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RJ: Até quando as empresas de ônibus irão fazer o que querem?

há 4 horas
3 min de leitura
Onibus da Icarai Auto Transporte na linha 55A Salgueiro- Alcântara
Onibus da Icarai Auto Transporte na linha 55A Salgueiro- Alcântara

Quem tentou votar neste domingo (25) em São Gonçalo provavelmente se deparou com enormes filas, ônibus lotados e cheios. Assim como aconteceu em outros lugares do país, milhões de pessoas tiveram o seu direito de ir e vir afetado pela postura das prefeituras, e no caso específico de São Gonçalo, de empresas de ônibus, das quais a principal hoje é o Grupo Mauá. A empresa, a exemplo do que fez no primeiro turno, reduziu drasticamente todas as suas linhas, deixando um vácuo de transporte público na cidade, obrigando até mesmo o TRE a cobrar a prefeitura que obrigasse a empresa retomar as operações das linhas.


Essa situação nos chama atenção para situações que vêm se acumulando há alguns anos e também para o poder que hoje está concentrando neste grande conglomerado do ramo dos transportes. 


A Viação Mauá é uma empresa de 80 anos, que sempre atuou na cidade, e que em 2023 comprou sua principal concorrente e que tinha um faturamento e valor de mercado 3x maior que o seu, de forma nebulosa e inexplicável até hoje. Não houve sequer uma reportagem sobre tal fato, mesmo a partir da compra, a Mauá tendo instaurado na cidade um enorme monopólio. Mais de 70% das linhas intermunicipais e por volta de 60% das municipais são agora administradas pelo grupo, que conta agora com 7 empresas diferentes (Auto Viação ABC, Icaraí transportes, Auto Ônibus Alcântara, Viação Rio ita, Expresso Rio de Janeiro, Expresso Tanguá e Auto Viação Fagundes). Esse monopólio se estendeu a cidades vizinhas como Itaboraí, Silva Jardim, Magé, Cachoeiras de Macacu, Tanguá e Rio Bonito 


Após a efetivação desse monopólio, dezenas de linhas tiveram diminuição drástica do contingente de ônibus, sendo reduzidas muitas vezes pela metade. Outras, tiveram seu preço quase triplicado a pedido da Mauá, como foi o caso da linha B100 (Rio Bonito- Saquarema) que saiu de R$5,60 para R$13,00 ligação entre municípios vizinhos. O Grupo Mauá também extinguiu diversas linhas, encurtou outras, obrigando seus passageiros a fazerem baldeações absurdas tendo muitas vezes que pagar a mais por isso. 


Como foi o caso da região do Curuzu, Sapê, Novo Horizonte, Caluge e Cabuçu que tiveram todas as suas linhas sentido Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro encurtadas até o Bairro Largo da Ideia e com integrações que são operadas porcamente pela empresa, que encerram antes das linhas alimentadoras. Na região do Visconde, em Itaboraí, manteve a linha MB36 indo somente até o centro de Itaboraí, anteriormente a mesma tinha ponto final em Alcântara, São Gonçalo, cobrando o mesmo valor de R$7,10 em uma linha que agora é municipal, mesmo tendo o registro e valor da tarifa intermunicipal. Também pediram ao DETRO, que se fizesse isso na região do Bairro das Palmeiras no Complexo do Salgueiro em São Gonçalo, o pedido está sendo analisado, assim como outros pedidos da empresa para fazer algo semelhante no Bairro Marambaia e Morada do Sol em Itaboraí. 


A frota da empresa, que se seguisse as regras impostas pelo governo do estado, em média 40% dos veículos teria de ser lacrado devido a idade, está em um nível paupérrimo de manutenção e possui ônibus com mais de 10 anos de circulação tendo aparelhos de ar condicionados sendo instalados para poderem rodar por muito mais tempo, mesmo não tendo mais a menor condição devido a porca manutenção. Os relatos de baratas e outros insetos nos coletivos são constantes.  


O referido órgão tem sido um verdadeiro pai para essa empresa, que vem conseguindo todas as suas requisições que atentam contra a população do Leste Fluminense de uma forma draconiana. Assim como a prefeitura de São Gonçalo, que em 2013 havia assinado um contrato de concessão com a Mauá e outras quatro empresas que previa a exclusividade dos ônibus na cidade por 40 anos. O que impedia da cidade adotar outros modais municipais como Metrô, VLT ou trem. Esse contrato, que possuía diversas irregularidades, foi embargado pela justiça do Rio ano passado e foi ordenado que outra licitação acontecesse. No entanto, até aqui, nada foi feito. No último ano, mais de 15 linhas municipais do Grupo Mauá rodaram com somente um ou dois veículos diariamente. 


A pergunta que fica de forma clara é: até quando essa empresa fará o que quer?


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