das velhas raposas que dominam o Estado brasileiro há séculos – e esse Estado, além de um caráter de classe, tem também um gênero: é o Estado dos homens das classes dominantes, tanto do vista operacional quanto cultural (porque mesmo mulheres que exerçam funções de chefia ou autoridade, reproduzem nas suas funções os valores e a ideologia dominantes). Ainda que, em termos retóricos, Lula e sua coligação defendam os direitos das mulheres, na prática o que temos neste um quarto de século é a perpetuação da sua marginalização, uma vez que elas são as maiores vítimas da precarização do trabalho e das políticas genocidas implementadas pelas polícias (e não é supérfluo frisar que a polícia mais letal do Brasil é a baiana, comandada há décadas pelo PT). O Brasil enfrenta uma verdadeira epidemia de feminicídios, o que escancara a completa insuficiência, para dizer o mínimo, da Lei Maria da Penha. Em termos estruturais, o que mudou no país ao longo dos sucessivos mandatos petistas? O aborto segue criminalizado, a pré-escola restrita, a rede pública de assistência social e de saúde mental totalmente sucateada, e por aí afora. 


Quanto a Flávio Bolsonaro e a extrema-direita, ela inclui os elementos abertamente misóginos, incentivados pelo fundamentalismo religioso e os bilhões de dólares das big techs, fantasiados de algoritmos impessoais e imprevisíveis. Da sua chapa, participam figuras medonhas como Paulo Figueiredo, que defende que as mulheres não tenham direito a voto (e, naturalmente, anular o voto é uma escolha política consciente, que nada tem a ver com revisão da bandeira democrática do direito ao sufrágio universal), ou Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente que responde processo por estupro de vulnerável. Mais recentemente, Michele Bolsonaro e Damares Alves, duas dirigentes do núcleo bolsonarista, acusaram ter sofrido ataques machistas dos seus correligionários, como se houvesse alguma possibilidade de que fascismo e misoginia andassem separados. Ambas, na verdade, defendem uma visão de mundo assentada no fundamentalismo religioso que seria talvez mais perigoso para os direitos históricos das mulheres do que os quatro anos de governo Bolsonaro, pois se valeriam do argumento do “lugar de fala” para se legitimar. 


O discurso, portanto, de que as mulheres devem buscar maior participação na política, entendida aqui como política eleitoral, ou é hipócrita ou é estúpido: hipócrita, quando professado pelos principais beneficiários do sistema político tal qual ele é, ou seja, estruturalmente patriarcal; estúpido, se defendido por pessoas ingênuas que esperam que o Estado brasileiro se reforme a partir de uma evolução lenta, gradual e pacífica, quando foi justamente a ausência de uma ruptura radical com o antigo regime a nossa desgraça essencial, o pecado original desta república oligárquica em que vivemos. Política é o conjunto das ações das classes em prol dos seus interesses, e, portanto, a defesa de que o sistema atualmente vigente seja abolido por meios revolucionários também é uma ação política, a mais política dentre todas aliás, porque a que inauguraria uma situação em que as verdadeiras maiorias trabalhadoras governariam em favor de si mesmas. Fora desta condição, não importa qual candidato vença em outubro, tudo o que teremos será apenas mais do mesmo. A única certeza do nosso lado é que é preciso lutar e proteger as mulheres a partir das organizações populares de base, desde a sobrevivência econômica até a sua autodefesa. 

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